De pequeno às vezes íamos merendar a pé da Torre, num sítio que chamavam a pena ou a rocha comunista porque tinha a fouce e o martelo pintados, e nalgumhas ocasiões saudavam-nos pressos desde as janelas do cárcere e nós dizíamos-lhes olá desde a distância erguendo os braços e parecia-me a cousa mais triste do mundo.

Ontem aos quinze segundos desliguei mentalmente do espetáculo de luzes torístico e ali sentado só podia lembrar-me daqueles homens.

Quantas noites pudérom eles, tamém, olhar para a luz do faro.