Ou o contamos nós ou ninguém o fará

Ou o contamos nós ou ninguém o fará

Esta madrugada acabámos o livro. Ainda estaremos dias retocando cousas mas é a primeira vez que o "vejo" completo. Em abril tem que estar na rua.
Foi crescendo de jeito mui orgánico. Algo imprevisto, realmente. Nom contávamos com que acabasse sendo o que é. Modesto mas jeitoso.
Começava tendo um foco de atençom concreto mas afinal abriu-se, ramificou-se. Acabou sendo umha mestura de história local, de divulgaçom patrimonial, de livro de memórias, de pequeno álbum fotográfico e tamém um exercício de evocaçom nostálgica familiar e -tam ou mais importante- comunitária. Sem que nengumha das componentes se imponha sobre as demais, o que me parece um equilíbrio bem interessante, e do qual o conjunto sai altamente beneficiado. Algo caótico; provavelmente heterodoxo do ponto de vista académico, mas pouco me importa porque vai ateigado de vida e isso é mais importante que qualquer outra valoraçom.
Acho que alá vam gostar. E que fora tamém, quem lhe quadrar de o ver. É agradável de ler e tem atrás muito trabalho, de Xosé sobretudo entrevistando o persoal e de Manu compondo no desenho. Ambos, aliás, conseguirom peças fotográficas de inegável valor histórico. Cousas das quais eu levava toda a vida ouvindo falar e nunca vira, como a Torre ou a Calçada.
O testemunho de Andrés foi essencial para reconstruirmos o papel central de Severiano e Rosalía fixo um monte de apontamentos interessantes. Meu tio o Covelo igual. Benedita aportou descrições enriquecedoras, e nem todas colherom, por falta de espaço; ficam para outra.
Alguns som mais meus e outros menos, mas trabalhei muito em absolutamente todos os textos do livro. É um labor coletivo, de esforço conjunto, mas ao mesmo tempo é um dos livros que sinto mais próprios dos que tenha feito e estou mui orgulhoso del.
Cada época de bonança material diria que tem entre as suas missões fixar a memória de quem precedeu sem a poder legar mais que oralmente. Eles e elas nom tiverom ocasiom mais que de fazer, nom puderom muito contar. E isso conleva que, se nom o pomos por escrito ou o trasladamos a outro suporte, numha geraçom polo meio corre o risco de se perder para sempre. Confio que nós, nesta altura, cumprimos essa nossa parte em resposta, como homenagem e gratitude.
E espero e desejo que os trinta a quem se dedica o saibam valorar, porque quem me dera a mim de miúdo ter algo assim para ler e descobrir o que nom nos vam contar em nengum outro lado.
Aquilo que, ou o contamos nós, ou ninguém o fará.

escrever ficçom baseada em factos acontecidos.

a minha estimaçom, da experiência, é que o tempo investido em se documentar deve multiplicar facilmente por vinte o tempo efectivo de escritura.

isto é, por cada vinte horas de leitura, consulta, apontamentos, composiçom de lugar, tirar conclussões, reflectir... como muito sumarás em anacos soltos umha hora de escritura efectiva do teu texto ficcionado. a quantidade de cousas que encontras e que "nom colhem", reta qualquer reconto. mas em algures hai que abreviar...

desta maneira, o tempo que ti gastas é o que condensas e ofereces, para que a câmbio do teu, precisamente o tempo do leitor seja melhor aproveitado, mais focalizado naqueles pontos que che parecem mais interessantes...

alambicar deve ser mui semelhante a isto.


que música soaria no fim do mundo

hai já muitos anos L. propuxo "we could be heroes" como bso da apocalipse. tomei-lhe a ideia e tinha a referência para a incluir num cómic longo que estou fazendo mas david (obviamente sem saber) 'pisou'-mo em el héroe. para mim a de bowie é umha das ideais para, como dixera originalmente L., soar sobre os títulos de crédito da humanidade correndo. a cena que tivem que eliminar daquela era exactamente o concurso que NG e spotify acabam de pôr a andar agora: os protagonistas falavam de que canções soariam no fim do mundo. descartei o ano passado e isto sai agora.
esta anedota, que já tenho contado, suma-se a toda umha série de coincidências em diversos sentidos (umha recente em el jueves) que me levam à máxima de que nom se pode pensar em cópia alegremente, menos em plágio... hai demasiada gente fazendo cousas simultaneamente e nom somos tam brilhantes nem tam geniais como para termos ideias que nom poda ter outra persoa noutro lado...
polo menos de entrada, o benefício da dúvida...

Cansativos, S.A.

nom é por nada pero... entre o extremo de nom me ensinarem nada dum trabalho em curso (tendo que aguardar a que saia para o conhecer completo) e bombardearem-me com mostras continuadas, escolho o primeiro.

vivemos numha época de exibicionismo e onanismo digital máximo e alguns hábitos cansam ao mais pintado. estou preparando um disco, eh, hoje escrevim umha nota, aí vai o áudio de como soa (mp3 de 2'') e os bosquejos da partitura num papel, e depois passados ao programa do composiçom do computador. a que soa bem? assim, dia a dia a dia -quando nom hora a hora a hora-. oh, tenho umha estrofa, oh tenho meia cançom, agora um quarto de disco. e a cada pedaço de fragmento, as lambeduras de rigor por parte da concorrência. queee p* léria. nom sei, que se ponham os óculos estes de google já e que retransmitam tamém quando forem cagar ao wc.

se aborreço os reality shows, como nom vou aborrecer a transmissom ao vivo dum processo criativo? o que me interessa é a obra, nom cada minúscula manobra que compuxo o caminho polo qual se chegou a ela. de facto, essa é OUTRA obra distinta, outra que talvez muita gente apreciará (e outra que, de cote, é paradoxalmente mais atractiva que o próprio produto da mesma, umha vez conhecido realmente este!!).

daquela, acabamos por converter o meio, num fim em si mesmo.

eu particularmente, passo muito.

ensina-me a película: os making of nom me interessam, a priori, o mais mínimo.

Nom foi sem tempo

Nom foi sem tempo

O inverno da palavra

O inverno da palavra

Bodega El Nene

Bodega El Nene

©


©


(data indeterminada)