Antergos de primeiros do s. XVII

1614 e 1606. Datas de nascimento dos meus antepassados mais remotos de quem tenho notícia graças à investigaçom del mio padrone. Dá vertigem.

Com Domingos, o primeiro, galego, ainda partilho apelido. Co segundo, Vicent Benet, nom, perdeu-se coa minha tataravoa valenciana.

Porém a linha completa até Vicent tenho-a, enquanto o quebra-cabeças para chegar a Domingos está incompleto desde o tataratataratataravô (o avô do avô de meu avô) para trás e a data mais remota registrada nesta linha é 1780, o que, para quem investigamos este tipo de cousas, vem sendo "antes de ontem pola tarde".

Vérez versus Veres

Nom entendo este desenho de dados/processo por parte do INE:

Vérez versus Veres

Se nom distingue acentuados no input (ou os ignora), mal.

Pode que os haja registrados das duas maneiras? Em todo caso perde-se a possibilidade de os discriminar.

Se os distingue mas considera que som o mesmo, devia na resposta indicar a forma ortograficamente correta*, independentemente de existirem ambas na prática.

*As normas de acentuaçom em espanhol nom som ambíguas como sim a oscilaçom V/B, que nom responde a umha "norma":

Vérez versus Veres

Para o caso, a acentuaçom em espanhol e mais na norma oficial RAG-ILG do galego rege-se da mesma maneira, as formas corretas som:
Vérez (nom Verez)
e
Veres (nom Véres)

O mais chamativo da comparaçom é como a forma castelhana/castelhanizada foi mais intensamente implementada em Galiza...

Vérez versus Veres

... enquanto a forma galego-portuguesa (nom hai jeito a priori de saber a procedência geográfica, se galega ou portuguesa, da gente que leva o apelido nas distintas províncias espanholas) está presente sem maior problema em outras múltiples zonas do Estado.

E digo implementada porque as persoas nom podiam elas próprias escolher como se escrevia o seu apelido: se como falavam (com sesseio) ou com thetacismo (como sugeria a escrita castelhana). Primeiro porque muitas nom sabiam escrever e segundo porque nom tinham essa potestade.

Fórom primeiro os cregos, e depois os funcionários do Registro Civil, alfabetizados somente em espanhol e com esta língua como única oficial, quem punham por escrito os nomes de família dos galegos e galegas.

Nom som experto, mas quanto levo visto -e vai sendo algo- sempre evidencia umha inércia para passar de -es a -ez (e outros fenômenos análogos), nas mesmas linhas antroponímicas: as formas antigas conservam terminações galegas mas depois de um par de gerações vam-se castelhanizando até desaparecerem as precedentes; um caminho unidirecional de, por exemplo, avôs Veres a netos Vérez, por explicá-lo co nome que nos ocupa.

Isolar ou nom isolar, eis a questom

À pergunta de como se di em galego a expressom espanhola hacer(le) el vacío a alguien respondia que a mim o primeiro que me sai é ailhar alguém porque usamos muito o verbo ailhar e o particípio ailhado, tanto no sentido literal como nesse metafórico. A forma estándar deve de ser ilhar, que é a única que aparece no Estraviz. A sua contrapartida em RAG-ILG illar está no DRAG em linha, dicionário que nom dá resposta nengumha para aillar nem para isolar. Estas duas formas sim aparecem, mas com asterisco, no Gran Dicionario Xerais da Lingua (2009, dous volumes), indicando que da perspetiva da norma oficial galega nom as consideram ótimas. Nom obstante isolar é um termo válido, o Priberam por exemplo inclui-o, indicando-lhe etimologia francesa, de isoler. O curioso é que termos como isolacionismo sim estám recolhidos no Xerais. Lendo aïllar em enciclopedia.cat lembrei-me de que na carreira eu usava aillar no sentido de expressar umha variável em funçom doutras. Incidentalmente Wiktionary em catalám di que esse verbo é um decalque do castelhano aislar. Por último, lembremos que em Galiza temos o substantivo (por acidente geográfico, ergo tamém topónimo) e o apelido, mui comuns, Ínsua, ainda que nom um verbo *insuar. A palavra ínsua é umha forma mais culta e coa mesma etimologia que a mais vulgar ilha: o vocábulo latino insula. Voltando à consulta inicial, Wordreference dá a traduçom directa de hacer el vacío a alguien como dar um gelo em alguém.

Aromas de urze e de lama

Aromas de urze e de lama
Dormi com eles na cama
Tive a mesma condição


Povo que lavas no rio

Aromas de urze e de lama
A plantinha de baixo, de folhinhas miúdas e dum verde vivo, nom sei se é um tipo de fieita. Fieita ou fento, que nom sabia Folgueira era outra maneira de lhes chamar. É ademais um apelido bastante comum.

Aromas de urze e de lama

Às urzes dim-me que se lhes chama tamém carrascas. O Estraviz recolhe esta variante.

Anque che som da montanha
do alto da carrasqueira
sei cantar e sei bailar
como ti que és da ribeira


Recolhido por raparigas de Maçaricos nos primeiros anos 1980.

Quando as filhas levavam o apelido da nai primeiro

Maravilhoso ver nomes de galegas do século XVII que levavam primeiro o apelido da nai e o do pai de segundo. Assim devia ser ainda, acho eu.

Investigando os apelidos vemos que, polo menos durante certas fases documentadas, podia ser que o apelido da nai o herdara a sua descendente ou descendentes, primando sobre o paterno.

Ainda pendentes de estudar mais polo miúdo e sistematicamente o fenómeno, José Enrique Benlloch del Río consultou o particular a Ismael Velo Pensado, autor entre outras de La vida municipal de A Coruña en el siglo XVI, La iglesia de La Coruña en el siglo XVI e A Ría da Pasaxe nos séculos XVI ó XVIII e da resposta, que achamos sintética e reveladora para colegas investigadores/as, citamos:

La norma es la costumbre del lugar (...) Hasta que aparezca el Registro Civil no se dieron normas para los apellidos. (...) En torno a la ciudad de A Coruña, en el siglo XVI los apellidos son arbitrarios y a veces también los nombres cambian con las situaciones de las personas; en el siglo XVII los hombres reciben el apellido del padre y las hijas de la madres; en el siglo XVIII todos reciben dos apellidos, el primero del primero del padre y el segundo del primero de la madre. Esto sirvió para la normativa del Registro en el siglo XIX.

Fascinado polos apelidos infrequentes

Se os levas és um tesouro!

Formas galega/espanhola e quantidade de portadores/as dada polo INE:

- Fornelinho/Forneliño: 0 persoas (eu tenho constância de umha no passado)

- Limideiro: 50 (tenho constância de duas no passado)

- A escrita condiciona muito: a forma que entendo castelhanizada Hermo é bastante frequente mas, co apelido Ermo, só nos ficam sete persoas! (tenho constância de umha)

- Porém nom sempre a forma galega foi relegada: Vieites ganha-lhe em termos absolutos a Vieitez. (tenho constância de duas)

- Às vezes os mapas falam: Silvarinho/Silvariño: 105 persoas. (tenho constância de 40) O seu mapa do INE parece contar umha história bastante concreta:

Fascinado polos apelidos infrequentes

- A extinçom que vem? Brenlhe/Brenlle: 10 persoas, todas com el como 2º apelido, todas na província da Corunha (tenho constância de 2 mas que nom está claro se era Brenlle ou Calo de apelido, dependendo do apontamento). A forma Brenlla está mais forte (tenho constância de 24).

- Nom frequentes: Arantón (constância de 12), Rieiro (2), Camafreita (23), ...

- Aparentemente desaparecidos: Pantiñobre, Corposanto (6), ...

- Tenho umha mulher apelidada Deaes (sic) que suponho atualmente seria Deães na forma portuguesa e Deáns na forma espanhola. O INE dá-o quase por desaparecido: em total 19 persoas dos quais, 16 som nascidas fora de Espanha.

Duvidas se o J é galego?

Vistos 1.896 escritos em galego datados entre o século XII e o XIV, nomes próprios de homens e mulher hai-nos:
- 6 que começam por X
- 1.863 que começam por J

Outro fundo:
Duvidas se o J é galego?

Norma gráfica começa por J
Normalizaçom começa por X

Pronto para regueifar

Estou aqui vendo um galego medieval chamado Johán Ioglar (esse jogral nom sei se por apelido ou por profissom de trovador) que vos tinha um alcume insuperável: Terra et Pedra.

Quando o marido toma o apelido da esposa

Estou vendo algum caso de homem tomando o nome da casa da mulher ao casar. Nom o oficial, mas sim o popular, o de uso cotiám.

Nos países ango-saxónicos -e nom só- como os EUA ou o Reino Unido é o mais comum a mulher tomar o patronímico do seu marido quando casam. Felizmente aqui nom fazemos isso. No Québec ou Grécia até chegaram a o proibir.

Mas ao revês, acontece? Em Japom hai casos (poucos, 4%) em que homem toma nome da família da mulher, por exemplo quando el casa para umha casa na qual as filhas som todas mulheres.

Agora, o inaudito: até nos próprios países anglos hai homens que o fam por motivaçom política.

Pois trabalhando no meu próximo livro -umha obra coletiva- nom dava identificado umha das fontes porque nom me coincidiam os dous apelidos do homem em questom co nome da casa (do Rego) que acompanhava coloquialmente o seu primeiro nome (Paco).

Explico-me.

No mundo rural, o teu nome de uso cotiám nom é o apelido, chamam-te polo nome da casa, Fulano de Tal, sendo Tal o nome de teu avô, bisavô, etc.

O nome da casa pode ser:
  • nome próprio (e.g. Pepe de Luis)
  • ofício (e.g. Andrés do Sapateiro)
  • topónimo (e.g. Inés da Ramalhosa)
  • alcume nom despectivo

Este é o nome que che pedem se che perguntam o clássico "E ti de quem és?" ou "E ti de quem ves sendo?"
Ninguém se interessa polos teus apelidos.

E a mim nom me quadravam os apelidos del coa casa e era por um caso assim: Francisco Calvo (Paco do Ferreiro) casa com María García (María do Rego) mas nom é ela quem vai morar a Cas' do Ferreiro senom que el casa para Cas' do Rego e passa a ser tratado polos vizinhos sempre como Paco do Rego. Apesar del nom ter nascido com ligaçom de sangue coa casa senom chegar a ela via matrimonial.

E até aqui a anedota antropológica do dia.

O Cas' galego tem certos paralelismos por aí: o chez do francés, o Ca' do véneto... e pode ir acompanhado por nome próprio ou polo contrário por sintagma com substantivos:
- Mamã vai em Cas'Loureiro*
- Estou em cas' meus sogros

*Lembremos que o nome do clam pode nom ser o apelido da família.

Temos que conservar os nomes das nossas casas e levá-los com orgulho, que nom hai cousa mais bonita.

Luís P. Castelo conta-me do seu nome de família e isto lembra-me duas cousas adicionais.

Primeira, às vezes os nomes mudam de género. P.ex. hai umha família que se chama Cas' Ribeiro e em determinado momento para te referires à avó e a nai e a filha da casa porque, pondo por caso, as vistes as três nom sei onde, dis "Vim as Ribeiras". Este giro -que me lembra como os apelidos têm género em russo- pode ser pontual ou permanente. Se nos pomos no caso de que morreram os patrões da casa, avô e pai, e fica a casa com peso quase total feminino,é natural que se passe de se dizer Cas' Ribeiro a dizer-se As Ribeiras. Outro caso é se a família só tem umha filha e esta pola sua vez só umha filha de solteira, ficando na casa só duas mulheres. Em situações assim em vez de "-Falastes cos de Cas' Ribeiro de tal cousa?" diria-se "-Falastes coas Ribeiras de tal cousa? -Falei". Ainda lembramos umhas prezadas vizinhas, de apelido e nome de casa -neste caso coincidiam ambos- Novás, às que todos conheciam por as Novasas.

Segunda, frequentemente existe um nome aceitado socialmente e outro "mal nome", que nom se usa em presença dos afetados. Os alcumes quando som maus (o Mata-cães, o Porco) nom se vam usar abertamente para dar nome à casa, mas tamém é certo que passado tempo pode que os parentes nom se ofendam porque lhes chamem por esse termo. P.e. Cachám é palavra que pode referir um homem mui mulhereiro mas aos da casa nom lhes parece mal porque o significado se perdeu no tempo. Ou imaginemos que a família que por respeito se conhecia como Cas' Ramom e que o senhor era tam religioso que quando el nom estava diante lhe chamavam o Santeiro e se falava de Cas' do Santeiro. Pois passadas duas gerações é provável que aos seus descendentes nom lhes pareça mal que lhes digam que som do Santeiro. Especialmente se a referência, menos particular, ao nome Ramom já nom é útil para os e as identificar.

Finalmente, tenha-se em conta que o termo apelido é polisémico em português: pode significar tanto alcume/alcunho/alcunha ou, ao igual que na Península Ibérica toda, significar nome de família (em Portugal dito tamém sobrenome).

Oáñez versus Oanes

A tal hora com textos de 1767 de naturais do Reyno (sic) de Catalunha que emparentárom em terra galega. E vendo tamém apelidos galegos perdidos na escala local do trabalho em questom.

Por exemplo, Gundumil, umha persoa nascida em 1759. Pode oscilar a escrita, claro.

Ou Oanes, nunca conhecim ninguém com esse apelido, que entendo se corresponde co castelhano Yáñez. Os apelidos en galego: orientacións para a súa normalización da RAG di (...) poderase optar entre (...)  formas dialectais xa existentes no noso corpus toponímico ou antroponímico (Goiáns/Goiás ou Eanes / Ianes / Oanes / Anes / Enes, por exemplo)..

Oáñez versus Oanes
66 = https://academia.gal/documents/10157/704901/Os+apelidos+en+galego.pdf

O INE nom dá Oanes. Na segunda metade do século XVIII vim que aparecia a forma castelhanizada Oáñez. Luís P. Castelo, nom obstante, di-me que el tivo umha companheira de aulas de Camarinhas que se apelidava assim. Ainda bem!

Como mostra, Michaela Oanes: nasce em Mogia no s. XVIII. Tem cinco filhos, quatro inscritos co seu apelido, um quinto como Oáñez. Que apelido levarám hoje em dia os seus descendentes...?

Oáñez versus Oanes

Iván Fontão manda-me este mapa:

Oáñez versus Oanes

e comenta Pode ser que não se transmitisse, pero justo nessa zona é onde se conserva o apelido Oanes (na Corunha e em Ferrol será por migrações recentes seguramente). Também aparecem 11 Yáñez em Mogia, pero não noutros concelhos da zona. Essa é a castelhanização mais típica.

Estevo comenta-me um caso significativo da parte da bisbarra de Ferrol, umha família que por nome da casa som os d'Eanes... mais na documentaçom som Yáñez. Algo similiar poderia ter acontecido cos descendentes de Michaela, salvo que sejam dos de Camarinhas que dizia Luís ou doutro galho semelhante. Outro caso análogo que dá Estevo -e é da mesma paróquia- som os de Martís, quem oficialmente levam o apelido Martínez.

Existem mais de 17.000 apelidos galegos únicos que estám em vias de extinçom, reportava o Faro de Vigo. Algum matemático deveria modelizar como desaparecem (provavelmente já esteja feito, mas como nom som experto em antroponímia desconheço-o).