Anos atrás Google Translate era espetacular para o estado da arte na altura. Ultimamente é surpreendente a qualidade péssima que lhe vejo quando a provo.

Outra cousa, já sei que o propósito dos tradutores é o tratamento de linguagem construída, nom palavras isoladas mas mesmo assim sempre me surpreende q nom diferenciem na saída

O termo é igual na língua destino
em contraste com
Nom o dei traduzido para a língua destino



WordReference tampouco conhece eivado, ainda bem que sempre está o Priberam.
De quando em vez o português dá-che estas surpresas. Amadora BD escrevia hoje A série Edibar, do autor brasileiro Lúcio Oliveira, chamou a atenção de pequenos e graúdos.
Que palavra tam da nossa casa, pronunciada ghraudo, para se referir por exemplo a um rapaz que medrou muito desde a última vez que se viu: Tá bem graúdo, forte, crescido, que ganhou volume.
No imprescindível Priberam:



Contudo, para o uso que nós lhe damos (nom sei se na Lusofonia é o caso) hai um aspeto subtil adicional que o DRAE cobre melhor:



Google nom a dá traduzido p. ex. de espanhol a português, Deepl fai-no melhor.
O DRAG admite miga, monda, montón, chatarra, Estraviz as três primeiras. Argh.

Farangulha ou miolo (segundo o caso, ainda que nós na casa ao primeiro tamém lhe chamamos miaga), tona, monte, ferralha. Assim sim.
A data nom se lê bem mas acho que é em 1983 quando meu avô me dá como presente este risom a escala feito por el mesmo. Ademais de marinheiro o avô era um artista fazendo cousas assim. Risom é como lhe chamam em Mogia a este tipo de âncora tradicional que nom leva elemento nengum de metal, está feita só com madeira, pedra e cabo.



No Dicionario de dicionarios encontramos que o termo se descreve como âncora de quatro unhas, sentido referendado polo Estraviz (que recolhe tanto a forma rizom como risom), umha acepçom distinta à que comento aqui. O risom, como se observa, leva umha pedra das que chamam bolos (o primeiro o é aberto, nom fechado como quando dizemos bolo dos de comer).
El gallego lo cambian de seguido:



Nom sei qual prefiro:



E aqui eu dizendo sustém como se fosse as tias-avoas...

sutiã
Por onde às carniçarias lhes chamam talho?
Nós à chicha do caldo sempre lhe dixemos talhada.

Traise unha tarteira
e con moita calma,
vanse n'ela pondo
o pan e as talladas.


Salvador Golpe, c. 1908 (?)
Dei-me conta de que nunca figem a distinçom devida entre o ressio (ro-'si-o, pronunciamos) e a giada. Estraviz recolhe esta nossa variante para geada, DRAG só xeada. Porém Xiada como nome para meninas já se dá, legalmente e acho bem lindo! Se Elsa fosse galega Frozen podia intitular-se assim.
Como pronuncio "Pode-se":

de poder » o aberto
de podar » o fechado

(o 1° é indicativo e o 2° exortativo)
De sempre usamos na casa estar como umha calde[i]reta por estar completamente tolo.
Em português a parte estreita das garrafas di-se gargalo. Hoje sentim em galego chamarem-lhe gorgulha. O Estraviz di que esta última forma significa erupçom na pele e que a correspondente à garganta dos objetos é gorgola. Ainda assim esse segundo o pode-se fechar facilmente na pronúncia e já estaríamos mais práximo da palavra que ouvim.

Patim e patinete

Estava vendo no Priberam que o que de cote dizemos coa palavra espanhola descansillo, um chão no alto de escadas, é patim ou patamar; daí vou ao Estraviz e efetivamente coincide coa palavra galega de uso tradicional patim

Casa do Patim
Patim e patinete

E dado que patim tamém é calçado com rodas, quase prefiro que lhes chamemos a estes patinete elétrico como em castelhano e nom scooter elétrico como tenho visto por aí. Postos a escolher barbarismo, sempre antes um latino (do francês patinette, di o Estraviz) que um inglês.

Do que pesquisei estes dias pergunto-me se em Portugal dim trotinete e em Brasil patinete.
Leio um escrito em galego de 1273 que di Eu, don Arias Pérez, ensenbla con mía muller (...)

Nunca tal galicismo, https://dicionario.priberam.org/ensemble, vira na nossa língua. Mar Fernández pergunta-me se nom se usa para agrupações musicais e digo que sim, mas nesse contexto (relaciono-o sobretudo co jazz) sempre entendim que era um decalque, nom um termo (barbarismo?) incorporado à língua comum.

No Estraviz nom está mas no Dicionário de Dicionários sim, e nom pouco...!

ensembla
ensembra

Mais curiosidades:

1274 AD: Loba como nome de mulher.

1312 AD: Eu (...) estando con todo meu syso et con toda mía memoria, depárteo o cassar que ffoy de meu padre (...)
De meu pai aprendim a expressom ter arneiro, que vem sendo estar curtido; experiente e endurecido polas circunstâncias já vividas.

O coche já tá arrumbado, di a tia com tudo pronto para ir-se em boa hora.

O Estraviz dá arrumbar como variante de arrombar e a quinta aceçom acho que é a certa: Arrumar, pôr em ordem as cousas.