Urbano Monte, 1587

Urbano Monte, 1587

cazarga, la crugna, s. Maria, cedera, GALICIA, c. finisterre, compostela s. jac.º

Fonte: David Rumsey

As bisbarras galegas

Obviadas no itinerário educativo como entendo que o som no âmbito político, as bisbarras parecem-me o elemento geográfico essencial na estruturaçom do nosso país. Por muito que nom se estudassem bem na escola e se ignorem na prática -derivando determinados papeis quer para o nível superior (provincial), quer para o inferior (municipal)- dá-me a sensaçom de que as comarcas recolhem as verdadeiras partes orgánicas de Galiza; nom só na contiguidade natural, senom tamém nas relações sociais, económicas... mas @s expert@s dirám.

Em termos legais o artigo 40 do Estatuto de Autonomia dizia que se poderá (sic, que já é triste) reconhecer a comarca como entidade local com personalidade jurídica e demarcaçom própria. A partir daí a Lei 7/1996, o Decreto 65/1997, etc. Porém por muito que se recolham nominalmente no ordenamento jurídico provavelmente nunca as tenhamos percebido de jeito concreto e afinal parece que estamos organizados em províncias (essa sim que a vejo como umha estrutura alheia, e mais sendo 4 e nom 7) e daí para baixo diretamente em concelhos.

Tal parece a desconsideraçom oficial para as comarcas dos que mandam que se fusionam dous municípios (Cotobade e Cerdedo), pertencentes a duas bisbarras distintas, e no decreto (134/2016) que lhe dá forma legal a essa uniom nem sequer se molestam em dizer a qual das duas comarcas pertencerá o concelho resultante. Explico-o mais de vagar aqui. De momento, a calada por resposta.

É possível que tradicionalmente houvesse percepções intuitivas no povo galego de quais eram as comarcas e qual espaço geográfico abrangia cada umha, de um jeito mais informal e menos delimitado. Com certeza eram percebidas e se correspondiam à vida e trabalho da nossa gente em cada regiom galega. Mas à hora de fixar límites ou fronteiras afinal hai sempre necessariamente um certo grau de arbitrariedade. Aqui vamos ver várias formas de interpretar a vertebraçom do nosso território.

A Junta de Galiza optou originalmente por umha disposiçom que é a que segue, com um total de meio cento de comarcas:





Curiosamente tam ou mais conhecida que essa organizaçom legal é a sugerida pola organizaçom Nós-UP a primeiros da década dos 2000, umha disposiçom que, por nom se cinguir ao espaço oficialmente concedido à Comunidade Autónoma de Galicia provocou protestos da parte espanhola. Promotores alegárom pretender "ultrapassar a visom quadriprovincial espanhola que hoje constitui" a C.A.G. considerando as partes hoje administradas por Astúrias ou Castela "territórios tradicional, cultural e lingüisticamente galegos". Anedota adicional foi que inadvertidamente esse mapa fosse tamém utilizado polos opostos ideológicos num vídeo publicitário.

O que se vê a seguir é essencialmente aquela disposiçom, ainda que variaram um pouco algumhas demarcações municipais desde que foi criado e, principalmente, leva o milenário topónimo de Nemancos em vez desse invento do s. XX e tam fixado popularmente como é "A Costa da Morte". Assim como o primeiro mapa tem a toponímia oficial este outro leva-a em grafia reintegrada seguindo maiormente o "Manual galego de língua e estilo" (2ª ed., 2010). Eis o segundo mapa:





Além de disquisições políticas e debates entre umha fórmula e outra, reflete a ignorância das comarcas e da própria territorialidade o feito de que se podam redigir artigos jornalísticos sem nem sequer mencionar a certa existência dumha Galiza estremeira, já contemplada no anteprojeto do Estatuto de Autonomia de Galiza (1931) e no próprio Estatuto (1936). Quando se ignora isto, dá que pensar sobre o conhecimento que temos da nossa própria história, da organizaçom "natural" do nosso país e da proximidade cultural, lingüística e mesmo afetiva com terras que se dim atualmente nom galegas.

Martín M. Passarim: "[Eu] som dos Ancares e fum à escola a Návia de Suarna. Na minha aula havia rapaças de Íbias e Val de Ferreiros, e falam e som igual de galegas que nós. No Eu-Návia fala-se galego-português, nom asturiano. A Galiza estremeira precisa de mais atençom."

No Atlas Sonoru de la Llingua Asturiana (fragmento na metade direita da imagem infra) recolhem-se 32 registros sonoros (os marcados com ícones azuis) do que a todas luzes é língua galega, embora ali classificada como gallego-asturiano (sic), aqui umha escolma.

As bisbarras galegas

Nas gravações galegas de Alan Lomax hai polo menos um registro de cantos infantis em galego na Seabra samorana em 1952.

O ILG tem divulgado gravações galegas recolhidas na Veiga asturiana, em Candim e Carrucedo (hoje província de Leom) e em Ermisende e Lubiám (hoje Samora).

Incidentalmente em 2017 a Associaçom Galega da Língua (AGAL) compilou umha lista cos nomes galegos de concelhos que para a minha ideia omite 31 municípios da Galiza estremeira, comete um erro evidente (Vila de Cães nom é concelho) e deixa-me com um par de dúvidas toponímicas. Debulho aqui tudo, de momento sem resposta.

As escritas dos idiomas mudam (IV)

Hai só um século "ella fué á la Coruña" era correto. Atençom a essas letras: é, á (acentuadas), l (em minúscula).

Em relaçom ao topónimo da Corunha em castelhano, nom sei a frequência nem a norma disto, mas era habitual que o L só fosse em maiúscula quando abria título ou iniciava frase. No resto dos casos, ou se omitia ou ia em minúscula, segundo procedesse.

Surpreende que isto coincide coa norma que atualmente seguimos em galego-português: "estivem no Porto", "fum ao Porto", mas o topónimo é Porto, nom O Porto (e muito menos Oporto como escrevem em espanhol).

Analogamente, o topónimo é Corunha, sem artigo. Ex. "estivem na Corunha" (nom "em A" nem "n'A") Ex. "fum à Corunha" (nom "a A").

Tendo aprendida da escola outra norma, talvez nos resulte mais chamativo "levei algo para a Corunha" (nom "para A ").

Ao que se chega é a incluir o artigo que vai co topónimo nos mapas, a seguir, em minúscula e entre parénteses: "Corunha (a)".

@emgalego: "Outras normas do galego tomam o exemplo castelhano e fam o artigo parte do topónimo (A Coruña, O Porto, As Pontes...), mas isso causa hesitaçons à hora de usá-lo numha frase (Veño de A Coruña? Veño da Coruña? Veño d'A Coruña?). Já agora, o correto nessa norma é 'Veño da Coruña'."

Contudo, remitindo-me de volta ao início sublinho que, lendo documentos antigos, mesmo hai certa relatividade nessa norma do espanhol.

P.e. no Diccionario Geográfico-Estadístico de España y Portugal (Madrid, 1826) escrevem Coruña como topónimo em espanhol (nom La Coruña).

Nas tabelas desse livro consta "Coruña". E nos textos redigidos o "la" precedente ao topónimo vai sempre em minúscula.
A Aguieira, o Barril, a Pedra dos Corvos, a Pedra da Garça, o Carreiro, as Caldeiras, o Com, a Javinha, a Portuguesa, a Sobérbia, as Cruzes, o Malhom, o Salto da Barca, a Gruta do Amor, o Altar de Sam Pedro, o Altar de Sam Roque, a Sala do Perelho, a Pedra do Apóstolo, a Pele, o Baixo do Coído, o Bolo de Tarrám, a Langosteira, o Canhom, as Pedras Altas, os Novos, Rio Escuro, Agra Mar, o Cachelvo, o Brolo, as Escaleiras, a Pedra das Redes, as Lajes Mouras, a Pedra da Pia, o Lago das Vacas, as Crebantes, os Cornos, o Farelinho, o Gato Pelado, a Busarana, o Cercado, a Percebosa, a Olhomoleira, a Sambada, o Gorriom, a Medina, a Campã, Salzano, Cozinhadoiro, Sualva...
Navegara co pai no lugar "das Baleas". A escola falava 1 idioma: o cetáceo chama-se ballena. Só de maior se deu conta.

Os moinhos da Corunha segundo o Catastro de Ensenada (1752)

(...) un Molino Arinero del Biento sin uso (...)
(...) Las Azeñas del Puente Gaiteiro, o dela Palloza con nuebe Ruedas arineras de todo grano pertenecientes à Don Miguel Jazpe, y mas consortes, las que muelen doze dias del mes con el agua que sube delas Mareas, y encada uno catorze oras, y dan por Arrendamiento en cadaun año ducientos ochentayocho ferrados de trigo, setentaydos de Maiz, y otros setenta y dos de centeno =
Dos Molinos de Agua dulze con una Rueda cadauno, en el Lugar dos Moiños pertenecientes eluno a don Juan Antonio de españa, vezino desta ciudad, y el otro a dn. Joseph Pangou, vezino dela de Betanzos que muelen la quarta parte del año, y en cada dia y noche de este tiempo ocho ferrados de todo grano (...)


(A transcriçom do manuscrito é minha e quaisquer erros nela tamém)

Margens da Corunha segundo o Catastro de Ensenada (1752)

(...) Linda por L. [Leste] con el Rio y Puente llamada Gaiteiro que la devide con la feligresia de Santa Maria de Oza, por el Sur, con Feligresia de San Christoval das Viñas, y por el P. [Poniente] con la de San Pedro de Bismas, contando su termino desde el expresado Puente por el Rio arriva, asta el lugar de Monelos, y desde este à Parromeira, y desde alli alos lugares de Nelle, y Bioño, por la agra de Bragua, parte arriva de la hermita de Santa Margarita, y descendiendo desde esta sigue hasta el Rio que baja de San Pedro, y termina en el Lugar dos Moiños, y por el N. [Norte] con la thorre, y pradeyra de ercoles siendo como es Peninsula por estar porlas mas partes circundada de Mar como lo demuestra sufigura.


(A transcriçom do manuscrito é minha e quaisquer erros nela tamém)

Mapa de Pedro Teixeira, 1634

Mapa de Pedro Teixeira, 1634
CURUÑA, Castillo de S.Antº, Pescadaria, Funt?, S.Amaro, Torre dercules

Mapa de Pedro Teixeira, 1634
Molino, Fuerte de S.Cruz, S. Maria de Oça

Mapa de Pedro Teixeira, 1634
Lamarola (esquerda, embaixo) e MAR DE ORÇAN (centro, à direita)

Hispanicae Regionis Nova Descriptio

Agradeço a quem me interpretou a caixa de texto a pé deste mapa encabeçado como umha "nova descriçom da regiom hispánica".

Hispanicae Regionis Nova Descriptio

Dacordo coa Wikipédia o original da Cosmographia seria em alemão ("earliest German-language description of the world"). Segundo isto, o que se reproduze infra seria umha segunda traduçom (sempre assumindo a premisa de que o mapa supra faga parte da dita Cosmographia). Porém, se entendo bem, da Biblioteca Nacional de Espanha colige-se que o original foi o latim e daí se traduziu para alemão ("La Cosmographia de Ptolomeo, editada por Sebastian Münster en 1544 en Basilea, tuvo numerosas reediciones, traduciéndose a otros idiomas como el (...) alemán"). For como for, eis a descriçom textual que acompanha a cartográfica:

As montanhas dos Pirinéus separam a Hispánia da Gália. E lá dous braços de montanhas emergem sobre esta regiom, um dos quais se estende até Portugal, separando-o da Galiza; e os nomes comuns som variados, postos à toa a partir das pessoas que lá moram. Os nomes dos rios, assim como das cidades, quase todos mudaram atualmente. Betis é agora chamado Guadalquivir; o Ana, Guadiana; o Tago, Tejo; o promontório céltico, Finisterra; o Íbero, Ebro; a Valéria, Concha; Calagurrio, Calahorra; de tal tipo de nomes se dirá que som mais abundantes na Hispánia do sul.


Toponímia galega: S. Martha, Cologna, Bizarga, Finis terrae, Cormes, S. Maria, Noia, S. Iacobus Compostelle, Galicia, Baiona.

Quando Corunha foi portuguesa

Quando Corunha foi portuguesa

Ontem fixo-se um ano da publicaçom deste artigo de Xosé Alfeirán, em que contava como durante quatro anos do século XIV, Corunha foi fiel ao rei Fernando I, em ocasiões referido, além de como rei de Portugal e dos Algarves, tamém como rei de Galiza. Segundo o relato o monarca foi recebido polos vizinhos da vila -ao inquérito "Hu vem aqui meu senhor el-Rei Dom Fernando?"-. Encabeçava-os o regidor Joám Fernandes de Andeiro, um nobre galego natural da parte de Cambre, que se vinculou ao reino luso. Hoje Alfeirán apresenta um novedoso e extenso trabalho sobre a Torre de Hércules atravês da história, centrado no período que vai do s. XI ao XVII.

No momento de escrever estas linhas páginas em galego e espanhol da Wikipedia dim literalmente -e de jeito equívoco, suspeito- que Fernando se "coroou" na Corunha. À sua chegada o rei mantivo en uso a Real Casa da Moeda da Corunha, acunhando moeda co símbolo por antonomasia da cidade, o faro romano. A página "Monedas gallegas" explica que entre os tipos de moeda acunhada se contam dous, chamados "de escudo" por apresentarem o português no anverso. Nun caso, flanqueado por duas estrelinhas, e sobre o mesmo aparece a Torre de Hércules entre aspas; noutro, mantém-se a Torre, mais os demais adornos som substituidos.

Para saber mais da numismática luso-corunhesa:

  • "Moedas da Corunha (carta a propósito das 'raridades numismáticas' do Dr. Batalha Reis" (Luís Pinto Garcia, 1949)

  • "A Torre de Hércules e as emissões monetárias de D. Fernando I de Portugal na Corunha" (Rui M. S. Centeno, 2016). Deste último procede a imagem supra, co pé de imagem "NUMISMA LEILÕES. Colecção Algarve - Parte II (Lote 65). Colecção Joaquim Fontes Pacheco"

  • Podemos ler os feitos referidos no seguinte relato do Chronicon Conimbricense medieval, tal como o dá España sagrada. Theatro geographico-historico de la iglesia de España (2a ed.) / . Tomo XXIII. Continuacion de las memorias de la santa iglesia de Tuy y collecion de los chronicones pequenos publicados, é ineditos, de la historia de Espana... (1799) de Enrique Flórez, recolhido pola sua vez na Gallica, a biblioteca dixital da Biblioteca Nacional de França [consulta 27-11-2017]:

    (...) el Rey D. Pedro de Portugal foise à Galizia è tomou Tuy, è Ourem, è Salvaterra, è Redondela, è Bayona , è à Chrunha, è outros Lugares muytos em Galiza, è fez bater sua moeda de prata , è douro, è na Crunha , è em Tuy , para pagar ò soldo aos que ò serviaõ , è nesto comeyos Fernaõ Dafonso da Camara , è Joaõ Affonso desse logo cada hum sobre si lhe vierom fazer vassallagem , è deram ahy à Cidade de Camera, è ganhou em esse anno Saõ Felices , è Valenza , è Alcantara , è outros muytos Lugares em Castella , è quando ò Anrique soube como ò ditto Rey D. Fernando era en Galiza, juntou suas gentes , è foise à Santiago de Galiza , è el Rey Dom Fernando era ja em Portugal , è veose entom ò Anrique à Tuy , è cercou-o , è tomou-o , è passou ò Minho , è veose lanzar sobre Braga, è tomou-a, è foise entom caminho de Braganza , è foi-a cercar , è filhou-a , (...)
In comisso de faro ecclesia sce. marie in conduzo. sca. eulalia in carolio. scm. petrum in letaonio. scm. tirsum in oseyro.

Tomo II de Historia de la Santa A. M. Iglesia de Santiago de Compostela (1899) de Antonio López Ferreiro

Sobre a microtoponímia corunhesa

Se a toponímia, e as fontes que sustentam umha eleiçom oficial de nome, é complicada, a microtoponímia mais, porque as referências som necessariamente mais escassas. Na Corunha dá a sensaçom de que está tudo por fazer dado que durante décadas (séculos?) sobre as vias e lugares imperou a deturpaçom quase absoluta.

Existe atualmente a polémica de se a avenida da Vedra, à que eu provavelmente lhe chame assim até que morra, se deve converter numha sorte de horrível scalextric a escala Godzilla ou assemelhar-se mais a um amplo boulevard que compatibilize veículos a motor, peões, ciclistas e esse bem marciano na urbe: árvores (som cousas altas com folhas verdes e os passaros pousam-se nelas). No debate público estám-se empregando duas formas de raiz popular do nome, A Vedra e Lavedra. Esta última coa premisa de que a forma aparentemente castelanizada nom era tal e que o La- inicial nom se corresponde co determinante anexado senom que fazia parte inseparável do topónimo. Gostaria de ter mais informaçom para ponderar, e só sei de partida o meu (nosso) hábito de lhe chamar e mais a cita que aporta a Wikipedia em espanhol e em galego:

Es conocida popularmente como Lavedra, resultado de la castellanización del lugar conocido como A Vedra, que se encontraba entre la Fábrica de Armas y el Barrio de Palavea.

Alfonso García López (2009). «Alcalde Alfonso Molina (avenida)». En Espacio Cultura Editores. Calles con historia.

Hoje mencionárom-me tamém um roteiro feito por Carme Sanjulián e Pilar García Negro nos anos 90 que emprega Lavedra, eu nom sei se se tratará daquel plano da cidade que tinha de miúdo, mas gostaria de saber quais som as fontes primárias para este caso concreto que comento.

Umha consideraçom puramente numérica, mas que pode nom ser determinante, é que o nomenclator da Xunta de Galicia nom mostra nada por lavedra (apenas Vilavedra, onde semelha claro que se juntam vila e vedra, que se entende vem do latim vetera, velha) e tampouco dá resultado nengum por labedra. O Dicionário de Dicionários da USC/ILG nom aporta nada que faga reconsiderá-lo.

Porém o nomenclator junteiro apresenta 141 (!) nomes que têm no seu interior a cadeia vedra, incluindo acidentes terrestres, augas, entidades humanas, nomes de terras e de vias. Literalmente A Vedra consta como acidente terrestre em Ribeira de Piquim e em Rio Torto (A Volta da Vedra, além dumha terra chamada A Vedra e outra As Vedras), em Pastoriça hai um lugar que se chama Moinho da Vedra, aparece tamém A Vedra em Trabada e na Ponte Nova.

Um escritor e jornalista cuja opiniom consultei perguntava-se se o nome da via como Lavedra derivaria do antropónimo, já repartido polo mundo, mas dá-me por pensar que nom é o caso e mesmo que o próprio apelido deve ser tamém castelanizaçom.

Nom som filólogo nem experto na matéria, só me interessa como cidadám (como usuário, diria por deformaçom profissional) e na medida em que projetos em que participo tocam tangencialmente essa questom básica de como lhe chamamos aos lugares. E é mui importante que depois de anos e anos de afazer-nos a dizer Avenida de Finisterre ou Calle Panaderas normalizemos as formas galegas: avenida de Fisterra ou, como gosto eu de dizer, a rua das Padeiras. Porque no caminho nom só se estandarizárom "cousos" como *Riego de Agua (desde neno entendim que era rego de regato, nom de regar) ou Calle Rúa Ciega, senom que se perderom os artigos que precedem naturalmente os nomes. Por exemplo colhes um ponto chamado a ponte da Passagem e subitamente parece que se chama *Puentepasaje, numha única palavra. No mesmo processo "fussionador" é frequente escreverem *Matogrande ou *Montealto, quando para mim os hai que escrever como o que som, duas palavras separadas em ambos casos, sustantivo e adjetivo, Mato Grande e Monte Alto.

O caso é que nos assaltam muitas dúvidas pola proscriçom que a fala própria sofriu durante tanto tempo das formas escritas e nom digamos já das formas legendadas nos indicativos, as "oficiais".

Agrela é um bom exemplo que aínda agora está tomando a via de se fixar. Durante muito tempo parecia que lhe chamávamos polos grelos e só agora, dacordo c@s expert@s, começa a se usar a forma que significa "agra pequena". Contudo estamos nas mesmas, eu entendo que sendo um sustantivo feminino nom devemos perder o "A" que púnhamos antes diante de *Grela. De maneira que o microtopónimo leve o artigo diante igual: se se opta por "A Sapateira" (A Zapateira na forma oficial), e nom unicamente "Sapateira", por que nom "A Agrela"? E igualmente nas formas compostas: i.e. "os veículos que passam pola Agrela", "a via que vem da Agrela". Um efeito colateral da castelanizaçom dos nomes vem quando cho "devolvem cambiado de gênero": A Agra do Orçám > El Agra del Orzán > *O Agra. Nooot.

Outro "clássico moderno" das dúvidas é o comumente usado Os Rosales. A construçom do "novo bairro" e do centro comercial a pé de (do?) Labanhou propiciou a que se fixara o topónimo em espanhol: Los Rosales. Um amigo que na época estudava Humanidades em Elvinha comentara-me que um professor lhes dixera na aula que o nome do lugar vinha nom das rosas senom de roçar o monte, Os Roçais (Os Rozais seria em norma oficial, mas segundo isso haveria que sessear: Os Rosais). As consultas neste sentido que tenho feito por vias diversas nunca me arrojárom luz sobre o particular, entom continuo sem saber por que se permite a terminaçom -ales quando os plurais em galego se fam em -ais. Isto perguntei à Xunta, sem resposta, que propom até quatro microtopónimos Os Rosales (além do da Corunha, em Cangas, Cambre e Ribeira de Piquim) e a câmbio, sete Os Rosais por toda a geografia galega. Nom entendo esta aparente inconsistência.

Incidentalmente em Portugal por exemplo só vejo um Rosais, umha freguesia nos Açores.

Outro detalhe que me contaram e que tenho ainda por confirmar é que a Calle Caballeros nom se devia de chamar assim senom Rua dos Alcavaleiros, porque ali era onde se pagavam as alcavalas para aceder à cidade, que nom tem nada a ver com cavaleiros. No tocante a nome de vias opino que seria fantástico poder incorporar de algum jeito ao roteiro da cidade os nomes velhos e populares. Por exemplo, a Costa da Uniom, que eu sempre pensara que era Pla y Cancela (assim o usam alguns negócios, de feito) mas que em vários meios jornalísticos locais se tem indicado que corresponde a Gómez Zamalloa.

Nomes já se têm recuperado, no nosso tempo: agora provavelmente todo o mundo sabe onde fica o Campo da Lenha, ou que a do Humor é a Praça dos Ovos e que Azcárraga era tamém a Praça da Farinha. Mas hai muito que recolher. Eu ainda soubem hai pouco que a Juan Flórez nos 60 lhe chamavam o Caminho Novo.

Obviamente nisto tudo, dito figuradamente, estou pensando em voz alta e presentando dúvidas e possibilidades, nom sentando cátedra. Insisto em que provavelmente eu continue usando A Vedra, igual que nom me vejo dizendo algo distinto a Praça do Toural: hai anos em Compostela dixeram-me que havia umha tese segundo a qual se devia chamar Praça Doutoral por mor de nom sei que ritual que faziam os licenciados em medicina (?). Tamém se dizia que a forma correta era Praça do Toral, que nom era um castelanismo.

Diversas das cousas que comentei aqui as consultei em distintos momentos coa Junta, com SNLs e com filólogos e em geral nunca dei, a verdade, com respostas claras.

Eu tenho mais perguntas que respostas, mas gostaria de poder contribuir a umha aportaçom positiva nesta recuperaçom. Afinal fai falta umha posta em comum de fontes, um debate e a assunçom dumha forma autóctone como referência principal. Depois que cada quem lhe chame como lhe pete.

Nada mais lindo no mundo que a toponímia galega

Enche-se-che a boca só com pronunciar os nomes em voz alta!


A Ramisqueira
Cardeira de Meroi
Gradailhe
Martinga
Os Avosendos
Paranhoi
Tiquiom
A Espariça
A Bouça Valada
Engarde
A Teijugueira
Duio
Denle
Padrís
Par da Vedra
Casal de Feás
Igom
Tarnas
Drada
A Ponte de Doiras
Chão de Prazia
Corneantes
Jantes
Cagide
Ivil
Verengo
Mercurim

e assim ad infinitum

Os nomes perdidos

http://www.ine.es/tnombres/formGeneralresult.do?vista=3
Seleccionadas (ctrl+click) as províncias da Corunha, Ponte Vedra, Lugo e Ourense,
seleccionadas todas as décadas (caixinha azul),
seleccionado sexo masculino (·),
pesquiso polo nome VICENZO
e nom existe.
Ou, mais estritamente, "No existen habitantes con el nombre consultado o su frecuencia es inferior a 20 para el total nacional (ó 5 para la provincia seleccionada) (...) Por secreto estadístico sólo se muestran los nombres cuya frecuencia sea mayor o igual a 20, para el total nacional o 5 por provincia. (...)"


Porém, S. Vicenzo é um topônimo que aparece repetidamente em Galiza desde antigo. P.ex. no s.XII já aparece documentada a mençom dumha igreja com tal nome em Duio, Fisterra.

Como pesquisar conteúdos em Europeana

Como pesquisar conteúdos em Europeana

Antes de nada umha advertência. Algumhas instituições culturais têm por hábito -nom sei se por temor a usos nom autorizados-, oferecer conteúdos de imagem estática apenas em miniatura ou bem com umha molesta marca de água sobreimpressa.

Quando o material está no domínio público (o que adoita ser o caso) e especialmente quando se trata de entidades públicas, é algo que nom me entra na cabeza... mas é assim.

Europeana, a biblioteca digital europeia, serve cada elemento no seu repertório com um enlace para a entidade fornecedora original.

Dessa maneira, seguiremos a cadeia de ligações até encontrarmos o resultado desejado -quando se puder-. Até entom, iremos tipicamente passando por umha sucessom de esquemas descritivos (metadados tecnicamente estruturados) que podem ter maior ou menor proximidade da linguagem natural... e maior ou menor interesse para um usuário nom especializado.

Alternativamente, tamém se pode provar a pesquisar directamente nos sites das entidades participantes, como a BNE ou os Arquivos Estatais.

p.ex.

http://bibliotecadigitalhispanica.bne.es/R/51I9RHU37QRL2SL16KGVFE9J92QAENAP3814UVIH2QVVUBSMLT-01672?func=results-jump-full&set_entry=000001&set_number=000151&base=GEN01
onde o primeiro link a jpg falha mas o segundo dá o seguinte:
http://bibliotecadigitalhispanica.bne.es/view/action/singleViewer.do?dvs=1348129674855~105&locale=es_ES&VIEWER_URL=/view/action/singleViewer.do?&DELIVERY_RULE_ID=10&search_terms=coru%C3%B1a&adjacency=N&application=DIGITOOL-3&frameId=1&usePid1=true&usePid2=true



Nom é inusual que para pesquisar imagens em Europeana haja que seguir muitas ligações.

Vejamos um exemplo:

  1. Vamos a http://www.europeana.eu e entramos na caixa de pesquisa a palavra coruña (corunha dá-nos resultados igualmente válidos)
  2. Depois, na caixa de cor de cinza à esquerda de http://www.europeana.eu/portal/search.html?query=coru%C3%B1a escolhemos p.ex. IMAGE para pesquisar só conteúdos de imagens estáticas
  3. ... o qual leva para http://www.europeana.eu/portal/search.html?query=coru%C3%B1a&qf=TYPE:IMAGE
  4. Esta página-índice visual contém, entre outras a miniatura inferior esquerda, que calcando leva para http://www.europeana.eu/portal/record/09407a/23F950F9BA1F166127C497D7F101E8CDCF11EE92.html?start=9&query=coru%C3%B1a&qf=TYPE:IMAGE
  5. ... a qual liga (calcando na imagem) para http://bvpb.mcu.es/es/consulta/registro.cmd?id=408041 (este é o momento quando passamos de estarmos na própria Europeana a visitarmos o site da entidade de patrimônio que contribui ao catálogo de Europeana)
  6. O anterior endereço (calcando na imagem) liga para outra página quase em branco,
  7. ... que à sua vez nos guia (calcando no icone do disquete) para http://bvpb.mcu.es/es/consulta/registro.cmd?id=408041
  8. ... e que tem na palavra "Descarga" o link http://bvpb.mcu.es/es/catalogo_imagenes/download.cmd?posicion=1&path=7374
  9. ... o qual (finalmente!!!) dá o ficheiro SG. Ar.E-T.3-C.3-85.jpg de 95,53 cm por 132,77 cm, com 100 pontos por polegada de resoluçom.


É interessante comparar o ficheiro descarregado (olhando algumhas partes del ampliadas umha vez está no nosso computador), co nível de detalhe que permite a aplicaçom em linha para visualizar, nos casos em que esta última existe -o que é frequente-. Um exemplo de visualizador em linha, na seguinte captura de ecrã.

Como pesquisar conteúdos em Europeana

Toponímia:

a. Plaza Vieja
b. Pescadería
c. Castillo Sn. Anton
d. Id. de Sn. Amaro
e. Batería de Praderas
f. Torre de Hércules
g. Monte alto
h. Riazor
i. Sta. Margarita
j. Barrios de Garas y Sta. Lucía
k. Muelle de la Palloza
l. Castillo de Sn. Diego
m. Puente Gaitera
n. Monelos
o. Sn. Pedro
p. Mueiro (?)
q. Casa de piedra
r. Sn. Cristobal
s. Elbina
t. Eiris
u. Castillo de Oza
x. Sta. Maria de Oza

C'E'. Ciadama

y. Pasaje
z. Palabea de abajo
a'. Palabea de arriba
b'. Portazgo
c'. Deans (?)
d'. Burgo
e'. Bilaboa
f'. Castro.
g'. Bioño
A. Alturas del Peñasquedo
B. Monte Mero
C. Alto de Sta. Margarita
D. Monte y vijia de Sn. Pedro
E. Altura del Castro
F. Cordillera de Area
G. Alturas de Sn. Cristobal
H. Puerto y bahía de la Coruña
I. Horzan
J. Ria del Burgo
K. Islas de Sn. Pedro
L. Peñas de las ánimas
M. Peña de los Ingleses
N. Barrera del Pasaje
O. Arroyo de Riazor
P. La Silba