Dei-me conta de que nunca figem a distinçom devida entre o ressio (ro-'si-o, pronunciamos) e a giada. Estraviz recolhe esta nossa variante para geada, DRAG só xeada. Porém Xiada como nome para meninas já se dá, legalmente e acho bem lindo! Se Elsa fosse galega Frozen podia intitular-se assim.
Como pronuncio "Pode-se":

de poder » o aberto
de podar » o fechado

(o 1° é indicativo e o 2° exortativo)
Lembrete amigável de nom mandar quem for a "freir espárragos" ou que "les den morcilla":

Que lhe(s) dêem bertorelha
Falando com alguém dos últimos 70 nom lembra as expressões neno pera e neno de papá. Diria que nom as usávamos para significar "mimado" senom o que agora se di pijo, em castelhano. Juraria que de pequenos esta última palavra nos soava ou soaria a gíria madrilena.

Parte do que o galego lhe deu ao espanhol

Via RAE
Em português a parte estreita das garrafas di-se gargalo. Hoje sentim em galego chamarem-lhe gorgulha. O Estraviz di que esta última forma significa erupçom na pele e que a correspondente à garganta dos objetos é gorgola. Ainda assim esse segundo o pode-se fechar facilmente na pronúncia e já estaríamos mais práximo da palavra que ouvim.
Molar em galego é outra cousa. Melhor formas galegas que gíria espanhola. Temos campar, que campa muito, e tamém coloquialmente arrasar, que arrasa...!

Tá a velha morrendo e inda vai aprendendo

Um nunca deixa de surpreender-se cos detalhes da fala, ou da língua. Hoje escrevim, sem pensá-lo, duas cousas:

- É-che-vos complicado, i. e. um duplo pronome de solidariedade que, se algumha vez na escola estudara que se dava, tinha completamente esquecido. Apesar de ser como é umha forma totalmente familiar e própria.

- (...) espera e vemos. Eu te contato quando for. Esse te está colocado onde nom deve, dacordo coa norma geral, que dita que em galego, ao ser a frase afirmativa, há de pôr-se depois do verbo (Eu contato-te). Respondem-me que é por influência do espanhol que a eu considero válida, mas nom concordo. Igual que me soa bem, obviamente, Contato-te eu, quando for e igual que, como paleofalante, nunca diria Te contato eu quando for, defendo que Eu te contato quando for me soa perfeita. Igual que Eu te levo me parece tam válida como Levo-te eu. Para mim é como se a énfase do Eu posicionado no início dessas frases estivesse "legitimando" o "chamar para pé de si" o pronome, para antes do verbo. Como nom som filólogo nom vo-lo podo explicar melhor nem justificar teoricamente, se é que "se pode". Dim-me que nom se pode tal, e tamém que os velhos nom falavam assim.

Enfim, que sei eu.

A língua é algo vivo, tamém dentro de mim, imagino.

E parafraseando U2, "She moves in mysterious ways".

"Bilinguismo"

Hai quem saca peito porque as suas crianças som "bilingues" (isso aqui significa só umha cousa: espanhol e inglês).
Sei de filhos/as de imigrantes que estám falando em nada três idiomas:
- a língua natal de seus pais, for da Europa do Este, ou árabe ou falas do sudeste asiático;
- inglês ou francês, dependendo da língua franca da sua família em contexto de emigraçom prévia, língua colonial ou itinerância familiar;
- espanhol.

E infelizmente nom incluo o galego na equaçom porque temos um sistema educativo orientado ao monolinguismo em espanhol em vez da imersom linguistica em galego, que é o que lhes garantiria as quatro (incluido sobradamente o castelhano).
USA: "When in Rome do as Romans do"

España: "Allí donde fueres, haz lo que vieres"

Galiza: NA TERRA DOS LOBOS OUVEAR COMO TODOS

(via Álvaro de Canduas)

Como lhe chamamos ao Samaim?

Em gaélico samhain é a festividade tradicional gaélica que marcava o fim do período das colheitas e início do inverno, di o Estraviz, hai anos já falamos da sua forma tradicional galega. Hoje à noite nalguns contornos urbanos, por influência da cultura estado-unidense, fai-se a doçura ou travessura (trick or treat) e em Monte Alto disque fam -em espanhol- truco o callos. Em galego o calho é outra cousa. Assim, hai quem fala de calloween e quem lhe chama Noite das bruxas; outros preferem falar do magusto em geral. Los Suaves tamém nos lembram a forma religiosa que se ensinava antes (numha emisora integrista católica o outro dia falavam do hollyween):



Doçura ou travessura é exatamente o que toda a vida foi correr os entruidos no idem. Mas Xoel Ferreiro ainda afina mais: umha esmola para os defuntinhos que vam alá.


Desde 1985, dim esses parvos.

Claro, anteriormente era The Ball.

Hai que ter umha tara importante na cabeça para ser como os da fachipedia ponto es.

E é simplesmente obsceno que Google esteja servindo a nossa toponímia deturpada para o mundo; só se tens configurado em .gal (nom .pt) dá a oficial.

Colaborador necessário deste atentado lingüístico, nom importa se procuras "Anllóns, A Coruña", em norma ILG-RAG, literalmente: Google Espanha serve este lixo:



O que quer que fagais coa vossa vida, nunca deais tanto nojo como Google Espanha.

Patim e patinete

Estava vendo no Priberam que o que de cote dizemos coa palavra espanhola descansillo, um chão no alto de escadas, é patim ou patamar; daí vou ao Estraviz e efetivamente coincide coa palavra galega de uso tradicional patim

Casa do Patim
Patim e patinete

E dado que patim tamém é calçado com rodas, quase prefiro que lhes chamemos a estes patinete elétrico como em castelhano e nom scooter elétrico como tenho visto por aí. Postos a escolher barbarismo, sempre antes um latino (do francês patinette, di o Estraviz) que um inglês.

Do que pesquisei estes dias pergunto-me se em Portugal dim trotinete e em Brasil patinete.

Lupas

Lupas

A primeira imaxe coñecida dun castro galego [1610]: o Castro Lupario (...) Consonte a lenda xacobea, alí residía a raíña Lupa.

Lembrete amigável de lhe pôr de nome Lupa às filhas em honra da rainha. E nom o digo como ideia feliz, eh, estám documentadas por toda a parte:

Lupa Fernandes (documentada no ano 1258)
Lupa Sanches (idem)
Lupa Mendes (en 1280 e 83)
Lupa Paz (1274 e 1314)
Leio um escrito em galego de 1273 que di Eu, don Arias Pérez, ensenbla con mía muller (...)

Nunca tal galicismo, https://dicionario.priberam.org/ensemble, vira na nossa língua. Mar Fernández pergunta-me se nom se usa para agrupações musicais e digo que sim, mas nesse contexto (relaciono-o sobretudo co jazz) sempre entendim que era um decalque, nom um termo (barbarismo?) incorporado à língua comum.

No Estraviz nom está mas no Dicionário de Dicionários sim, e nom pouco...!

ensembla
ensembra

Mais curiosidades:

1274 AD: Loba como nome de mulher.

1312 AD: Eu (...) estando con todo meu syso et con toda mía memoria, depárteo o cassar que ffoy de meu padre (...)

Nom, Corunha nom é a cidade galega em que menos galego se fala

#corunhofobia de galeg(uist?)as em RRSS. Um clássico.

Em Ferrol e Vigo fala-se menos galego que na Corunha mas é esta a que leva a má fama.

2014:

Nom, Corunha nom é a cidade galega em que menos galego se fala

Nom, Corunha nom é a cidade galega em que menos galego se fala

2019:

Nom, Corunha nom é a cidade galega em que menos galego se fala
Nom, Corunha nom é a cidade galega em que menos galego se fala


#corusplaining a ti, que levas toda a vida morando ali.
Meu avô nom dizia "Obras son amores y no buenas razones".
Dizia: «As que valem som as feitas»
and I think that's beautiful.
Amor especial por quem di uito e nuite.