A boa informática nom se escuda nela própria

Os resíduos plásticos nom desaparecem magicamente da existência quando os guindas ao lixo. No conjunto do nosso (eco)sistema estamos gerando lixo de todas as formas, co qual de um jeito ou outro teremos que conviver, por muito que pareça esfumar-se quando o camiom passa e esvazia o contetor da nossa rua.

De jeito um pouco análogo se na nossa organizaçom geramos informaçom supérflua ou até perniciosa o mais provável é que se acumule e crie efeitos negativos, ainda que nos pareça o contrário; já simplesmente por eclipsar ou dificultar o acesso aos dados valiosos -quando nom os contradizer, mesmo- que som aqueles em que nos devemos concentrar. O ideal é tentar que se gere unicamente a informaçom necessária e que esta seja útil: reutilizável, ponderável em acumulado coa anterior e futura e igualmente comparável com ambas.

Hai um princípio na informática que dita que todo sistema já tem por si a tendência natural a se fazer mais complexo. Qualquer profissional sabe que isto é verdade. Toda melhora, ampliaçom ou correçom leva inevitavelmente por esse caminho. O reto é lograr que nom se escape das mãos... e tenho visto fracassos clamorosos nisto último.

A má organizaçom da informaçom só piora essa tendência à complexidade dos sistemas.

Convivemos com gente que pensa, ou atua como se, só por usar sistemas informáticos a adquisiçom e o tratamento e o armazenamento de dados já valesse, sem mais. Umha espécie de pecado original da persoa digital, propiciado em contornos com intrusismo profissional e amateurismo tolerados por chefaturas incompetentes ou faltas da formaçom básica precisa para saber o que lhes estám vendendo.

A realidade é que a tecnologia nom é nada sem umha política razoável que a guie. Mil vezes é preferivel antes umha organizaçom com prestações informáticas limitadas mas com metodologias robustas e eficientes acompanhando aquelas harmonicamente que outra com infinidade de vistosas distrações state-of-the-art mas na que falhe o essencial: um sentido básico da ordem e dos fluxos polos quais os dados nascem, medram, se reproduzem e depois passam a adormecer (ou, por economia, a se matar, o qual pode estar justificado e até ser ecológico).

Se os sistemas robustos e escaláveis nom estám num horizonte realista e hai que administrar dados o melhor é ser o mais metódico possível. Melhor um método imperfeito que nengum método. Tenho visto improvisaçom e absoluta desatençom nascidas da preguiça e do completo despreço por normas elementais da geraçom e acumulaçom de dados. Quando ambas se combatem o preço a pagar pode incluir enfrontar a hostilidade à melhora e/ou à prestaçom de contas (accountability). Hai muita mediocridade agochada atrás do recurso à obfuscaçom.

Nengumha organizaçom minimamente séria pode passar por isso.

Um símil que frequentemente comento: ponhamos por caso que a atividade dumha hipotética entidade fosse a limpeza do piso dumha casa. Se tivéssemos que escolher entre umha vasoira e umha aspiradora de última geraçom nom teríamos dúvida sobre qual escolher... a priori. Porém se a primeira vai acompanhada do know-how preciso, de umha política de horários, pautas e de objetivos claros enquanto a segunda só vai da mão do caos, mal mantimento, desídia e imprevisibilidade... um engenheiro sabe o que tem que escolher para a ter a casa limpa em todo momento.
mimé, afinal a imaginária mão invisível que regulava o mercado ainda há de ser a do Nosso Senhorinho

O que se aprende lendo castelhano antigo

O que se aprende lendo castelhano antigo

E já que estamos fazendo amigos...

... vim neste tempo demasiada canalhada, vingativa, fanática do seu, festeira coa derrota do rival antes que coa (inexistente) do inimigo; incapaz de discernir umha cousa da outra, feliz como se houvesse algo a celebrar: o que? As coiteladas enquanto à hora da verdade tudo continua igual ou pior?

Lembrei quando, desde siglas menores, aquel político nom parecia, tampouco, discriminar rival e inimigo e assim botava denodadamente contra o partido principal do seu mesmo âmbito ideológico... e contudo acabou sendo eurodeputado daquel...

Antes a minha pátria nos meus sapatos que dentro dos esquemas monolíticos de ninguém.

Assinado um 25 de julho do ano do nosso senhorinho de etc.

Know. Your. Fucking. History.

Com isto dos fanatismos futeboleiros um conta com que muitos se comportem como uns miseráveis (dá-se na política, nom se vai dar no futebol...) mas umha das cousas mais lamentáveis nestas jornadas convulsas tem sido ver celtistas que conheço negar ao Dépor a hipotética possibilidade (ainda por ver...) de se salvar administrativamente depois de que se lhe impedisse disparar, em legítima concorrência e em igualdade de condições coas demais equipas, a última bala que lhe restava -a do derradeiro jogo da competiçom-. Era o último recurso, a equipa chegava falta de forças e nem se lhe permitiu competir. Mas considerais que é injusto que ganhe no escritório o que nom deu assegurado no campo.

Sodes patéticos, uns verdadeiros perdedores, e nem sequer conheceis a vossa própria história. Eu sim, porque o vivim colado ao rádio:

Know. Your. Fucking. History.

Na véspera do funeral

em que acabará esta segunda feira se tudo decorre como por probabilidades se prevé, dá-me por pensar como o Deportivo fraguou a sua ruína: de Fernando Vázquez a Fernando Vázquez e, no meio, um buraco negro chamado Tino Fernández. FV deixou-nos em primeira, veu o outro escaralhar tudo, e às portas de 2ª B o retorno de FV nom foi suficiente para salvar-nos. Um lustro de decisões erradas encadeadas com um mesmo denominador comum: a incompetência que marcou a escura época do tinismo.

Negar a realidade nom ajuda a enfrontá-la. O Dépor nunca se adatou a Segunda porque a sua mente estava na Primeira e esse é um erro que te mata... salvo que tenhas a capacidade de retornares imediatamente à Primeira, como já fijo o Deportivo duas vezes nesta era, umha delas co recorde absoluto de pontos da história da competiçom.

Segunda é umha categoria complicada, com umha competiçom longa e extenuante, na qual hai que jogar cos esquemas de resistência física e mental precisos. Porém o Dépor, umha equipa demasiadas vezes ingénua e pusilânime, nunca tivo o sentido do ofício requerido -como sim outras equipas que nom entro a qualificar, como o Lugo-. Perdeu jogos contra rivais diretos, foi derrotado repetidamente na casa, e até quando enfrontava esquadras tecnicamente inferiores.

Escrevim isto o 23 de março passado:

Reconto brutal: resultados na casa 2014-2019 (4 temporadas completas, 1 incompleta):
  • 35% de empates
  • 35% de derrotas
  • 30% de vitórias

A onde vamos?


Agora sabemos: a Segunda B.

Por simplificar, Segunda joga-se com dez soldados e um dianteiro talentoso. O Dépor careceu da atitude adequada para a categoria em que estava, pensando que merecia estar em Primeira... quando isso nom se tem nunca a priori senom a posteriori. Esse mesmo erro deve-se evitar agora que vamos para a 2ª B, porque se continuarmos sem mentalizar-nos de onde estamos, baixaremos a Terceira e aí já desapareceremos -se nom antes-. Segunda nom é Primeira. Segunda B nom é Segunda. Co escudo nom se joga mas o escudo nom joga. Estudemos a categoria à que o tinismo nos levou enquanto sonhamos com que algum dia haja outro Lendoiro que, como el, aposte mais do que hai, lhe tusa na cara aos grandes e remova a corrupta e aborrecida mesa do futebol espanhol da qual tamém temos sido vítimas.

Por se fora pouco, o engendro sem pés nem cabeça que é o grupo ao que vai o Dépor, o I, fronte à estrutura dos demais:

  • Grupo IV: Andaluzia+Castela-A Mancha+Estremadura+Múrcia. Lógico
  • III: Aragom+Catalunha+Valência+Andorra. Ídem.
  • II: Rioja+Navarra+Euskadi+C.-Leom. Ídem.
  • Grupo I: Galiza+Astúrias+... Canárias!? +... Madri!? +... Baleares!? + ...Melilha!?
    Isto é, o grupo What-The-Royal-Fuck.


Contudo nom, nos arrependemos de nada. Seis títulos e a história, onde tamém estám o Karbo e o Orçám como base do Dépor feminino de hoje, além dum filial mais que centenário.

Melhor morrer depois de ter vivido que nom ter conhecido as alegrias que nós desfrutámos, por muito que o Dépor ameace neste preciso instante com passar de ser umha máquina de sofrimento a umha de infelicidade.

Adeus ao chalet Carnicero

Que desgraça, isto é o que passa quando nom se protege o património arquitectónico. Ardeu inteiro. Ainda que já estava estragado com péssimas reformas o abandono só podia acabar assim...

Este tesouro se perdeu:

Adeus ao chalet Carnicero

Que pena, de verdade, tanto tempo perguntando que se passaria coa herança, por que nom o reabilitavam, pois agora nada, ide cagar.
...manque de leadership sur le plan national, l’écologie n’est plus un gadget

Que em francês nom tenham palavra para liderado é bem triste, mas o de gadget já é paradoxal, mais outra palavra de ida e volta, já que poderia vir do próprio francês:

Se no 81 estavas na escola da Picota-Maçaricos mando-che um abraço na nuvem. Encontrei lista de 13 amigxs e só identifico 3, o tempo nom perdoa.

Daquela inda díziamos Dominco(s). O que tal se perdeu na fala.

(Cumprimentos a quem figera hai tempo algo como isto:)

Espanha = educaçom privada paga com dinheiro público

Agora resulta que à educaçom pública lhe hai que pôr o apelido de gestom direta. Só hai umha educaçom pública.

E que a privada esteja competindo continuamente polos recursos é o efeito direto do perverso do modelo espanhol: educaçom privada pagada com dinheiro público.

A batalha atual, da que o último episódio nem está escrito (há-se ver em que acaba tudo): La comisión de reconstrucción mantiene su rechazo a que la escuela concertada reciba inversión extra

O contexto é o gram negócio da escola privada subvencionada: España, entre los países de Europa con menos escuela pública y más concertada

Espanha = educaçom privada paga com dinheiro público

Um modelo totalmente ruim em que se chega a ceder solo público para negócios privados sostidos com fundos públicos.

No entanto, em Portugal em 2019:

Espanha = educaçom privada paga com dinheiro público
Já valeu a pena ver filme rançote em brasileiro para aprender outra palavra: focinheira.
O que vai ser, pois a própria palavra o di, o que dizemos boçal.

Versos épicos de andar pola casa

Versos épicos de andar pola casa

Se o ataque dos ingleses foi em maio por que hai 103 anos falariam no Noroeste de celebrar o segundo de julho?

Incidentalmente, no mesmo texto aparece en la Coruña com ele minúsculo une autre fois.
A minha avó centenária dizia por cousas de pouco mérito que nom valiam um adármio, variaçom de adarme, equivalente a 2 gramas.
Adarme pode significar tamém calibre de arma, o que em espanhol se pode dizer simplesmente como calibre, que pola sua vez tem a forma antiga cálibo e umha etimologia espetacular:


  1. grego bizantino: καλόπους / kalópous (=forma, como a dos sapatos)
  2. persa meio: kālbod
  3. árabe clásico: qālab / qālib
  4. árabe hispánico: qálib


O que as palavras viajam!