Farto dos arvoricidas compulsivos

Farto dos arvoricidas compulsivos


Enfermidades, "escasso valor", "necessidade" imperativa de aínda mais obras para aínda mais garagens subterrâneas (imagina a quem beneficiam)... qualquer pretexto é bom para o concelho da Corunha talar árvores. Desde hai anos e anos esta compulsom repete-se sem parada: se no Oeste a lei era primeiro disparar e depois perguntar, os Senhores da Motosserra municipal primeiro cortam e depois perguntam. Ou que digo, nem isso, cortam e morra o conto. Esta semana, ao ver cair mais outra meia dúzia de exemplares que bem conhecia, voltei a cagar-me neles. Nos que desde Maria Pita tecem umha cidade aberrante de centros comerciais e furados no solo a ver se colhe um carro mais. Mesmo sem falar da atual desfeita da Marinha, lembro como baixo o escuro manto dos três últimos presidentes da câmara municipal desaparecerom plantas entranháveis, caso das que faziam fila na via de Alferes Provisional, e outras que a mim me fascinavam, anciãos próximos como os que a pé da Porta de Ares faziam curva na rua da Mestrança ou aqueles gigantes que se erguiam no alto da agora mal chamada Praça do Tebeo, acesso à cidade do antigo caminho -aínda empedrado- de Carvalho. E nem tenho umha má fotografia deles para os lembrar... oxalá alguém a tenha em algures...


A Cidade Velha, Beiramar, Os Castros, a Agra do Orçám, A Gaiteira... nom hai zona que fique a salvo da loucura polo cemento e o ódio polas árvores. O desprezo polas zonas verdes é pura ignorância e mais ao tempo que a especulaçom manda e impera. Quanto mais deveríamos respeitar e adequar as intervenções urbanas às árvores, mais na medida da sua idade, se tivéssemos algo de sentido e sensibilidade. Infelizmente, em corrup-politica-trapalhada-lândia toda zona verde é suscetível de que algum construtor cementeiro a destroce a câmbio duns euros. Lamentáveis intervenções em áreas que deveriam ser escrupulosamente respeitadas, como a Universidade Laboral em Colheredo, deixam claro que esta febre polo progresso e o aproveitamento mal entendidos ameaça desde qualquer município, nom só desde o corunhês. E um pergunta-se: tem que ser isto assim por força?


Farto dos arvoricidas compulsivos


Estas cerdeiras som impressionantes e a história atrás delas nom menos. As árvores centenárias forom deslocadas da sua ubicaçom original ao se construir umha pressa de água. Porque os vizinhos dos lugares atingidos assumiam a perda das suas moradas... mas nom das árvores centenárias que acompanharam os seus antergos desde gerações imemoriais. E o que se fijo foi desenvolver um trabalho de engenharia complicado para lograr dar-lhes um novo local e que a auga nom as fixesse desaparecer igual que assolagaria templos e aldeias. Para que, ao agromarem coa chegada da estaçom das flores, a comunidade celebrasse -como manda a tradiçom, à sua sombra- a continuidade e a natureza.


Havia de ser aqui! "Paliadora", motosserra e tira milhas.


Se Galiza tivesse passaporte próprio, na capa deveria ler-se República de Husqvarna.