No aviom sentaram umha senhora maior de mobilidade reduzida a pé do corredor, estando eu sentado à esquerda dela, onde a janela, e livre a vaga entre nós os dous. Quando houvo um pequeno problema cos assentos um amável viageiro se interessou para ajudá-la e eu tamém falei com ela, dei-me conta polo sotaque de que era alguém do rural. Ao chegar eu tivem que esperar a que a ajudassem a sair e no entanto falámos algo. Um nunca se acaba de afazer de tudo a falar um idioma que, por que nom dizê-lo, vem a ser em muitos contextos o que usam apenas os velhos e ninguém mais. Havia no aviom, havia porém, alguns homens jovens (nom sei por que pensei podiam ser marinheiros) que falavam galego, mas tu vais para a tua terra com saudade e faria-che ilusom algo mais. Em qualquer caso quando encontro umha velhinha assim, que vai sozinha e que precisa assistência, nom podo evitar lembrar-me das minhas avozinhas. A senhora era dum município a onde eu casualmente fum à escola quatro anos de menino, fica próximo da minha pátria pequena, assim que nom era difícil que me tocasse o coraçom. Foi agradável no meio dumha maioria monolíngue alheia ter interlocutor na nossa fala, aliás com umha fonética profunda, essa que estimo tanto e que a gente da cidade já temos praticamente perdida. Fijo-me graça ademais como ela mencionou a "cadeira de rodas" (quando no cotiám é tam habitual dizer "silla") e se referiu para mim coa fórmula de cortesia "o senhor" -"O senhor vem de longe?". Ela vinha do Brasil :-)