Na véspera do funeral

em que acabará esta segunda feira se tudo decorre como por probabilidades se prevé, dá-me por pensar como o Deportivo fraguou a sua ruína: de Fernando Vázquez a Fernando Vázquez e, no meio, um buraco negro chamado Tino Fernández. FV deixou-nos em primeira, veu o outro escaralhar tudo, e às portas de 2ª B o retorno de FV nom foi suficiente para salvar-nos. Um lustro de decisões erradas encadeadas com um mesmo denominador comum: a incompetência que marcou a escura época do tinismo.

Negar a realidade nom ajuda a enfrontá-la. O Dépor nunca se adatou a Segunda porque a sua mente estava na Primeira e esse é um erro que te mata... salvo que tenhas a capacidade de retornares imediatamente à Primeira, como já fijo o Deportivo duas vezes nesta era, umha delas co recorde absoluto de pontos da história da competiçom.

Segunda é umha categoria complicada, com umha competiçom longa e extenuante, na qual hai que jogar cos esquemas de resistência física e mental precisos. Porém o Dépor, umha equipa demasiadas vezes ingénua e pusilânime, nunca tivo o sentido do ofício requerido -como sim outras equipas que nom entro a qualificar, como o Lugo-. Perdeu jogos contra rivais diretos, foi derrotado repetidamente na casa, e até quando enfrontava esquadras tecnicamente inferiores.

Escrevim isto o 23 de março passado:

Reconto brutal: resultados na casa 2014-2019 (4 temporadas completas, 1 incompleta):
  • 35% de empates
  • 35% de derrotas
  • 30% de vitórias

A onde vamos?


Agora sabemos: a Segunda B.

Por simplificar, Segunda joga-se com dez soldados e um dianteiro talentoso. O Dépor careceu da atitude adequada para a categoria em que estava, pensando que merecia estar em Primeira... quando isso nom se tem nunca a priori senom a posteriori. Esse mesmo erro deve-se evitar agora que vamos para a 2ª B, porque se continuarmos sem mentalizar-nos de onde estamos, baixaremos a Terceira e aí já desapareceremos -se nom antes-. Segunda nom é Primeira. Segunda B nom é Segunda. Co escudo nom se joga mas o escudo nom joga. Estudemos a categoria à que o tinismo nos levou enquanto sonhamos com que algum dia haja outro Lendoiro que, como el, aposte mais do que hai, lhe tusa na cara aos grandes e remova a corrupta e aborrecida mesa do futebol espanhol da qual tamém temos sido vítimas.

Por se fora pouco, o engendro sem pés nem cabeça que é o grupo ao que vai o Dépor, o I, fronte à estrutura dos demais:

  • Grupo IV: Andaluzia+Castela-A Mancha+Estremadura+Múrcia. Lógico
  • III: Aragom+Catalunha+Valência+Andorra. Ídem.
  • II: Rioja+Navarra+Euskadi+C.-Leom. Ídem.
  • Grupo I: Galiza+Astúrias+... Canárias!? +... Madri!? +... Baleares!? + ...Melilha!?
    Isto é, o grupo What-The-Royal-Fuck.


Contudo nom, nos arrependemos de nada. Seis títulos e a história, onde tamém estám o Karbo e o Orçám como base do Dépor feminino de hoje, além dum filial mais que centenário.

Melhor morrer depois de ter vivido que nom ter conhecido as alegrias que nós desfrutámos, por muito que o Dépor ameace neste preciso instante com passar de ser umha máquina de sofrimento a umha de infelicidade.