Tá a velha morrendo e inda vai aprendendo

Um nunca deixa de surpreender-se cos detalhes da fala, ou da língua. Hoje escrevim, sem pensá-lo, duas cousas:

- É-che-vos complicado, i. e. um duplo pronome de solidariedade que, se algumha vez na escola estudara que se dava, tinha completamente esquecido. Apesar de ser como é umha forma totalmente familiar e própria.

- (...) espera e vemos. Eu te contato quando for. Esse te está colocado onde nom deve, dacordo coa norma geral, que dita que em galego, ao ser a frase afirmativa, há de pôr-se depois do verbo (Eu contato-te). Respondem-me que é por influência do espanhol que a eu considero válida, mas nom concordo. Igual que me soa bem, obviamente, Contato-te eu, quando for e igual que, como paleofalante, nunca diria Te contato eu quando for, defendo que Eu te contato quando for me soa perfeita. Igual que Eu te levo me parece tam válida como Levo-te eu. Para mim é como se a énfase do Eu posicionado no início dessas frases estivesse "legitimando" o "chamar para pé de si" o pronome, para antes do verbo. Como nom som filólogo nom vo-lo podo explicar melhor nem justificar teoricamente, se é que "se pode". Dim-me que nom se pode tal, e tamém que os velhos nom falavam assim.

Enfim, que sei eu.

A língua é algo vivo, tamém dentro de mim, imagino.

E parafraseando U2, "She moves in mysterious ways".