Essa n'a sabias

(...) Por certo, neste contexto hai un[ha] forma de falar cando unha xente e outra van ás festas de cadansúa casa, sendo familia ou achegados ou amigos de mui vello, dise q[ue] se corrían ca festa. Por ex.: Os de [tal casa] e os de [tal outra] de [freguesia a poucos km de distância] correronse cas festas muitos anos p[or]q[ue] os patróns eran amigos.


Muito se refinou o processo de substituiçom linguística, assim começou mas o castrapo já nom existe.

Ring a bell?

La Asamblea Nacional de Panamá votó una ley, por la cual adóptanse radicales disposiciones para la conservación en aquella República de la lengua española. Fué establecida esta ley para evitar que nuestro idioma fuese sustituido como lengua popular, a consecuencia del incremento constante de la población extranjera, principalmente norteamericana. En ella se fija que las poblaciones y lugares habitados, designados actualmente con nombres extranjeros, recobren el primitivo castellano, y, en caso de no tenerlo, se les imponga en adelante, por los Municipios, un nombre en idioma nacional. Al departamento de Instrucción pública se le encomienda que en las escuelas y centros docentes de carácter oficial se fijen listas de los pueblos que, teniendo nombres indígenas o castellanos, son conocidos por nombres extranjeros. Dispónese que en un plazo de tres meses, después de hacer públicos los nombres castellanos de los lugares del territorio nacional, debe cursarse la correspondencia dirigida a pueblos actualmente designados con nombres extranjeros. Se prohibe terminantemente la exhibición de películas cinematográficas y el reparto al público de programas de espectáculos teatrales escritos en castellamo incorrecto. Por último, se establece que incurrirán en multa los dueños de establecimientos y tiendas en cuyos rótulos se emplee un idioma distinto del nacional, y todos los que, en cualquier forma, publiquen anuacios en que haya incorrección y falta de ortografía. España debe gratitud a esta decisión de la Asamblea Nacional, que así sabe defender el sagrado patrimonio de su idioma.

Fonte: Revista de Casa América, 1922 via Galiciana.

Uso do 'nom' em documento de Coimbra do s. XIII

E o que ficar de mays mando que o partam os coonigos que forem residentes na eygreia ao Sabbado e cantem todos hũa missa no altar mayor en onrra de Santa Maria e o que nom for presente nom aja parte destas rendas en aquele dia que y nom for.


Coimbra, 1284. Os sublinhados som meus. Fonte

Léxico em documento de Nemancos em galego do s. XIV

aviinça, fazer, nosso, vozes, ajuntados, conpossiçon, quisseren, quareenta, alçados, janeyro, aguardar, privilegios

Diglossia e identidade cultural na pátria cajun da Luisiana

Diglossia e identidade cultural na pátria cajun da Luisiana

Diglossia e identidade cultural na pátria cajun da Luisiana

Diglossia e identidade cultural na pátria cajun da Luisiana
Num livro de hai noventa anos leio ouvínose*. Frequentemente as obras anteriores a se fixar norma recolhem formas como esta, que me resultam totalmente familiares. Adorei. Nom defendo o oralismo, o código escrito que escolhermos (eu próprio aqui) é um estándar -mais ou menos arbitrário, mas estándar em definitivo- que cumpre outra funçom comunicacional diferente. Porém a fala conservada em obras antigas é um tesouro. De feito antes prefiro edições facsimilares que que se corrija a ortografia para adaptar à norma vigente; isto, que ainda em âmbito escolar entendo um pouco, parece-me em geral aberrante, um... e a palavra é forte mas é como o sinto... atentado à obra original.

* por ouvirom-se; conjugaçom dialetal que dá:
amano por amárom,
comeno por comérom
e subino por subirom.

O pronome átono em galego

A orde correta para o pronome átono a respeito do verbo na língua galega parece-che complicado ao primeiro, depois achas que entendestes, e a seguir, ao te enfrentares às exceções e casos infrequentes, voltas a pensar que nom sabes avondo. Eu polo menos acho-a umha questom enormemente complexa. Por um lado dá muito trabalhinho, quer para aprender como neofalante, quer para racionalizar como paleofalante. Polo outro lado, dá-lhe ás falas galegas umha imensa riqueza. Além de onde vai o pronome respeito do verbo -antes ou depois del- reconheçamos já de início que em galego podemos fazer cousas bem estranhas cos pronomes...!

Xaquín Lorenzo no seu Cantigueiro popular da Limia Baixa deixou escrito:

Quen me dera saber lér,
prenda que tanto gostaba,
para saber lér as novas
que me o meu amor mandara!


(Os sublinhados som meus)

Minha avoa recitava:

Se no-lo mundo marmura
é coa *envídia que nos tem


E a nossa língua além do Minho? Amália Rodrigues cantava:

há sete mundos seguidos
que julgo que te não vejo


E a cousa vem de bem mais antes:

Manda ElRey, que em quanto a casa assy estiver cuberta della, que se nom venda em sua parte, como aver movel, mais que se venda a telha com a caza.

(Ordenaçoens do senhor rey d. Affonso V [p.] 322 Livro Segundo Titulo Cincoenta e tres)

Hai um par de anos, durante vários dias, umhas quantas persoas estivemos falando disso, a raiz dumha frase que me chamou a atençom quando a lim na imprensa -como exporei depois- e o primeiro que tenho que fazer é agradecer a todas as persoas que opinárom e contribuírom, especialmente às expertas em filologia pola sua paciência comigo. Se quadra justamente me acusárom de teimudo e nom sempre é fácil discutir com alguém que sabe menos que ti dumha matéria. Eu nom som filólogo nem linguista e simplesmente tenho a fortuna de poder viver e trabalhar sempre em galego; se algo me move é que dedico bastante tempo da minha jornada a refletir sobre o nosso idioma e aqui acabei por erguer umha tese, a qual quem mais sabe referendará ou rebaterá. A minha ideia é que temos umhas normas gerais claras sobre a colocaçom pronominal, válidas, e umhas exceções mui comumente ensinadas, tamém corretas, mas defendo que depois hai umha área menos definida na qual eu discutiria cousas. Na qual a ênfase e o sentido da frase e as palavras coas que começa a oraçom pode fazer dançar o pronome. No caso que exporei acabárom por dizer-me que era algo tam particular que nem tinha maior importância. Pode ser. Nom é o caso para mim. Quem bem me quer tamém me dixo, polo caso, que o falar velho nom se ajusta àlgumhas das minhas opiniões, que fago como algum corunhês (e.g. Cho digo eu; nom concordo) e que estou sob o influxo doutras falas, talvez da Lusofonia, talvez do espanhol. Nom tenho especial interesse em me afastar da língua dos bisavôs das terras de Jalhas e Soneira, mas a realidade é que a minha fala nom é exatamente a deles, começando já polo sotaque.

Em síntese eu o que queria era que nom caíssemos no recurso fácil de qualificar toda próclise como castelhanismo. Em definitivo em galego som igual de boas Vim para te levar que Vim para levar-te, mas em espanhol nunca se diria Vine para te llevar, senom unicamente Vine para llevarte. Agora, pode que eu esteja errado, olhai que umhas linhas supra acabei de escrever Se quadra justamente me acusárom de teimudo e provavelmente opinéis que a colocaçom correta é Se quadra justamente acusárom-me de teimudo. Porém se a frase vos passou desapercebida quando a lestes e nom vos destes conta... dá para pensar na questom em questom, nom sim?

Vamos coa frase que originou o debate:

Menos do1 5% da programación televisiva infantil emítese en galego


De a ter escrito eu, teria posto quase com certeza Menos do 5% da programación se emite en galego. Entom pugem-me a pensar por que. E figem esta pergunta, obtendo a resposta conjunta seguinte:

O pronome átono em galego

Conclusom, grosso modo umha de cada quatro persoas faria como eu. Por que motivo iríamos contra a maioria, que sim defende a norma geral de que o pronome vai despois do verbo? Houvo umhas poucas respostas que dam ideia da diversidade de percepções.

Todas concordaremos em que, se o verbo abrisse, nom haveria dúvida:
Emítese menos do 5% da programación televisiva infantil en galego

(Inciso: concordaríamos tamém nestas exceções à regra geral?
se emite o 5% da programaçom infantil em galego. ver
Ainda se emite o 5% da programaçom infantil em galego. ver
Talvez se emite o 5% da programaçom infantil em galego. ver)

Perguntei a umha persoa que trabalha como linguista por que me soaria mal esse “emite-se” e por que eu sempre diria aí “se emite”. Especificamente consultei pola frase começando com “Menos ...”, por quanto se fosse com “Mais ...” sim a veria bem. Será pola conotaçom negativa? Como se a frase começasse por “Nom” (em cujo caso o pronome antecede o verbo) ... ?

A resposta:

En principio a frase “Menos do 5% da programación infantil emítese en galego” é correcta, por iso non che soa mal “Máis do 5% da programación emítese en galego”.

Supoño que a ti che soa mal por unha cuestión de énfase, co cal tampouco sería incorrecta a túa percepción.

A Gramática recolle, con respecto a outros cuantificadores, por ex.:

Moitas persoas vírona pola tele
Moitas persoas a viron pola tele!

Menos intereses danchos en calquera sitio
Menos intereses me dan a min.


(Os sublinhados, de novo, som meus)

Marialva Garcinia aportou esta reflexom geral:

Quanto à colocação pronominal, se lês textos galegos e portugueses medievais, era indiferente a próclise ou a ênclise em casos como esse, como é o caso até hoje no Brasil, países africanos e no galego espontâneo (como prova a tua dúvida).

Em Portugal, por mudanças fonéticas (o fechamento das vogais, que leva a que me/te/se etc. se pronunciem quase que apenas com a consoante) passou a “obrigar”, por razões fonéticas, que o pronome se ligue ao verbo em casos como esse. Logo, em PT, nesse caso, só ênclise nesse caso específico mas próclise se houver antes palavra que permita que o pronome se apoie nela, como “que”, etc.

Mas na Galiza (e BR, África, como no galego-português medieval), as partículas “me”, “se”, etc. não perdem a vogal na pronúncia, pelo que é indiferente colocá-las antes ou depois.

Mas tanto a vossa RAG quanto os reintegracionistas ignoram que em PT medieval e em galego medieval as duas opções eram válidas (com o são até hoje no BR) e defendem copiar as colocações lusitanas do séc XX. Assim, em PT de hoje, nesse caso seria ênclise.


(As duas vezes que Marialva di nesse caso refere-se à frase da programaçom infantil)

Eis outros três casos para refletir:

Eu vo-lo direi.
Eu te contato.
A el se lhe encomendara ...

Quanto à colocaçom pronominal em perífrases verbais consultei com umha amiga lusa:

O pronome átono em galego
O pronome átono em galego
O pronome átono em galego

______

1 Marialva Garcinia tamém me indicou que deve ser menos de x%: Isso de meter artigo antes de porcentagem é castelhano puro.

estraviz.org/insultar este dia procurava umha acepçom antiga que era falar a alguém para provocar-lhe raiva cara um 3º,
"Fulano insultou em Mengano" (para q M fosse vs 1 3ª persoa)
soa-vos?
Estraviz tem "(2) Convidar" q nom sei ao q corresponde
O significado q digo é mui similar ao (2) de https://estraviz.org/encirrar
"Fulano encirrou em Mengano para que lhe pugesse um preito a Zutano"
(esta última palavra, apesar de que infelizmente em geral nom sesseamos como xs nossxs velhxs, pronunciamo-la /ensirrar/)

Santa María de Monfero en su documentación (1088-1300)

... é o número (XVI) monográfico da revista Nalgures da AEHG, dedicado ao trabalho dumha vida: 680 páginas coa paixom investigadora do erudito corunhês José Luis Sangil (1938-2016) e coa contribuiçom de María Josefa Sanz e Manuel Vidán.

Atençom xs interessadxs em História. Tamém quem tiver interesse no galego medieval.

Se nom erro o documento mais antigo em galego transcrito no volume é este do ano 1177:

<cite>Santa María de Monfero en su documentación (1088-1300)</cite>

A publicaçom recolhe muitos outros, de 1257 e posteriores, nos que podemos ler escritas e fórmulas como Et defendo firmemente que nenguu non seia ousado de mina parte nen doutra que esta doason posa embargar que eu dou a isse moesteiro devandicto.

Trabalhei um ano informaticamente cos índices do Mosteiro de Monte de Ramo e ver este trabalho impressiona. Parabéns a todxs xs implicadxs!


OK, Google, but you are in the verças.
Boíssima esta explicaçom de P. Mendes a T. Mendonça via Priberam:

- Pergunta: (...) Qual é a forma correta: "para Carlos não lhe perturbava a existência, ou mesmo a necessidade dos movimentos da vanguarda" ou "para Carlos não o perturbava a existência, ou mesmo a necessidade dos movimentos da vanguarda"?

- Resposta: (...) trata-se de informação lexical (...) e para a qual não há regras fixas. (...)

(...) depende [de] (...) se o verbo selecciona um objecto directo (ex.:
comeu a sopa = comeu-a) ou um objecto indirecto (ex.: respondeu ao professor = respondeu-lhe) (...)

O verbo
perturbar, quando usado como transitivo, apenas selecciona objectos directos não introduzidos por preposição (ex.: a discussão perturbou a mulher; a existência perturbava Carlos), pelo que deverá apenas ser usado com pronomes clíticos de objecto directo (ex.: a discussão perturbou-a; a existência perturbava-o) e não com pronomes clíticos de objecto indirecto.

Assim sendo, das duas frases que refere, a frase “para Carlos, não o perturbava a existência, ou mesmo a necessidade dos movimentos da vanguarda” pode ser considerada mais correcta, uma vez que respeita a regência do verbo perturbar como transitivo directo.(...)



Nom queiramos o leísmo reinante/tolerado no castelhano (*le mató) para o galego (matou-no)

(Le mató ¿qué? ¿le mató el perro?)

*exemplos em El País

Máis información

O que se aprende lendo castelhano antigo

O que se aprende lendo castelhano antigo
...manque de leadership sur le plan national, l’écologie n’est plus un gadget

Que em francês nom tenham palavra para liderado é bem triste, mas o de gadget já é paradoxal, mais outra palavra de ida e volta, já que poderia vir do próprio francês:

Se no 81 estavas na escola da Picota-Maçaricos mando-che um abraço na nuvem. Encontrei lista de 13 amigxs e só identifico 3, o tempo nom perdoa.

Daquela inda díziamos Dominco(s). O que tal se perdeu na fala.

(Cumprimentos a quem figera hai tempo algo como isto:)

Já valeu a pena ver filme rançote em brasileiro para aprender outra palavra: focinheira.
O que vai ser, pois a própria palavra o di, o que dizemos boçal.
A minha avó centenária dizia por cousas de pouco mérito que nom valiam um adármio, variaçom de adarme, equivalente a 2 gramas.
Adarme pode significar tamém calibre de arma, o que em espanhol se pode dizer simplesmente como calibre, que pola sua vez tem a forma antiga cálibo e umha etimologia espetacular:


  1. grego bizantino: καλόπους / kalópous (=forma, como a dos sapatos)
  2. persa meio: kālbod
  3. árabe clásico: qālab / qālib
  4. árabe hispánico: qálib


O que as palavras viajam!
Anos atrás Google Translate era espetacular para o estado da arte na altura. Ultimamente é surpreendente a qualidade péssima que lhe vejo quando a provo.

Outra cousa, já sei que o propósito dos tradutores é o tratamento de linguagem construída, nom palavras isoladas mas mesmo assim sempre me surpreende q nom diferenciem na saída

O termo é igual na língua destino
em contraste com
Nom o dei traduzido para a língua destino



WordReference tampouco conhece eivado, ainda bem que sempre está o Priberam.