Silhas... e airas?

Silhas... e airas?

Hai tempo fixem umha consulta que nom me responderom e este dia repetim-na:

Antigamente usavam-se em Galiza tipicamente duas classes de recipientes para água (ou melhor dito, para líquidos): troncos de cone de bases paralelas e troncos cilíndricos. Como se chamavam?

Estava antes de ontem escuitando a gravaçom dumha senhora e ela contava como apanhavam da fonte a água coas silhas. Na imagem supra é o que levam na cabeça as mulheres da esquerda. Silha é um termo recolhido no Dicionário Estraviz, assim como as suas variantes selha e senlha. Selha está documentado -vid Dicionário de Dicionários- por Martín Sarmiento já no s. XVIII. Senlha aparece contemporaneamente, por exemplo em García González (1985) -vid de novo DdD-.
Nom me souberom dizer de que materiais (metal e madeira) estavam feitas, mas sim que algumha devia ser de castinheiro. As asas eram frequentemente verticais -como na foto- mas às vezes eram horizontais. De altura eram duns 40-50 cm.
Serviam para carrejar água, cousa que os recipientes cilíndricos, os bocois, eram para vinho ou para aguardente. Nas imagens velhas de fontes públicas, como numha antiga postal da Marinha que vim, aparecem tanto silhas como bocois.
Um termo alternativo para as silhas que nom dou documentado é aira. Sei que havia onde se dizia aira ou senlha, mas a acepçom que dam Estraviz, DdD e RAG é o de eira, nom o de recipiente cônico de madeira usado para portar água. O projeto "Palabras con memoria" da AELG tampouco inclui o vocábulo.
Apenas o logótipo daquela vella sala de festas em Carvalho chamada As Airas pareceria referendar a existência deste termo. Mas por agora nom tenho nem umha foto :(

Quando o marido toma o apelido da esposa

Estou vendo algum caso de homem tomando o nome da casa da mulher ao casar. Nom o oficial, mas sim o popular, o de uso cotiám.

Nos países ango-saxónicos -e nom só- como os EUA ou o Reino Unido é o mais comum a mulher tomar o patronímico do seu marido quando casam. Felizmente aqui nom fazemos isso. No Québec ou Grécia até chegaram a o proibir.

Mas ao revês, acontece? Em Japom hai casos (poucos, 4%) em que homem toma nome da família da mulher, por exemplo quando el casa para umha casa na qual as filhas som todas mulheres.

Agora, o inaudito: até nos próprios países anglos hai homens que o fam por motivaçom política.

Pois trabalhando no meu próximo livro -umha obra coletiva- nom dava identificado umha das fontes porque nom me coincidiam os dous apelidos do homem em questom co nome da casa (do Rego) que acompanhava coloquialmente o seu primeiro nome (Paco).

Explico-me.

No mundo rural, o teu nome de uso cotiám nom é o apelido, chamam-te polo nome da casa, Fulano de Tal, sendo Tal o nome de teu avô, bisavô, etc.

O nome da casa pode ser:
  • nome próprio (e.g. Pepe de Luis)
  • ofício (e.g. Andrés do Sapateiro)
  • topónimo (e.g. Inés da Ramalhosa)
  • alcume nom despectivo

Este é o nome que che pedem se che perguntam o clássico "E ti de quem és?" ou "E ti de quem ves sendo?"
Ninguém se interessa polos teus apelidos.

E a mim nom me quadravam os apelidos del coa casa e era por um caso assim: Francisco Calvo (Paco do Ferreiro) casa com María García (María do Rego) mas nom é ela quem vai morar a Cas' do Ferreiro senom que el casa para Cas' do Rego e passa a ser tratado polos vizinhos sempre como Paco do Rego. Apesar del nom ter nascido com ligaçom de sangue coa casa senom chegar a ela via matrimonial.

E até aqui a anedota antropológica do dia.

Temos que conservar os nomes das nossas casas e levá-los com orgulho, que nom hai cousa mais bonita.

NB: Luís P. Castelo conta-me do seu nome de família e isto lembra-me duas cousas adicionais.

Primeira, às vezes os nomes mudam de género. P.ex. hai umha família que se chama Cas' Ribeiro e em determinado momento para te referires à avó e a nai e a filha da casa porque, pondo por caso, as vistes as três nom sei onde, dis "Vim as Ribeiras". Este giro -que me lembra como os apelidos têm género em russo- pode ser pontual ou permanente. Se nos pomos no caso de que morreram os patrões da casa, avô e pai, e fica a casa com peso quase total feminino,é natural que se passe de se dizer Cas' Ribeiro a dizer-se As Ribeiras. Outro caso é se a família só tem umha filha e esta pola sua vez só umha filha de solteira, ficando na casa só duas mulheres. Em situações assim em vez de "-Falastes cos de Cas' Ribeiro de tal cousa?" diria-se "-Falastes coas Ribeiras de tal cousa? -Falei".

Segunda, frequentemente existe um nome aceitado socialmente e outro "mal nome", que nom se usa em presença dos afetados. Os alcumes quando som maus (o Mata-cães, o Porco) nom se vam usar abertamente para dar nome à casa, mas tamém é certo que passado tempo pode que os parentes nom se ofendam porque lhes chamem por esse termo. P.e. Cachám é palavra que pode referir um homem mui mulhereiro mas aos da casa nom lhes parece mal porque o significado se perdeu no tempo. Ou imaginemos que a família que por respeito se conhecia como Cas' Ramom e que o senhor era tam religioso que quando el nom estava diante lhe chamavam o Santeiro e se falava de Cas' do Santeiro. Pois passadas duas gerações é provável que aos seus descendentes nom lhes pareça mal que lhes digam que som do Santeiro. Especialmente se a referência, menos particular, ao nome Ramom já nom é útil para os e as identificar.

NB': Tenha-se em conta que o termo apelido é polisémico em português: pode significar tanto alcume/alcunho/alcunha ou, ao igual que na Península Ibérica toda, significar nome de família (em Portugal dito tamém sobrenome).

#palavraDoDia

As bisbarras galegas

Obviadas no itinerário educativo como entendo que o som no âmbito político, as bisbarras parecem-me o elemento geográfico essencial na estruturaçom do nosso país. Por muito que nom se estudassem bem na escola e se ignorem na prática -derivando determinados papeis quer para o nível superior (provincial), quer para o inferior (municipal)- dá-me a sensaçom de que as comarcas recolhem as verdadeiras partes orgánicas de Galiza; nom só na contiguidade natural, senom tamém nas relações sociais, económicas... mas @s expert@s dirám.

Em termos legais o artigo 40 do Estatuto de Autonomia dizia que se poderá (sic, que já é triste) reconhecer a comarca como entidade local com personalidade jurídica e demarcaçom própria. A partir daí a Lei 7/1996, o Decreto 65/1997, etc. Porém por muito que se recolham nominalmente no ordenamento jurídico provavelmente nunca as tenhamos percebido de jeito concreto e afinal parece que estamos organizados em províncias (essa sim que a vejo como umha estrutura alheia, e mais sendo 4 e nom 7) e daí para baixo diretamente em concelhos.

Tal parece a desconsideraçom oficial para as comarcas dos que mandam que se fusionam dous municípios (Cotobade e Cerdedo), pertencentes a duas bisbarras distintas, e no decreto (134/2016) que lhe dá forma legal a essa uniom nem sequer se molestam em dizer a qual das duas comarcas pertencerá o concelho resultante. Explico-o mais de vagar aqui. De momento, a calada por resposta.

É possível que tradicionalmente houvesse percepções intuitivas no povo galego de quais eram as comarcas e qual espaço geográfico abrangia cada umha, de um jeito mais informal e menos delimitado. Com certeza eram percebidas e se correspondiam à vida e trabalho da nossa gente em cada regiom galega. Mas à hora de fixar límites ou fronteiras afinal hai sempre necessariamente um certo grau de arbitrariedade. Aqui vamos ver várias formas de interpretar a vertebraçom do nosso território.

A Junta de Galiza optou originalmente por umha disposiçom que é a que segue, com um total de meio cento de comarcas:





Curiosamente tam ou mais conhecida que essa organizaçom legal é a sugerida pola organizaçom Nós-UP a primeiros da década dos 2000, umha disposiçom que, por nom se cinguir ao espaço oficialmente concedido à Comunidade Autónoma de Galicia provocou protestos da parte espanhola. Promotores alegárom pretender "ultrapassar a visom quadriprovincial espanhola que hoje constitui" a C.A.G. considerando as partes hoje administradas por Astúrias ou Castela "territórios tradicional, cultural e lingüisticamente galegos". Anedota adicional foi que inadvertidamente esse mapa fosse tamém utilizado polos opostos ideológicos num vídeo publicitário.

O que se vê a seguir é essencialmente aquela disposiçom, ainda que variaram um pouco algumhas demarcações municipais desde que foi criado e, principalmente, leva o milenário topónimo de Nemancos em vez desse invento do s. XX e tam fixado popularmente como é "A Costa da Morte". Assim como o primeiro mapa tem a toponímia oficial este outro leva-a em grafia reintegrada seguindo maiormente o "Manual galego de língua e estilo" (2ª ed., 2010). Eis o segundo mapa:





Além de disquisições políticas e debates entre umha fórmula e outra, reflete a ignorância das comarcas e da própria territorialidade o feito de que se podam redigir artigos jornalísticos sem nem sequer mencionar a certa existência dumha Galiza estremeira, já contemplada no anteprojeto do Estatuto de Autonomia de Galiza (1931) e no próprio Estatuto (1936). Quando se ignora isto, dá que pensar sobre o conhecimento que temos da nossa própria história, da organizaçom "natural" do nosso país e da proximidade cultural, lingüística e mesmo afetiva com terras que se dim atualmente nom galegas.

Martín M. Passarim: "[Eu] som dos Ancares e fum à escola a Návia de Suarna. Na minha aula havia rapaças de Íbias e Val de Ferreiros, e falam e som igual de galegas que nós. No Eu-Návia fala-se galego-português, nom asturiano. A Galiza estremeira precisa de mais atençom."

No Atlas Sonoru de la Llingua Asturiana (fragmento na metade direita da imagem infra) recolhem-se 32 registros sonoros (os marcados com ícones azuis) do que a todas luzes é língua galega, embora ali classificada como gallego-asturiano (sic), aqui umha escolma.

As bisbarras galegas

O ILG tem divulgado gravações galegas recolhidas na Veiga asturiana, em Candim e Carrucedo (hoje província de Leom) e em Ermisende e Lubiám (hoje Samora).

Tamém procedente da Seabra samorana, guardado nas gravações galegas de Alan Lomax, hai polo menos um registro de cantos infantis em galego. Data de 1952.

Incidentalmente em 2017 a Associaçom Galega da Língua (AGAL) compilou umha lista cos nomes galegos de concelhos que para a minha ideia omite 31 municípios da Galiza estremeira, comete um erro evidente (Vila de Cães nom é concelho) e deixa-me com um par de dúvidas toponímicas. Debulho aqui tudo, de momento sem resposta.
Dixem sudamericánico em vez de sudamericano e bolivariano em vez de boliviano. O que tinha esse vinho, taberneiro?

Espera que vou para prémio: magic carpenter em vez de magic carpet XD

Contratos em galego de hai 600 anos

"Documento 5: Torre Xunqueiras. Dominga Domínguez e María Pérez, con outorgamento do seu marido, Pedro Calmele, doan a Gonzalo López Dózon o quiñón do casal na Eira dos Galos. 1379, novembro, 15. 1 doc. en perg., 180,5 x 220 mm. Galego, letra gótica precortesá. Sign.:29380/31."

Era de mil e cuatroçentos e XVII años, e qontados XV dias andados de novembro. Conusçuda cousa seia que eu Dominga Dominguez e eu Maria Perez con outorgamento de meu marido Pero de Calmele, que esta presente e outorga, damos a vos Gonzalo Llopez Docon o noso quinnon do casal e formaulle de Eyra dos gallos e de campo da Eyra dos Gallos en doaço, asy como doaçon pode seren mays firme e mays valledeyra entre vyvos para todo sempre. Testemoinas Fernan de Fumyneo e Llopo do Llago, Fernan Martines e Afonso Branco e outros moytos.

Eu Fernan de Lema, notario jurado por noso señor el Rey en terra de (Signo) Nemancos, a esto presente foy e confirmo e meu nome e sinal fece quee tal e.


Era de mil e quatroçentos e desa e sete anos e qontados XVI dias andados de novembre. Sabean todos que eu Elvyra de Castelo dou e doo en doaçon a vos Gonsalvo Llopez Docon, por been e defindymento que de vos reçebo, a miña leyra de sobre llavillera que topa en hun dos cabyçeyros en no mormirral e outro vay contra o llago e a mynna lleyra de Llagares que yat sobre llo agro de San Martiño de Funteyna et yat de soaao en sobre llomar et yat entre Fernan de Fumyneo e Gonçalo Eanes Doçon. E mays vos dou a meadade de tres marrdes que yat entre eyra dos Gallos et de Gonçalo Eanes a par da parrede de eyra de Gonsalvo Eanes e vem da parede da Seara ata o portall do corrall de Gonçalo Eanes. E esto vos dou con outorgamento do meu marrido, Joane Gonçales, que esta presente, e outorgo para todo sempre e que non aga poder de rovogar en vyda nen morte. Testemuños Roy Doçon, Garcia Gonçales, Fernan de Fumyneo, Garcia de Nemancos e outros moytos.

Eu Fernan de Lema, notario de Nemancos por noso señor el Rey, a esto presente foy e confirmo

e meu nome e sinal pono que tal e. (Signo)


Fonte. Achado por pesquisa específica no Arquivo do Reino de Galiza, dá este resultado sem informaçom contextual ou ligaçom para imagem do original manuscrito. O nome Torre Junqueiras alude ao lugar de onde os técnicos o levárom para o ARG.

Tamém de Torre Junqueiras procede outro pergaminho de 1363 (Sign.:29380/37) que recolhe um aforamento entre particulares. J. E. Benlloch del Río transcreveu-no nas p.16-17 de Nalgures VI (2010):

Era de mill et CCCC et hun anos et o quod XXII dias dabril, sabam todos commo eu Martin Peres dito Gordo, morador en Sarantes, et minna moller Marina Oanes, que presente esta, confesamos et outorgamos que avemos a seer parçeyros de pan lavrar de vos Johan Fernandes, fillo que sodes de Fernan Carnyçeyro de Mogia, et de vosa moller María Oanes e de vosa vos en o voso casal que vos avedes en a Villa de Sarantes, que he en a friguesia de San Giao de Moyrame, por termino de IX annos primeyros syguintes que se començaran por dia de San Miguell de setenbro primeyro que ven. A saber que vos avemos a dar a terça parte de quanto pan lavrarmos en a vosa herdade et quarta do millo, e avemos de lavrar quanta herdade vos teedes et avedes en a villa sobredita que iaz en a chousura do agro, et prometemos e outorgamos de vos non poer sennor a rostro en este termino et avemosvos a fazer çerviço duas veses en o anno, por San Miguell et por entroydo, et hunna colleyta quando partiredes voso pan e hun porquo ou XXX soldos, et avedes a min a dar por benfeytoria hun boy et hunna oytava de pan, hunna capa ou sayo de voso corpo ou hun pano que seia de a niingun, a qual benfeytoria confesamos et outorgamos que avemos ja en noso poder et en noso jur. Et eu Johan Fernandes et a dita minna moller et nosas vozes avemosvos de quitar da moeda et da fosedeyra e doutro juizo mao, a salvo dereitos de meyrim, et avemosvos de erger IIIIe casas en a dita villa en este tenpo sobredito. Et fiido este tenpo que vos Martin Peres et a vosa moller et vosa voz que vos vades con vosas avenças et con vosos corpos quitos et desenbargados de nos et de nosas voçes, salvo se deverdedes (sic) deveda sabuda, que nola pagedes ante que ende saades. Et esto se deve agardar ontre nos so penna de cc morabedís que peyte a parte que o non conprir a parte que o conprir et agardar, et a pena levada ou non levada ho praço seia firme et vala. Testemuyas Fernan Oanes, monge de Moyrame, Fernan Rodrigues de Donila? et Estevo Nunes et Joan Coseyro et Johan Alvares et outros

Eu Roy de Verdaas notario por dom Fernan Ruiaga? de Castro no sou (sic) lugar de Mugia a esto presente foy et meu nome et sinal y ponno tal (Signo).


Note-se a conversom de datas: no documento supra "Era 1417" -38 = ano 1379, no documento supra "Era 1401" -38 = ano 1363.

As escritas dos idiomas mudam (IV)

Hai só um século "ella fué á la Coruña" era correto. Atençom a essas letras: é, á (acentuadas), l (em minúscula).

Em relaçom ao topónimo da Corunha em castelhano, nom sei a frequência nem a norma disto, mas era habitual que o L só fosse em maiúscula quando abria título ou iniciava frase. No resto dos casos, ou se omitia ou ia em minúscula, segundo procedesse.

Surpreende que isto coincide coa norma que atualmente seguimos em galego-português: "estivem no Porto", "fum ao Porto", mas o topónimo é Porto, nom O Porto (e muito menos Oporto como escrevem em espanhol).

Analogamente, o topónimo é Corunha, sem artigo. Ex. "estivem na Corunha" (nom "em A" nem "n'A") Ex. "fum à Corunha" (nom "a A").

Tendo aprendida da escola outra norma, talvez nos resulte mais chamativo "levei algo para a Corunha" (nom "para A ").

Ao que se chega é a incluir o artigo que vai co topónimo nos mapas, a seguir, em minúscula e entre parénteses: "Corunha (a)".

@emgalego: "Outras normas do galego tomam o exemplo castelhano e fam o artigo parte do topónimo (A Coruña, O Porto, As Pontes...), mas isso causa hesitaçons à hora de usá-lo numha frase (Veño de A Coruña? Veño da Coruña? Veño d'A Coruña?). Já agora, o correto nessa norma é 'Veño da Coruña'."

Contudo, remitindo-me de volta ao início sublinho que, lendo documentos antigos, mesmo hai certa relatividade nessa norma do espanhol.

P.e. no Diccionario Geográfico-Estadístico de España y Portugal (Madrid, 1826) escrevem Coruña como topónimo em espanhol (nom La Coruña).

Nas tabelas desse livro consta "Coruña". E nos textos redigidos o "la" precedente ao topónimo vai sempre em minúscula.
A nossa avoa (1907-2008) cantava:

Imos cantando, arruando,
imo-lo passando bem.
Se no-lo o mundo marmura
é coa *envídia que nos tem


A métrica da estrofa é 8-7-8-7:


imoskantandoaruando
imolopasandoben
senoloomundomarmura
ékuaenvidiakenostein


Sempre iam cantando, tamém agruando (esse 'g' dito como um 'h' aspirado), que é o mesmo que aturujar. Arruar entendemos aludia à rua, a ir de festa, de troula pola via. Envídia é um castelhanismo, por inveja. Quanto à última palavra é difícil dilucidar se é na forma singular "tem" [o mundo] ou "têm" [eles e elas], porque a diferença de pronúncia ten versus tein é subtil e em todo caso na fala da avoa as formas mais bem eram idênticas (el ten, eles ten), ambas com 'e' aberto.

À foliada de pandeiretas e ao baile tamém lle chamavam ruada, mas nesses versos supra o verbo arruar (4) corresponde à forma do substantivo arruada, passeio polas ruas.

Em "Se no-lo mundo marmura", 'no-lo' é umha forma combinada de dous pronomes átonos e vai numha posiçom infrequente: menos chamativo provavelmente nos pareceria "se o mundo no-lo marmura".

  • "no-" corresponde a "nos" (objeto indireto), se o mundo nos critica/censura [a nós]

  • "-lo" corresponde a "o" (objeto direto), se o mundo o critica [o nosso divertimento]

A Aguieira, o Barril, a Pedra dos Corvos, a Pedra da Garça, o Carreiro, as Caldeiras, o Com, a Javinha, a Portuguesa, a Sobérbia, as Cruzes, o Malhom, o Salto da Barca, a Gruta do Amor, o Altar de Sam Pedro, o Altar de Sam Roque, a Sala do Perelho, a Pedra do Apóstolo, a Pele, o Baixo do Coído, o Bolo de Tarrám, a Langosteira, o Canhom, as Pedras Altas, os Novos, Rio Escuro, Agra Mar, o Cachelvo, o Brolo, as Escaleiras, a Pedra das Redes, as Lajes Mouras, a Pedra da Pia, o Lago das Vacas, as Crebantes, os Cornos, o Farelinho, o Gato Pelado, a Busarana, o Cercado, a Percebosa, a Olhomoleira, a Sambada, o Gorriom, a Medina, a Campã, Salzano, Cozinhadoiro, Sualva...

Nom, Corunha nom é a cidade galega em que menos galego se fala

#corunhofobia de galeg(uist?)as em RRSS. Um clássico.

Em Ferrol e Vigo fala-se menos galego que na Corunha mas é esta a que leva a má fama.

Nom, Corunha nom é a cidade galega em que menos galego se fala

Nom, Corunha nom é a cidade galega em que menos galego se fala

#corusplaining a ti, que levas toda a vida morando ali.

Ai, deu-che na pedra da fonte!

"Darlle na pedra da fonte a alguén é facer ou dicir algo que lle dá moita satisfacción, ou que estaba desexando..."
Por volta dos 1950s (ainda que provavelmente vinham de antes) a bisavó Dulce -"a avoa da aldea"- dizia estes versos quando a alguém se lhe recriminava nom estar à altura das circunstâncias:
Cuando yo me embarrancara
fuera con gente de rumbo
pero contijo, desjrasia,
ay de mí, ¡qué disirá el mundo!


O meu avô marinheiro ainda lembrava arredor de 2010 rimas como estas outras:
O mar enche
o mar devala
o mar, minha queridinha,
nom tem parada


Chamastes-me cachorrinho
eu nom lhe mordim a ninguém
e se chamei na tua porta
foi porque te quero bem


-It is not forbidden. I just don't want to speak it, that's all.

-You may not want to speak it but I will make sure that you don't forget it.


Parece que a meados do s. XX o atual "Camerún" em espanhol ainda se assemelhava ao português "Camarões". Atlas geográfico universal de Salinas, 1957.

Incidentalmente, só nesse pais africano, a República dos Camarões (23 milhões de habitantes), se falam mais de 300 línguas!

As escritas dos idiomas mudam (III)

Nem -ão nem -om:
“pela ma desposiçam da casa e terra (...) por nam acudir com tempo com medecinas”
(Portugal s.XV-XVI)
Via M.A.Fdes. Marques

As escritas dos idiomas mudam (II)

Diccionario da Lingua Portugueza [sic] (1831) p.681:

  • encoiraçár

  • hombro

  • animaes

  • correya

  • occultar

  • attributo

Se BRIGA decidiu reclamar que a sinalética das praias da cidade estivesse em galego e escolheu fazê-lo em norma AGAL devia ter consultado antes: Orçám (Orção se no Acordo Ortográfico de 1990) e Riaçor som com ç, nom com z; vid p.395 de Manual Galego de Língua e Estilo (2ª ediçom, 2010).
Matadouro sim é correto; porém, o nome a recuperar para este areal seria ainda anterior, anedoticamente correspondente co que leva umha das livrarias mais novas da cidade: Birbiriana -vid Dicionario de Dicionarios- (Berbiriana como variante). A sinalar, contudo, que o melhor dicionário de língua galega na rede, estraviz.org, nom recolhe este último termo como substantivo.