Molar em galego é outra cousa. Melhor formas galegas que gíria espanhola. Temos campar, que campa muito, e tamém coloquialmente arrasar, que arrasa...!

Tá a velha morrendo e inda vai aprendendo

Um nunca deixa de surpreender-se cos detalhes da fala, ou da língua. Hoje escrevim, sem pensá-lo, duas cousas:

- É-che-vos complicado, i. e. um duplo pronome de solidariedade que, se algumha vez na escola estudara que se dava, tinha completamente esquecido. Apesar de ser como é umha forma totalmente familiar e própria.

- (...) espera e vemos. Eu te contato quando for. Esse te está colocado onde nom deve, dacordo coa norma geral, que dita que em galego, ao ser a frase afirmativa, há de pôr-se depois do verbo (Eu contato-te). Respondem-me que é por influência do espanhol que a eu considero válida, mas nom concordo. Igual que me soa bem, obviamente, Contato-te eu, quando for e igual que, como paleofalante, nunca diria Te contato eu quando for, defendo que Eu te contato quando for me soa perfeita. Igual que Eu te levo me parece tam válida como Levo-te eu. Para mim é como se a énfase do Eu posicionado no início dessas frases estivesse "legitimando" o "chamar para pé de si" o pronome, para antes do verbo. Como nom som filólogo nom vo-lo podo explicar melhor nem justificar teoricamente, se é que "se pode". Dim-me que nom se pode tal, e tamém que os velhos nom falavam assim.

Enfim, que sei eu.

A língua é algo vivo, tamém dentro de mim, imagino.

E parafraseando U2, "She moves in mysterious ways".

"Bilinguismo"

Hai quem saca peito porque as suas crianças som "bilingues" (isso aqui significa só umha cousa: espanhol e inglês).
Sei de filhos/as de imigrantes que estám falando em nada três idiomas:
- a língua natal de seus pais, for da Europa do Este, ou árabe ou falas do sudeste asiático;
- inglês ou francês, dependendo da língua franca da sua família em contexto de emigraçom prévia, língua colonial ou itinerância familiar;
- espanhol.

E infelizmente nom incluo o galego na equaçom porque temos um sistema educativo orientado ao monolinguismo em espanhol em vez da imersom linguistica em galego, que é o que lhes garantiria as quatro (incluido sobradamente o castelhano).
USA: "When in Rome do as Romans do"

España: "Allí donde fueres, haz lo que vieres"

Galiza: NA TERRA DOS LOBOS OUVEAR COMO TODOS

(via Álvaro de Canduas)

Como lhe chamamos ao Samaim?

Em gaélico samhain é a festividade tradicional gaélica que marcava o fim do período das colheitas e início do inverno, di o Estraviz, hai anos já falamos da sua forma tradicional galega. Hoje à noite nalguns contornos urbanos, por influência da cultura estado-unidense, fai-se a doçura ou travessura (trick or treat) e em Monte Alto disque fam -em espanhol- truco o callos. Em galego o calho é outra cousa. Assim, hai quem fala de calloween e quem lhe chama Noite das bruxas; outros preferem falar do magusto em geral. Los Suaves tamém nos lembram a forma religiosa que se ensinava antes (numha emisora integrista católica o outro dia falavam do hollyween):



Doçura ou travessura é exatamente o que toda a vida foi correr os entruidos no idem. Mas Xoel Ferreiro ainda afina mais: umha esmola para os defuntinhos que vam alá.


Desde 1985, dim esses parvos.

Claro, anteriormente era The Ball.

Hai que ter umha tara importante na cabeça para ser como os da fachipedia ponto es.

E é simplesmente obsceno que Google esteja servindo a nossa toponímia deturpada para o mundo; só se tens configurado em .gal (nom .pt) dá a oficial.

Colaborador necessário deste atentado lingüístico, nom importa se procuras "Anllóns, A Coruña", em norma ILG-RAG, literalmente: Google Espanha serve este lixo:



O que quer que fagais coa vossa vida, nunca deais tanto nojo como Google Espanha.

Patim e patinete

Estava vendo no Priberam que o que de cote dizemos coa palavra espanhola descansillo, um chão no alto de escadas, é patim ou patamar; daí vou ao Estraviz e efetivamente coincide coa palavra galega de uso tradicional patim

Casa do Patim
Patim e patinete

E dado que patim tamém é calçado com rodas, quase prefiro que lhes chamemos a estes patinete elétrico como em castelhano e nom scooter elétrico como tenho visto por aí. Postos a escolher barbarismo, sempre antes um latino (do francês patinette, di o Estraviz) que um inglês.

Do que pesquisei estes dias pergunto-me se em Portugal dim trotinete e em Brasil patinete.

Lupas

Lupas

A primeira imaxe coñecida dun castro galego [1610]: o Castro Lupario (...) Consonte a lenda xacobea, alí residía a raíña Lupa.

Lembrete amigável de lhe pôr de nome Lupa às filhas em honra da rainha. E nom o digo como ideia feliz, eh, estám documentadas por toda a parte:

Lupa Fernandes (documentada no ano 1258)
Lupa Sanches (idem)
Lupa Mendes (en 1280 e 83)
Lupa Paz (1274 e 1314)
Leio um escrito em galego de 1273 que di Eu, don Arias Pérez, ensenbla con mía muller (...)

Nunca tal galicismo, https://dicionario.priberam.org/ensemble, vira na nossa língua. Mar Fernández pergunta-me se nom se usa para agrupações musicais e digo que sim, mas nesse contexto (relaciono-o sobretudo co jazz) sempre entendim que era um decalque, nom um termo (barbarismo?) incorporado à língua comum.

No Estraviz nom está mas no Dicionário de Dicionários sim, e nom pouco...!

ensembla
ensembra

Mais curiosidades:

1274 AD: Loba como nome de mulher.

1312 AD: Eu (...) estando con todo meu syso et con toda mía memoria, depárteo o cassar que ffoy de meu padre (...)

Nom, Corunha nom é a cidade galega em que menos galego se fala

#corunhofobia de galeg(uist?)as em RRSS. Um clássico.

Em Ferrol e Vigo fala-se menos galego que na Corunha mas é esta a que leva a má fama.

2014:

Nom, Corunha nom é a cidade galega em que menos galego se fala

Nom, Corunha nom é a cidade galega em que menos galego se fala

2019:

Nom, Corunha nom é a cidade galega em que menos galego se fala
Nom, Corunha nom é a cidade galega em que menos galego se fala


#corusplaining a ti, que levas toda a vida morando ali.
Meu avô nom dizia "Obras son amores y no buenas razones".
Dizia: «As que valem som as feitas»
and I think that's beautiful.
Amor especial por quem di uito e nuite.

Que gharbo se nos pugéssemos galego-medievais

e escrevéssemos, ao jeito que eles faziam, que hoje é ... quartaffeyra, nove dias andados d’outubro, en era de dous mill et XIX anos.
Alguém a quem de miúdo bem lhe quigem dizia Eu digo fídagho, que fíghado nom sei

XD

Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...

Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...

Se a toponímia, e as fontes que sustentam umha eleiçom oficial de nome, é complicada, a microtoponímia (termo do que ao parecer os expertos nom gostam) ainda mais, porque as referências som necessariamente mais escassas. Na Corunha dá a sensaçom de que está tudo por fazer dado que durante décadas (séculos?) sobre as vias e lugares imperou a deturpaçom quase absoluta.

Assaltam-nos muitas dúvidas pola proscriçom que a fala própria sofriu durante tanto tempo, expelida nas formas escritas e nom digamos já das formas legendadas nos indicativos, as "oficiais". Aqui vamos tentar recuperar parte do que nos roubárom, do que nos proibírom.

1. Monte Alto, Mato Grande, ...

Nom som filólogo nem experto na matéria, só me interessa como cidadám (como usuário, diria por deformaçom profissional) e na medida em que projetos em que participo tocam tangencialmente essa questom básica de como lhe chamamos aos lugares. E é mui importante que depois de anos e anos de afazer-nos a dizer Avenida de Finisterre ou Calle Panaderas normalizemos as formas galegas: avenida de Fisterra ou, como gosto eu de dizer, a rua das Padeiras. Porque no caminho nom só se estandarizárom "cousos" como Riego de Agua (desde neno entendim que era rego de regato, nom de regar) ou Calle Rúa Ciega, senom que se perdérom os artigos que precedem naturalmente os nomes. Por exemplo colhes um ponto chamado a ponte da Passagem e subitamente parece que se chama Puentepasaje, numha única palavra. Outro caso de 4-palavras-em-1? A localizaçom culherdense da Azeia da Mão, convertida por arte de magia em Haciadama. No mesmo processo fussionador é frequente escreverem Matogrande ou Montealto, quando para mim os hai que escrever como o que som, duas palavras separadas em ambos casos, sustantivo e adjetivo, Mato Grande e Monte Alto.

Que nos di neste assunto a nossa língua no mundo, a escala europea, a escala americana, africana? Monte Alto é um município do Brasil. Casa Branca outro. Tamém umha freguesia e mais lugares de Portugal. Mato Grande é umha vila e regiom caboverdiana, ademais de dous distritos e bairro brasileiros. Acho é melhor sempre escrevermos os topónimos assim, em palavras separadas e com maiúscula inicial, tamém quando nos referimos aos Monte Alto, Casa Branca, Mato Grande, etc. da Corunha. Pedra Longa, igual (se se trata de deturpar, seria Piedralarga, ou?

Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...
Detalhe de mapa em azulejos da batalha de Elvinha

Evitemos pois os Montealto, Casablanca, Matogrande, Puentepasaje e escrevamo-los como o que som, duas palavras.

2. Praças da lenha, dos ovos, da farinha; Caminho novo

Nomes já se têm recuperado, no nosso tempo: agora provavelmente todo o mundo sabe onde fica o Campo da Lenha, ou que a do Humor é a Praça dos Ovos e que Azcárraga era tamém a Praça da Farinha. E ademais de recuperarmos a Costa da Uniom, trouxo-se de volta a rua do Socorro. Mas hai muito que recolher. Eu ainda soubem hai pouco que a Juan Flórez nos 60 lhe chamavam o Caminho Novo.

3. Pescadaria (a)

Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...

Neste mapa de 1809 já aparece este nome. É curioso que ao falar-se da Pescadaria normalmente penso na zona oriental: a partir da Porta Real até o Obelisco, antes do recheio (El Relleno, dizia-se em espanhol até finais do s. XX, i. e. o ganhado ao mar desde os Cantões Grande e Pequeno para fora: jardins de Méndez Núñez, antigas aduanas, etc). Nom obstante nesse mapa inglês situam o nome no lado oposto da cidade, no ponente: a baía do Orçám-Riaçor.

Openstreetmap.org mostra a forma Pescaria mas nom estou de momento certo de que seja mais ajeitada que Pescadaria; nom o sei.

Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...

3. Alcavaleiros (rua dos, antigo bairro dos)

Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...
Foto: Martí. La Voz de Galicia

A Calle Caballeros nom se devia de chamar assim senom Rua dos Alcavaleiros, porque ali era onde se pagavam as alcavalas para aceder à cidade, o que nom tem nada a ver com cavaleiros.

No tocante a nome de vias opino que seria fantástico poder incorporar de algum jeito ao roteiro da cidade os nomes velhos e populares. Isso pensava da Costa da Uniom, que eu sempre pensara que era Pla y Cancela (assim o usam alguns negócios, de feito) mas que em vários meios jornalísticos contemporâneos se tem indicado que corresponde à rua que oficialmente na minha infância e juventude era Gómez Zamalloa. Felizmente em 2018 o nome do militar golpista foi retirado e agora a rua é oficialmente Costa da Unión (La Unión era umha fábrica de gaseosas que estava nessa rua).

4. Vedra (a)

A finais de 2015 discutia-se se a avenida da Vedra, à que eu provavelmente lhe chame assim até que morra, se deve converter numha sorte de horrível scalextric a escala Godzilla ou assemelhar-se mais a um amplo boulevard que compatibilize veículos a motor, peões, ciclistas e esse bem marciano na urbe: árvores (som cousas altas com folhas verdes e os passaros pousam-se nelas). Observei que no debate público usárom-se duas formas de raiz popular do nome, a Vedra e Lavedra. Esta última coa premisa de que a forma aparentemente castelanizada nom era tal e que o La- inicial nom se corresponde co determinante anexado senom que fazia parte inseparável do topónimo. Gostaria de ter mais informaçom para ponderar, e só sei de partida o meu (nosso) hábito de lhe chamar e mais a cita que aporta a Wikipedia em espanhol e em galego:

Es conocida popularmente como Lavedra, resultado de la castellanización del lugar conocido como A Vedra, que se encontraba entre la Fábrica de Armas y el Barrio de Palavea.

Alfonso García López (2009). «Alcalde Alfonso Molina (avenida)». En Espacio Cultura Editores. Calles con historia.

Mencionárom-me um roteiro feito por Carme Sanjulián e Pilar García Negro nos anos 90 que disque empregava Lavedra, gostaria de saber quais som as fontes primárias para este caso concreto que comento.

Polo contrário em artigos de imprensa do primeiro terço do s. XX encontra-se sustento para a tese de que o nome era a Vedra, como neste de El Orzán (8-6-1929):

En el plan de carreteras y caminos provinciales a ejecutar (...) figuran las siguientes a subastar en el corriente año: (...) Y del Puente del Pasaje a Palavea y rampa al lugar de Vedra, 673 metros (...)


Umha consideraçom puramente numérica, mas que pode nom ser determinante, é que o nomenclator da Xunta de Galicia nom mostra nada por lavedra (apenas Vilavedra, onde semelha claro que se juntam vila e vedra, que se entende vem do latim vetera, velha) e tampouco dá resultado nengum por labedra. O Dicionário de Dicionários da USC/ILG nom aporta nada que faga reconsiderá-lo.

Porém o nomenclator junteiro apresenta 141 (!) nomes que têm no seu interior a cadeia vedra, incluindo acidentes terrestres, augas, entidades humanas, nomes de terras e de vias. Literalmente A Vedra consta como acidente terrestre em Ribeira de Piquim e em Rio Torto (A Volta da Vedra, além dumha terra chamada A Vedra e outra As Vedras), em Pastoriça hai um lugar que se chama Moinho da Vedra, aparece tamém A Vedra em Trabada e na Ponte Nova.

5. Cernadas (as)

Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...
Roteiro da Coruña (fragmento) editado polo BNG, 17-5-1997

Algo que eu faria além do que comentarei mais em baixo em relaçom aos centros comerciais seria obrigar a que os nomes de ruas novas recolhessem toponímia de lugares desaparecidos na zona ocupada polo crescimento da cidade. O nome horrível do Parque Ofimático hai que o desterrar, do feio e inútil que é. Eu antes lhe chamava Eirís Novo, por exemplo. E, já que se construiu em parte, disque, sobre dous lugares chamados as Cernadas -Cernedas no mapa extratado na imagem superior- e Galám pois polo menos que ambos topónimos dêem nome a duas ruas nessa área.

6. Agrela (a), Agra do Orçám (a)

Agrela é um bom exemplo que aínda agora está tomando a via de se fixar. Durante muito tempo parecia que lhe chamávamos polos grelos e só agora, dacordo c@s expert@s, começa a se usar a forma que significa "agra pequena". Contudo estamos nas mesmas, eu entendo que sendo um sustantivo feminino nom devemos perder o "a" que púnhamos antes diante de Grela. De maneira que o microtopónimo leve o artigo diante igual: se se opta por "a Sapateira" (A Zapateira na forma oficial), e nom unicamente "Sapateira", por que nom "A Agrela"? E igualmente nas formas compostas: i.e. "os veículos que passam pola Agrela", "a via que vem da Agrela". Um efeito colateral da castelanizaçom dos nomes vem quando cho "devolvem cambiado de gênero": A Agra do Orçám > El Agra del Orzán > O Agra. Nooot.

7. Roçais (os)

Outro "clássico moderno" das dúvidas é o comumente usado Os Rosales. A construçom do "novo bairro" e do centro comercial a pé de Labanhou propiciou a que se fixara o topónimo em espanhol: Los Rosales. Um amigo que na época estudava Humanidades em Elvinha comentara-me que um professor lhes dixera na aula que o nome do lugar vinha nom das rosas senom de roçar o monte, Os Roçais (Os Rozais seria em norma oficial, mas segundo isso haveria que sessear: Os Rosais). Aqui falou-se do caso, haveria que pensar se o seu nome seria o de Fontám ou outro.

As consultas que tenho feito por vias diversas nunca me arrojárom luz sobre o particular, continuo sem saber por que se permite a terminaçom -ales quando os plurais em galego se fam em -ais. A Xunta recolhe e promove até quatro microtopónimos Os Rosales (além do da Corunha, em Cangas, Cambre e Ribeira de Piquim) e a câmbio, sete Os Rosais por toda a geografia galega. Nom entendo esta evidente inconsistência. Hai anos perguntei a toponimia@xunta.es por que em vez de Rosais dim que é Rosales quando isto vai contra a norma oficial do galego. Nunca respondérom.

Incidentalmente em Portugal por exemplo só vejo um Rosais, umha freguesia nos Açores.

Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...

Este plano de cerca de 1925 (segundo o qual interpreto que o atual Mato Grande estaria dentro da antiga Granja) só vincula a zona dos Roçais de hoje a Visma, coa legenda "C[arreter]ª á S. Pedro de Visma / Gran Parque (en proyecto)". Pergunto-me o que é o Peruleiro indicado na costa. Por um comentário de Iván Fontão concluo que se trata do areal ainda existente de Sam Roque de Fora.

8. Martinete (o)

Pergunto-me onde estaria o martinete que suponho lhe pudo dar nome ao bairro e se se conservam fotografías ou desenhos del... Martinete é, além deste lugar da freguesia das Vinhas na Corunha, outro numha paróquia betanceira. Tamém leva esse nome um mogiám, que http://toponimia.xunta.es/gl/Buscador nom recolhe em 12-9-19. Está na estrada de Lourido para Tourinhám, perto de Morquintiám. Este, um escrivám nomeara-o como de Martim o neto (!).

9. Novo Mesoiro (o)

Um lugarinho que nom conhecim até hai nada é Mesoiro, casinhas a pé do polígono de Pocomaco. Lendo a súa entrada na Galipédia vejo que podiam ter-lhe chamado Feáns ou Monte do Moinho ao Novo Mesoiro, mas nom me parece mal a soluçom, pola continuidade de ambos:

Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...

Curiosamente tanto o Novo Mesoiro como Pocomaco som o que poderíamos chamar neotopónimos; mais artificial o segundo, claro.

10. A gente nomea lugares da cidade por grandes áreas comerciais

Se de mim dependesse obrigava os grandes centros comerciais a pôr de apelido o bairro em que estám: Carrefour-Someso, Espacio Coruña-Someso, Alcampo-Palavea, Corte Inglés-A Covela (Cubela em ortografia oficial)... porque na prática acabam substituindo os topónimos nas referências comuns, por exemplo no nome das paradas do bus.

Marineda-Monte Patelo:

Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...
Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...

11. A jeito de conclusom

Obviamente nisto tudo, dito figuradamente, estou pensando em voz alta e presentando dúvidas e possibilidades, nom sentando cátedra. Insisto em que provavelmente eu continue usando a Vedra, igual que nom me vejo dizendo algo distinto a Praça do Toural: hai anos em Compostela dixeram-me que havia umha tese segundo a qual se devia chamar Praça Doutoral por mor de nom sei que ritual que faziam os licenciados em medicina (?). Tamém se dizia que a forma correta era Praça do Toral, que nom era um castelanismo.

Diversas das cousas que comentei aqui as consultei em distintos momentos coa Junta, com SNLs e com filólogos e em geral nunca dei, a verdade, com respostas claras. De feito nem respostas a maioria das vezes.

Eu tenho mais perguntas que respostas, mas gostaria de poder contribuir a esta recuperaçom. Afinal fai falta umha posta em comum de fontes, um debate e a assunçom dumha forma autóctone como referência principal. Depois que cada quem lhe chame como lhe pete.

Para ler mais:

- Muita microtoponímia neste mapa de José María Ferrater de 1845

- As azeias ou azenhas da Ponte Gaiteira ou da Palhoça (1752)
R. C., jornalista de desportos natural de Galiza, fai um trabalho que me encanta. Quando transmite jogos, por exemplo. Nota-se que é alguém com paixom e vocaçom e tem um sotaque precioso, autêntico, infrequente nos meios de comunicaçom. Infelizmente boa parte da sua produçom profissional nom é em galego, ainda que o meio escrito ou radiofônico em que colabore tenha delegaçom em Galiza ou até seja galego. Nom sei em que medida usar o espanhol lhe vem imposto a esta persoa e em que medida é vontade, mas para a minha forma de ver que meios sediados aqui nom permitam ou nom convidem a esta persoa a fazer o seu labor na nossa língua é umha pena. Som essas pequenas imposições que pouco a pouco vam pintando um panorana monolíngue até para alguém com um falar tam lindo.
De meu pai aprendim a expressom ter arneiro, que vem sendo estar curtido; experiente e endurecido polas circunstâncias já vividas.

Vérez versus Veres

Nom entendo este desenho de dados/processo por parte do INE:

Vérez versus Veres

Se nom distingue acentuados no input (ou os ignora), mal.

Pode que os haja registrados das duas maneiras? Em todo caso perde-se a possibilidade de os discriminar.

Se os distingue mas considera que som o mesmo, devia na resposta indicar a forma ortograficamente correta*, independentemente de existirem ambas na prática.

*As normas de acentuaçom em espanhol nom som ambíguas como sim a oscilaçom V/B, que nom responde a umha "norma":

Vérez versus Veres

Para o caso, a acentuaçom em espanhol e mais na norma oficial RAG-ILG do galego rege-se da mesma maneira, as formas corretas som:
Vérez (nom Verez)
e
Veres (nom Véres)

O mais chamativo da comparaçom é como a forma castelhana/castelhanizada foi mais intensamente implementada em Galiza...

Vérez versus Veres

... enquanto a forma galego-portuguesa (nom hai jeito a priori de saber a procedência geográfica, se galega ou portuguesa, da gente que leva o apelido nas distintas províncias espanholas) está presente sem maior problema em outras múltiples zonas do Estado.

E digo implementada porque as persoas nom podiam elas próprias escolher como se escrevia o seu apelido: se como falavam (com sesseio) ou com thetacismo (como sugeria a escrita castelhana). Primeiro porque muitas nom sabiam escrever e segundo porque nom tinham essa potestade.

Fórom primeiro os cregos, e depois os funcionários do Registro Civil, alfabetizados somente em espanhol e com esta língua como única oficial, quem punham por escrito os nomes de família dos galegos e galegas.

Nom som experto, mas quanto levo visto -e vai sendo algo- sempre evidencia umha inércia para passar de -es a -ez (e outros fenômenos análogos), nas mesmas linhas antroponímicas: as formas antigas conservam terminações galegas mas depois de um par de gerações vam-se castelhanizando até desaparecerem as precedentes; um caminho unidirecional de, por exemplo, avôs Veres a netos Vérez, por explicá-lo co nome que nos ocupa.
if it says galpom/galpão #itsGalician