Feliz aniversário, Sr Moore

Libraries are so important at least to me because they've made me what I am in all sorts of ways. To me a library was a kind of temple of learning. I used to visit the libraries as often as I could, I used to stand in that strange little alcove where they had all the books upon sciences and hypnotism, the atmosphere was incredible and even in my dreams at night I would find myself in the library. That's how much it meant to me. It gave me a way out of the Spring Boroughs area and by extension out of any circumstances of deprivation in any area like that, it gave me the way to get out of there and to become the person that I am today where I can actually go back and help those areas. That is how much libraries mean to me! And if my work means anything to anybody out there then they shouldn't thank me for it, they should thank the institution of libraries that created me.


Alan Moore

Fonte Youtube
Via DIYCaptions

A Aguieira, o Barril, a Pedra dos Corvos, a Pedra da Garça, o Carreiro, as Caldeiras, o Com, a Javinha, a Portuguesa, a Sobérbia, as Cruzes, o Malhom, o Salto da Barca, a Gruta do Amor, o Altar de Sam Pedro, o Altar de Sam Roque, a Sala do Perelho, a Pedra do Apóstolo, a Pele, o Baixo do Coído, o Bolo de Tarrám, a Langosteira, o Canhom, as Pedras Altas, os Novos, Rio Escuro, Agra Mar, o Cachelvo, o Brolo, as Escaleiras, a Pedra das Redes, as Lajes Mouras, a Pedra da Pia, o Lago das Vacas, as Crebantes, os Cornos, o Farelinho, o Gato Pelado, a Busarana, o Cercado, a Percebosa, a Olhomoleira, a Sambada, o Gorriom, a Medina, a Campã, Salzano, Cozinhadoiro, Sualva...

Esquece Monelos: aquelas duas luzes no final do túnel

<cite>Esquece Monelos</cite>: aquelas duas luzes no final do túnel

A primeira vez que concebim a possibilidade de matarem um rio foi -como nom- lendo um álbum de BD. "Brüsel", do mítico ciclo das "Cidades Escuras" de Schuiten e Peeters. Até esse momento nem se me passara pola cabeça tamanha aberraçom. Teria imaginado o hipotético: hai um rio? A cidade crescerá em todo caso arredor del, en todo caso aos seus lados... nunca por riba del. O rio é vida. Nom o esmagas, verdade? Mentira. O choque que me produziu "Brüsel" nisso permaneceria para sempre comigo.

Anos depois moraria na rua do rio de Monelos e passando polo baixinho arco da sua ponte de pedra contariam-me que sob os nossos pés ia aquel rio exilado ao subsolo, caladinho, castigado por nom se sabe bem que falta. Um curso fluvial cuja existência eu nem conhecia de menino, e que fum descobrindo segundo se começavam a partilhar por Internet fotos antigas da cidade e os seus contornos.

<cite>Esquece Monelos</cite>: aquelas duas luzes no final do túnel

"Esquece Monelos" é a história desse rio da cidade da Corunha, dum dos rios destruídos em boa medida polo maldito "desarrollismo" dos 60 (dirá-se-me que me aferro ao romanticismo dum passado inexistente, que o rio causava muitos problemas e que encaná-lo e enterrá-lo era necessário; escusam fazê-lo).

<cite>Esquece Monelos</cite>: aquelas duas luzes no final do túnel

Com umha claridade asinha posta sobre a mesa e o ponto justo de poesia e de olhada contemplativa, o que nos propom a diretora Ángeles Huerta nesta película é um caminharem colhidas da mão duas histórias: a primeira, a do próprio rio, desde o seu surgimento polo alto da Furoca -lugarinho que via de longe passando todas as manhãs durante a metade da minha infância- até chegar a água doce a se fundir coa salgada do mar. Entre ambos extremos, entre nascimento e morte, um feixe de vidas e lembranças.

A segunda história e a própria de quem supomos o pai da diretora, personagem quase elíptico porém essencial como motor do relato, enfrentado ao mal do alzheimer. A elegância coa que ambos fios, o do rio e o do senhor, se entrelaçam na tela do cinema há de dever muito à boa mão e bom olho na montagem de Sandra Sánchez, experimentada realizadora ela tamém. Nom quero deixar sem destacar tampouco a sobriedade e acerto do diretor de fotografia -Jaime Pérez- e a excelente companhia musical em toda a viagem -nom dou encontrado o crédito-.

<cite>Esquece Monelos</cite>: aquelas duas luzes no final do túnel

A partir das duas linhas do conto obviamente hai umha sucessom previsível, mas mui lograda, de símiles, e por descontado poderosas metáforas, boa parte inerentemente vinculadas à memória e à perda desta, tanto a involuntária como a voluntária (que estragamos para o "progresso"? Vale a pena?).

Que umha história tam profundamente corunhesa seja narrada com tal classe, graça, emoçom (as velhas vizinhas de Monelos coas bagulhas ao lembrarem quando lhes guindárom as casas), pluralidade de perspetivas (as famílias ciganas expulsadas da Covela, o alcaide do tardofranquismo, o técnico-braço executor do projeto sem remordimento nengum, etc) e enfim, em conjunto com tal savoir faire cinematográfico-documental produze-me umha enorme alegria.

Porque esta é umha história com muita fealdade nela (a doença, a destruiçom natural, a ruína, o cimento, esses horríveis labirintos de scalextric que medram como um cáncer a partir da Avenida de Glasgow, que isolárom Sam Cristóvão das Vinhas, e que invadem tudo desde Meicende até Mesoiro) mas que apesar de tudo dá construído, a partir dos seus dous farois -o familiar/humano e o comunitário/natural-, um lindo monumento ao recordo, umha homenagem aos trabalhinos de quem nos antecedeu e a necessária e tam demorada recuperaçom dumha parte da nossa cidade, que nos roubaram sem pedir permissom.

E porque, como reza o lema do filme, "o que nom se di non fai parte da história".

E felizmente, aqui já se di, e di-se com tacto e beleza.

<cite>Esquece Monelos</cite>: aquelas duas luzes no final do túnel

Os moinhos da Corunha segundo o Catastro de Ensenada (1752)

(...) un Molino Arinero del Biento sin uso (...)
(...) Las Azeñas del Puente Gaiteiro, o dela Palloza con nuebe Ruedas arineras de todo grano pertenecientes à Don Miguel Jazpe, y mas consortes, las que muelen doze dias del mes con el agua que sube delas Mareas, y encada uno catorze oras, y dan por Arrendamiento en cadaun año ducientos ochentayocho ferrados de trigo, setentaydos de Maiz, y otros setenta y dos de centeno =
Dos Molinos de Agua dulze con una Rueda cadauno, en el Lugar dos Moiños pertenecientes eluno a don Juan Antonio de españa, vezino desta ciudad, y el otro a dn. Joseph Pangou, vezino dela de Betanzos que muelen la quarta parte del año, y en cada dia y noche de este tiempo ocho ferrados de todo grano (...)


(A transcriçom do manuscrito é minha e quaisquer erros nela tamém)

Margens da Corunha segundo o Catastro de Ensenada (1752)

(...) Linda por L. [Leste] con el Rio y Puente llamada Gaiteiro que la devide con la feligresia de Santa Maria de Oza, por el Sur, con Feligresia de San Christoval das Viñas, y por el P. [Poniente] con la de San Pedro de Bismas, contando su termino desde el expresado Puente por el Rio arriva, asta el lugar de Monelos, y desde este à Parromeira, y desde alli alos lugares de Nelle, y Bioño, por la agra de Bragua, parte arriva de la hermita de Santa Margarita, y descendiendo desde esta sigue hasta el Rio que baja de San Pedro, y termina en el Lugar dos Moiños, y por el N. [Norte] con la thorre, y pradeyra de ercoles siendo como es Peninsula por estar porlas mas partes circundada de Mar como lo demuestra sufigura.


(A transcriçom do manuscrito é minha e quaisquer erros nela tamém)

Ai, deu-che na pedra da fonte!

"Darlle na pedra da fonte a alguén é facer ou dicir algo que lle dá moita satisfacción, ou que estaba desexando..."

Por volta dos 1950s (ainda que provavelmente vinham de antes) a bisavó Dulce -"a avoa da aldea"- dizia estes versos quando a alguém se lhe recriminava nom estar à altura das circunstâncias:
Cuando yo me embarrancara
fuera con gente de rumbo
pero contijo, desjrasia,
ay de mí, ¡qué disirá el mundo!


O meu avô marinheiro ainda lembrava arredor de 2010 rimas como estas outras:
O mar enche
o mar devala
o mar, minha queridinha,
nom tem parada


Chamastes-me cachorrinho
eu nom lhe mordim a ninguém
e se chamei na tua porta
foi porque te quero bem



Só levo lidos dous de treze :(




Esta ediçom de 419 páginas contém os seguintes contos: Agafia; Enemigos; El beso; La cigarra; El estudiante; El profesor de lengua; Campesinos; Iónich; El hombre enfundado; La grosella; Del amor; Por asuntos del servicio; Un ángel; La nueva dacha; La dama del perrito; El obispo; La novia.

De todos o que mais me impressionou foi o primeiro, Agafya (Агафья, 1886); acabei de ler o livro e antes de o pousar re-lim essa primeira história, parece-me genial, o melhor. Tchékhov escreve sempre como os anjos, mas surpreendentemente alguns dos relatos dos que melhor me falaram, como A dama do cachorrinho, nom me namorárom especialmente. Sim me pareceu mui original e humano, curiosamente, O bispo (1887).

Da traduçom nom opino além de que os leísmo/laísmo espanhois me matam: nesta ediçom usam "le temía" (a ella) e "la pegaba" (a ella) quando eu diria justo ao revês "la temía" (tinha medo dela) e "le pegaba" (batia nela). O pior é como depois por mimetismo a gente acaba passando esses fenômenos madrilenos ou castelhanos para o galego.

Em qualquer caso, mui boa leitura.

O mais chamativo -e nom descubro eu nada- é a modernidade do autor. Atençom a isto que foi escrito por el hai 113 anos como mínimo e que ainda hoje temos sem alcançarmos como espécie:

Cuando Stártsev intentaba hablar, incluso con personas de talante liberal, por ejemplo, sobre que, a Dios gracias, la humanidad avanza y que con el tiempo ésta prescindirá de los pasaportes y de la pena de muerte, el hombre se lo quedaba mirando de reojo y preguntaba con desconfianza: “¿O sea que, entonces, todo el mundo podrá romperle la cabeza a quien le parezca?”.


Ou, na versom em português de Passei Direito:

Quando Stártsev tentava conversar com um burguês, mesmo um liberal, a respeito, por exemplo, da idéia de que a humanidade, graças a Deus, está avançando e de que, com o tempo, os documentos de identidade e a pena de morte serão dispensáveis, o tal burguês o olhava de esguelha e perguntava desconfiado: “Quer dizer então que qualquer um vai poder degolar quem quiser na rua?”