Urbano Monte, 1587

Urbano Monte, 1587

cazarga, la crugna, s. Maria, cedera, GALICIA, c. finisterre, compostela s. jac.º

Fonte: David Rumsey
I find the following in Whitaker's Almanac :‐ “ The line (or rather lines) of native sovereigns is a very long one ; some Irish historians have traced the succession to about the period of the flood, ‘ before which time there were many princes,’ but unfortunately the records have not been preserved. According to Keating, the first sovereigns after the Milesian Conquest, of whom there is any ‘ absolute certainty,’ were Heber and Heremon, Milesian princes from Galicia, in Spain, who conquered Ireland, and gave to its throne a race of 171 kings. These two princes reigned jointly from the year 1300 B.C. till 1291, when Heremon alone ruled. Of their successors, who reigned from the year 1285 B. C. to the Christian era, about 169 in number, only 15 died comfortably in their beds; four died of the plague or some malignant distemper, the rest being assassinated, killed in battle, or dying other violent deaths. Home Rule in all its beautiful simplicity was in existence from the earliest times till after the Conquest of Ireland by Henry II, in 1172; the rultes, however, appear to have had anything but a peaceable quiet time.” (An “ authentic ” list of Irish sovereigns is also given.)

From The North Wales Chronicle and Advertiser for the Principality (18th February 1888)

Contratos em galego de hai 600 anos

"Documento 5: Torre Xunqueiras. Dominga Domínguez e María Pérez, con outorgamento do seu marido, Pedro Calmele, doan a Gonzalo López Dózon o quiñón do casal na Eira dos Galos. 1379, novembro, 15. 1 doc. en perg., 180,5 x 220 mm. Galego, letra gótica precortesá. Sign.:29380/31."

Era de mil e cuatroçentos e XVII años, e qontados XV dias andados de novembro. Conusçuda cousa seia que eu Dominga Dominguez e eu Maria Perez con outorgamento de meu marido Pero de Calmele, que esta presente e outorga, damos a vos Gonzalo Llopez Docon o noso quinnon do casal e formaulle de Eyra dos gallos e de campo da Eyra dos Gallos en doaço, asy como doaçon pode seren mays firme e mays valledeyra entre vyvos para todo sempre. Testemoinas Fernan de Fumyneo e Llopo do Llago, Fernan Martines e Afonso Branco e outros moytos.

Eu Fernan de Lema, notario jurado por noso señor el Rey en terra de (Signo) Nemancos, a esto presente foy e confirmo e meu nome e sinal fece quee tal e.


Era de mil e quatroçentos e desa e sete anos e qontados XVI dias andados de novembre. Sabean todos que eu Elvyra de Castelo dou e doo en doaçon a vos Gonsalvo Llopez Docon, por been e defindymento que de vos reçebo, a miña leyra de sobre llavillera que topa en hun dos cabyçeyros en no mormirral e outro vay contra o llago e a mynna lleyra de Llagares que yat sobre llo agro de San Martiño de Funteyna et yat de soaao en sobre llomar et yat entre Fernan de Fumyneo e Gonçalo Eanes Doçon. E mays vos dou a meadade de tres marrdes que yat entre eyra dos Gallos et de Gonçalo Eanes a par da parrede de eyra de Gonsalvo Eanes e vem da parede da Seara ata o portall do corrall de Gonçalo Eanes. E esto vos dou con outorgamento do meu marrido, Joane Gonçales, que esta presente, e outorgo para todo sempre e que non aga poder de rovogar en vyda nen morte. Testemuños Roy Doçon, Garcia Gonçales, Fernan de Fumyneo, Garcia de Nemancos e outros moytos.

Eu Fernan de Lema, notario de Nemancos por noso señor el Rey, a esto presente foy e confirmo

e meu nome e sinal pono que tal e. (Signo)


Fonte. Achado por pesquisa específica no Arquivo do Reino de Galiza, dá este resultado sem informaçom contextual ou ligaçom para imagem do original manuscrito. O nome Torre Junqueiras alude ao lugar de onde os técnicos o levárom para o ARG.

Tamém de Torre Junqueiras procede outro pergaminho de 1363 (Sign.:29380/37) que recolhe um aforamento entre particulares. J. E. Benlloch del Río transcreveu-no nas p.16-17 de Nalgures VI (2010):

Era de mill et CCCC et hun anos et o quod XXII dias dabril, sabam todos commo eu Martin Peres dito Gordo, morador en Sarantes, et minna moller Marina Oanes, que presente esta, confesamos et outorgamos que avemos a seer parçeyros de pan lavrar de vos Johan Fernandes, fillo que sodes de Fernan Carnyçeyro de Mogia, et de vosa moller María Oanes e de vosa vos en o voso casal que vos avedes en a Villa de Sarantes, que he en a friguesia de San Giao de Moyrame, por termino de IX annos primeyros syguintes que se començaran por dia de San Miguell de setenbro primeyro que ven. A saber que vos avemos a dar a terça parte de quanto pan lavrarmos en a vosa herdade et quarta do millo, e avemos de lavrar quanta herdade vos teedes et avedes en a villa sobredita que iaz en a chousura do agro, et prometemos e outorgamos de vos non poer sennor a rostro en este termino et avemosvos a fazer çerviço duas veses en o anno, por San Miguell et por entroydo, et hunna colleyta quando partiredes voso pan e hun porquo ou XXX soldos, et avedes a min a dar por benfeytoria hun boy et hunna oytava de pan, hunna capa ou sayo de voso corpo ou hun pano que seia de a niingun, a qual benfeytoria confesamos et outorgamos que avemos ja en noso poder et en noso jur. Et eu Johan Fernandes et a dita minna moller et nosas vozes avemosvos de quitar da moeda et da fosedeyra e doutro juizo mao, a salvo dereitos de meyrim, et avemosvos de erger IIIIe casas en a dita villa en este tenpo sobredito. Et fiido este tenpo que vos Martin Peres et a vosa moller et vosa voz que vos vades con vosas avenças et con vosos corpos quitos et desenbargados de nos et de nosas voçes, salvo se deverdedes (sic) deveda sabuda, que nola pagedes ante que ende saades. Et esto se deve agardar ontre nos so penna de cc morabedís que peyte a parte que o non conprir a parte que o conprir et agardar, et a pena levada ou non levada ho praço seia firme et vala. Testemuyas Fernan Oanes, monge de Moyrame, Fernan Rodrigues de Donila? et Estevo Nunes et Joan Coseyro et Johan Alvares et outros

Eu Roy de Verdaas notario por dom Fernan Ruiaga? de Castro no sou (sic) lugar de Mugia a esto presente foy et meu nome et sinal y ponno tal (Signo).


Note-se a conversom de datas: no documento supra "Era 1417" -38 = ano 1379, no documento supra "Era 1401" -38 = ano 1363.

Galicia, the garden of Spain

Galicia, the garden of Spain

Galicia, the garden of Spain
Fonte

The English Illustrated Magazine (11/1910)
Lendo poema q usa os J/G etimológicos descobrim o maior poeta galego-paraguaio, parente de Pondal e López Abente: Victorino Abente y Lago.


Ao César o que é do César: hoje pesquisei em Galiciana e encontrei o que procurava.

Esquece Monelos: aquelas duas luzes no final do túnel

<cite>Esquece Monelos</cite>: aquelas duas luzes no final do túnel

A primeira vez que concebim a possibilidade de matarem um rio foi -como nom- lendo um álbum de BD. "Brüsel", do mítico ciclo das "Cidades Escuras" de Schuiten e Peeters. Até esse momento nem se me passara pola cabeça tamanha aberraçom. Teria imaginado o hipotético: hai um rio? A cidade crescerá em todo caso arredor del, en todo caso aos seus lados... nunca por riba del. O rio é vida. Nom o esmagas, verdade? Mentira. O choque que me produziu "Brüsel" nisso permaneceria para sempre comigo.

Anos depois moraria na rua do rio de Monelos e passando polo baixinho arco da sua ponte de pedra contariam-me que sob os nossos pés ia aquel rio exilado ao subsolo, caladinho, castigado por nom se sabe bem que falta. Um curso fluvial cuja existência eu nem conhecia de menino, e que fum descobrindo segundo se começavam a partilhar por Internet fotos antigas da cidade e os seus contornos.

<cite>Esquece Monelos</cite>: aquelas duas luzes no final do túnel

"Esquece Monelos" é a história desse rio da cidade da Corunha, dum dos rios destruídos em boa medida polo maldito "desarrollismo" dos 60 (dirá-se-me que me aferro ao romanticismo dum passado inexistente, que o rio causava muitos problemas e que encaná-lo e enterrá-lo era necessário; escusam fazê-lo).

<cite>Esquece Monelos</cite>: aquelas duas luzes no final do túnel

Com umha claridade asinha posta sobre a mesa e o ponto justo de poesia e de olhada contemplativa, o que nos propom a diretora Ángeles Huerta nesta película é um caminharem colhidas da mão duas histórias: a primeira, a do próprio rio, desde o seu surgimento polo alto da Furoca -lugarinho que via de longe passando todas as manhãs durante a metade da minha infância- até chegar a água doce a se fundir coa salgada do mar. Entre ambos extremos, entre nascimento e morte, um feixe de vidas e lembranças.

A segunda história e a própria de quem supomos o pai da diretora, personagem quase elíptico porém essencial como motor do relato, enfrentado ao mal do alzheimer. A elegância coa que ambos fios, o do rio e o do senhor, se entrelaçam na tela do cinema há de dever muito à boa mão e bom olho na montagem de Sandra Sánchez, experimentada realizadora ela tamém. Nom quero deixar sem destacar tampouco a sobriedade e acerto do diretor de fotografia -Jaime Pérez- e a excelente companhia musical em toda a viagem -nom dou encontrado o crédito-.

<cite>Esquece Monelos</cite>: aquelas duas luzes no final do túnel

A partir das duas linhas do conto obviamente hai umha sucessom previsível, mas mui lograda, de símiles, e por descontado poderosas metáforas, boa parte inerentemente vinculadas à memória e à perda desta, tanto a involuntária como a voluntária (que estragamos para o "progresso"? Vale a pena?).

Que umha história tam profundamente corunhesa seja narrada com tal classe, graça, emoçom (as velhas vizinhas de Monelos coas bagulhas ao lembrarem quando lhes guindárom as casas), pluralidade de perspetivas (as famílias ciganas expulsadas da Covela, o alcaide do tardofranquismo, o técnico-braço executor do projeto sem remordimento nengum, etc) e enfim, em conjunto com tal savoir faire cinematográfico-documental produze-me umha enorme alegria.

Porque esta é umha história com muita fealdade nela (a doença, a destruiçom natural, a ruína, o cimento, esses horríveis labirintos de scalextric que medram como um cáncer a partir da Avenida de Glasgow, que isolárom Sam Cristóvão das Vinhas, e que invadem tudo desde Meicende até Mesoiro) mas que apesar de tudo dá construído, a partir dos seus dous farois -o familiar/humano e o comunitário/natural-, um lindo monumento ao recordo, umha homenagem aos trabalhinos de quem nos antecedeu e a necessária e tam demorada recuperaçom dumha parte da nossa cidade, que nos roubaram sem pedir permissom.

E porque, como reza o lema do filme, "o que nom se di non fai parte da história".

E felizmente, aqui já se di, e di-se com tacto e beleza.

<cite>Esquece Monelos</cite>: aquelas duas luzes no final do túnel

Os moinhos da Corunha segundo o Catastro de Ensenada (1752)

(...) un Molino Arinero del Biento sin uso (...)
(...) Las Azeñas del Puente Gaiteiro, o dela Palloza con nuebe Ruedas arineras de todo grano pertenecientes à Don Miguel Jazpe, y mas consortes, las que muelen doze dias del mes con el agua que sube delas Mareas, y encada uno catorze oras, y dan por Arrendamiento en cadaun año ducientos ochentayocho ferrados de trigo, setentaydos de Maiz, y otros setenta y dos de centeno =
Dos Molinos de Agua dulze con una Rueda cadauno, en el Lugar dos Moiños pertenecientes eluno a don Juan Antonio de españa, vezino desta ciudad, y el otro a dn. Joseph Pangou, vezino dela de Betanzos que muelen la quarta parte del año, y en cada dia y noche de este tiempo ocho ferrados de todo grano (...)


(A transcriçom do manuscrito é minha e quaisquer erros nela tamém)

Margens da Corunha segundo o Catastro de Ensenada (1752)

(...) Linda por L. [Leste] con el Rio y Puente llamada Gaiteiro que la devide con la feligresia de Santa Maria de Oza, por el Sur, con Feligresia de San Christoval das Viñas, y por el P. [Poniente] con la de San Pedro de Bismas, contando su termino desde el expresado Puente por el Rio arriva, asta el lugar de Monelos, y desde este à Parromeira, y desde alli alos lugares de Nelle, y Bioño, por la agra de Bragua, parte arriva de la hermita de Santa Margarita, y descendiendo desde esta sigue hasta el Rio que baja de San Pedro, y termina en el Lugar dos Moiños, y por el N. [Norte] con la thorre, y pradeyra de ercoles siendo como es Peninsula por estar porlas mas partes circundada de Mar como lo demuestra sufigura.


(A transcriçom do manuscrito é minha e quaisquer erros nela tamém)

Mapa de Pedro Teixeira, 1634

Mapa de Pedro Teixeira, 1634
CURUÑA, Castillo de S.Antº, Pescadaria, Funt?, S.Amaro, Torre dercules

Mapa de Pedro Teixeira, 1634
Molino, Fuerte de S.Cruz, S. Maria de Oça

Mapa de Pedro Teixeira, 1634
Lamarola (esquerda, embaixo) e MAR DE ORÇAN (centro, à direita)

O evangelho segundo Maria de Magdala

O evangelho segundo Maria de Magdala

A autora deste livro é umha teóloga estadounidense. O seu estudo dum evangelho apócrifo (leia-se "oculto" e nom "falsificado") centrado na figura de Maria Madalena vai além da análise unipersoal e dá pé a umha valoraçom global dos primeiros séculos do cristianismo em clave de gênero.

A leitura que se fai desse antigo escrito, do qual apenas se conservam fragmentos, nom deixa em bom lugar a vários apóstolos, especialmente Pedro, polo seu caráter (irascível) e prejuízos (machistas).

In the Gospel of Mary (...) Peter (...) models what the spiritually underdeveloped person is like: fearful, arrogant, jealous, ignorant.


The conclusion of the Gospel of Mary leaves the reader with little confidence that these disciples, especially Peter and Andrew, will be able to preach the gospel of the Realm. And since, as we have noted, the Gospel of Mary questions the validity of apostolic succession and authority, it is little wonder that later orthodox theologians, who founded their own authority upon apostolic reliability, would decry the Gospel of Mary as heresy.


Assinala-se Maria como a discípula mais avançada de Jesus. Se nom lembro mal o ensaio fala de sete homens e cinco mulheres como primeiros seguidores del, sem distinçom por sexo. Quem sabe se daí nasce umha tradiçom que séculos mais tarde perviviria cos mosteiros medievais dúplices.

Clearly Mary is spiritually more advanced than the male disciples; because she did not fear for her life (...) and did not waver at the sight of him in her vision (...) Pagels suggested that the Savior's injuction was written specifically against Paul's attempt to silence women (...)


A conclusom é que o papel e a presença das mulheres na igreja original foi apagada ou deixada num segundo plano e que nesse contexto de reelaboraçom do relato Maria passa de ser umha profetisa a umha prostituta.

Yet in every century, from the first to the twenty-first, women's leadership has been opposed. The attempts of some of their fellow Christians to exclude them from roles as prophets, teachers, and preachers must have been a bone of contention, even as it is today.


Os escritos dos primeiros tempos do cristianismo após Jesus morrer som dumha época de transmissom oral de feitos e de lendas. Resulta arbitrário dar legitimidade a priori a uns escritos e negar-lha a outros. Jesus nom escreveu o que ensinava, daí que todas as fontes da mesma época (ss. I-II) som, por definiçom, secundárias. Imagino que o ideal é conhecer todos os escritos para poder valorá-los em conjunto e individualmente. Além disso em termos científicos, tanto o estilo como a dataçom material quando se conservam restos físicos será essencial à hora de valorar autenticidades.

When Jesus died, he did not leave behind an established church with a clear organizational structure. The patriarchal and hierarchical leadership of the church developed only slowly over time and out of a range of possibilities. Early Christians experimented with a variety of formal arrangements (...). In many, women and slaves were important leaders; others resisted this reversal of the dominant social order and worked to exclude them.


O ensaio parece-me detalhado, mui interessante e de amena leitura, mas nom tenho conhecimentos para o valorar além disso. A autora já se retractou publicamente de teses que anteriormente defendera. A primeira sobre o próprio evangelho de Maria. No livro conta que em princípio o valorava como umha re-elaboraçom de textos anteriores, mas que segundo o foi analisando ao longo do tempo concluiu o contrário, que tinha demasiados elementos originais como para ser simples cópia/variaçom de evangelhos prévios. Outro caso aconteceu com um fragmento de nom hai muitos anos que se supunha provava que Jesus estivera casado, mas que agora parece se ter concluido que é umha falsificaçom.

Incidentalmente, o livro fala dos irmãos de Jesus, em concreto do seu irmão gêmeo (que p.e. na Wikipédia em espanhol nem se menciona), Judas Tomás, e ainda outro, Santiago. Eu sempre pensara que Jesús nom os tinha. Polo que persoa experta me di, tivo polo menos quatro: Jacob, José, Judas e Simom além de várias irmãs. Isto polo que me dim fica claro no Evangelho segundo Marcos cap. 6, 1-4 e confirma-o Matéu cap. 12, 46-50. Outras referências vêm de escritos apócrifos, o qual nom significa que sejam falsos senom que nom forom aprovados polos líderes da igreja primitiva. A distinçom entre canónicos (aqueles que foram aceites) e apócrifos (os que nom) é dacordo com quem sabe do assunto, mui subjetiva e interessada.

Hispanicae Regionis Nova Descriptio

Agradeço a quem me interpretou a caixa de texto a pé deste mapa encabeçado como umha "nova descriçom da regiom hispánica".

Hispanicae Regionis Nova Descriptio

Dacordo coa Wikipédia o original da Cosmographia seria em alemão ("earliest German-language description of the world"). Segundo isto, o que se reproduze infra seria umha segunda traduçom (sempre assumindo a premisa de que o mapa supra faga parte da dita Cosmographia). Porém, se entendo bem, da Biblioteca Nacional de Espanha colige-se que o original foi o latim e daí se traduziu para alemão ("La Cosmographia de Ptolomeo, editada por Sebastian Münster en 1544 en Basilea, tuvo numerosas reediciones, traduciéndose a otros idiomas como el (...) alemán"). For como for, eis a descriçom textual que acompanha a cartográfica:

As montanhas dos Pirinéus separam a Hispánia da Gália. E lá dous braços de montanhas emergem sobre esta regiom, um dos quais se estende até Portugal, separando-o da Galiza; e os nomes comuns som variados, postos à toa a partir das pessoas que lá moram. Os nomes dos rios, assim como das cidades, quase todos mudaram atualmente. Betis é agora chamado Guadalquivir; o Ana, Guadiana; o Tago, Tejo; o promontório céltico, Finisterra; o Íbero, Ebro; a Valéria, Concha; Calagurrio, Calahorra; de tal tipo de nomes se dirá que som mais abundantes na Hispánia do sul.


Toponímia galega: S. Martha, Cologna, Bizarga, Finis terrae, Cormes, S. Maria, Noia, S. Iacobus Compostelle, Galicia, Baiona.

Quando Corunha foi portuguesa

Quando Corunha foi portuguesa

Ontem cumpriu-se um ano da publicaçom deste artigo de Xosé Alfeirán, em que contava como durante quatro anos do século XIV, Corunha foi fiel ao rei Fernando I, em ocasiões referido, além de como rei de Portugal e dos Algarves, tamém como rei de Galiza. Segundo o relato o monarca foi recebido polos vizinhos da vila -ao inquérito "Hu vem aqui meu senhor el-Rei Dom Fernando?"-. Encabeçava-os o regidor Joám Fernandes de Andeiro, um nobre galego natural da parte de Cambre, que se vinculou ao reino luso. Hoje Alfeirán apresenta um novedoso e extenso trabalho sobre a Torre de Hércules atravês da história, centrado no período que vai do s. XI ao XVII.

No momento de escrever estas linhas páginas em galego e espanhol da Wikipedia dim literalmente -e de jeito equívoco, suspeito- que Fernando se "coroou" na Corunha. À sua chegada o rei mantivo en uso a Real Casa da Moeda da Corunha, acunhando moeda co símbolo por antonomasia da cidade, o faro romano. A página "Monedas gallegas" explica que entre os tipos de moeda acunhada se contam dous, chamados "de escudo" por apresentarem o português no anverso. Nun caso, flanqueado por duas estrelinhas, e sobre o mesmo aparece a Torre de Hércules entre aspas; noutro, mantém-se a Torre, mais os demais adornos som substituidos.

Para saber mais da numismática luso-corunhesa:

  • "Moedas da Corunha (carta a propósito das 'raridades numismáticas' do Dr. Batalha Reis" (Luís Pinto Garcia, 1949)

  • "A Torre de Hércules e as emissões monetárias de D. Fernando I de Portugal na Corunha" (Rui M. S. Centeno, 2016). Deste último procede a imagem supra, co pé de imagem "NUMISMA LEILÕES. Colecção Algarve - Parte II (Lote 65). Colecção Joaquim Fontes Pacheco"

  • Podemos ler os feitos referidos no seguinte relato do Chronicon Conimbricense medieval, tal como o dá España sagrada. Theatro geographico-historico de la iglesia de España (2a ed.) / . Tomo XXIII. Continuacion de las memorias de la santa iglesia de Tuy y collecion de los chronicones pequenos publicados, é ineditos, de la historia de Espana... (1799) de Enrique Flórez, recolhido pola sua vez na Gallica, a biblioteca dixital da Biblioteca Nacional de França [consulta 27-11-2017]:

    (...) el Rey D. Pedro de Portugal foise à Galizia è tomou Tuy, è Ourem, è Salvaterra, è Redondela, è Bayona , è à Chrunha, è outros Lugares muytos em Galiza, è fez bater sua moeda de prata , è douro, è na Crunha , è em Tuy , para pagar ò soldo aos que ò serviaõ , è nesto comeyos Fernaõ Dafonso da Camara , è Joaõ Affonso desse logo cada hum sobre si lhe vierom fazer vassallagem , è deram ahy à Cidade de Camera, è ganhou em esse anno Saõ Felices , è Valenza , è Alcantara , è outros muytos Lugares em Castella , è quando ò Anrique soube como ò ditto Rey D. Fernando era en Galiza, juntou suas gentes , è foise à Santiago de Galiza , è el Rey Dom Fernando era ja em Portugal , è veose entom ò Anrique à Tuy , è cercou-o , è tomou-o , è passou ò Minho , è veose lanzar sobre Braga, è tomou-a, è foise entom caminho de Braganza , è foi-a cercar , è filhou-a , (...)


Os antigos moviam-se polo mar mais ligeiros do que se quadra pensamos. Por exemplo navegarem de Nemancos a Bretanha (Mogia-Bénodet) levava-lhes três dias. Irem da costa mogiã a Euskadi, dous dias.
Hai 445 anos!


Em janeiro de 1809 Sir John Moore morre na Corunha depois da batalha de Elvinha. Em maio do mesmo ano em Londres imprime-se esta gravura à memória do general. Conservam-se exemplares dela em diversas instituições como o Museu Nacional Marítimo daquela cidade ou na Biblioteca Nacional de Portugal. A imagem supra procede da primeira fonte, em versom mais luminosa, mas a segunda tem na sua página de Internet umha cópia de tom mais tétrico a maior tamanho digital, e nesta última podem-se apreciar melhor os detalhes.

Em conjunto a imagem, intitulada como vista desde o sul do alto próximo ao convento de Santa Margarida, resulta a um tempo familiar e estranha à olhada dum corunhês. A sensaçom é de que certas proporções estám alteradas, quase como se se tratasse dumha Corunha distinta ou recriada com licenças artísticas a partir da memória. Porém o texto inferior afirma que o original foi desenhado in situ, polo reverendo Francis Lee.

O texto inferior no original descreve, de esquerda a direita:
  • vista para o cabo de Fisterra [S],
  • aqueduto e gram estrada para Madri,
  • faro,
  • entrada a Ferrol entre os dous pontos de terra mais distantes,
  • Corunha, porto e cidadela,
  • aldeia e jardins,
  • forte de Sam Filipe,
  • montanhas galegas em direçom à baía de Biscaia [N].

Som inúmeras as perguntas que me surgem olhando.



  1. Sabia dos moinhos de vento em Monte Alto -quatro, se representam na ilustraçom- mas por que a Torre (1) se vê tam distinta da atual? Nom se supom que a reforma de Gianinni estava conclusa na altura de 1809?

  2. A que corresponde a casa (2) a pé do Faro?

  3. Havia umha guarita (3) no areal da Berbiriana, hoje conhecido como Matadoiro?

  4. O que é essa fortaleça no meio da enseada do Orçám (4)?

  5. O aqueduto parece ir direito desde Santa Margarida até o Orçám mas interrompe-se ali abruptamente? Polo lido, o aqueduto ia desde Visma até o atual Passeio das Pontes, entendo que depois do tramo conservado hoje (direçom grosso modo [W-E]) devia fazer um giro pronunciado ao [N] para enfiar em direçom da atual Avenida de Fisterra até o seu destino na fonte de Santo André, ao pé da igreja homónima.

  6. Havia um convento, como di o título da gravura, em Santa Margarida? Incidentalmente, é o moinho à direita da imagem completa o que se conserva ainda em pé no parque, próximo à rua Padre Sarmiento? No web da freguesia de Santa Margarida di-se que eram vários os moinhos no alto de Santa Margarida. Próxima estava a capela, datada em 1663 e que desapareceu, como tantas cousas na nossa cidade, nos anos 60.

  7. As bandeiras dos barcos no porto som as blue e red ensigns? Hai umha terceira bandeira? Qual é?

  8. O inscripto "Fort of S.t Phillip" é um erro? Refere-se à área dos jardins de Sam Carlos? Ao castelo de Santo Antom? Ao forte de Sam Diego?

  9. O inscripto "Village & Gardens" nom sei se se refere à zona da Pescadaria ou já ao tramo que vai para Sam Diego.

  10. Quanto à legenda "Aqueduct & great Road from MADRID", nom entendo como o autor associa o aqueduto a umha suposta estrada principal para a Meseta. Em todo caso imagino que o aqueduto acompanharia a direçom natural para Bergantinhos... mas o caminho natural para Madri -e por onde de feito entraria depois o ferrocarril primeiramente na cidade- nom seria polas Júvias?



Tenho tamém curiosidade por saber a que se correspondem as construções mais altas desde Monte Alto até o que depois tem sido o Hospital Militar: (a), (b), (c) entendo que compreendidas entre o Campo da Lenha e a rua Troncoso; (d), (e), (f) já na Cidade Alta: Santa Maria do Campo? Dominicos?
In comisso de faro ecclesia sce. marie in conduzo. sca. eulalia in carolio. scm. petrum in letaonio. scm. tirsum in oseyro.

Tomo II de Historia de la Santa A. M. Iglesia de Santiago de Compostela (1899) de Antonio López Ferreiro

A bandeira galega na imprensa dos s. XIX-XX

A bandeira galega na imprensa dos s. XIX-XX

Todas as citas procedentes de Prensa Histórica, a imagem de Galiciana.

Son las armas de aquella región el caliz y la sagrada ostia por semejanza de Galicia y Calicia, su bandera es blanca

La España Regional [citando a Manuel Murguía]
1886



un lazo blanco, color de la bandera de Galicia.

El bien público
1893



franja blanca y azul, que son los colores de la bandera de Galicia.

El Eco de Santiago : diario independiente
1902



escribía en 1550, al ocuparse de Lugo y del culto que era objeto el Sacremento, añade "y de aquí este reino tiene por armas una hostia en un caliz". (...) la que tenía bordadas la bandera de Galicia, que procedente de la batalla navel de Lepanto (...) se veía la custodia flanqueada por dos ángeles adoradores. Y no más, pues la leyenda latina fué añadida más tarde, así como las siete cruces, que no significan más que las siete provincias del reino y empezaron a verse en nuestro escudo desde el primer tercio del siglo XVII.

El Eco de Santiago : diario independiente
1905
(Fonte)



En Coruña. Curros Enríquez. La capilla ardiente. (...) El féretro está envuelto en el pendón de la ciudad y en la bandera de Galicia.

La Correspondencia de España : diario universal de noticias
1908



la bandera de Galicia blanca y azul

El Eco de Santiago : diario independiente
1910



corona de flores naturales, a la que sujetaba un gran lazo de los colores nacionales y de la bandera de Galicia

El Progreso : diario liberal
1914



ambos colores blanco y azul pálido, formando ambos colores la bandera de Galicia.

El Progreso : diario liberal
1916



trasladaron á la Academia gallega, donde fué izada la bandera de Galicia, que saludó el gentío con entusiasta ovación

La Correspondencia de España : diario universal de noticias
1917



la 'Irmandade', entre la que había varias señoras, comenzó a agitarse la bandera de Galicia por un joven. Manolo Quiroga (...) besóla con ferviente unçión varias veces

Heraldo Alavés : Diario independiente de la tarde
1919



y junto a la bandera de Galicia la efigie de Sofía Casanova.

El Progreso : diario liberal
1922



Sobre el piso del coche fúnebre se colocó la bandera de Galicia y encima la caja con los restos de Pastor Díaz

El Progreso : diario liberal
1923



La fiesta del patrón de España (...) fue izada en el balcón central del Ayuntamiento la bandera de Galicia al lado de la española, ejecutando la música la Marcha Real.

La voz : diario gráfico de información
1930



la Academia Gallega fué aprobada (...) La bandera de Galicia será blanca, con una franja azul dispuesta en diagonal del ángulo izquierdo al inferior de la derecha y de ancho proporcionado a las dimensiones de la enseña. En el centro llevará el escudo regional, consistente en un cáliz áureo y sobre una hostia de plata en campo de azur en el que se destacarán las siete cruces evocadoras de las siete provincias del antiguo reino de Galicia. (...) Se solicitará del ministerio de Marina el restablecimiento del uso de la bandera de la matrícula del puerto de La Coruña usada hasta el año 1891, puesto que desde la constitución de la República de Rusia cesaron las circunstancias que aconsejaron la modificación.

El Pueblo : diario republicano de Valencia
1930



sobre los colores blanco y azul de la bandera de Galicia.

Las Provincias
1933



Fallece el catedrático señor Cabeza de León (...) Los escolares bajaron el féretro, que iba envuelto en la bandera de Galicia

La Libertad
1934



Entendo as reservas de quem considerar o Samhain umha modernidade e calco americano, mas dá-me a sensaçom de que algum substrato deve de haver. Dous parentes, um de sangue e outro político, que moravam em localidades da costa corunhesa, distantes entre si noventa quilómetros, e ambos viverom a sua infância nos anos 50 -quando a influência da cultura popular estadounidense era próxima a nula-, um a pé da cidade e outro numha vilinha marinheira, lembram ambos, cada um polo seu lado, o jogo de esvaziar cabaças por este tempo de Defuntos. Deixavam-se com velas prendidas dentro, sobre os valados e, polo que se conta, punham medo especialmente às velhinhas e/ou às beatas.

Outro costume que nos diziam hoje era o de fazer "rosários de castanhas" para os meninos.

Noutra ordem de cousas, sempre me pareceu mui engraçado como os galeguistas do século XX se esforçavam por 'galeguizar' os nomes dos meses. Estas som algumhas das formas que lhes tenho visto usar:

  • março: Marzal
  • junho: San Xoán (polo dia 23)
  • julho: Santiago (polo dia 25)
  • outubro: Outono
  • novembro: Santos (polo dia 1)
  • dezembro: Nadal

Acabei de ver que na Wikipédia em galego hai mais informaçom. Un exemplo na fala encontramo-lo no programa da TVG "Alalá" n.º 207, intitulado "Pandereteiras de Muíño", no qual a vizinha Socorro Santos usa espontaneamente o nome do mês de "Santiago" (19'52''), a tal ponto que nem se lembra no momento do nome de julho: "(...) pola Santa, o mês de Santiago; eu chamo-lhe como antes, o mês de Santiago, nom sei quê mês é". Incidentalmente, dacordo co acordo ortográfico da língua portuguesa, popularmente conhecido como AO ou AO90, os meses escrevem-se começando por minúscula.