Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...

Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...

Se a toponímia, e as fontes que sustentam umha eleiçom oficial de nome, é complicada, a microtoponímia (termo do que ao parecer os expertos nom gostam) ainda mais, porque as referências som necessariamente mais escassas. Na Corunha dá a sensaçom de que está tudo por fazer dado que durante décadas (séculos?) sobre as vias e lugares imperou a deturpaçom quase absoluta.

Assaltam-nos muitas dúvidas pola proscriçom que a fala própria sofriu durante tanto tempo, expelida nas formas escritas e nom digamos já das formas legendadas nos indicativos, as "oficiais". Aqui vamos tentar recuperar parte do que nos roubárom, do que nos proibírom.

1. Monte Alto, Mato Grande, ...

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Duas palavras, um nome

Nom som filólogo nem experto na matéria, só me interessa como cidadám (como usuário, diria por deformaçom profissional) e na medida em que projetos em que participo tocam tangencialmente essa questom básica de como lhe chamamos aos lugares. E é mui importante que depois de anos e anos de afazer-nos a dizer Avenida de Finisterre ou Calle Panaderas normalizemos as formas galegas: avenida de Fisterra ou, como gosto eu de dizer, a rua das Padeiras. Porque no caminho nom só se estandarizárom "cousos" como Riego de Agua (desde neno entendim que era rego de regato, nom de regar) ou Calle Rúa Ciega, senom que se perdérom os artigos que precedem naturalmente os nomes. Por exemplo colhes um ponto chamado a ponte da Passagem e subitamente parece que se chama Puentepasaje, numha única palavra. Outro caso de 4-palavras-em-1? A localizaçom culherdense da Azeia da Mão, convertida por arte de magia em Haciadama. No mesmo processo fussionador é frequente escreverem Matogrande ou Montealto, quando para mim os hai que escrever como o que som, duas palavras separadas em ambos casos, sustantivo e adjetivo, Mato Grande e Monte Alto.

Que nos di neste assunto a nossa língua no mundo, a escala europea, a escala americana, africana? Monte Alto é um município do Brasil. Casa Branca outro. Tamém umha freguesia e mais lugares de Portugal. Mato Grande é umha vila e regiom caboverdiana, ademais de dous distritos e bairro brasileiros. Acho é melhor sempre escrevermos os topónimos assim, em palavras separadas e com maiúscula inicial, tamém quando nos referimos aos Monte Alto, Casa Branca, Mato Grande, etc. da Corunha. Pedra Longa, igual (se se trata de deturpar, seria Piedralarga, ou?

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Detalhe de mapa em azulejos da batalha de Elvinha

Evitemos pois os Montealto, Casablanca, Matogrande, Puentepasaje e escrevamo-los como o que som, duas palavras.

2. Praças da lenha, dos ovos, da farinha; Caminho novo

Nomes já se têm recuperado, no nosso tempo: agora provavelmente todo o mundo sabe onde fica o Campo da Lenha, ou que a do Humor é a Praça dos Ovos e que Azcárraga era tamém a Praça da Farinha. E ademais de recuperarmos a Costa da Uniom, trouxo-se de volta a rua do Socorro. Mas hai muito que recolher. Eu ainda soubem hai pouco que a Juan Flórez nos 60 lhe chamavam o Caminho Novo.

3. Pescadaria (a)

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Neste mapa de 1809 já aparece este nome. É curioso que ao falar-se da Pescadaria normalmente penso na zona oriental: a partir da Porta Real até o Obelisco, antes do recheio (El Relleno, dizia-se em espanhol até finais do s. XX, i. e. o ganhado ao mar desde os Cantões Grande e Pequeno para fora: jardins de Méndez Núñez, antigas aduanas, etc). Nom obstante nesse mapa inglês situam o nome no lado oposto da cidade, no ponente: a baía do Orçám-Riaçor.

Openstreetmap.org mostra a forma Pescaria mas nom estou de momento certo de que seja mais ajeitada que Pescadaria; nom o sei.

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3. Alcavaleiros (rua dos, antigo bairro dos)

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Foto: Martí. La Voz de Galicia

A Calle Caballeros nom se devia de chamar assim senom Rua dos Alcavaleiros, porque ali era onde se pagavam as alcavalas para aceder à cidade, o que nom tem nada a ver com cavaleiros.

No tocante a nome de vias opino que seria fantástico poder incorporar de algum jeito ao roteiro da cidade os nomes velhos e populares. Isso pensava da Costa da Uniom, que eu sempre pensara que era Pla y Cancela (assim o usam alguns negócios, de feito) mas que em vários meios jornalísticos contemporâneos se tem indicado que corresponde à rua que oficialmente na minha infância e juventude era Gómez Zamalloa. Felizmente em 2018 o nome do militar golpista foi retirado e agora a rua é oficialmente Costa da Unión (La Unión era umha fábrica de gaseosas que estava nessa rua).

4. Vedra (a)

A finais de 2015 discutia-se se a avenida da Vedra, à que eu provavelmente lhe chame assim até que morra, se deve converter numha sorte de horrível scalextric a escala Godzilla ou assemelhar-se mais a um amplo boulevard que compatibilize veículos a motor, peões, ciclistas e esse bem marciano na urbe: árvores (som cousas altas com folhas verdes e os passaros pousam-se nelas). Observei que no debate público usárom-se duas formas de raiz popular do nome, a Vedra e Lavedra. Esta última coa premisa de que a forma aparentemente castelanizada nom era tal e que o La- inicial nom se corresponde co determinante anexado senom que fazia parte inseparável do topónimo. Gostaria de ter mais informaçom para ponderar, e só sei de partida o meu (nosso) hábito de lhe chamar e mais a cita que aporta a Wikipedia em espanhol e em galego:

Es conocida popularmente como Lavedra, resultado de la castellanización del lugar conocido como A Vedra, que se encontraba entre la Fábrica de Armas y el Barrio de Palavea.

Alfonso García López (2009). «Alcalde Alfonso Molina (avenida)». En Espacio Cultura Editores. Calles con historia.

Mencionárom-me um roteiro feito por Carme Sanjulián e Pilar García Negro nos anos 90 que disque empregava Lavedra, gostaria de saber quais som as fontes primárias para este caso concreto que comento.

Polo contrário em artigos de imprensa do primeiro terço do s. XX encontra-se sustento para a tese de que o nome era a Vedra, como neste de El Orzán (8-6-1929):

En el plan de carreteras y caminos provinciales a ejecutar (...) figuran las siguientes a subastar en el corriente año: (...) Y del Puente del Pasaje a Palavea y rampa al lugar de Vedra, 673 metros (...)


Umha consideraçom puramente numérica, mas que pode nom ser determinante, é que o nomenclator da Xunta de Galicia nom mostra nada por lavedra (apenas Vilavedra, onde semelha claro que se juntam vila e vedra, que se entende vem do latim vetera, velha) e tampouco dá resultado nengum por labedra. O Dicionário de Dicionários da USC/ILG nom aporta nada que faga reconsiderá-lo.

Porém o nomenclator junteiro apresenta 141 (!) nomes que têm no seu interior a cadeia vedra, incluindo acidentes terrestres, augas, entidades humanas, nomes de terras e de vias. Literalmente A Vedra consta como acidente terrestre em Ribeira de Piquim e em Rio Torto (A Volta da Vedra, além dumha terra chamada A Vedra e outra As Vedras), em Pastoriça hai um lugar que se chama Moinho da Vedra, aparece tamém A Vedra em Trabada e na Ponte Nova.

5. Cernadas (as)

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Roteiro da Coruña (fragmento) editado polo BNG, 17-5-1997

Algo que eu faria além do que comentarei mais em baixo em relaçom aos centros comerciais seria obrigar a que os nomes de ruas novas recolhessem toponímia de lugares desaparecidos na zona ocupada polo crescimento da cidade. O nome horrível do Parque Ofimático hai que o desterrar, do feio e inútil que é. Eu antes lhe chamava Eiris Novo, por exemplo. E, já que se construiu em parte, disque, sobre dous lugares chamados as Cernadas -Cernedas no mapa extratado na imagem superior- e Galám pois polo menos que ambos topónimos dêem nome a duas ruas nessa área.

Se lhe fago caso a Openstreetmap parece que se guiárom por mim:

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6. Agrela (a), Agra do Orçám (a)

Agrela, topónimo paradoxicamente já documentado como pouco desde 1589, é um bom exemplo que aínda agora está tomando a via de se fixar. Durante muito tempo parecia que lhe chamávamos polos grelos e só agora, dacordo c@s expert@s, começa a se usar a forma que significa "agra pequena". Contudo estamos nas mesmas, eu entendo que sendo um sustantivo feminino nom devemos perder o "a" que púnhamos antes diante de Grela. De maneira que o microtopónimo leve o artigo diante igual: se se opta por "a Sapateira" (A Zapateira na forma oficial), e nom unicamente "Sapateira", por que nom "A Agrela"? E igualmente nas formas compostas: i.e. "os veículos que passam pola Agrela", "a via que vem da Agrela". Um efeito colateral da castelanizaçom dos nomes vem quando cho "devolvem cambiado de gênero": A Agra do Orçám > El Agra del Orzán > O Agra. Nooot.

7. Roçais (os)

Outro "clássico moderno" das dúvidas é o comumente usado Os Rosales. A construçom do "novo bairro" e do centro comercial a pé de Labanhou propiciou a que se fixara o topónimo em espanhol: Los Rosales. Um amigo que na época estudava Humanidades em Elvinha comentara-me que um professor lhes dixera na aula que o nome do lugar vinha nom das rosas senom de roçar o monte, Os Roçais (Os Rozais seria em norma oficial, mas segundo isso haveria que sessear: Os Rosais). Aqui falou-se do caso, haveria que pensar se o seu nome seria o de Fontám ou outro.

As consultas que tenho feito por vias diversas nunca me arrojárom luz sobre o particular, continuo sem saber por que se permite a terminaçom -ales quando os plurais em galego se fam em -ais. A Xunta recolhe e promove até quatro microtopónimos Os Rosales (além do da Corunha, em Cangas, Cambre e Ribeira de Piquim) e a câmbio, sete Os Rosais por toda a geografia galega. Nom entendo esta evidente inconsistência. Hai anos perguntei a toponimia@xunta.es por que em vez de Rosais dim que é Rosales quando isto vai contra a norma oficial do galego. Nunca respondérom.

Incidentalmente em Portugal por exemplo só vejo um Rosais, umha freguesia nos Açores.

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Este plano de cerca de 1925 (segundo o qual interpreto que o atual Mato Grande estaria dentro da antiga Granja) só vincula a zona dos Roçais de hoje a Visma, coa legenda "C[arreter]ª á S. Pedro de Visma / Gran Parque (en proyecto)". Pergunto-me o que é o Peruleiro indicado na costa. Por um comentário de Iván Fontão concluo que se trata do areal ainda existente de Sam Roque de Fora.

8. Martinete (o)

Está recolhido tamém no já referido croquis do ano 1589, junto a outras sete atuais áreas do município, escritas todas assim: S. Pedro, agrela, laBanou, martinete, S. xptoBal, Elbiña, coruña, pasage.

Pergunto-me onde estaria o hipotético martinete que conjeturo lhe pudo dar nome ao bairro e se se conservam fotografías ou desenhos del... Martinete é, além deste lugar da freguesia das Vinhas na Corunha, outro numha paróquia betanceira. Tamém leva esse nome um mogiám, que http://toponimia.xunta.es/gl/Buscador nom recolhe em 12-9-19. Está na estrada de Lourido para Tourinhám, perto de Morquintiám. Este, um escrivám nomeara-o como de Martim o neto (!).

9. Novo Mesoiro (o)

Um lugarinho que nom conhecim até hai nada é Mesoiro, casinhas a pé do polígono de Pocomaco. Lendo a súa entrada na Galipédia vejo que podiam ter-lhe chamado Feáns ou Monte do Moinho ao Novo Mesoiro, mas nom me parece mal a soluçom, pola continuidade de ambos:

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Curiosamente tanto o Novo Mesoiro como Pocomaco som o que poderíamos chamar neotopónimos; mais artificial o segundo, claro.

10. A gente nomea lugares da cidade por grandes áreas comerciais

Se de mim dependesse obrigava os grandes centros comerciais a pôr de apelido o bairro em que estám: Carrefour-Someso, Espacio Coruña-Someso, Alcampo-Palavea, Corte Inglés-A Covela (Cubela em ortografia oficial)... porque na prática acabam substituindo os topónimos nas referências comuns, por exemplo no nome das paradas do bus.

Marineda-Monte Patelo:

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11. A jeito de conclusom

Obviamente nisto tudo, dito figuradamente, estou pensando em voz alta e presentando dúvidas e possibilidades, nom sentando cátedra. Insisto em que provavelmente eu continue usando a Vedra, igual que nom me vejo dizendo algo distinto a Praça do Toural: hai anos em Compostela dixeram-me que havia umha tese segundo a qual se devia chamar Praça Doutoral por mor de nom sei que ritual que faziam os licenciados em medicina (?). Tamém se dizia que a forma correta era Praça do Toral, que nom era um castelanismo.

Diversas das cousas que comentei aqui as consultei em distintos momentos coa Junta, com SNLs e com filólogos e em geral nunca dei, a verdade, com respostas claras. De feito nem respostas a maioria das vezes.

Eu tenho mais perguntas que respostas, mas gostaria de poder contribuir a esta recuperaçom. Afinal fai falta umha posta em comum de fontes, um debate e a assunçom dumha forma autóctone como referência principal. Depois que cada quem lhe chame como lhe pete.

12. Posdata: as corunhas roubadas

Isto é mais história que toponímia mas alá vamos. Corunha nom é só Corunha, é a à agregaçom à cidade de Visma, das Vinhas, de Oça e de Elvinha.

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No uso popular hoje em dia as advocações das duas primeiras freguesias (S. Pedro e S. Cristóvão) quase eclispárom os topónimos. A de Oça é Sª Maria e a de Elvinha S. Vicente.

Se quadra devia ter começado por aqui mas em realidade ainda soubem mais do conto lendo a Galipédia: quando o concelho da Corunha lhe moveu os marcos, literalmente, ao de Oça. Quatro das cinco paróquias da Corunha atual pertenciam em realidade ao extinto município de Oça e a Corunha medrou absorbendo este último co que parece diretamente um assalto a mão armada:

Os veciños de Oza litigaron pola devolución da documentación ó concello, xa que tiñan medo de que puidese ser utilizada polos grandes industriais coruñeses. De feito, nese período a casa do concello muda de localización en varias ocasións e desaparecen documentos sobre os bens, momento que é aproveitado polo concello da Coruña para modifica-la situación dos marcos que sinalan os lindes entre ámbolos dous concellos na zona da Palloza, aparecendo logo os territorios a nome de José Marchesi Dalmau, quen instalou unha refinaría.

J. M. Gutiérrez contava em La Opinión:

Os receos veciñais confirmaríanse pouco despois, xa que José Marchesi Dalmau, un home de negocios que pouco despois sería alcalde da Coruña, fíxose cos terreos comunais do municipio na Palloza, onde instalou unha refinería de petróleo, e coa franxa costeira de Oza, lugar no que máis tarde promovería a construción do Lazareto para os enfermos infecciosos da guerra de Cuba.

Para algúns, a disolución da Corporación foi unha xogada hábilmente calculada por parte de quen esperaban facer fortuna cos terreos de Oza, de forma que a acumulación de débedas polo Concello fixese inviable a súa continuidade e forzase a súa absorción polo da Coruña, como acabaría por suceder en 1912.


Voltando à toponímia, a Galipédia dá quinze lugares, así escritos: A Grela (sic), O Birloque, O Bosque, A Cabana, Cances#, A Cova, Fontenova#, Laxes de Orro, Lonzas, O Martinete, A Moura#, San Cristovo das Viñas, San Xosé#, Someso, A Silva#, enquanto a Xunta dá só dez: os anteriores, igualmente grafados, mas sem incluir os cinco que marquei com sostido#. Além do já explicado supra da Agrela tem-se sinalado que a forma do 9º lugar bem podia ser Louças ou Louçás (Louçáns/Louçães, engadiria eu).

Quando se estuda a toponímia da Argentina por exemplo aparecem nomes de persoas para localidades mas isso aqui é mui estranho. Porém dentro da paróquia de Elvinha hai um caso, o lugar de Pedro Fernándes, que hoje dá nome a umha rua.

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O PGOM de 2013 da Corunha di que é posterior a 1950 mas fontes vivas da zona dim-me que isso nom é certo, que já havia lugar antes.

Quanto à freguesia de Elvinha, Xurxo Souto di que o atual campus universitário da UDC se chamava as Marinhas Douradas (p. 59 do documento ligado). O corunhês fala dum monte de lugares.

13. Para ler mais

- Muita microtoponímia neste mapa de José María Ferrater de 1845

- As azeias ou azenhas da Ponte Gaiteira ou da Palhoça (1752)