Umha pequena mostra de dados de maternidade nos últimos séculos

Nom tem por que ser representativo o que sei, mas umha das cousas que mais me chama a atençom de trabalhar com dados de populaçom som as idades da maternidade. Tinha o prejuízo de pensar que, de hai um século para trás, as mulheres teriam filh@s mui novas, mas os dados dim-me o contrário. Se tomo como mostra a margem 1900-1950 as idades de parto vam dos 22 (mulher nascida em 1901) a 41 anos (1902). No meio século anterior (1850-1899) a idade mínima é 18 anos (n. 1861) e a máxima 47 (1854), com valores superiores, estatisticamente anómalos, pendentes de contraste. Hai muita maternidade serôdia, p. ex. vistas três mulheres do mesmo ano (n. 1872): umha tem 3 filh@s dos 30 aos 36 anos, outra 29-40, outra 28-35. Começavam a ter filh@s sendo mulheres feitas e direitas e tinham-nos até tarde. Isto rompe-me por completo os esquemas. Manel Vilar aponta-me que haveria que ver o gráfico da distribuiçom, para valorar além dos extremos, e é certo, mas limito-me a indicar as idades às que tinham a primeira e a última criança todas as mulheres que tenho registradas com data de nascimento, que nom som poucas. E nestas, os rangos de idade som todos similares. Quanto à distribuiçom, nom figem ainda média interpartos mas polo que tenho visto, de memória adianto que era bastante regular, arredor de dous ou tres anos entre um parto e o seguinte. Mar Fernández di-me que, se lembra bem, Marvin Harris dava idades da época vitoriana para o primeiro período nos 17 ou 18 anos e falava tamém doutras épocas com registros, como a Roma clássica, e a sua interpretaçom era similar à que estamos coligindo aqui, que nunca foi normal a maternidade adolescente. Eu a priori associava a maternidade adolescente de que soubem nas décadas dos 1970-80 ao atrasso ou descuido, mas nom teria suposto que a data do primeiro período fosse tam condicionante; pergunto-me que parte dos dados de maternidade refletem fatores biológicos e quais condicionantes sócio-culturais. Ainda assim, falamos quase sempre dos 18 anos em adiante. Ser nai aos 40 anos, vistos os dados, era do mais normal nos s. XVIII-XX, mas nai adolescente só tenho de momento um único caso de 17 anos, e nengum por baixo desse tempo. Em qualquer caso, se vou por exemplo a dúas mulheres nascidas em 1791, umha foi primípara aos 28 e outra aos 35. E de 1806, umha mulher tem cinco crianças dos 26 aos 45 anos. Aí influi nom só o período, dá-me por pensar.
De pequeno às vezes íamos merendar a pé da Torre, num sítio que chamavam a pena ou a rocha comunista porque tinha a fouce e o martelo pintados, e nalgumhas ocasiões saudavam-nos pressos desde as janelas do cárcere e nós dizíamos-lhes olá desde a distância erguendo os braços e parecia-me a cousa mais triste do mundo.

Ontem aos quinze segundos desliguei mentalmente do espetáculo de luzes torístico e ali sentado só podia lembrar-me daqueles homens.

Quantas noites pudérom eles, tamém, olhar para a luz do faro.

Mostras antigas do topónimo Cee

Que tenhamos visto, o topónimo de Cee já aparece assim escrito em romance nos anos 1400 e 1421; como Çee em 1487 e 1491. Em 1582 aparece tamém como Zea e como Çea. Neste manuscrito com letra processal encadeada desse ano di "villa de Çea":

Mostras antigas do topónimo Cee

Na seguinte vista (letra humanística de 1687) observamos que o traço do Ç está algo separado, parece umha vírgula ( , ) mas é um cê cedilhado:

Mostras antigas do topónimo Cee

Toda a informaçom e imagens cortesia de José Enrique Benlloch del Río.

Em mapas ingleses (s. XVIII?) e franceses temo-lo visto como Cea.

Mostras antigas do topónimo Oçom

Bula de anexom (1499) de Sam Martinho de Oçom a San Martinho Pinário de Santiago, é um documento em latim com letra de privilégios:

Mostras antigas do topónimo Oçom

Oçon em escrito de caligrafia cortesã de 1499 relacionado coa Bula do papa Alexandre VI:

Mostras antigas do topónimo Oçom

O topónimo tamém aparece em mostras de 1582 como Çonas e como Doçon, por exemplo. Outro escrivám pom Dozon (1579), Oçon (1582) e Doçon (1593).

Toda a informaçom e imagens cortesia de José Enrique Benlloch del Río.

A propósito dos apelidos

Investigando os apelidos vemos que, polo menos durante certas fases documentadas de séculos anteriores, podia ser que o apelido da nai o herdara a sua descendente ou descendentes, primando sobre o paterno. Ainda pendentes de estudar mais polo miúdo e sistematicamente o fenómeno, José Enrique Benlloch del Río consultou o particular a Ismael Velo Pensado, autor entre outras de La vida municipal de A Coruña en el siglo XVI, La iglesia de La Coruña en el siglo XVI e A Ría da Pasaxe nos séculos XVI ó XVIII e da resposta, que achamos sintética e reveladora para colegas investigadores/as, citamos:

La norma es la costumbre del lugar (...) Hasta que aparezca el Registro Civil no se dieron normas para los apellidos. (...) En torno a la ciudad de A Coruña, en el siglo XVI los apellidos son arbitrarios y a veces también los nombres cambian con las situaciones de las personas; en el siglo XVII los hombres reciben el apellido del padre y las hijas de la madres; en el siglo XVIII todos reciben dos apellidos, el primero del primero del padre y el segundo del primero de la madre. Esto sirvió para la normativa del Registro en el siglo XIX.

Frente a la sensación de que la gran masa de la población iletrada [s. XVIII] era un elemento amorfo y fácilmente maleable utilizado por los poderes como elementos inertes, resultó ciertamente lo contrario, defendían sus intereses como cuando el ayuntamiento de A Coruña fuerza a los carreteros de las feligresías vecinas a trabajos de transporte de piedra para la ciudad, se defienden judicialmente de este abuso exigiendo los pagos debidos por tales trabajos de acarretos y cuando el ayuntamiento observa un frente colectivo y judicial reconsidera la actitud y procede a compensarlos por los trabajos
(...) los vecinos de feligresías próximas se reunían, adoptaban decisiones y otorgaban poderes para pleitos; existía conciencia de pertenencia a una feligresía o territorio, de clase y de intereses utilizando activamente los mecanismos que ofrecía aquel sistema legal para obtener cosas y reclamar derechos sociales y económicos

ABAD PARDO, A. A.: "Una persona anónima del s. XVIII: Amaro Gago (S. Pedro de Visma, A Coruña)" (autoeditado, 2018)
Provavelmente o unplugged que marcou a nossa geraçom foi o de Nirvana, que é umha maravilha. Mas o de Pearl Jam é atuaçom sobérbia. Fantástica para ver e para escuitar as vezes que se quiger. E Eddie Vedder, um dos maiores vocalista do nosso tempo, está na cimeira da sua voz juvenil.

I wish I was on the highway / back to Olympia

Alguns dos discos perfeitos da história da música têm tamém a particularidade de serem ideais para conduzir de noite.



"Carretera de la costa / cansado de conducir..."



Se o agarimo co que junto as farangulhas de pão para lhas botar tivesse impacto no mundo físico esses passarinhos viveriam mil anos.
A vingança do aluno que a professora de Lengua Española ridiculizava foi um dicionário cujas definições começavam todas por "Es cuando..."

As escritas dos idiomas mudam (IV): E se o topónimo em espanhol fosse Coruña?

Hai só um século "ella fué á la Coruña" era correto. Atençom a essas letras: é, á (acentuadas), l (em minúscula).

Em relaçom ao topónimo da Corunha em castelhano, nom sei a frequência nem a norma disto, mas era habitual que o L só fosse em maiúscula quando abria título ou iniciava frase. No resto dos casos, ou se omitia ou ia em minúscula, segundo procedesse.

Surpreende que isto coincide coa norma que atualmente seguimos em galego-português: "estivem no Porto", "fum ao Porto", mas o topónimo é Porto, nom O Porto (e muito menos Oporto como escrevem em espanhol).

Analogamente, o topónimo é Corunha, sem artigo. Ex. "estivem na Corunha" (nom "em A" nem "n'A") Ex. "fum à Corunha" (nom "a A").

Tendo aprendida da escola outra norma, talvez nos resulte mais chamativo "levei algo para a Corunha" (nom "para A ").

Ao que sim se chega às vezes é a incluir o artigo que vai co topónimo nos mapas, a seguir, em minúscula e entre parénteses: "Corunha (a)".

@emgalego: "Outras normas do galego tomam o exemplo castelhano e fam o artigo parte do topónimo (A Coruña, O Porto, As Pontes...), mas isso causa hesitaçons à hora de usá-lo numha frase (Veño de A Coruña? Veño da Coruña? Veño d'A Coruña?). Já agora, o correto nessa norma é 'Veño da Coruña'."

Contudo, remitindo-me de volta ao início sublinho que, lendo documentos antigos, chego a pensar que ortograficamente o artigo frequentemente nom se tratava como parte do topónimo. Por pôr um caso de documento oficial, na Gaceta de Madrid n.º 186 (4-7-1912) lemos da "Dirección General de Obras Públicas" que "S. M. el Rey (...) ha tenido á bien declarar la utilidad pública de los caminos vecinales siguientes: (...) Provincia de Coruña (...)". Mais mostras:

" de la Coruña" impresso, 1788:
As escritas dos idiomas mudam (IV): E se o topónimo em espanhol fosse Coruña?

" Coruña" e " de la Coruña" impresso, 1851:
As escritas dos idiomas mudam (IV): E se o topónimo em espanhol fosse Coruña?

" de la Coruña" manuscrito, 1852:
As escritas dos idiomas mudam (IV): E se o topónimo em espanhol fosse Coruña?

" Coruña " manuscrito, 1852:
As escritas dos idiomas mudam (IV): E se o topónimo em espanhol fosse Coruña?

" Coruña " impresso, 1865:
As escritas dos idiomas mudam (IV): E se o topónimo em espanhol fosse Coruña?

E outros dous exemplos, e nom dous exemplos quaisquer, senom de fontes especializadas em geografia som:

No Diccionario Geográfico-Estadístico de España y Portugal (Madrid, 1826) escrevem Coruña como topónimo em espanhol (nom La Coruña).

Nas tabelas desse livro consta "Coruña". E nos textos redigidos o "la" precedente ao topónimo vai sempre em minúscula.

No Boletín de la Sociedad Geográfica de Madrid, tomo III, ano II, número 10, de outubro de 1877 (via prensahistorica.mcu.es):

As escritas dos idiomas mudam (IV): E se o topónimo em espanhol fosse Coruña?
Hoje dizia umha ministra que o 85% das famílias monomarentais som mulheres com filh@s.

Em pequeno estudo que estou fazendo, hai 200 anos eram o 100%

Desde entom para acó, dous exemplos:
J. nasceu em 1875.
F., sua nai, tivo-o como solteira.
F. pola sua vez era filha de M, igualmente nai solteira.

S. nasceu em 1903. Seu pai e sua nai foram filhos de solteira.

Nom se podem assumir causas paternalistamente: a gente podia nom ter pai por diversos motivos. Porque era casado, porque nom o reconhecia por esse ou por outro motivo, porque era crego...

Entom sim, havia filh@s trás da silveira, obviamente, mas tamém havia voluntariedade: mulheres que queriam filh@s mas nom um/esse homem.

Total, às vezes parece que só agora se inventou a pólvora, mas lembrai: os/as antig@s podiam ser mui modern@s... e em contornos rurais podiam ser muito mais tolerantes com famílias com um único progenitor(a) que em sociedades urbanas/posteriores (!).

Fascinado polos apelidos infrequentes

Se os levas és um tesouro!

Formas galega/espanhola e quantidade de portadores/as dada polo INE:

- Fornelinho/Forneliño: 0 persoas (eu tenho constância de umha no passado)

- Limideiro: 50 (tenho constância de duas no passado)

- A escrita condiciona muito: a forma que entendo castelhanizada Hermo é bastante frequente mas, co apelido Ermo, só nos ficam sete persoas! (tenho constância de umha)

- Porém nom sempre a forma galega foi relegada: Vieites ganha-lhe em termos absolutos a Vieitez. (tenho constância de duas)

- Às vezes os mapas falam: Silvarinho/Silvariño: 105 persoas. (tenho constância de 40) O seu mapa do INE parece contar umha história bastante concreta:

Fascinado polos apelidos infrequentes

- A extinçom que vem? Brenlhe/Brenlle: 10 persoas, todas com el como 2º apelido, todas na província da Corunha (tenho constância de 2 mas que nom está claro se era Brenlle ou Calo de apelido, dependendo do apontamento). A forma Brenlla está mais forte (tenho constância de 24).

- Nom frequentes: Arantón (constância de 12), Rieiro (2), Camafreita (23), ...

- Aparentemente desaparecidos: Pantiñobre, Corposanto (6), ...

- Tenho umha mulher apelidada Deaes (sic) que suponho atualmente seria Deães na forma portuguesa e Deáns na forma espanhola. O INE dá-o quase por desaparecido: em total 19 persoas dos quais, 16 som nascidas fora de Espanha.

Falando del perguntárom polo seu preço e alguém que o conhecia dixo que seria barato, que custaria aí o que um traidor.