De pequeno às vezes íamos merendar a pé da Torre, num sítio que chamavam a pena ou a rocha comunista porque tinha a fouce e o martelo pintados, e nalgumhas ocasiões saudavam-nos pressos desde as janelas do cárcere e nós dizíamos-lhes olá desde a distância erguendo os braços e parecia-me a cousa mais triste do mundo.

Ontem aos quinze segundos desliguei mentalmente do espetáculo de luzes torístico e ali sentado só podia lembrar-me daqueles homens.

Quantas noites pudérom eles, tamém, olhar para a luz do faro.
A vingança do aluno que a professora de Lengua Española ridiculizava foi um dicionário cujas definições começavam todas por "Es cuando..."
Falando del perguntárom polo seu preço e alguém que o conhecia dixo que seria barato, que custaria aí o que um traidor.
Desfrutou despreocupadamente do hotel de luxo até descobrir que o sabonete estava feito co trabalho de presidiárias.
Dormia pouco para enfrentar a morte de cara. Mas como dormia pouco se a enfrentava a meio adormecer tampouco nom passava nada.
Lia sempre mais de um livro ao mesmo tempo e pola sua má memória misturava argumentos e protagonistas.
Nunca se deu conta de que as suas versões eram melhores.
El guardava os emails da persoa amada; todos, porque às vezes, ao relê-los um tempo depois, diziam algo totalmente distinto.
Só heroína dentro. A falta dela. Assaltou a padaria. Sem alento à carreira, apanhárom-no. Derom-lhe de almorçar ali.
Ali os papeis nunca se molhariam de água salgada. Era 1 país q tinha o arquivo da marinha a 254 km do porto + próximo.
Navegara co pai no lugar "das Baleas". A escola falava 1 idioma: o cetáceo chama-se ballena. Só de maior se deu conta.

O mais duro de ser um vaqueiro hipster...

O mais duro de ser um vaqueiro hipster...
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... era escolher com que chapeu sair à rua cada dia.

El gato de Cheshire

De pequeño siempre pensé que el gato de Cheshire era de comer. Cada vez que lo mencionaban, se hundía el cuchillo y salía una cuña: Sonrisa de queso.

Sí, ahora que lo recuerdo, así era el resplandor de sus dientes afilados.

Las noches que mi hermano me contaba historias del Gato de Cheshire yo no sabía si se las inventaba o si las había oído.

Corría un poco la cortina desde la cama baja de la litera, y a través del cristal empañado entornaba los ojos por si venía, por si subía por el sendero.

-No te preocupes, nunca robó a los pobres.
-¿Y nosotros lo somos?
-¡Qué pregunta!

Mi hermano se disfrazó del Gato de Cheshire una noche de Halloween hace años. Entró en la taberna de Molly y le dio dos tajos en la cabeza al terrateniente. Decían que él sí robaba a los pobres.

En los caminos del Condado hubo una vez un hombre armado, unos dicen que lo decapitaron por orden del Rey, otros que nunca lo atraparon y que sigue ahí fuera.

Y de mi hermano, ahora que envejezco, sólo queda una sonrisa brillante que veo en las sombras, las noches de luna llena.