Ai, deu-che na pedra da fonte!

"Darlle na pedra da fonte a alguén é facer ou dicir algo que lle dá moita satisfacción, ou que estaba desexando..."

Por volta dos 1950s (ainda que provavelmente vinham de antes) a bisavó Dulce -"a avoa da aldea"- dizia estes versos quando a alguém se lhe recriminava nom estar à altura das circunstâncias:
Cuando yo me embarrancara
fuera con gente de rumbo
pero contijo, desjrasia,
ay de mí, ¡qué disirá el mundo!


O meu avô marinheiro ainda lembrava arredor de 2010 rimas como estas outras:
O mar enche
o mar devala
o mar, minha queridinha,
nom tem parada


Chamastes-me cachorrinho
eu nom lhe mordim a ninguém
e se chamei na tua porta
foi porque te quero bem

Se BRIGA decidiu reclamar que a sinalética das praias da cidade estivesse em galego e escolheu fazê-lo em norma AGAL devia ter consultado antes: Orçám (Orção se no Acordo Ortográfico de 1990) e Riaçor som com ç, nom com z; vid p.395 de Manual Galego de Língua e Estilo (2ª ediçom, 2010).
Matadouro sim é correto; porém, o nome a recuperar para este areal seria ainda anterior, anedoticamente correspondente co que leva umha das livrarias mais novas da cidade: Birbiriana -vid Dicionario de Dicionarios- (Berbiriana como variante). A sinalar, contudo, que o melhor dicionário de língua galega na rede, estraviz.org, nom recolhe este último termo como substantivo.

Bo día,
Como cliente da clínica desde hai anos sería un "detallazo" que tivesen a cortesía de me atender tanto presencial como telefonicamente en galego. Até a data, non o fixeron nunca, ninguén, nin en recepción nin en teléfono.
Felizmente, en consulta, SI hai doutores que o fan. Tomen nota.
De todas formas como comprenderán ás persoas que atenden telefonicamente non lles vou obrigar a falar nun idioma ou noutro.
Agora, non se me enganen: polo que non lles penso pasar é porque, comunicándome cun centro privado, da miña propia cidade, como é o seu, me esixan -como me pasou esta mañá- que fale en castelán para que me poidan entender.
Iso é unha absoluta desconsideración e un trato de superioridade que non lles acepto.
Dito desde o máximo respecto que todos os traballos me merecen por igual, entendan algo: vostedes están aí para atenderme a min, non ao revés.
Sei que o galego é un idioma estraño e inintelixible, procedente dunha galaxia exterior, e o que é máis, que non hai formación específica dispoñible, mais fagan un esforciño por ter un mínimo de educación e de respecto cara o cliente.
Se non é moito pedir.

Sobre a microtoponímia corunhesa

Se a toponímia, e as fontes que sustentam umha eleiçom oficial de nome, é complicada, a microtoponímia mais, porque as referências som necessariamente mais escassas. Na Corunha dá a sensaçom de que está tudo por fazer dado que durante décadas (séculos?) sobre as vias e lugares imperou a deturpaçom quase absoluta.

Existe atualmente a polémica de se a avenida da Vedra, à que eu provavelmente lhe chame assim até que morra, se deve converter numha sorte de horrível scalextric a escala Godzilla ou assemelhar-se mais a um amplo boulevard que compatibilize veículos a motor, peões, ciclistas e esse bem marciano na urbe: árvores (som cousas altas com folhas verdes e os passaros pousam-se nelas). No debate público estám-se empregando duas formas de raiz popular do nome, A Vedra e Lavedra. Esta última coa premisa de que a forma aparentemente castelanizada nom era tal e que o La- inicial nom se corresponde co determinante anexado senom que fazia parte inseparável do topónimo. Gostaria de ter mais informaçom para ponderar, e só sei de partida o meu (nosso) hábito de lhe chamar e mais a cita que aporta a Wikipedia em espanhol e em galego:

Es conocida popularmente como Lavedra, resultado de la castellanización del lugar conocido como A Vedra, que se encontraba entre la Fábrica de Armas y el Barrio de Palavea.

Alfonso García López (2009). «Alcalde Alfonso Molina (avenida)». En Espacio Cultura Editores. Calles con historia.

Hoje mencionárom-me tamém um roteiro feito por Carme Sanjulián e Pilar García Negro nos anos 90 que emprega Lavedra, eu nom sei se se tratará daquel plano da cidade que tinha de miúdo, mas gostaria de saber quais som as fontes primárias para este caso concreto que comento.

Umha consideraçom puramente numérica, mas que pode nom ser determinante, é que o nomenclator da Xunta de Galicia nom mostra nada por lavedra (apenas Vilavedra, onde semelha claro que se juntam vila e vedra, que se entende vem do latim vetera, velha) e tampouco dá resultado nengum por labedra. O Dicionário de Dicionários da USC/ILG nom aporta nada que faga reconsiderá-lo.

Porém o nomenclator junteiro apresenta 141 (!) nomes que têm no seu interior a cadeia vedra, incluindo acidentes terrestres, augas, entidades humanas, nomes de terras e de vias. Literalmente A Vedra consta como acidente terrestre em Ribeira de Piquim e em Rio Torto (A Volta da Vedra, além dumha terra chamada A Vedra e outra As Vedras), em Pastoriça hai um lugar que se chama Moinho da Vedra, aparece tamém A Vedra em Trabada e na Ponte Nova.

Um escritor e jornalista cuja opiniom consultei perguntava-se se o nome da via como Lavedra derivaria do antropónimo, já repartido polo mundo, mas dá-me por pensar que nom é o caso e mesmo que o próprio apelido deve ser tamém castelanizaçom.

Nom som filólogo nem experto na matéria, só me interessa como cidadám (como usuário, diria por deformaçom profissional) e na medida em que projetos em que participo tocam tangencialmente essa questom básica de como lhe chamamos aos lugares. E é mui importante que depois de anos e anos de afazer-nos a dizer Avenida de Finisterre ou Calle Panaderas normalizemos as formas galegas: avenida de Fisterra ou, como gosto eu de dizer, a rua das Padeiras. Porque no caminho nom só se estandarizárom "cousos" como *Riego de Agua (desde neno entendim que era rego de regato, nom de regar) ou Calle Rúa Ciega, senom que se perderom os artigos que precedem naturalmente os nomes. Por exemplo colhes um ponto chamado a ponte da Passagem e subitamente parece que se chama *Puentepasaje, numha única palavra. No mesmo processo "fussionador" é frequente escreverem *Matogrande ou *Montealto, quando para mim os hai que escrever como o que som, duas palavras separadas em ambos casos, sustantivo e adjetivo, Mato Grande e Monte Alto.

O caso é que nos assaltam muitas dúvidas pola proscriçom que a fala própria sofriu durante tanto tempo das formas escritas e nom digamos já das formas legendadas nos indicativos, as "oficiais".

Agrela é um bom exemplo que aínda agora está tomando a via de se fixar. Durante muito tempo parecia que lhe chamávamos polos grelos e só agora, dacordo c@s expert@s, começa a se usar a forma que significa "agra pequena". Contudo estamos nas mesmas, eu entendo que sendo um sustantivo feminino nom devemos perder o "A" que púnhamos antes diante de *Grela. De maneira que o microtopónimo leve o artigo diante igual: se se opta por "A Sapateira" (A Zapateira na forma oficial), e nom unicamente "Sapateira", por que nom "A Agrela"? E igualmente nas formas compostas: i.e. "os veículos que passam pola Agrela", "a via que vem da Agrela". Um efeito colateral da castelanizaçom dos nomes vem quando cho "devolvem cambiado de gênero": A Agra do Orçám > El Agra del Orzán > *O Agra. Nooot.

Outro "clássico moderno" das dúvidas é o comumente usado Os Rosales. A construçom do "novo bairro" e do centro comercial a pé de (do?) Labanhou propiciou a que se fixara o topónimo em espanhol: Los Rosales. Um amigo que na época estudava Humanidades em Elvinha comentara-me que um professor lhes dixera na aula que o nome do lugar vinha nom das rosas senom de roçar o monte, Os Roçais (Os Rozais seria em norma oficial, mas segundo isso haveria que sessear: Os Rosais). As consultas neste sentido que tenho feito por vias diversas nunca me arrojárom luz sobre o particular, entom continuo sem saber por que se permite a terminaçom -ales quando os plurais em galego se fam em -ais. Isto perguntei à Xunta, sem resposta, que propom até quatro microtopónimos Os Rosales (além do da Corunha, em Cangas, Cambre e Ribeira de Piquim) e a câmbio, sete Os Rosais por toda a geografia galega. Nom entendo esta aparente inconsistência.

Incidentalmente em Portugal por exemplo só vejo um Rosais, umha freguesia nos Açores.

Outro detalhe que me contaram e que tenho ainda por confirmar é que a Calle Caballeros nom se devia de chamar assim senom Rua dos Alcavaleiros, porque ali era onde se pagavam as alcavalas para aceder à cidade, que nom tem nada a ver com cavaleiros. No tocante a nome de vias opino que seria fantástico poder incorporar de algum jeito ao roteiro da cidade os nomes velhos e populares. Por exemplo, a Costa da Uniom, que eu sempre pensara que era Pla y Cancela (assim o usam alguns negócios, de feito) mas que em vários meios jornalísticos locais se tem indicado que corresponde a Gómez Zamalloa.

Nomes já se têm recuperado, no nosso tempo: agora provavelmente todo o mundo sabe onde fica o Campo da Lenha, ou que a do Humor é a Praça dos Ovos e que Azcárraga era tamém a Praça da Farinha. Mas hai muito que recolher. Eu ainda soubem hai pouco que a Juan Flórez nos 60 lhe chamavam o Caminho Novo.

Obviamente nisto tudo, dito figuradamente, estou pensando em voz alta e presentando dúvidas e possibilidades, nom sentando cátedra. Insisto em que provavelmente eu continue usando A Vedra, igual que nom me vejo dizendo algo distinto a Praça do Toural: hai anos em Compostela dixeram-me que havia umha tese segundo a qual se devia chamar Praça Doutoral por mor de nom sei que ritual que faziam os licenciados em medicina (?). Tamém se dizia que a forma correta era Praça do Toral, que nom era um castelanismo.

Diversas das cousas que comentei aqui as consultei em distintos momentos coa Junta, com SNLs e com filólogos e em geral nunca dei, a verdade, com respostas claras.

Eu tenho mais perguntas que respostas, mas gostaria de poder contribuir a umha aportaçom positiva nesta recuperaçom. Afinal fai falta umha posta em comum de fontes, um debate e a assunçom dumha forma autóctone como referência principal. Depois que cada quem lhe chame como lhe pete.


Entendo as reservas de quem considerar o Samhain umha modernidade e calco americano, mas dá-me a sensaçom de que algum substrato deve de haver. Dous parentes, um de sangue e outro político, que moravam em localidades da costa corunhesa, distantes entre si noventa quilómetros, e ambos viverom a sua infância nos anos 50 -quando a influência da cultura popular estadounidense era próxima a nula-, um a pé da cidade e outro numha vilinha marinheira, lembram ambos, cada um polo seu lado, o jogo de esvaziar cabaças por este tempo de Defuntos. Deixavam-se com velas prendidas dentro, sobre os valados e, polo que se conta, punham medo especialmente às velhinhas e/ou às beatas.

Outro costume que nos diziam hoje era o de fazer "rosários de castanhas" para os meninos.

Noutra ordem de cousas, sempre me pareceu mui engraçado como os galeguistas do século XX se esforçavam por 'galeguizar' os nomes dos meses. Estas som algumhas das formas que lhes tenho visto usar:

  • março: Marzal
  • junho: San Xoán (polo dia 23)
  • julho: Santiago (polo dia 25)
  • outubro: Outono
  • novembro: Santos (polo dia 1)
  • dezembro: Nadal

Acabei de ver que na Wikipédia em galego hai mais informaçom. Un exemplo na fala encontramo-lo no programa da TVG "Alalá" n.º 207, intitulado "Pandereteiras de Muíño", no qual a vizinha Socorro Santos usa espontaneamente o nome do mês de "Santiago" (19'52''), a tal ponto que nem se lembra no momento do nome de julho: "(...) pola Santa, o mês de Santiago; eu chamo-lhe como antes, o mês de Santiago, nom sei quê mês é". Incidentalmente, dacordo co acordo ortográfico da língua portuguesa, popularmente conhecido como AO ou AO90, os meses escrevem-se começando por minúscula.

Google again

Google again



Cortesia de meu pai: perante o Instituto José Cornide o já nonagenário D. Salvador de Madariaga fixo leitura dun documento de dez páginas, que lamento nom poder reproduzir aqui inteiro (como o lim e como o hai que ler, para o interpretar com justiça e na sua totalidade) mas do qual nom podo menos que fazer um par de extratos:

(...) cosas especiales, específicas, concretas, modestas que creo debo al hecho de que yo nací en esta Ciudad y viví en ella durante mi niñez. La primera es el bilingüismo. No creo que los españoles bilingües -y son muchos- se den cuenta de la ventaja considerable que se deriva para ellos de haber nacido en un país bilingüe. En los demás países del mundo monolingües o bilingües, y el español también, la cultura suele fundarse en el estudio del latín y del griego, lo cual también es una forma de dar al español, aunque sea monolingüe, cierto bilingüismo si llega su educación hasta estas lenguas antiguas. Pero el hecho de vivir en una región en donde el pueblo habla su lengua y los demás hablan otra lengua y todos hablan esta otra lengua, esto es para mí de una importancia enorme para el desarrollo intelectual de ese pueblo. Quizá para contarlo, quizá para explicarlo con más exactitud, daría un recuerdo personal. Cuando las circunstancias de mi hogar llevaron, hace cosa de medio siglo, a una muchacha soriana que tenía mi familia en Madrid, a llevármela a Inglaterra, le dije a esta muchacha: «mire, aquí al pan, no le llaman pan, le llaman "bread"», y ella indignada: «será porque no saben». Esto os explica mejor que una disquisición, la ventaja enorme para un pueblo, como el pueblo gallego, el pueblo catalán, el pueblo vasco, el pueblo asturiano de tener un lenguaje suyo idóneo, natural, propio, y otro lenguaje de unión de la zona entera, de la zona nacional entera. ¿Por qué? porque el bilingüista o trilingüista —pero ya con el bilingüismo bastaria—, el bilingüista está capacitado por su bilingüismo para divorciar el nombre de la cosa. Esta muchacha no concebía que el pan fuera otra cosa que pan. Y ya al explicarlo yo así caigo en el monolingüismo porque no era tampoco eso, era que cierto sonido que recibe su oído, en lugar de ser una cosa que ella veía como un panecillo o una rosca, pues fuera otra cosa muy distinta de forma y hasta de sabor, y sin embargo fuera la consecuencia de la cocción del trigo, etc. Quiero decir que ya en sí, de por sí y por sí, el bilingüismo es un constante curso de filosofía, porque el espíritu de la persona bilingüe se habitúa ya desde la niñez, sin darse cuenta de que a ello se habitúa, a separar el ruido que se hace para designar una cosa de la cosa misma, y de ahí nace una consideración de das «Ding an sich», como dirían los filósofos alemanes, que si mi alemán puede hacerlo también lo puede hacer cualquier niño galleguito cuando tenga 5 ó 6 anos y empiece a hablar. (...)

El gallego es una forma del portugués. A mí siempre que me preguntan por esas tierras de Dios sobre este tema, siempre les digo que el portugués es un desarrollo del gallego; porque el portugués nació aqui, porque cuando nació el gallego, Portugal estaba ocupado por los moros. De modo que entre el gallego y el portugués hay una relación íntima que cada cual podrá considerar con los matices que quiera, pero es una relación íntima y profunda. Y este hecho tan capital me ha dado a mí ya desde mucho tiempo esta impresión, de lo que yo llamo desde el punto de vista espiritual, al tratar de nuestro país incluyendo en él a Portugal (como desde ciertos puntos de vista, los no políticos, podemos todos hacerlo) (...)

Ia ser muito que nas etimologias...

...fosse onde houvesse consenso ;-) Se se compara a entrada Palabras galegas de orixe celta da Wikipédia com estraviz.org encontra-se contradiçom em vários casos (rego, leira, ...). Eu fixem a prova: termos que a Wiki dá por prerromanos, Estraviz -que tomo por fonte mais confiável- os remite porém ao latim nalgumha das suas diversas etapas. Assim que -este exemplo é meu- se o cerne galego tem um significado essencial tam próximo ao kernel (de Linux p.ex. ;-), além da similitude formal de ambos termos atualmente, nom podemos dar por sentado que o latim (cernu) nom tivesse nada a ver, por muita graça que nos faria :-P

Ou que ervilha em galego (tamém existe a variante ervelha) seja mais semelhante ao germánico erbse que ao pois francês, ao pea inglês, ao pisello italiano... tampouco tem por que implicar nada óbvio necessariamente (do latim ervilia).

Nalgum caso hai maior acordo: embora na Wiki se mencionar umha única aceiçom para tona (a capa de gordura do leite), quando em realidade tem mais (a tona da fruta, p.ex.), estraviz.org concorda em indicar a componente celta ("céltico e latim tunna").

Nom obstante desde a Wiki lançam-se algumhas hipóteses chamativas sobre determinados vocábulos em particular cuja etimologia pola sua vez estraviz.org nom indica.

À parte, chama-me a atençom algum caso aparentemente contraditório: citando umha obra precisamente de D. Isaac (Estudos filolóxicos galego-portugueses) inclui-se umha das palavras que igualmente na escola me ensinaram como celta: berce, em quanto estraviz.org a vincula ao "baixo latim bertiu".

Finalmente sinalar o engraçado que me pareceu que na entrada da Wiki apareçam dous termos míticos como crica e marulo.

Buah neno :-D

Ninguén dubida xa da nosa identidade, nin os inimigos da Língua propia, que anque non a queiran nin a falen será sempre o galego.

Uxío Novoneyra

A miña procedencia vén do pobo. A gran obra centradora é a Língua-Fala. Nunca falei con ninguén con maior plenitude coma cun labrego da miña aldea. Recórdome unha vez un courelao que tiña un bar en Lugo e chegou un tipo e díxolle que estivera facía pouco na súa casa da montaña. Entón aquel home dixo: "Ah... ¡a miña casa!... ¡a miña casa!" dixo seguido dez ou máis veces, cunhas cargas incribles. Ningún actor do mundo, ningún dicidor experimentado podería encontrar inflexións sonoras máis reveladoras que aquel labrego metido a taberneiro. Por eso a Língua propia a estimamos, porque ela por si soa sabe moitísimas cousas, sabe moito máis do que está escrito e dito.

Uxío Novoneyra

A Fala é o único sitio onde seguen vivos os antepasados, a única forma audible de supervivencia. A Lingua, ademais de valer para a comunicación, certamente ten algo, a pervivencia de todo o pasado memorial e inmemorial referido a ti e ós teus.

Hai unha fidelidade mesmo ó peso das vidas. Non foron existencias olvidables. O pasado non é unha entelequia baleira, e o recoñecer ós facedores dese pasado é un acto debido. O recordo é un tributo que se lles debe e ademais é un enriquecemento para nós.


Uxío Novoneyra

No aviom sentaram umha senhora maior de mobilidade reduzida a pé do corredor, estando eu sentado à esquerda dela, onde a janela, e livre a vaga entre nós os dous. Quando houvo um pequeno problema cos assentos um amável viageiro se interessou para ajudá-la e eu tamém falei com ela, dei-me conta polo sotaque de que era alguém do rural. Ao chegar eu tivem que esperar a que a ajudassem a sair e no entanto falámos algo. Um nunca se acaba de afazer de tudo a falar um idioma que, por que nom dizê-lo, vem a ser em muitos contextos o que usam apenas os velhos e ninguém mais. Havia no aviom, havia porém, alguns homens jovens (nom sei por que pensei podiam ser marinheiros) que falavam galego, mas tu vais para a tua terra com saudade e faria-che ilusom algo mais. Em qualquer caso quando encontro umha velhinha assim, que vai sozinha e que precisa assistência, nom podo evitar lembrar-me das minhas avozinhas. A senhora era dum município a onde eu casualmente fum à escola quatro anos de menino, fica próximo da minha pátria pequena, assim que nom era difícil que me tocasse o coraçom. Foi agradável no meio dumha maioria monolíngue alheia ter interlocutor na nossa fala, aliás com umha fonética profunda, essa que estimo tanto e que a gente da cidade já temos praticamente perdida. Fixo-me graça ademais como ela mencionou a "cadeira de rodas" (quando no cotiám é tam habitual dizer "silla") e se referiu para mim coa fórmula de cortesia "o senhor" -"O senhor vem de longe?". Ela vinha do Brasil :-)

Vai ser muito pedir

Vai ser muito pedir
Este dia tivem que fazer, como me dixo umha vez certa senhora, umhas quantas "diligências". Horas e horas de aqui para alá nas que tivem que apresentar-me diante de polo menos oito espaços de serviço público. Do sentido prático e agilidade dos mesmos nem vou falar, porque daria para o seu, e ademais, nom todos eram iguais. O que sim, em todos eles falei normalmente em galego e em nem um só (nem um só) deles me contestárom, já nom é que falaram, é que nom me contestárom em galego. Administraçom estatal, administraçom municipal, mutualidades, escritórios de cobro, registros, ... Espero que o vindeiro 17 de maio seja laborável para que as funcionárias tenham, polo menos esse dia, a deferência.
Se nom é muito pedir.

Jantar de Antroido

Jantar de Antroido


Na lareira, lume, amoado (nós dizemos moado) e filhoa.


Na cozinha havia tamém caldo e bolos do pote.


Encontro bolo do pote no dicionário da RAG, assim como amoado, filloa e follado. Nom dou com amoado e filhoa como tais no dicionário da Priberam, mas sim a forma filhó (ou filhós) e folhado além de, com umha aceiçom distinta, moado. No Estraviz estám os quatro: filhoa, folhado, bolo do pote e amoado (tamém moado e moada mais outra vez com um significado distinto). Igualmente consta amoado no Dicionario de dicionarios.

três expressões de beira-mar, cortesia do chefe

Criminal Adx. calificativo. Ao contrario do que pode parecer significa grande, moi grande ou mesmo bonito. Ex. Ramón da Rapa fixo unha casa criminal en Arou. Enténdese casa enorme ou destacable.

Com'area Adv. de cantidade. De como + area. Significa en cantidade inxente. Ex. Ramón da Rapa ten cartos com'area. Ex. Entraba ajua com'area pola quilla do barco.

Perder os calimes Expresión. Significa quedar sen nada. Ex. Ramón da Rapa foi ó binjo e perdío os calimes. Os calimes son os parafusos colocados en vertical que suxeitan a ensamblaxe da quilla dun barco. Se unha embarcación perde os calimes pode dar por perdida a quilla e seguro o naufraxio.

essa estranha ¨ diérese...

...que diferencia, na norma oficial do galego, entre o indicativo e o subjuntivo:

"Nós saíamos da casa quando aconteceu isto."
versus
"Eu quero que nós saiamos da casa."

galego português espanhol
copretérito de indicativo pretérito imperfeito do indicativo pretérito imperfecto de indicativo
nós saïamos nós saíamos nosotros salíamos


galego português espanhol
presente de subjuntivo presente de subjuntivo presente de subjuntivo
nós saiamos nós saiamos nosotros salgamos


Fontes: Wikibooks, Wikipedia, Conjugação, Reverso.

P. dixo

Onte vía nun expositor o seguinte.

- Unha ancla, co título en papel: risón. Eso é falso. A ancla de catro uñas, chámamoslle toda a vida alpeo, alpeu, ou arpeu, arpeo. Un risón é unha pedra metida entre dous paus, usualmente, de toxo, estando suxeitos os respectivos buratos da base ancha de táboa, na que descansa a pedra; e da parte superior dos citados paus de toxo parte o cabo que amarra a embarcación.

- Dúas panelas do palangre, co nome de cestas de palangre. Falso. Son panelas.

Di o Pichi que virou reintegracionista quando comprou um dicionário de inglês-português do Brasil e "descobri que meu pai, galego-falante de berço de Forcarei, sabia mais palavras de informática do que eu, que era de Vigo e estudara galego na escola."


Assim, el ligou "o que se falava no Brasil no campo dos computadores com o que se falava em Forcarei pola minha família. Os brasileiros atualizavam palavras do léxico rural, que continuam também a usar, para o léxico científico-técnico (terminologia)... não dava crédito... :)

Quais eram algumas dessas palavras? grade, cabeçalho
... No entanto, "Isto era o que aparecia no dicionário de dicionários galegos sobre: cabeçalho" [(...) Persona testaruda (...) Timón o lanza del arado (...)]



Eu podo pôr aí algum exemplo mais, um do mundo marinheiro (os meus avôs da ribeira) e outro do mundo labrego (os meus avôs labradores):



Em espanhol cable (p.ex. de computador).

Em galego oficial, cable.

Em português cabo.



Em galego oficial, o cabo é o de amarrar os barcos. Aínda que aparece recolhido pola RAG, eu nom o vim nem lim em norma oficial co outro uso.



Em espanhol bolígrafo.

Em galego oficial, bolígrafo.

Em português caneta.



Em galego oficial, a caneta era nas aldeias a canle pola que baixava o grão ao moinho de pedra para se moer.



Som dous exemplos de como o léxico próprio vai ficando atrás e se vai substituindo polo espanhol para dar nome às cousas modernas.

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Fixo-me graça como em Venécia nomeam as casas dum jeito semelhante a como na minha aldeia. Nós falamos de Cas' Posse (por a casa dos de Posse), Cas' Balocas, ... significando nom só a construiçom física senom tamém o que para os escoceses seria o clann.
Em veneto (obrigado, Internet) dizem Ca' + o nome próprio. Desse jeito, naquela língua, a morada da família à que deu nome o meu bisavô veria sendo Ca' Felìçe.