Como quase todos os anos os prémios de Barcelona produzem-me uma boa dose de aversão. Optam obras que me parecem, por dizer finamente, muito escassas, enquanto outras mais que meritórias ficam fora. Primeiro caso o trabalho de Emma Ríos. Após I.D. e Pretty Deadly II não sei que caralho mais faz falta para ser candidata! No caso de obras espanholas li poucas mas do visto parece-me que Lamia está muito por riba das demais, o qual, infelizmente e conhecendo a minha proximidade ao gosto maioritário, sugire que não vai ganhar. Enfim. Espero que de novo premiem Emma na convenção de Madri e, aliás, que nos EUA a candidatem ao Eisner. O seu trabalho gráfico em Pretty Deadly merece isso sobradamente. Dos títulos que sim entraram nos prémios de Barna eligiria os de King/Walta e de Tomine (a “Paciência” de Clowes produziu-me sensações encontradas e não ajudou ter um notável erro de impressão a versão em rústica de Fulgencio Pimentel, que foi a que comprei). Apesar da reprodução de arte de ECC ser lamentável, também não entendo faltar na seleção um Chiisakobee, p. ex. Total: eu faria os antiprémios de Barcelona e essas maravilhas -adoro La reina Orquidea e Mame Shiba- levariam pelo menos um abraço. Todos gostamos de Paper Girls, mas votar algo que ainda não contou nada e está colhendo corpo parece-me de ignorância ou preguiça. Sei, sei: as opiniões são como os cus, cada um tem a sua (e para isso estão os votos), mais eis a minha; geralmente os prémios de Barna fedem.






Como todos os anos, este que acaba li alguns, sempre menos dos que desejaria; como frequentemente, gostei da maioria, e destes últimos, uns poucos fizeram-me sentir, ou transmitiram-me, algo muito especial. Não faço diferenciação pela fama das autoras ou pela extensão do trabalho: simplesmente, se me toca o coração, isso é o que me importa. Obrigado a quem criou estes trabalhos e todos os demais. Se amo e se escrevo cómics é graças a obras assim.

Que vocês tenham um feliz 2016.