Gabriel Hernández Walta has now been for a few years in a row one of my favourite superhero artists, in part because there’s this so un-superheroic touch to what he does, that really challenges the genre without actually antagonizing it. He’s so good at making an Illyana, an Elektra, a Magneto… and at making them his and his alone. Because he doesn’t only draw those characters, he grew up with them as much as you and me and he understands them. It really shows on the final art.

I don’t adhere to those “I don’t read superhero books but” crappy commenters who would praise H. Walta’s art while patronising uncountable other artists working in the field, while disregarding superhero books as a whole category. I place them in the same “I don’t read manga” ignorant lot. I both enjoy and respect so many talented individuals doing pajamas and punches. It just happens that Gabriel is a little above many of his colleagues thanks to his utterly personal style, his dedication to whole page work and his ability to merge superpowers with real-life feel settings and characters.

Envolto no meu roupão, erguendo a celha esquerda em quanto fumava em cachimbo e sorvia mansamente no meu capuccino, refletia o outro dia desde a minha assoalhada atalaia sobre a desvinculação superheróica da realidade. Partilharei convosco estes profundos matinares que sei aguardais com ânsia.


Acho que primeiramente os super-heróis interagiam com o comum dos mortais e esse contraste dava-lhe a graça ao género. Depois viu-se que, se os homens e mulheres com poderes eram superiores de mais, o suposto crime (roubar um banco é?) convencional acabaria por desaparecer e com ele a possibilidade de histórias. Eram precisos os supervilões. Durante muito tempo a clave foi o enfrentamento entre essas duas partes, mas aginha também se pensou que pondo os heróis a bater entre eles (não sabem como desfazer maus entendidos se não é a base de paus) se obtinha outro espetáculo digno de se ver.


Bom, se pensáveis que o algoritmo terminava aí estáveis errados: o último recurso, que embora não ser novo parece estar no seu esplendor, consiste em confrontar os heróis consigo mesmos. Nomeadamente, com versões de si mesmos, quer procedentes do futuro, quer procedentes desse standard que são já as realidades ou mundos alternativos. Os Homens-X escritos por Bendis e o tandem Superman/Batman desenhado por Jae Lee, séries ambas sem maior importância mas que desfruto (unguilty pleasure o' mine) são dessa corda atualmente.


Então deu-me por pensar que estávamos perdendo a essência do super-herói primeiro, aquele já afastado contraste com o homem da rua.


Vem isto ao caso porque adoro o desenho de Gabriel Hernández Walta e a cor de Jordie (sic) Bellaire no nº1 da nova série de Magneto. Não sei se a coleção vai explorar ao máximo a arte do melilhense no slice of life como bem se fixo antes -daquela maneira- desde os Astonishing X-Men, mas a primeira entrega fá-o, e fá-o bem.


São coisinhas como estas pelas que continuo gozando do clássico comic-book grampeado de toda a vida. Que não tudo vão ser tijolos de 600 páginas em cartoné e letras douradas, meu velho ^__^