Diz-se que nom hai Tezuka mau e bem pode ser umha verdade absoluta. Eu o dia que ler um livro del do que nom goste aviso ^__^ Pode haver alguns que me prestem menos -caso de “A cançom de Apolo”- ou outros mais -a maioria- mas sempre têm algo.


Este “Alabaster” que Astiberri acabou de publicar, um grosso volume de quase quinhentas páginas, nom é excepçom a essa regra; mesmo, estava-me resultando umha leitura agradável sem mais, até a página 345; nom sei bem por que, nesse quadrinho tam simbólico em que a coprotagonista seduzida polo poder da escuridade fala com seu irmão baixo a chuva e se vai diluíndo, me resultou um ponto de inflexom. Se até o ponto a história já era umha loucura, nomeadamente a do personagem que dá título à obra, a partir daí já me pareceu tudo encosta abaixo e sem freios. As páginas dos cavalos esqueléticos, o atentado na festa da casa da atriz, a própria ideia histriónica dum Alabaster-mobile, a maqueta da capital do “novo mundo”… Umha verdadeira explosom de imagens, culminada num desenlace com algum giro argumental hilarante -aínda que o autor nom o pretendesse-. Nom em vam, nom hai Tezuka sem a sua componente naïf. É parte da sua graça, e imagino que em muitas circunstâncias tamém devia ser umha virtude criativa sua, esse ir para a frente sem mais. Tu escreves um argumento e as dúvidas som frequentes -isto nom tem lógica, aquilo é mui forçado, tal cousa nom encaixa- mas Tezuka fai como um menino inventando umha história: avante toda. Nos casos em que a história acaba por nom convencer-me nada (passou-me co “Cenizas” de Álvaro Ortiz, um dos melhores historietistas espanhois atuais) esse processo de encadeado causa-me a sensaçom dumha fugida para adiante. A Tezuka aqui e noutros trabalhos desculpo-o, nom sei bem por que.


Contudo, sendo de quem é “Alabaster”, nom me pareceu umha cousa do outro mundo, em parte porque na primeira metade (e em algo tam extenso é muito dizer) nem el próprio parece tirar-lhe todo o partido ao potencial da invisibilidade como arma e conceito. Mas em conjunto é, como quase quanto el fixo, um trabalho com personalidade: a sua e a dos protagonistas.


Polos vistos apresenta-se este título, que data dos primeiros anos setenta, como um dos mais escuros do autor, eu nom diria tanto do que levo lido, mas sim que se recreia na dualidade bem/mal especialmente personificada na figura central, além da moça que a el se adire e à némese de ambos, o agente policial que os persegue, deixando Tezuka o sentidinho para os secundários de ambos lados da lei.

Fonte

Nunca fui muito de comprar por adiantado e acumular montes de livros sem ler. Mais de ir pilhando e lendo, gradualmente. Assim, podo tardar anos em acabar de ler algumas séries, e também está a dificuldade de as completar segundo vão caindo da disponibilidade. Vem isto ao caso de que ainda estou lendo agora em espanhol o quinto tomo de “El árbol que da sombra”. Que podo dizer: Tezuka é muito. É, realmente, demasiado. Um universo em si mesmo. Bem é certo que a diferença de Hergé, Morris ou Goscinny, ele e mais Kirby não fazem parte da minha infância, adolescência nem do meu surgimento como leitor, pois vieram muito mais tarde à minha vida. Porém os belgas e franceses têm que fazer sítio porque o mestre de mestres japonês para mim está por cima de quase todo autor alguma vez nascido. Por volume de trabalho, por capacidade narrativa, por diversidade temática… Enfim, não o vou descobrir eu agora. O assunto é que olhando este quinto volume da edição de Planeta (desenho gráfico e legenda nas tapas horrível, para o meu gosto) me veio à mente uma pergunta que com certeza a vós também vos tem passado: Por que caralho tanto se ‘censura’ a Tezuka como autor de capas? Sei, sei, estão os desenhos lindos de Vertical e demais, mas há um monte de edições, sem ir mais longe o primeiro que li dele, “Adolf” em inglês (editara Viz baixo o selo Cadence Books), nas que parece que o grande narrador tem que ser 'relegado’ ao interior dos seus próprios livros como se o seu estilo aparentemente, mui enganosamente, simples não servisse para vender o produto. Parece-me absurdo e, com todo o respeito para R. M. Guéra no exemplo que comento, não partilho este critério editorial. Tenho aqui o “Apollo’s song” composto por Chip Kidd e fica claro que Tezuka dá para grandes capas. Eu pelo menos prefiro que o exterior das obras seja consistente com o que levam dentro…