Louane Emera. Je vole



Encantou-me este filme e, do que comecei a ler na Wikipédia antes de parar para evitar que me estragaram a trama, pareceu-me que todos os câmbios introduzidos sobre a obra original a melhoravam. Pendente ler o livro.

Esquece Monelos: aquelas duas luzes no final do túnel

<cite>Esquece Monelos</cite>: aquelas duas luzes no final do túnel

A primeira vez que concebim a possibilidade de matarem um rio foi -como nom- lendo um álbum de BD. "Brüsel", do mítico ciclo das "Cidades Escuras" de Schuiten e Peeters. Até esse momento nem se me passara pola cabeça tamanha aberraçom. Teria imaginado o hipotético: hai um rio? A cidade crescerá em todo caso arredor del, en todo caso aos seus lados... nunca por riba del. O rio é vida. Nom o esmagas, verdade? Mentira. O choque que me produziu "Brüsel" nisso permaneceria para sempre comigo.

Anos depois moraria na rua do rio de Monelos e passando polo baixinho arco da sua ponte de pedra contariam-me que sob os nossos pés ia aquel rio exilado ao subsolo, caladinho, castigado por nom se sabe bem que falta. Um curso fluvial cuja existência eu nem conhecia de menino, e que fum descobrindo segundo se começavam a partilhar por Internet fotos antigas da cidade e os seus contornos.

<cite>Esquece Monelos</cite>: aquelas duas luzes no final do túnel

"Esquece Monelos" é a história desse rio da cidade da Corunha, dum dos rios destruídos em boa medida polo maldito "desarrollismo" dos 60 (dirá-se-me que me aferro ao romanticismo dum passado inexistente, que o rio causava muitos problemas e que encaná-lo e enterrá-lo era necessário; escusam fazê-lo).

<cite>Esquece Monelos</cite>: aquelas duas luzes no final do túnel

Com umha claridade asinha posta sobre a mesa e o ponto justo de poesia e de olhada contemplativa, o que nos propom a diretora Ángeles Huerta nesta película é um caminharem colhidas da mão duas histórias: a primeira, a do próprio rio, desde o seu surgimento polo alto da Furoca -lugarinho que via de longe passando todas as manhãs durante a metade da minha infância- até chegar a água doce a se fundir coa salgada do mar. Entre ambos extremos, entre nascimento e morte, um feixe de vidas e lembranças.

A segunda história e a própria de quem supomos o pai da diretora, personagem quase elíptico porém essencial como motor do relato, enfrentado ao mal do alzheimer. A elegância coa que ambos fios, o do rio e o do senhor, se entrelaçam na tela do cinema há de dever muito à boa mão e bom olho na montagem de Sandra Sánchez, experimentada realizadora ela tamém. Nom quero deixar sem destacar tampouco a sobriedade e acerto do diretor de fotografia -Jaime Pérez- e a excelente companhia musical em toda a viagem -nom dou encontrado o crédito-.

<cite>Esquece Monelos</cite>: aquelas duas luzes no final do túnel

A partir das duas linhas do conto obviamente hai umha sucessom previsível, mas mui lograda, de símiles, e por descontado poderosas metáforas, boa parte inerentemente vinculadas à memória e à perda desta, tanto a involuntária como a voluntária (que estragamos para o "progresso"? Vale a pena?).

Que umha história tam profundamente corunhesa seja narrada com tal classe, graça, emoçom (as velhas vizinhas de Monelos coas bagulhas ao lembrarem quando lhes guindárom as casas), pluralidade de perspetivas (as famílias ciganas expulsadas da Covela, o alcaide do tardofranquismo, o técnico-braço executor do projeto sem remordimento nengum, etc) e enfim, em conjunto com tal savoir faire cinematográfico-documental produze-me umha enorme alegria.

Porque esta é umha história com muita fealdade nela (a doença, a destruiçom natural, a ruína, o cimento, esses horríveis labirintos de scalextric que medram como um cáncer a partir da Avenida de Glasgow, que isolárom Sam Cristóvão das Vinhas, e que invadem tudo desde Meicende até Mesoiro) mas que apesar de tudo dá construído, a partir dos seus dous farois -o familiar/humano e o comunitário/natural-, um lindo monumento ao recordo, umha homenagem aos trabalhinos de quem nos antecedeu e a necessária e tam demorada recuperaçom dumha parte da nossa cidade, que nos roubaram sem pedir permissom.

E porque, como reza o lema do filme, "o que nom se di non fai parte da história".

E felizmente, aqui já se di, e di-se com tacto e beleza.

<cite>Esquece Monelos</cite>: aquelas duas luzes no final do túnel
Nolite te bastardes carborundorum, bitches


É do '85 e juraria que a vim entom no cinema. Sei que só a vira umha vez e esta passada madrugada voltei a vê-la. 32 anos depois, mantém o nível.

Белые ночи почтальона Алексея Тряпицына

Белые ночи почтальона Алексея Тряпицына

Белые ночи почтальона Алексея Тряпицына

Белые ночи почтальона Алексея Тряпицына

Белые ночи почтальона Алексея Тряпицына

Белые ночи почтальона Алексея Тряпицына



-It is not forbidden. I just don't want to speak it, that's all.

-You may not want to speak it but I will make sure that you don't forget it.

Go, chief!

We will repel bullies, we will shelter outcasts and freaks, those who have no home, we will get past the lies, we will hunt monsters. And when we're lost amidst the hypocrisy and the casual violence of certain individuals and institutions, we will — as per chief Jim Hopper — punch some people in the face when they seek to destroy what we have envisioned for ourselves and the marginalized.


"Stranger things": A+

Um pode apanhar todos os ingredientes da fórmula que for, nengum realmente original, e fazer umha mistura que nom calhe; sem entidade, sem corpo, sem espírito. Qualquer um pode tomar de "Stand by me", "The Twilight Zone", "Poltergeist", "Carrie", "E.T.", "The Breakfast Club"... mas o acerto de "Stranger Things" é que no minuto dous deixa de importar precisamente essa suposta falta de originalidade e a história em si monopoliza o centro do foco.

"Stranger things": A+

A série está construída solidamente, co ritmo acertado, personagens arquetípicos mas conduzidos com coerência e verosimilitude, bons diálogos, interpretações mais que corretas -os nenos estám fantásticos-, umha narrativa visual clara e impecável, umha produçom acertadíssima, e tudo isso nom como um conjunto de farrapos juntados casualmente, senom como um relato unitário, umha verdadeira película. Só que umha película de oito horas de duraçom, que se pode ver por partes (eu, em três sessões) e cuja trama se vai desenvolvendo gradualmente, co tempo perfeito.
Além do medinho que passei nos primeiros episódios -já me conheceis-, por muitas piscadas à "Guerra das Galáxias", "Dragões e Masmorras", The Clash, etc que tenha anedoticamente, e que ligam cos pequenos Goonies que fomos nos 80 (coas nossas BHs e lanternas e cabanas nas hortas e cómics da Patrulla-X e histórias de medo a pé do lume do lar os dias que marchava a luz)... som todos porém complementos na obra. Nom som o cerne do relato; o relevante som os personagens, o que lhes passa e o caminho que cada um tem que percorrer. E isso, em termos de história, está mui bem levado. Nom é nostalgia, é que é umha boa série, que che fai rir, assustar-te, duvidar sobre o que está passando, temer polos protagonistas... um trabalho digno de estar nos anais do seu género. Cos seus momentos de comédia, romance, thriller, sci-fi e terror.
E depois está o amor. O amor que sentimos por El nom é fictício. Aí está a magia do invento. É mui infrequente que numha série haja tantas mostras de afecto como nesta: acolhida entre desconhecidos (a mesa do cozinheiro, a caminha no soto, ...), amizade entre nenos, amor infantil, amor juvenil, solidariedade entre adultos. A série está cheia de mãos que se esticam e se estreitam para ajudar a outro/a. De biquinhos e abraços. Nom me digais que isso sobra.
Nem na TV nem no mundo.

"Stranger things": A+

Um 2016 altamente cinéfilo

Um 2016 altamente cinéfilo

Um 2016 altamente cinéfilo

Um 2016 altamente cinéfilo

Um 2016 altamente cinéfilo

Um 2016 altamente cinéfilo

Um 2016 altamente cinéfilo

Depois de "Heaven's gate", a de Cimino de 1980, esta "The claim" (2000) de Winterbottom deve de ser o melhor antiwestern que tenha visto. E ao igual que aquela, meteu-se umha óstia criminal na bilheteira.

Um sétimo mundo



Mais aqui.
Nom hai um só plano deste filme que nom me pareça perfeito.

Até sempre, Justified

Hell, yeah, I got a badge. And I got balls like Death Stars. Let's do this

Bob Sweeney

Até sempre, Justified

Guy on his way down who has apparently killed more people than malaria

Wynn Duffy

Até sempre, Justified

Do you think I could ever be the kind of woman who belongs in these clothes?

Ellen May

Até sempre, Justified

Gonna quit tomorrow

Colton Rhodes

Até sempre, Justified

Why can't it be like that again, Boyd?

Dewey Crowe

Até sempre, Justified

This is the bad part, but it doesn't last long

Mags Bennett

Até sempre, Justified

-We dug coal together
-That's right


Até sempre, Justified