Até onde me consta o dado tenho BDs em japonês, catalão, alemão, inglês (contabilizados um meio milhar), espanhol (em torno ao milhar), francês (meio cento), galego (outros tantos), italiano, português… e em euscaro um só: Tintinen abenturak: Castafioreren bitxiak. Muitos anos há que o comprei em terras bascas. Comentava o outro dia o tema dos preços altos para exemplares antigos. Assunto à parte, ainda que vinculado, é a especulação, que quase se pode qualificar de tal que alguém peça 50 euros como tenho visto pedir por um Tintin em galego como o da imagem. Bom, pois tive a enorme fortuna este dia de poder comprá-lo por só seis euros. E por outros tantos, O segredo do Alicornio; ambos em perfeito estado de conservação. O feito de que Tintin não se re-edite em galego (sim, eu também perguntei, e sem resposta) parece-me fatal. No entanto, fui pilhando alguns que me faltavam mediante a edição lusa da Asa. Porém aqueles álbuns de Tintin editados por Juventud marcaram uma geração de meninos galego-falantes como eu, e leio-os agora e adoro a tradução de Valentín Arias com esse aquele vetusto que tem. Oxalá os re-editassem tal qual, com os mesmos textos e legendagem.

Depois não querem que a gente faça o pirata. Como não vão fazer, se é ao que os convidais!

Esta é provavelmente a única prancha do álbum que nom resulta ofensiva ;-)


Tenho a série em alta estima mas nunca até agora me quadrara de ler “Tintin no Congo”. Quando se armou aquel sarilho pola demanda judicial pareceu-me absurda umha solicitude de proibiçom. Continuo pensando igual, mas tamém concordo que ao igual que nas obras de Tezuka se inclui umha nota contextualizadora quanto a certos retratos, neste trabalho fai tanta falta como o comer umha explicaçom da época e da ideologia atrás do título.


E isso que esta é a versom “suavizada”. Mas de verdade, tem mais de umha e de duas pranchas de ficares coa boca aberta.

Pouco lhe faltou para obra mestra. De acordo que na parte final acho que a caga bastante, porque arruína o tom e ambientação que até esse ponto lhe deram toda a personalidade ao álbum, e também não ajuda a carência de resolução climática desde o momento em que a história não termina aqui senão que continua em A erupção do Karamako. Contudo, até a chegada à ilha, este volume parece-me antológico: a premissa argumental e como se apresenta a jeito de prólogo o mistério que a rodeia, o azar que move os protagonistas, o enredo de comédia física, os personagens arquetípicos, os cenários e as máquinas… ritmo e espaço. Isto é uma pura maravilha. Nunca lhe fizera caso a esta série pensando que fora de Tintin não devia haver muito de mérito em Hergé, mas estava totalmente errado. Havia muito tempo que não gozava tanto, do sheer joy of reading, duma BD de aventuras assim. Um verdadeiro manual de como-se-faz, de apresentação exemplar do argumento, de narração clara, de humor, de tudo. Os inventos são geniais -esse robô com orelhas, o mando a distância, etc-, o científico cliché engraçadíssimo. Simples prazer de ler. Obrigado ao autor lá onde estiver.