Sempre me fixo nos territórios régios que se listavam no encabeçado dos documentos antigos.

P. ex. em 1232: Fernandus. Dei Gª Rex Castelle et Tolleti, Legionis et Gallecie

ou em 1293: d. Sancho... Rey de Castilla, de Leon, de Tolledo, de Galliça, de Sevilla, de Cordova, de Murça, de Jahen e del Algarbe

Santa María de Monfero en su documentación (1088-1300)

... é o número (XVI) monográfico da revista Nalgures da AEHG, dedicado ao trabalho dumha vida: 680 páginas coa paixom investigadora do erudito corunhês José Luis Sangil (1938-2016) e coa contribuiçom de María Josefa Sanz e Manuel Vidán.

Atençom xs interessadxs em História. Tamém quem tiver interesse no galego medieval.

Se nom erro o documento mais antigo em galego transcrito no volume é este do ano 1177:

<cite>Santa María de Monfero en su documentación (1088-1300)</cite>

A publicaçom recolhe muitos outros, de 1257 e posteriores, nos que podemos ler escritas e fórmulas como Et defendo firmemente que nenguu non seia ousado de mina parte nen doutra que esta doason posa embargar que eu dou a isse moesteiro devandicto.

Trabalhei um ano informaticamente cos índices do Mosteiro de Monte de Ramo e ver este trabalho impressiona. Parabéns a todxs xs implicadxs!

O pórtico de S. André no Parrote

Meu pai e Gregorio Casado falárom-me da porta do Arquivo do Reino fronte à Solaina do Parrote. Este último ademais mandou-me documentaçom bem interessante.

No seu artigo «Arquitectura nosocomial en La Coruña gótica» (publicado em Cuadernos de estudios gallegos XLIII, fasc. 108, 1996) María Dolores Barral Rivadulla fala do hospital -no sentido antigo, nom atual- de Santo André na Corunha, cuja data de fundaçom se desconhece. Iniciativa dos mareantes da cidade, foi incendiado durante o assalto do pirata Drake, e tivo reconstruções posteriores até que a finais do s. XIX o concelho mandou fechar a sua capela. Por documentaçom do XVI e XVII parece que estava diante do Orçám, entendemos que onde está agora a capela (na própria rua) de Santo André. A porta do acesso ao antigo complexo hospitalário salvou-se da demoliçom que acabou coa igreja parelha graças à declaraçom como monumento histórico artístico, nom sei quando, mas no 1956 colocou-se na muralha de Sam Carlos, que é onde a conhecemos de sempre os corunheses do meu tempo.

Barral Rivadulla descreve com um enorme detalhe a obra (sugiro a leitura da cumprida descriçom a historiadores da arte) e os seus motivos: folhas de cardo e outros vegetais, peixes (alusivos à confraria titular da igreja), folhas unidas em forma de aspa (sendo a cruz aspada o símbolo do santo padrom do templo), oito figuras arredor do Salvador (este com guedelhas mas sem barba e mostrando as mãos) e anjos com roupa eclesiástica intuída polos cordões rematados em nós, o que disque relacionaria o hospital cos franciscanos corunheses.

Hoje em dia a porta tem funçom de serviço, serve de entrada a remessas de documentaçom enviadas por outros organismos para o Arquivo do Reino de Galiza.

J. Cuevas realizou a finais do s. XIX esta ilustraçom na sua localizaçom original. O desenho reproduziu-se na tese de Pedro López -ex diretor do próprio ARG- sobre a Real Audiência de Galiza:

O pórtico de S. André no Parrote


Realizei um estudo numérico dos documentos medievais do mosteiro de Monte de Ramo, publica-se na revista Nalgures XV, que se apresenta hoje. No artigo, que é o meu primeiro como autor em solitário numha revista científica, analiso em cifras o contido, os lugares, as datas e os protagonistas dos textos.

As histórias que contam os registros de migrantes (III)

Affidavit of the Master or Commanding Officer (...)

Sworn to before me this Twentyeighth day of February, 1939 at New York, N. Y. [handwritten signature] Inmigrant Inspector.

14-430

Instructions for Preparing Alien Manifests

(...) (Race or people).-See list of races on back of this seet. The entry should show the race or people as given in said list.
Special attention should be paid to the distinction between race and the country of which citizen or subject, country of last permanent residence, and country of birth, and manifests should be carefully revised by inspectors in this regard. For instance, "France" appearing under the head of country does not mean "French" by race or people, and, similarly "French" appearing under the head of race or people does not mean "France" by country. An Irish, German or Hebrew alien by race might properly come under the heading of England, Switzerland, or any other country. In this connection the following distinctions should be especially observed:

CUBAN

The term "Cuban" refers to the Cuban people (not Negroes).

WEST INDIAN

"West Indian" refers to the people of the West Indies othar than either Cuban or Negroes.

SPANISH AMERICAN

"Spanish American" refers to the people of Central and South America of Spanish descent.

NEGRO

"Negro" refers to the African (black), whether coming from Cuba or other islands of the West Indies, North or South America, Europe or Africa. Any alien with admixture of blood of the African (black) should be classified under this heading.

(...)

14-430 U. S. Government Printing Office

As histórias que contam os registros de migrantes (II)

Em 1939, no exílio além do oceano e depois de terem tido Barcelona como última morada, o casal formado por Afonso Daniel Rodríguez Castelao e Virxinia Pereira Renda, junto co seu secretário Luís Soto Fernández, viajam no vapor Oriente que vai de Cuba para os EUA.

As histórias que contam os registros de migrantes (II)

Castelao tinha o cabelo e os olhos castanhos e media 1.77 de estatura. Virginia, 1.57 m.

A persoa mais próxima para eles no momento devia ser o seu amigo Avelino Rodríguez, que os deveu hospedar na Havana, aqui:

As histórias que contam os registros de migrantes (II)

Figeram um percorrido por Cuba antes de voltarem aos Estados Unidos:

As histórias que contam os registros de migrantes (II)

Este seria o hotel em que se hospedaram em Nova York:

As histórias que contam os registros de migrantes (II)

Precisamente nessa cidade e nesse ano expedirá-se-lhe a Castelao o passaporte co qual seis anos mais tarde viaja desde a Argentina ao México atravês do Brasil:

As histórias que contam os registros de migrantes (II)

As histórias que contam os registros de migrantes (I)

Manuel Castiñeira (n. 1896), solteiro, bombeiro naval corunhês que trabalhava no porto de Nova Iorque, é chamado a filas polos EUA no final da I Guerra Mundial, ao que alega que seus pais dependem del.

Contemporâneo del é José Castiñeira (n. 1888), tamém bombeiro corunhês em NY, a onde chegara de Buenos Aires. Tem a esposa e três filhos morando na Corunha.

As histórias que contam os registros de migrantes (I)

Para solicitar a naturalizaçom, cousa que fai em 1933, quando levava treze anos de casado e coa família ainda na Corunha, tem que declarar que:

I will, before being admitted to citizenship, renounce forever all allegiance and fidelity to any foreign prince, potentate, state, or sovereignty, and particularly, by name, to the prince, potentate, state, or sovereignty of which I may be at the time of admission a citizen or subject; I am not an anarchist; I am not a polygamist nor a believer in the practice of polygamy; and it is my intention in good faith to become a citizen of the United States of America and to reside permanently therein

Instagrammers de hai um século fazendo cosplay de lo gaiego

Instagrammers de hai um século fazendo cosplay de lo gaiego

Escenas pintorescas interpretadas por distinguidas señoritas y fotografiadas por el notable aficionado Sr. Puget

Instagrammers de hai um século fazendo cosplay de lo gaiego
La lindísima srta Mª Teresa Puget, que es andaluza, estudiando la mirada comprensiva de la dulce marela

A marela é tam linda que ficas pampo olhando para ela e se quadra nom te dás conta de que o outfit da senhorita vai co complemento da fouce.

Fonte: Vida Gallega, 1925
Se por proximidade ou por investigaçom histórica procuras alguém que migrou ou se tivo que exilar pola ditadura:

Pilares que eram troncos de pinheiros espetados em vertical no chão, assim se ergueu o edifício do Banco Pastor na Corunha. Está na memória local e familiar. Os mais velhos contavam-no. Meu bisavó, que tinha trinta e poucos anos quando se construiu, a meu pai, sendo este neno.

Sempre contamos tamém o mesmo: o Pastor, com esses pilares à venezana, foi durante vários anos o edifício mais alto do Estado.

Os coutos

Os coutos eram jurisdições religiosas ou seculares. Religiosas, as de igreja secular -que eram as comuns- e as de ordens, e tamém as havia seculares, tanto de realengo -as do rei- como de senhorio -as de nobres-.

Como explica José Enrique Benlloch del Río, polas cartas de couto concedidas polos diversos monarcas (...) os reis outorgaban inmunidade aos mosteiros, isto é, delimitaban un espazo concreto ao seu redor dentro do cal nin os monarcas nin os seus axentes podían impoñer a súa autoridade.

La concesión de las cartas de coto supone los aspectos siguientes. En primer lugar, la delimitación de un espacio de amplitud variable. En segundo lugar, la inmunidad, del espacio acotado. Y, por último, el derecho a ejercer, por parte de los señores, funciones propias del poder público y acaparar las rentas derivadas de este ejercicio. El privilegio de inmunidad suponía, por parte del poder público, la renuncia a algunas de sus facultados dentro del espacio acotado. Este privilegio, por una parte, prohinía a los oficiales y agentes del Estado la entrada en el territorio inmune. La prohibición hacía referencia, sobre todo, a los encargadis de administrar la justicia. (...)

Os coutos davam-se em áreas urbanas? Non tenho constância como tais. Corunha era jurisdiçom real. Elvinha, Oça, ... dependiam da cidade, tinham mordomo ou xuíz pedâneo.

Queimadelos

- Vostedes son de Queimadelos, non?
- De toda a vida, aquí nacemos...
- ... fomos criadas...
- ... e pensamos morrer aquí tamén!


Grandes lugares (TVG)

Es una de las nueve entidades locales menores que existen en Galicia. Se constituyó como tal en 1935 y gestiona todos sus bienes propios comunales y vecinales, además de los montes de Peralta, Lagoa y Portela, legado ancestral y propio heredado de sus antepasados, cuyos bienes son inembargables.


Di-o a Wikipédia em espanhol (em galego tem menos informaçom), porém na fonte citada nom encontrei a cita literal.

Umha persoa galega sempre, em toda a parte


Capitã-general da frota de Felipe II e governadora de Santa Cruz
"Isabel Barreto, primera y única almiranta de la historia de la Armada española"

O primeiro 'Robinson' do Pacífico
"Gonzalo de Vigo, mariñeiro, desertor e intérprete"

O pontevedrês que governou a Luisiana
"Manuel Gayoso de Lemos"

Protector de indígenas em Cuba
"Ulpiano Benito Piña luchó contra el analfabetismo y trató a la población contra el paludismo, la sífilis y la lepra en Cuba, donde logró vivir a salvo de la persecución política que tuvo en Tui, en el año 1936, por sus ideas políticas republicanas."

Combatente morto em Normandia luitando contra os nazis
"Andrés Pereiro García, de Mera, sobrevivió al desembarco pero falleció en una de las batallas posteriores con 20 años. Descansa en un cementerio americano en Bretaña."

Comissário chefe no Bronx
"Nacido en Mugardos, o ex policía Anthony Bouza dirixiu as máis sonadas comisións de anticorrupción policial e inspirou películas e libros, ademais de escoltar a J. F. Kennedy e a Fidel Castro."

'Padrinho' de Dylan
"Richard Fariña, personaje del movimiento contracultural estadounidense de los 60 y marido de la hermana de Joan Baez, impulsó la carrera del autor de 'Like a rolling Stone'"

Soldado em Vietnám
"Antonio Portela: "Antes de la guerra, yo era un joven pues como todos, un poco inconsciente. Quizá por eso decidí presentarme voluntario al conflicto y ese fue mi error""

Marinheiros em Terranova
"Gallego, castrapo y francés se entremezclaban alegremente durante las más de tres décadas en las que los congeladores del Finisterre español dominaron la pesquería del bacalao en aquellas gélidas aguas"

Futebolista com Pelé e Beckenbauer
"Santi Formoso, emigrante gallego, recuerda su paso por el Cosmos: "Yo jugué en un equipo de monstruos""

Criada para John Lennon
"Rosaura López, asistenta gallega, aún trabaja en el mismo bloque de Central Park y mantiene relación con Yoko Ono"

Avogada para Obama
"Diana Villarnovo, hija de un cedeirés y una asturiana emigrados a EEUU, trabaja para el Departamento de Estado del Gobierno de Obama"

Máxima responsável da educaçom em NYC
"Carmen Fariña, chanceler de Educación da cidade de Nova York, de orixe galega"

Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...

Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...

Se a toponímia, e as fontes que sustentam umha eleiçom oficial de nome, é complicada, a microtoponímia (termo do que ao parecer os expertos nom gostam) ainda mais, porque as referências som necessariamente mais escassas. Na Corunha dá a sensaçom de que está tudo por fazer dado que durante décadas (séculos?) sobre as vias e lugares imperou a deturpaçom quase absoluta.

Assaltam-nos muitas dúvidas pola proscriçom que a fala própria sofriu durante tanto tempo, expelida nas formas escritas e nom digamos já das formas legendadas nos indicativos, as "oficiais". Aqui vamos tentar recuperar parte do que nos roubárom, do que nos proibírom.

1. Monte Alto, Mato Grande, ...

Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...

Duas palavras, um nome

Nom som filólogo nem experto na matéria, só me interessa como cidadám (como usuário, diria por deformaçom profissional) e na medida em que projetos em que participo tocam tangencialmente essa questom básica de como lhe chamamos aos lugares. E é mui importante que depois de anos e anos de afazer-nos a dizer Avenida de Finisterre ou Calle Panaderas normalizemos as formas galegas: avenida de Fisterra ou, como gosto eu de dizer, a rua das Padeiras. Porque no caminho nom só se estandarizárom "cousos" como Riego de Agua (desde neno entendim que era rego de regato, nom de regar) ou Calle Rúa Ciega, senom que se perdérom os artigos que precedem naturalmente os nomes. Por exemplo colhes um ponto chamado a ponte da Passagem e subitamente parece que se chama Puentepasaje, numha única palavra. Outro caso de 4-palavras-em-1? A localizaçom culherdense da Azeia da Mão, convertida por arte de magia em Haciadama. No mesmo processo fussionador é frequente escreverem Matogrande ou Montealto, quando para mim os hai que escrever como o que som, duas palavras separadas em ambos casos, sustantivo e adjetivo, Mato Grande e Monte Alto.

Que nos di neste assunto a nossa língua no mundo, a escala europea, a escala americana, africana? Monte Alto é um município do Brasil. Casa Branca outro. Tamém umha freguesia e mais lugares de Portugal. Mato Grande é umha vila e regiom caboverdiana, ademais de dous distritos e bairro brasileiros. Acho é melhor sempre escrevermos os topónimos assim, em palavras separadas e com maiúscula inicial, tamém quando nos referimos aos Monte Alto, Casa Branca, Mato Grande, etc. da Corunha. Pedra Longa, igual (se se trata de deturpar, seria Piedralarga, ou?

Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...
Detalhe de mapa em azulejos da batalha de Elvinha

Evitemos pois os Montealto, Casablanca, Matogrande, Puentepasaje e escrevamo-los como o que som, duas palavras.

2. Praças da lenha, dos ovos, da farinha; Caminho novo

Nomes já se têm recuperado, no nosso tempo: agora provavelmente todo o mundo sabe onde fica o Campo da Lenha, ou que a do Humor é a Praça dos Ovos e que Azcárraga era tamém a Praça da Farinha. E ademais de recuperarmos a Costa da Uniom, trouxo-se de volta a rua do Socorro. Mas hai muito que recolher. Eu ainda soubem hai pouco que a Juan Flórez nos 60 lhe chamavam o Caminho Novo.

3. Pescadaria (a)

Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...

Neste mapa de 1809 já aparece este nome. É curioso que ao falar-se da Pescadaria normalmente penso na zona oriental: a partir da Porta Real até o Obelisco, antes do recheio (El Relleno, dizia-se em espanhol até finais do s. XX, i. e. o ganhado ao mar desde os Cantões Grande e Pequeno para fora: jardins de Méndez Núñez, antigas aduanas, etc). Nom obstante nesse mapa inglês situam o nome no lado oposto da cidade, no ponente: a baía do Orçám-Riaçor.

Openstreetmap.org mostra a forma Pescaria mas nom estou de momento certo de que seja mais ajeitada que Pescadaria; nom o sei.

Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...

3. Alcavaleiros (rua dos, antigo bairro dos)

Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...
Foto: Martí. La Voz de Galicia

A Calle Caballeros nom se devia de chamar assim senom Rua dos Alcavaleiros, porque ali era onde se pagavam as alcavalas para aceder à cidade, o que nom tem nada a ver com cavaleiros.

No tocante a nome de vias opino que seria fantástico poder incorporar de algum jeito ao roteiro da cidade os nomes velhos e populares. Isso pensava da Costa da Uniom, que eu sempre pensara que era Pla y Cancela (assim o usam alguns negócios, de feito) mas que em vários meios jornalísticos contemporâneos se tem indicado que corresponde à rua que oficialmente na minha infância e juventude era Gómez Zamalloa. Felizmente em 2018 o nome do militar golpista foi retirado e agora a rua é oficialmente Costa da Unión (La Unión era umha fábrica de gaseosas que estava nessa rua).

4. Vedra (a)

A finais de 2015 discutia-se se a avenida da Vedra, à que eu provavelmente lhe chame assim até que morra, se deve converter numha sorte de horrível scalextric a escala Godzilla ou assemelhar-se mais a um amplo boulevard que compatibilize veículos a motor, peões, ciclistas e esse bem marciano na urbe: árvores (som cousas altas com folhas verdes e os passaros pousam-se nelas). Observei que no debate público usárom-se duas formas de raiz popular do nome, a Vedra e Lavedra. Esta última coa premisa de que a forma aparentemente castelanizada nom era tal e que o La- inicial nom se corresponde co determinante anexado senom que fazia parte inseparável do topónimo. Gostaria de ter mais informaçom para ponderar, e só sei de partida o meu (nosso) hábito de lhe chamar e mais a cita que aporta a Wikipedia em espanhol e em galego:

Es conocida popularmente como Lavedra, resultado de la castellanización del lugar conocido como A Vedra, que se encontraba entre la Fábrica de Armas y el Barrio de Palavea.

Alfonso García López (2009). «Alcalde Alfonso Molina (avenida)». En Espacio Cultura Editores. Calles con historia.

Mencionárom-me um roteiro feito por Carme Sanjulián e Pilar García Negro nos anos 90 que disque empregava Lavedra, gostaria de saber quais som as fontes primárias para este caso concreto que comento.

Polo contrário em artigos de imprensa do primeiro terço do s. XX encontra-se sustento para a tese de que o nome era a Vedra, como neste de El Orzán (8-6-1929):

En el plan de carreteras y caminos provinciales a ejecutar (...) figuran las siguientes a subastar en el corriente año: (...) Y del Puente del Pasaje a Palavea y rampa al lugar de Vedra, 673 metros (...)


Umha consideraçom puramente numérica, mas que pode nom ser determinante, é que o nomenclator da Xunta de Galicia nom mostra nada por lavedra (apenas Vilavedra, onde semelha claro que se juntam vila e vedra, que se entende vem do latim vetera, velha) e tampouco dá resultado nengum por labedra. O Dicionário de Dicionários da USC/ILG nom aporta nada que faga reconsiderá-lo.

Porém o nomenclator junteiro apresenta 141 (!) nomes que têm no seu interior a cadeia vedra, incluindo acidentes terrestres, augas, entidades humanas, nomes de terras e de vias. Literalmente A Vedra consta como acidente terrestre em Ribeira de Piquim e em Rio Torto (A Volta da Vedra, além dumha terra chamada A Vedra e outra As Vedras), em Pastoriça hai um lugar que se chama Moinho da Vedra, aparece tamém A Vedra em Trabada e na Ponte Nova.

5. Cernadas (as)

Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...
Roteiro da Coruña (fragmento) editado polo BNG, 17-5-1997

Algo que eu faria além do que comentarei mais em baixo em relaçom aos centros comerciais seria obrigar a que os nomes de ruas novas recolhessem toponímia de lugares desaparecidos na zona ocupada polo crescimento da cidade. O nome horrível do Parque Ofimático hai que o desterrar, do feio e inútil que é. Eu antes lhe chamava Eiris Novo, por exemplo. E, já que se construiu em parte, disque, sobre dous lugares chamados as Cernadas -Cernedas no mapa extratado na imagem superior- e Galám pois polo menos que ambos topónimos dêem nome a duas ruas nessa área.

Se lhe fago caso a Openstreetmap parece que se guiárom por mim:

Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...

6. Agrela (a), Agra do Orçám (a)

Agrela, topónimo paradoxicamente já documentado como pouco desde 1589, é um bom exemplo que aínda agora está tomando a via de se fixar. Durante muito tempo parecia que lhe chamávamos polos grelos e só agora, dacordo c@s expert@s, começa a se usar a forma que significa "agra pequena". Contudo estamos nas mesmas, eu entendo que sendo um sustantivo feminino nom devemos perder o "a" que púnhamos antes diante de Grela. De maneira que o microtopónimo leve o artigo diante igual: se se opta por "a Sapateira" (A Zapateira na forma oficial), e nom unicamente "Sapateira", por que nom "A Agrela"? E igualmente nas formas compostas: i.e. "os veículos que passam pola Agrela", "a via que vem da Agrela". Um efeito colateral da castelanizaçom dos nomes vem quando cho "devolvem cambiado de gênero": A Agra do Orçám > El Agra del Orzán > O Agra. Nooot.

7. Roçais (os)

Outro "clássico moderno" das dúvidas é o comumente usado Os Rosales. A construçom do "novo bairro" e do centro comercial a pé de Labanhou propiciou a que se fixara o topónimo em espanhol: Los Rosales. Um amigo que na época estudava Humanidades em Elvinha comentara-me que um professor lhes dixera na aula que o nome do lugar vinha nom das rosas senom de roçar o monte, Os Roçais (Os Rozais seria em norma oficial, mas segundo isso haveria que sessear: Os Rosais). Aqui falou-se do caso, haveria que pensar se o seu nome seria o de Fontám ou outro.

As consultas que tenho feito por vias diversas nunca me arrojárom luz sobre o particular, continuo sem saber por que se permite a terminaçom -ales quando os plurais em galego se fam em -ais. A Xunta recolhe e promove até quatro microtopónimos Os Rosales (além do da Corunha, em Cangas, Cambre e Ribeira de Piquim) e a câmbio, sete Os Rosais por toda a geografia galega. Nom entendo esta evidente inconsistência. Hai anos perguntei a toponimia@xunta.es por que em vez de Rosais dim que é Rosales quando isto vai contra a norma oficial do galego. Nunca respondérom.

Incidentalmente em Portugal por exemplo só vejo um Rosais, umha freguesia nos Açores.

Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...

Este plano de cerca de 1925 (segundo o qual interpreto que o atual Mato Grande estaria dentro da antiga Granja) só vincula a zona dos Roçais de hoje a Visma, coa legenda "C[arreter]ª á S. Pedro de Visma / Gran Parque (en proyecto)". Pergunto-me o que é o Peruleiro indicado na costa. Por um comentário de Iván Fontão concluo que se trata do areal ainda existente de Sam Roque de Fora.

8. Martinete (o)

Está recolhido tamém no já referido croquis do ano 1589, junto a outras sete atuais áreas do município, escritas todas assim: S. Pedro, agrela, laBanou, martinete, S. xptoBal, Elbiña, coruña, pasage.

Pergunto-me onde estaria o hipotético martinete que conjeturo lhe pudo dar nome ao bairro e se se conservam fotografías ou desenhos del... Martinete é, além deste lugar da freguesia das Vinhas na Corunha, outro numha paróquia betanceira. Tamém leva esse nome um mogiám, que http://toponimia.xunta.es/gl/Buscador nom recolhe em 12-9-19. Está na estrada de Lourido para Tourinhám, perto de Morquintiám. Este, um escrivám nomeara-o como de Martim o neto (!).

9. Novo Mesoiro (o)

Um lugarinho que nom conhecim até hai nada é Mesoiro, casinhas a pé do polígono de Pocomaco. Lendo a súa entrada na Galipédia vejo que podiam ter-lhe chamado Feáns ou Monte do Moinho ao Novo Mesoiro, mas nom me parece mal a soluçom, pola continuidade de ambos:

Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...

Curiosamente tanto o Novo Mesoiro como Pocomaco som o que poderíamos chamar neotopónimos; mais artificial o segundo, claro.

10. A gente nomea lugares da cidade por grandes áreas comerciais

Se de mim dependesse obrigava os grandes centros comerciais a pôr de apelido o bairro em que estám: Carrefour-Someso, Espacio Coruña-Someso, Alcampo-Palavea, Corte Inglés-A Covela (Cubela em ortografia oficial)... porque na prática acabam substituindo os topónimos nas referências comuns, por exemplo no nome das paradas do bus.

Marineda-Monte Patelo:

Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...
Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...

11. A jeito de conclusom

Obviamente nisto tudo, dito figuradamente, estou pensando em voz alta e presentando dúvidas e possibilidades, nom sentando cátedra. Insisto em que provavelmente eu continue usando a Vedra, igual que nom me vejo dizendo algo distinto a Praça do Toural: hai anos em Compostela dixeram-me que havia umha tese segundo a qual se devia chamar Praça Doutoral por mor de nom sei que ritual que faziam os licenciados em medicina (?). Tamém se dizia que a forma correta era Praça do Toral, que nom era um castelanismo.

Diversas das cousas que comentei aqui as consultei em distintos momentos coa Junta, com SNLs e com filólogos e em geral nunca dei, a verdade, com respostas claras. De feito nem respostas a maioria das vezes.

Eu tenho mais perguntas que respostas, mas gostaria de poder contribuir a esta recuperaçom. Afinal fai falta umha posta em comum de fontes, um debate e a assunçom dumha forma autóctone como referência principal. Depois que cada quem lhe chame como lhe pete.

12. Posdata: as corunhas roubadas

Isto é mais história que toponímia mas alá vamos. Corunha nom é só Corunha, é a à agregaçom à cidade de Visma, das Vinhas, de Oça e de Elvinha.

Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...

No uso popular hoje em dia as advocações das duas primeiras freguesias (S. Pedro e S. Cristóvão) quase eclispárom os topónimos. A de Oça é Sª Maria e a de Elvinha S. Vicente.

Se quadra devia ter começado por aqui mas em realidade ainda soubem mais do conto lendo a Galipédia: quando o concelho da Corunha lhe moveu os marcos, literalmente, ao de Oça. Quatro das cinco paróquias da Corunha atual pertenciam em realidade ao extinto município de Oça e a Corunha medrou absorbendo este último co que parece diretamente um assalto a mão armada:

Os veciños de Oza litigaron pola devolución da documentación ó concello, xa que tiñan medo de que puidese ser utilizada polos grandes industriais coruñeses. De feito, nese período a casa do concello muda de localización en varias ocasións e desaparecen documentos sobre os bens, momento que é aproveitado polo concello da Coruña para modifica-la situación dos marcos que sinalan os lindes entre ámbolos dous concellos na zona da Palloza, aparecendo logo os territorios a nome de José Marchesi Dalmau, quen instalou unha refinaría.

J. M. Gutiérrez contava em La Opinión:

Os receos veciñais confirmaríanse pouco despois, xa que José Marchesi Dalmau, un home de negocios que pouco despois sería alcalde da Coruña, fíxose cos terreos comunais do municipio na Palloza, onde instalou unha refinería de petróleo, e coa franxa costeira de Oza, lugar no que máis tarde promovería a construción do Lazareto para os enfermos infecciosos da guerra de Cuba.

Para algúns, a disolución da Corporación foi unha xogada hábilmente calculada por parte de quen esperaban facer fortuna cos terreos de Oza, de forma que a acumulación de débedas polo Concello fixese inviable a súa continuidade e forzase a súa absorción polo da Coruña, como acabaría por suceder en 1912.


Voltando à toponímia, a Galipédia dá quinze lugares, así escritos: A Grela (sic), O Birloque, O Bosque, A Cabana, Cances#, A Cova, Fontenova#, Laxes de Orro, Lonzas, O Martinete, A Moura#, San Cristovo das Viñas, San Xosé#, Someso, A Silva#, enquanto a Xunta dá só dez: os anteriores, igualmente grafados, mas sem incluir os cinco que marquei com sostido#. Além do já explicado supra da Agrela tem-se sinalado que a forma do 9º lugar bem podia ser Louças ou Louçás (Louçáns/Louçães, engadiria eu).

Quando se estuda a toponímia da Argentina por exemplo aparecem nomes de persoas para localidades mas isso aqui é mui estranho. Porém dentro da paróquia de Elvinha hai um caso, o lugar de Pedro Fernándes, que hoje dá nome a umha rua.

Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...

O PGOM de 2013 da Corunha di que é posterior a 1950 mas fontes vivas da zona dim-me que isso nom é certo, que já havia lugar antes.

Quanto à freguesia de Elvinha, Xurxo Souto di que o atual campus universitário da UDC se chamava as Marinhas Douradas (p. 59 do documento ligado). O corunhês fala dum monte de lugares.

13. Para ler mais

- Muita microtoponímia neste mapa de José María Ferrater de 1845

- As azeias ou azenhas da Ponte Gaiteira ou da Palhoça (1752)

Tourinhám

Esta forma da nombre a una parroquia del ayuntamiento de Muxía, así como a una de las entidades de población que la constituyen y al promontorio litoral que algunos autores quisieron identificar con el Promontorium Nerium mencionado por Estrabón (Monteagudo, 1952: 481-485). La presencia de este topónimo en nuestra documentación medieval se remonta a fechas bastante tempranas, pues ya en un diploma del Tumbo de Celanova con fecha de 942 encontramos mencionada una insula Tauriniana identificable, sin lugar a dudas, con el actual lugar de Touriñán y donde el sustantivo insula quizá deba entenderse en el sentido de ‘península’ o similar.

Paulo Martínez Lema

Tourinhám
(...) In Nemancos insula Tauriniana (...) no Tumbo de Celanova, mençom datada o 26 de setembro de 942.

- Referências web:

http://nemancos.kikebenlloch.com/?xurisdicion&10

TC, f2v-4r. Documento [nº2] del Libro 1º via pares.mcu.es (p. 12-15) [consulta 10-07-2019]

- Referências bibligráficas:

Rosendo (San) obispo de Celanova dona o seu convento, do que era abade Fránquila, unha serie de propiedades, (terras, coas súas pertenzas, etc) entre a que esta esta que se cita, en terras de Nemancos.


942/09/26
O bispo Rosendo dota á súa fundación de Celanova dirixida polo abande Fránquila, cunha longa serie de propiedades, bens mobles, gando, libros, etc.

(O tombo de Celanova. Tomo I. Edición de José M. Andrade)(Consello da Cultura Galega, 1995)

Tamém em Colección diplomática del Monasterio de Celanova (842-1230). 1. (842-942) (Universidad de Alcalá, 1996)
A primeiros do século XX (e noutras épocas talvez tamém, mas que eu saiba) os pobres escapavam, alguns para América, para nom servir ao Rei. Em represália, os nomes -e os de seus pais- eram publicados nos jornais como fugidos da justiça. Vejo-o ao estudar história local, dam todos os dados: nome, filho de quem era, natural de onde, ofício, até a estatura; ameaçam com declarar desertor e demais penas.
...perche le generazione future sappiano quanto sacrificio sia costato ai combattenti della libertá la conquista della democrazia e della repubblica



... liberavano da questo carcere 72 detenuti politici condannati dai tribunali fascisti.
A ricordo di quanti hanno dovuto soffrire per la libertá di pensiero


Ainda este ano soubem que Lavacolha foi construido com mão de obra de presos políticos. Aguardo a placa que comemore o seu sofrimento e sacrifício.



Foto supra Faro de Vigo:
Ubicación: Aeropuerto
Localidad: Santiago de Compostela (A Coruña)
Nº prisioneros: 2000
Campo Estable


E agora, se queres cantar o Bella Ciao como honra à memória antifascista, nom te prives.