Un topónimo milenário que nem tem entrada na Wikipédia em galego?

Un topónimo milenário que nem tem entrada na Wikipédia em galego?
Peregrinaçom do Arciprestado de Nemancos a Compostela. Fotografía de Ramón Caamaño, 25 de agosto de 1926. Hai notícia doutras anteriores, por exemplo en 1909, ocasiom pola qual se escrevia:

(...) Nemancos que comprende villas tan prósperas y de tan ardiente fe como Corcubión, Mujía, Cee, Finisterre y otras.


Se nos consta que Nemancos tem polo menos 1.200 anos e nem se lhe fijo entrada na Galipédia algo nom quadra. Felizmente temos a Gallica, a Hemeroteca de Prensa Histórica e outras fontes para irmos tomando consciência da relevância deste nome que hoje está completamente eclipsado polo jornalístico Costa da Morte que data só no s. XIX.

Menciona-se na Distribución de parroquias en el concilio de Braga, era 610, año 572:

Ad Iriense (...), Nemancos, (...)


(via La hitación de Wamba, de Antonio Blázquez, em Boletín de la Real Sociedad Geográfica: Tomo XLIX, julho de 1907).

De um livro de 1768:

Le premier Peuple étoit GALLÆCI ou CALLAÏCI, divisés en deux moindres peuples ; favoir , I. Gallaeci Bracarii , qui répondoient à la partie du Portugal entre le Douro & Minho , & à la Province de Tra-los-montes ; 2. Gallæci Lucenses, ce que nous appellons (...) la Galice (...) avoient pour Villes principales (...) Ierna Mons , Namancos


Un topónimo milenário que nem tem entrada na Wikipédia em galego?

Noutro de 1855, ainda que o texto será do s. XII-XIII, lê-se Villas de Ceeia in Nemancos.

Un topónimo milenário que nem tem entrada na Wikipédia em galego?

Possivelmente traçando umha linha desde a Finisterræ francês ao galego o poeta inglês Milton mencionava-o na sua loa, aqui explicada:

Un topónimo milenário que nem tem entrada na Wikipédia em galego?

Ou pode que acontecesse tudo na nossa costa? Outra hipótese sugere-o.

Mais sobre o que é Nemancos como topónimo aqui.




E quanto aos antropónimos? Em S. Gião de Moraime nascérom María Ignacia (n. 1803), Gabriela (n. 1806), Ramón (n. 1809), Juan (n. 1812) e Manuel (n. 1814) Liñeyro (ou Liñeiro) Nemancos, filhos de Rosa Nemancos Ferrio Suarez, pola sua vez filha de Antonio Nemancos, que era vizinho de Sª Maria de Morquintiám. Os cinco son os últimos (máis recentes) portadores do apelido de quem sabemos mais, tendo-o de segundo, damos por sentado que aí se perdeu. Temos de investigar, entom, em Morquintiám se Antonio tivo filhos que pudessem prolongar um nome de familia hoje aparentemente perdido.

Moraime à parte, vistas 619 persoas naturais ou vizinhas de Mogia (Santa Maria, mais nom só a freguesia da vila), nascidas entre 1712 e 1978, nengumha leva outra este apelido.

Para o apelido Nemancos https://www.ine.es/widgets/nombApell/index.shtml responde No existen habitantes con el apellido consultado o su frecuencia es inferior a 5 para el total nacional o por provincia.




Jano Lamas di que Nemancos etimologicamente significa país dos bosques sacros mas nom temos ainda fonte para tal afirmaçom. A el partilhar no grupo de Facebook "Ollar Galicia" devemos tanto a fotografia coa que abria este texto como as duas seguintes imagens, que levam o pé de foto que el lhe deu ali:

Un topónimo milenário que nem tem entrada na Wikipédia em galego?
El Correo de Galicia, 4 de agosto de 1915

Un topónimo milenário que nem tem entrada na Wikipédia em galego?
Dióceses de xuridición territorial a partir do ano 314 (fonte nom atribuida)




Note-se que este último nom coincide coa asignaçom que figemos nós no projeto dos notários de Nemancos, onde as paróquias estremeiras por ponto cardinal som: ao N, Camelhe; ao W, Tourinhám; ao S, Duio -Éçaro fora da península de Fisterra-; ao E, Bainhas. Vid ícones encarnados escuros no mapa infra:

Un topónimo milenário que nem tem entrada na Wikipédia em galego?

O que sugerem os mapas ;)

Borrasca Filomena ou poluçom por dióxido de nitrogénio, dá o mesmo...

O que sugerem os mapas ;)

O que sugerem os mapas ;)

Toponímia da Corunha que desconhecia

Toponímia da Corunha que desconhecia
Toponímia da Corunha que desconhecia
Toponímia da Corunha que desconhecia

- da Silva para lá:
Maçaído
Comeanda
Gatom
a Moura
Borroa
Naia
- a pé das Vinhas:
o Bosque
a Cova
- alá do Castrilhom a Pena Moa:
Agramonte
o Corgo
- por Peruleiro:
caminho do Pinheiral
Figueiras
o Barral

Hoje fam-se trinta anos da queda do muro de Berlim

Lembro aquela noite diante da TV. Numha noite fora erguido décadas antes, numha noite caiu. Nom acreditávamos que aquilo que conhecéramos toda a vida acabasse tam subitamente.

Hoje fam-se trinta anos da queda do muro de Berlim

O DL deste mapa é do 1985 mas teria pensado que era do 89-90 e tamém que os mapas segregavam RFA e RDA nitidamente, igual que os álbumes de cromos dos mundiais de futebol. Teria que buscar os escolares.

Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...

Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...

Se a toponímia, e as fontes que sustentam umha eleiçom oficial de nome, é complicada, a microtoponímia (termo do que ao parecer os expertos nom gostam) ainda mais, porque as referências som necessariamente mais escassas. Na Corunha dá a sensaçom de que está tudo por fazer dado que durante décadas (séculos?) sobre as vias e lugares imperou a deturpaçom quase absoluta.

Assaltam-nos muitas dúvidas pola proscriçom que a fala própria sofriu durante tanto tempo, expelida nas formas escritas e nom digamos já das formas legendadas nos indicativos, as "oficiais". Aqui vamos tentar recuperar parte do que nos roubárom, do que nos proibírom.

1. Monte Alto, Mato Grande, ...

Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...

Duas palavras, um nome

Nom som filólogo nem experto na matéria, só me interessa como cidadám (como usuário, diria por deformaçom profissional) e na medida em que projetos em que participo tocam tangencialmente essa questom básica de como lhe chamamos aos lugares. E é mui importante que depois de anos e anos de afazer-nos a dizer Avenida de Finisterre ou Calle Panaderas normalizemos as formas galegas: avenida de Fisterra ou, como gosto eu de dizer, a rua das Padeiras. Porque no caminho nom só se estandarizárom "cousos" como Riego de Agua (desde neno entendim que era rego de regato, nom de regar) ou Calle Rúa Ciega, senom que se perdérom os artigos que precedem naturalmente os nomes. Por exemplo colhes um ponto chamado a ponte da Passagem e subitamente parece que se chama Puentepasaje, numha única palavra. Outro caso de 4-palavras-em-1? A localizaçom culherdense da Azeia da Mão, convertida por arte de magia em Haciadama. No mesmo processo fussionador é frequente escreverem Matogrande ou Montealto, quando para mim os hai que escrever como o que som, duas palavras separadas em ambos casos, sustantivo e adjetivo, Mato Grande e Monte Alto.

Que nos di neste assunto a nossa língua no mundo, a escala europea, a escala americana, africana? Monte Alto é um município do Brasil. Casa Branca outro. Tamém umha freguesia e mais lugares de Portugal. Mato Grande é umha vila e regiom caboverdiana, ademais de dous distritos e bairro brasileiros. Acho é melhor sempre escrevermos os topónimos assim, em palavras separadas e com maiúscula inicial, tamém quando nos referimos aos Monte Alto, Casa Branca, Mato Grande, etc. da Corunha. Pedra Longa, igual (se se trata de deturpar, seria Piedralarga, ou?

Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...
Detalhe de mapa em azulejos da batalha de Elvinha

Evitemos pois os Montealto, Casablanca, Matogrande, Puentepasaje e escrevamo-los como o que som, duas palavras.

2. Praças da lenha, dos ovos, da farinha; Caminho novo

Nomes já se têm recuperado, no nosso tempo: agora provavelmente todo o mundo sabe onde fica o Campo da Lenha, ou que a do Humor é a Praça dos Ovos e que Azcárraga era tamém a Praça da Farinha. E ademais de recuperarmos a Costa da Uniom, trouxo-se de volta a rua do Socorro. Mas hai muito que recolher. Eu ainda soubem hai pouco que a Juan Flórez nos 60 lhe chamavam o Caminho Novo.

3. Pescadaria (a)

Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...

Neste mapa de 1809 já aparece este nome. É curioso que ao falar-se da Pescadaria normalmente penso na zona oriental: a partir da Porta Real até o Obelisco, antes do recheio (El Relleno, dizia-se em espanhol até finais do s. XX, i. e. o ganhado ao mar desde os Cantões Grande e Pequeno para fora: jardins de Méndez Núñez, antigas aduanas, etc). Nom obstante nesse mapa inglês situam o nome no lado oposto da cidade, no ponente: a baía do Orçám-Riaçor.

Openstreetmap.org mostra a forma Pescaria mas nom estou de momento certo de que seja mais ajeitada que Pescadaria; nom o sei.

Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...

3. Alcavaleiros (rua dos, antigo bairro dos)

Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...
Foto: Martí. La Voz de Galicia

A Calle Caballeros nom se devia de chamar assim senom Rua dos Alcavaleiros, porque ali era onde se pagavam as alcavalas para aceder à cidade, o que nom tem nada a ver com cavaleiros.

No tocante a nome de vias opino que seria fantástico poder incorporar de algum jeito ao roteiro da cidade os nomes velhos e populares. Isso pensava da Costa da Uniom, que eu sempre pensara que era Pla y Cancela (assim o usam alguns negócios, de feito) mas que em vários meios jornalísticos contemporâneos se tem indicado que corresponde à rua que oficialmente na minha infância e juventude era Gómez Zamalloa. Felizmente em 2018 o nome do militar golpista foi retirado e agora a rua é oficialmente Costa da Unión (La Unión era umha fábrica de gaseosas que estava nessa rua).

4. Vedra (a)

A finais de 2015 discutia-se se a avenida da Vedra, à que eu provavelmente lhe chame assim até que morra, se deve converter numha sorte de horrível scalextric a escala Godzilla ou assemelhar-se mais a um amplo boulevard que compatibilize veículos a motor, peões, ciclistas e esse bem marciano na urbe: árvores (som cousas altas com folhas verdes e os passaros pousam-se nelas). Observei que no debate público usárom-se duas formas de raiz popular do nome, a Vedra e Lavedra. Esta última coa premisa de que a forma aparentemente castelanizada nom era tal e que o La- inicial nom se corresponde co determinante anexado senom que fazia parte inseparável do topónimo. Gostaria de ter mais informaçom para ponderar, e só sei de partida o meu (nosso) hábito de lhe chamar e mais a cita que aporta a Wikipedia em espanhol e em galego:

Es conocida popularmente como Lavedra, resultado de la castellanización del lugar conocido como A Vedra, que se encontraba entre la Fábrica de Armas y el Barrio de Palavea.

Alfonso García López (2009). «Alcalde Alfonso Molina (avenida)». En Espacio Cultura Editores. Calles con historia.

Mencionárom-me um roteiro feito por Carme Sanjulián e Pilar García Negro nos anos 90 que disque empregava Lavedra, gostaria de saber quais som as fontes primárias para este caso concreto que comento.

Polo contrário em artigos de imprensa do primeiro terço do s. XX encontra-se sustento para a tese de que o nome era a Vedra, como neste de El Orzán (8-6-1929):

En el plan de carreteras y caminos provinciales a ejecutar (...) figuran las siguientes a subastar en el corriente año: (...) Y del Puente del Pasaje a Palavea y rampa al lugar de Vedra, 673 metros (...)


Umha consideraçom puramente numérica, mas que pode nom ser determinante, é que o nomenclator da Xunta de Galicia nom mostra nada por lavedra (apenas Vilavedra, onde semelha claro que se juntam vila e vedra, que se entende vem do latim vetera, velha) e tampouco dá resultado nengum por labedra. O Dicionário de Dicionários da USC/ILG nom aporta nada que faga reconsiderá-lo.

Porém o nomenclator junteiro apresenta 141 (!) nomes que têm no seu interior a cadeia vedra, incluindo acidentes terrestres, augas, entidades humanas, nomes de terras e de vias. Literalmente A Vedra consta como acidente terrestre em Ribeira de Piquim e em Rio Torto (A Volta da Vedra, além dumha terra chamada A Vedra e outra As Vedras), em Pastoriça hai um lugar que se chama Moinho da Vedra, aparece tamém A Vedra em Trabada e na Ponte Nova.

5. Cernadas (as)

Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...
Roteiro da Coruña (fragmento) editado polo BNG, 17-5-1997

Algo que eu faria além do que comentarei mais em baixo em relaçom aos centros comerciais seria obrigar a que os nomes de ruas novas recolhessem toponímia de lugares desaparecidos na zona ocupada polo crescimento da cidade. O nome horrível do Parque Ofimático hai que o desterrar, do feio e inútil que é. Eu antes lhe chamava Eiris Novo, por exemplo. E, já que se construiu em parte, disque, sobre dous lugares chamados as Cernadas -Cernedas no mapa extratado na imagem superior- e Galám pois polo menos que ambos topónimos dêem nome a duas ruas nessa área.

Se lhe fago caso a Openstreetmap parece que se guiárom por mim:

Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...

6. Agrela (a), Agra do Orçám (a)

Agrela, topónimo paradoxicamente já documentado como pouco desde 1589, é um bom exemplo que aínda agora está tomando a via de se fixar. Durante muito tempo parecia que lhe chamávamos polos grelos e só agora, dacordo c@s expert@s, começa a se usar a forma que significa "agra pequena". Contudo estamos nas mesmas, eu entendo que sendo um sustantivo feminino nom devemos perder o "a" que púnhamos antes diante de Grela. De maneira que o microtopónimo leve o artigo diante igual: se se opta por "a Sapateira" (A Zapateira na forma oficial), e nom unicamente "Sapateira", por que nom "A Agrela"? E igualmente nas formas compostas: i.e. "os veículos que passam pola Agrela", "a via que vem da Agrela". Um efeito colateral da castelanizaçom dos nomes vem quando cho "devolvem cambiado de gênero": A Agra do Orçám > El Agra del Orzán > O Agra. Nooot.

7. Roçais (os)

Outro "clássico moderno" das dúvidas é o comumente usado Os Rosales. A construçom do "novo bairro" e do centro comercial a pé de Labanhou propiciou a que se fixara o topónimo em espanhol: Los Rosales. Um amigo que na época estudava Humanidades em Elvinha comentara-me que um professor lhes dixera na aula que o nome do lugar vinha nom das rosas senom de roçar o monte, Os Roçais (Os Rozais seria em norma oficial, mas segundo isso haveria que sessear: Os Rosais). Aqui falou-se do caso, haveria que pensar se o seu nome seria o de Fontám ou outro.

As consultas que tenho feito por vias diversas nunca me arrojárom luz sobre o particular, continuo sem saber por que se permite a terminaçom -ales quando os plurais em galego se fam em -ais. A Xunta recolhe e promove até quatro microtopónimos Os Rosales (além do da Corunha, em Cangas, Cambre e Ribeira de Piquim) e a câmbio, sete Os Rosais por toda a geografia galega. Nom entendo esta evidente inconsistência. Hai anos perguntei a toponimia@xunta.es por que em vez de Rosais dim que é Rosales quando isto vai contra a norma oficial do galego. Nunca respondérom.

Incidentalmente em Portugal por exemplo só vejo um Rosais, umha freguesia nos Açores.

Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...

Este plano de cerca de 1925 (segundo o qual interpreto que o atual Mato Grande estaria dentro da antiga Granja) só vincula a zona dos Roçais de hoje a Visma, coa legenda "C[arreter]ª á S. Pedro de Visma / Gran Parque (en proyecto)". Pergunto-me o que é o Peruleiro indicado na costa. Por um comentário de Iván Fontão concluo que se trata do areal ainda existente de Sam Roque de Fora.

8. Martinete (o)

Está recolhido tamém no já referido croquis do ano 1589, junto a outras sete atuais áreas do município, escritas todas assim: S. Pedro, agrela, laBanou, martinete, S. xptoBal, Elbiña, coruña, pasage.

Pergunto-me onde estaria o hipotético martinete que conjeturo lhe pudo dar nome ao bairro e se se conservam fotografías ou desenhos del... Martinete é, além deste lugar da freguesia das Vinhas na Corunha, outro numha paróquia betanceira. Tamém leva esse nome um mogiám, que http://toponimia.xunta.es/gl/Buscador nom recolhe em 12-9-19. Está na estrada de Lourido para Tourinhám, perto de Morquintiám. Este, um escrivám nomeara-o como de Martim o neto (!).

9. Novo Mesoiro (o)

Um lugarinho que nom conhecim até hai nada é Mesoiro, casinhas a pé do polígono de Pocomaco. Lendo a súa entrada na Galipédia vejo que podiam ter-lhe chamado Feáns ou Monte do Moinho ao Novo Mesoiro, mas nom me parece mal a soluçom, pola continuidade de ambos:

Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...

Curiosamente tanto o Novo Mesoiro como Pocomaco som o que poderíamos chamar neotopónimos; mais artificial o segundo, claro.

10. A gente nomea lugares da cidade por grandes áreas comerciais

Se de mim dependesse obrigava os grandes centros comerciais a pôr de apelido o bairro em que estám: Carrefour-Someso, Espacio Coruña-Someso, Alcampo-Palavea, Corte Inglés-A Covela (Cubela em ortografia oficial)... porque na prática acabam substituindo os topónimos nas referências comuns, por exemplo no nome das paradas do bus.

Marineda-Monte Patelo:

Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...
Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...

11. A jeito de conclusom

Obviamente nisto tudo, dito figuradamente, estou pensando em voz alta e presentando dúvidas e possibilidades, nom sentando cátedra. Insisto em que provavelmente eu continue usando a Vedra, igual que nom me vejo dizendo algo distinto a Praça do Toural: hai anos em Compostela dixeram-me que havia umha tese segundo a qual se devia chamar Praça Doutoral por mor de nom sei que ritual que faziam os licenciados em medicina (?). Tamém se dizia que a forma correta era Praça do Toral, que nom era um castelanismo.

Diversas das cousas que comentei aqui as consultei em distintos momentos coa Junta, com SNLs e com filólogos e em geral nunca dei, a verdade, com respostas claras. De feito nem respostas a maioria das vezes.

Eu tenho mais perguntas que respostas, mas gostaria de poder contribuir a esta recuperaçom. Afinal fai falta umha posta em comum de fontes, um debate e a assunçom dumha forma autóctone como referência principal. Depois que cada quem lhe chame como lhe pete.

12. Posdata: as corunhas roubadas

Isto é mais história que toponímia mas alá vamos. Corunha nom é só Corunha, é a à agregaçom à cidade de Visma, das Vinhas, de Oça e de Elvinha.

Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...

No uso popular hoje em dia as advocações das duas primeiras freguesias (S. Pedro e S. Cristóvão) quase eclispárom os topónimos. A de Oça é Sª Maria e a de Elvinha S. Vicente.

Se quadra devia ter começado por aqui mas em realidade ainda soubem mais do conto lendo a Galipédia: quando o concelho da Corunha lhe moveu os marcos, literalmente, ao de Oça. Quatro das cinco paróquias da Corunha atual pertenciam em realidade ao extinto município de Oça e a Corunha medrou absorbendo este último co que parece diretamente um assalto a mão armada:

Os veciños de Oza litigaron pola devolución da documentación ó concello, xa que tiñan medo de que puidese ser utilizada polos grandes industriais coruñeses. De feito, nese período a casa do concello muda de localización en varias ocasións e desaparecen documentos sobre os bens, momento que é aproveitado polo concello da Coruña para modifica-la situación dos marcos que sinalan os lindes entre ámbolos dous concellos na zona da Palloza, aparecendo logo os territorios a nome de José Marchesi Dalmau, quen instalou unha refinaría.

J. M. Gutiérrez contava em La Opinión:

Os receos veciñais confirmaríanse pouco despois, xa que José Marchesi Dalmau, un home de negocios que pouco despois sería alcalde da Coruña, fíxose cos terreos comunais do municipio na Palloza, onde instalou unha refinería de petróleo, e coa franxa costeira de Oza, lugar no que máis tarde promovería a construción do Lazareto para os enfermos infecciosos da guerra de Cuba.

Para algúns, a disolución da Corporación foi unha xogada hábilmente calculada por parte de quen esperaban facer fortuna cos terreos de Oza, de forma que a acumulación de débedas polo Concello fixese inviable a súa continuidade e forzase a súa absorción polo da Coruña, como acabaría por suceder en 1912.


Voltando à toponímia, a Galipédia dá quinze lugares, así escritos: A Grela (sic), O Birloque, O Bosque, A Cabana, Cances#, A Cova, Fontenova#, Laxes de Orro, Lonzas, O Martinete, A Moura#, San Cristovo das Viñas, San Xosé#, Someso, A Silva#, enquanto a Xunta dá só dez: os anteriores, igualmente grafados, mas sem incluir os cinco que marquei com sostido#. Além do já explicado supra da Agrela tem-se sinalado que a forma do 9º lugar bem podia ser Louças ou Louçás (Louçáns/Louçães, engadiria eu).

Quando se estuda a toponímia da Argentina por exemplo aparecem nomes de persoas para localidades mas isso aqui é mui estranho. Porém dentro da paróquia de Elvinha hai um caso, o lugar de Pedro Fernándes, que hoje dá nome a umha rua.

Toponímia corunhesa: os bairros, os lugares...

O PGOM de 2013 da Corunha di que é posterior a 1950 mas fontes vivas da zona dim-me que isso nom é certo, que já havia lugar antes.

Quanto à freguesia de Elvinha, Xurxo Souto di que o atual campus universitário da UDC se chamava as Marinhas Douradas (p. 59 do documento ligado). O corunhês fala dum monte de lugares.

13. Para ler mais

- Muita microtoponímia neste mapa de José María Ferrater de 1845

- As azeias ou azenhas da Ponte Gaiteira ou da Palhoça (1752)

Vérez versus Veres

Nom entendo este desenho de dados/processo por parte do INE:

Vérez versus Veres

Se nom distingue acentuados no input (ou os ignora), mal.

Pode que os haja registrados das duas maneiras? Em todo caso perde-se a possibilidade de os discriminar.

Se os distingue mas considera que som o mesmo, devia na resposta indicar a forma ortograficamente correta*, independentemente de existirem ambas na prática.

*As normas de acentuaçom em espanhol nom som ambíguas como sim a oscilaçom V/B, que nom responde a umha "norma":

Vérez versus Veres

Para o caso, a acentuaçom em espanhol e mais na norma oficial RAG-ILG do galego rege-se da mesma maneira, as formas corretas som:
Vérez (nom Verez)
e
Veres (nom Véres)

O mais chamativo da comparaçom é como a forma castelhana/castelhanizada foi mais intensamente implementada em Galiza...

Vérez versus Veres

... enquanto a forma galego-portuguesa (nom hai jeito a priori de saber a procedência geográfica, se galega ou portuguesa, da gente que leva o apelido nas distintas províncias espanholas) está presente sem maior problema em outras múltiples zonas do Estado.

E digo implementada porque as persoas nom podiam elas próprias escolher como se escrevia o seu apelido: se como falavam (com sesseio) ou com thetacismo (como sugeria a escrita castelhana). Primeiro porque muitas nom sabiam escrever e segundo porque nom tinham essa potestade.

Fórom primeiro os cregos, e depois os funcionários do Registro Civil, alfabetizados somente em espanhol e com esta língua como única oficial, quem punham por escrito os nomes de família dos galegos e galegas.

Nom som experto, mas quanto levo visto -e vai sendo algo- sempre evidencia umha inércia para passar de -es a -ez (e outros fenômenos análogos), nas mesmas linhas antroponímicas: as formas antigas conservam terminações galegas mas depois de um par de gerações vam-se castelhanizando até desaparecerem as precedentes; um caminho unidirecional de, por exemplo, avôs Veres a netos Vérez, por explicá-lo co nome que nos ocupa.


Dio-la arrede, a Galif****a essa que dim...
Foi em janeiro mas só hoje me dei conta usando: DuckDuckGo passou os mapas de Openstreetmap/etc a Apple.



Ignoro se isto representa fracasso no alcance de usabilidade de OSM.
A promessa de privacidade coa maçazinha é inequívoca mas vai ti saber...

Sinos e espadanas

Sinos e espadanas

Hai meio milénio estas campanas já soavam para alertar a vizinhança por causas importantes. A alarma agora é pola vaga de estupidez de atentar contra o património próprio.

Referência ao s. XVI neste artigo de 2013 de J. E. Benlloch del Río:

Sinos e espadanas

Nom hai certeza da localizaçom dos sinos hai cinco séculos, só do seu funcionamento como alarma comunitária. P. e. a espadana atual de Santa María diria-se deslocada a partir da própria igreja:

Sinos e espadanas

Fonte: J. E. Benlloch del Río, 2010 (p. 13 = 11 no PDF)

Nom temos notícia de provisom real (do rei) para o uso dos sinos como sim existe umha dos Reis Católicos para fachos empregados para orientarem os navegantes (tamém estipulavam quem estava ao cargo, etc.)

Perguntam-me por espadanas de Lage do s. XIX, eu (isto é colheita minha) suponho que nessa altura os usos das mesmas estavam tam estabelecidos que nem faria falta norma ditada formalmente. Indício do uso delas fora de ofícios religiosos pode-o dar o feito de que fossem -ou nom- independentes fisicamente da igreja, e de que para tocar os sinos fosse imperativo ter antes acesso á mesma ou nom.

Na vila de Mogia som espadanas independentes, embora com distinto grau de acessibilidade, a da ponta e santuário da Barca e a que está onde a igreja paroquial de Santa Maria.

A meados do s. XX esta última tinha uso civil comum: orientar palangreiros e barquinhos quando cerrava de borrajo (brétema) e nom se via para navegar. Subia quem fora à espadana, sem autorizaçom prévia, e tocava para os barcos terem ponto de referência sonoro. O som da espadana da Barca é distinto da de Santa Maria. Porém às vezes dizia-se "que nom toquem a da Barca, que se a tocam confundem-nos". Maiormente usavam a de Santa Maria. À da Barca era menos fácil aceder, havia que pedir permissom e a entrada só era franca se o valado estava rompido por temporal. Tocar, tocava-se a arrebato, para nom confundir nem com missa nem com morto.

Agora viajemos de volta do s.XX para o XVI: que era o primeiro que lhe interessava fazer aos piratas ao atacar umha vila costeira? Obviamente o corso atacava as campanas, entende-se que privando da ferramenta de alarma à vizinhança. Meu pai documentou o feito no Vigo de 1548:

Sinos e espadanas

Fonte: J. E. Benlloch del Río, 2013 (p. 41 = 21 dereita no PDF)

Na ria de Camarinhas-Mogia houvo canhões tamém, claro. Está tudo documentado com mapas no link anterior e em artigos do mesmo autor aqui. Eis umha versom eletrónica: destacados da ria Mogia-Camarinhas e terras imediatas, s. XV-XVIII



Em certas partes hai que ampliar bastante para lhe tirar todo o partido:

Sinos e espadanas

Nom som experto, mas tenho visto mais mapas com límites jurisdicionais terrestres que marítimos. Aqui hai dous, um do s. XV e outro do XVI:

Sinos e espadanas

Galiza podia ser a ONU

É tam grande que na sua toponímia colhem:

  • França em Mugardos, em Boborás, em Chantada
  • Egito em Boiro, em Cabana de Bergantinhos
  • Portugal na Pastoriça, na Ponte Nova
  • Marrocos em Carinho (salvo que seja como o Marroços de Compostela ou o de Moanha)
  • Germanha na Laracha, em Nigrám
  • de Itália temos Roma a eito: em Barbadás, em Celanova, na Ponte-Cesso...


Mais em http://toponimia.xunta.es e em http://gl.wikipedia.org

Fascinado polos apelidos infrequentes

Se os levas és um tesouro!

Formas galega/espanhola e quantidade de portadores/as dada polo INE:

- Fornelinho/Forneliño: 0 persoas (eu tenho constância de umha no passado)

- Limideiro: 50 (tenho constância de duas no passado)

- A escrita condiciona muito: a forma que entendo castelhanizada Hermo é bastante frequente mas, co apelido Ermo, só nos ficam sete persoas! (tenho constância de umha)

- Porém nom sempre a forma galega foi relegada: Vieites ganha-lhe em termos absolutos a Vieitez. (tenho constância de duas)

- Às vezes os mapas falam: Silvarinho/Silvariño: 105 persoas. (tenho constância de 40) O seu mapa do INE parece contar umha história bastante concreta:

Fascinado polos apelidos infrequentes

- A extinçom que vem? Brenlhe/Brenlle: 10 persoas, todas com el como 2º apelido, todas na província da Corunha (tenho constância de 2 mas que nom está claro se era Brenlle ou Calo de apelido, dependendo do apontamento). A forma Brenlla está mais forte (tenho constância de 24).

- Nom frequentes: Arantón (constância de 12), Rieiro (2), Camafreita (23), ...

- Aparentemente desaparecidos: Pantiñobre, Corposanto (6), ...

- Tenho umha mulher apelidada Deaes (sic) que suponho atualmente seria Deães na forma portuguesa e Deáns na forma espanhola. O INE dá-o quase por desaparecido: em total 19 persoas dos quais, 16 som nascidas fora de Espanha.

Concelhos galegos por partido governante

Urbano Monte, 1587

Urbano Monte, 1587

cazarga, la crugna, s. Maria, cedera, GALICIA, c. finisterre, compostela s. jac.º

Fonte: David Rumsey

As bisbarras galegas

Obviadas no itinerário educativo como entendo que o som no âmbito político, as bisbarras parecem-me o elemento geográfico essencial na estruturaçom do nosso país. Por muito que nom se estudassem bem na escola e se ignorem na prática -derivando determinados papeis quer para o nível superior (provincial), quer para o inferior (municipal)- dá-me a sensaçom de que as comarcas recolhem as verdadeiras partes orgánicas de Galiza; nom só na contiguidade natural, senom tamém nas relações sociais, económicas... mas @s expert@s dirám.

Em termos legais o artigo 40 do Estatuto de Autonomia dizia que se poderá (sic, que já é triste) reconhecer a comarca como entidade local com personalidade jurídica e demarcaçom própria. A partir daí a Lei 7/1996, o Decreto 65/1997, etc. Porém por muito que se recolham nominalmente no ordenamento jurídico provavelmente nunca as tenhamos percebido de jeito concreto e afinal parece que estamos organizados em províncias (essa sim que a vejo como umha estrutura alheia, e mais sendo 4 e nom 7) e daí para baixo diretamente em concelhos.

Tal parece a desconsideraçom oficial para as comarcas dos que mandam que se fusionam dous municípios (Cotobade e Cerdedo), pertencentes a duas bisbarras distintas, e no decreto (134/2016) que lhe dá forma legal a essa uniom nem sequer se molestam em dizer a qual das duas comarcas pertencerá o concelho resultante. Explico-o mais de vagar aqui. De momento, a calada por resposta.

É possível que tradicionalmente houvesse percepções intuitivas no povo galego de quais eram as comarcas e qual espaço geográfico abrangia cada umha, de um jeito mais informal e menos delimitado. Com certeza eram percebidas e se correspondiam à vida e trabalho da nossa gente em cada regiom galega. Mas à hora de fixar límites ou fronteiras afinal hai sempre necessariamente um certo grau de arbitrariedade. Aqui vamos ver várias formas de interpretar a vertebraçom do nosso território.

A Junta de Galiza optou originalmente por umha disposiçom que é a que segue, com um total de meio cento de comarcas:





Curiosamente tam ou mais conhecida que essa organizaçom legal é a sugerida pola organizaçom Nós-UP a primeiros da década dos 2000, umha disposiçom que, por nom se cinguir ao espaço oficialmente concedido à Comunidade Autónoma de Galicia provocou protestos da parte espanhola. Promotores alegárom pretender "ultrapassar a visom quadriprovincial espanhola que hoje constitui" a C.A.G. considerando as partes hoje administradas por Astúrias ou Castela "territórios tradicional, cultural e lingüisticamente galegos". Anedota adicional foi que inadvertidamente esse mapa fosse tamém utilizado polos opostos ideológicos num vídeo publicitário.

O que se vê a seguir é essencialmente aquela disposiçom, ainda que variaram um pouco algumhas demarcações municipais desde que foi criado e, principalmente, leva o milenário topónimo de Nemancos em vez desse invento do s. XX e tam fixado popularmente como é "A Costa da Morte". Assim como o primeiro mapa tem a toponímia oficial este outro leva-a em grafia reintegrada seguindo maiormente o "Manual galego de língua e estilo" (2ª ed., 2010). Eis o segundo mapa:





Além de disquisições políticas e debates entre umha fórmula e outra, reflete a ignorância das comarcas e da própria territorialidade o feito de que se podam redigir artigos jornalísticos sem nem sequer mencionar a certa existência dumha Galiza estremeira, já contemplada no anteprojeto do Estatuto de Autonomia de Galiza (1931) e no próprio Estatuto (1936). Quando se ignora isto, dá que pensar sobre o conhecimento que temos da nossa própria história, da organizaçom "natural" do nosso país e da proximidade cultural, lingüística e mesmo afetiva com terras que se dim atualmente nom galegas.

Martín M. Passarim: "[Eu] som dos Ancares e fum à escola a Návia de Suarna. Na minha aula havia rapaças de Íbias e Val de Ferreiros, e falam e som igual de galegas que nós. No Eu-Návia fala-se galego-português, nom asturiano. A Galiza estremeira precisa de mais atençom."

No Atlas Sonoru de la Llingua Asturiana (fragmento na metade direita da imagem infra) recolhem-se 32 registros sonoros (os marcados com ícones azuis) do que a todas luzes é língua galega, embora ali classificada como gallego-asturiano (sic), aqui umha escolma.

As bisbarras galegas

O ILG tem divulgado gravações galegas recolhidas na Veiga asturiana, em Candim e Carrucedo (hoje província de Leom) e em Ermisende e Lubiám (hoje Samora).

Tamém procedente da Seabra samorana, guardado nas gravações galegas de Alan Lomax, hai polo menos um registro de cantos infantis em galego. Data de 1952.

Incidentalmente em 2017 a Associaçom Galega da Língua (AGAL) compilou umha lista cos nomes galegos de concelhos que para a minha ideia omite 31 municípios da Galiza estremeira, comete um erro evidente (Vila de Cães nom é concelho) e deixa-me com um par de dúvidas toponímicas. Debulho aqui tudo, de momento sem resposta.

Outro detalhe chamativo: nas comarcas oficiais Maceda município dá-se a Alhariz-Maceda mas na proposta de Nós-UP à bisbarra de Arnoia. Porém Arnoia concelho nom o põem em Arnoia bisbarra senom no Ribeiro. Ignoro o motivo.