Pois umha das cousas que mais mágoa dá trabalhando com arquivos fotográficos é dar com imagens de persoas que já ninguém identifica, nem sequer os seus descendentes. Porque já faleceu quem escreveu no reverso "Recuerdo de mi querido padre" e nom podemos partilhar com essa persoa desaparecida mais que o sentimento por aquela outra. Afinal, todos desaparecemos e tamém a lembrança da nossa existência, mas um nome, umha data, som pequenos fios que nos unem a quem nos precedeu e, se quadra, a quem nos suceder.

Galegos em Castela

O arquivo avança.

Galegos em Castela

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Bravo, bravíssimo

Bravo, bravíssimo

O outro dia, precisamente a conta dumhas fotos, comentava-lhe a um conhecido que opino que sempre houvo velhos mui modernos e tamém jovens mui râncios. Hoje descobrim que todo um arquivo fotográfico profissional no que se recolhia a memória familiar de incontáveis persoas foi destruído polo estúdio responsável em 1995. Um labor de décadas guindado ao lixo, sem mais. Em 1995. Um pensaria que na altura já teríamos a cabeza um pouco melhor equipada como para estas cousas.


Porém, que é o melhor do assunto? Que a modernidade estivo antes e nom depois: o senhor que o levava antigamente atuara dum jeito louvável. Articulou um espaço ventilado e com bom acondicionamento para a conservaçom física do produto do seu trabalho em casamentos e outros atos sociais. Conservava os negativos. Fazia -isto já é finura- umha cópia de segurança por cada imagem, por se era mester recorrer a ela, e nom a destruía até passados cinco anos. Tenho visto entidades de envergadura proceder de modo infinitamente mais chafalheiro.


Todo isto fazia o senhor antes das ferramentas informáticas, antes de que o conceito de backup fosse tam comum, antes da gestom digital dum arquivo fotográfico.


E entom vem a nova geraçom, a que se supom mais estudada e com mais conhecemento, a que deveria ter a perspectiva ulterior de valorar a relevância desse fundo em termos históricos, etnográficos e antropológicos -já por nom falar da pura memória própria dum país e do valor afetivo-, e diante dum trabalho de tales dimensões o único que sabe fazer é destruir.


De verdade. Eu nom sei para que vos molestastes em ir à escola.