Entendo as reservas de quem considerar o Samhain umha modernidade e calco americano, mas dá-me a sensaçom de que algum substrato deve de haver. Dous parentes, um de sangue e outro político, que moravam em localidades da costa corunhesa, distantes entre si noventa quilómetros, e ambos viverom a sua infância nos anos 50 -quando a influência da cultura popular estadounidense era próxima a nula-, um a pé da cidade e outro numha vilinha marinheira, lembram ambos, cada um polo seu lado, o jogo de esvaziar cabaças por este tempo de Defuntos. Deixavam-se com velas prendidas dentro, sobre os valados e, polo que se conta, punham medo especialmente às velhinhas e/ou às beatas.

Outro costume que nos diziam hoje era o de fazer "rosários de castanhas" para os meninos.

Noutra ordem de cousas, sempre me pareceu mui engraçado como os galeguistas do século XX se esforçavam por 'galeguizar' os nomes dos meses. Eis formas que lhes tenho visto usar, e adiciono a posteriori que polo menos várias delas têm base popular:

  • março: Marzal
  • junho: San Xoán (polo dia 23)
  • julho: Santiago (polo dia 25)
  • outubro: Outono
  • novembro: Santos (polo dia 1), San Martiño (polo dia 11)
  • dezembro: Nadal

Acabei de ver que na Wikipédia em galego hai mais informaçom. Un exemplo na fala encontramo-lo no programa da TVG "Alalá" n.º 207, intitulado "Pandereteiras de Muíño", no qual a vizinha Socorro Santos usa espontaneamente o nome do mês de "Santiago" (19'52''), a tal ponto que nem se lembra no momento do nome de julho: "(...) pola Santa, o mês de Santiago; eu chamo-lhe como antes, o mês de Santiago, nom sei quê mês é". Incidentalmente, dacordo co acordo ortográfico da língua portuguesa, popularmente conhecido como AO ou AO90, os meses escrevem-se começando por minúscula.