Conhecim Magius (nom quero dizer persoalmente, porque quando coincidim no Autoban BD nom falei com el) hai quase dez anos, quando Luis Sendón me emprestou o seu memorável Black Metal Comix, que já anticipava umha notável capacidade para usar a ficçom dando a sensaçom de se aproximar à realidade além do aparente. Atravês do humor negro desenhava umha caricatura que parecia parida por alguém com um conhecimento significativo do gênero musical nórdico e do que o rodeava. Depois da sua pontual contribuiçom ao Altar Mutante o meu seguinte contato foi lendo-o nom como criador auto-editado senom já como autor de novela gráfica por conta alheia, em El método Gémini, um trabalho de 2018 que argumentalmente podiam (quereriam?) ter assinado Scorsese ou qualquer um dos seus discípilos avançados, dado que o eixo ambiental era a violência extrema da máfia nos EUA. O ano passado Magius publicou Primavera para Madrid e é só a terceira vez na trajetória do Premio Nacional de Cómic, depois de El arte de volar e Lamia, que pensei ao ler "Duvido muito que no ano houvesse um título melhor que este". Magius continua, como nas cousas contadas que lhe lim antes, demostrando que sabe apropriar-se completamente de contextos de raiz real do mais diverso, para acabar realizando obras mui persoais nas que, penso eu, transmite unha fascinaçom pola miséria humana atravês do poder, isto é: a pura maldade. Todas as persoas e feitos da podredume espanhola que alimentam o relato de Primavera de que sei -e som bastantes- som verídicas mas, lendo, frequentemente nom fum capaz de discernir até onde Magius se documentara e onde estava simplesmente ficcionando. Para mim isto é umha virtude, porque em última instância tudo parece autêntico e homogêneo por muito que su(per)realista. O mesquinhos, atravessados, corruptos e indignos que podem chegar a ser os que mandam no plano económico, político, mediático e institucional na capital do reino está para sempre imortalizado neste livro de folhas douradas. Apesar do estilo, que oscila do mais fiado narrativamente a outros trechos em que o relato se quadra cursa mais anedoticamente, a obra conjunta constitui um logro maior, um co que Magius excede o meio tam frequentemente auto-referencial e egocéntrico da banda desenhada, superando assim todos os seus autores compatriotas contemporâneos e legando um fito cultural do nosso tempo: o retrato descarado do miserento poder em Espanha no início do século XXI.

Seriadas em Espanha?

Que revistas de (ou com muita) banda desenhada, que levem bastantes ou muitos números, continuam? Hai-nas de escalas mui distintas, por suposto. El Jueves, semanal, vai polo n.º 2.322. Cavall Fort, quinzenal, 1.424 (El Tatano, el Cavall Fort dels petits, 191). TMEO, bimestral, polo 162. Amaníaco está no 56 da sua 3ª época. Cthulhu, semestral, vai no 24. Altar Mutante, que é anual, no 10. A única novidade recente, Planeta Manga, trimestral, tirou o 9º o mês passado. Se nom erro quase parece a única revista profissional fora do Jueves e Cavall Fort. Nas demais tenho entendido que nom se cobram as colaborações em nengumha. E isto é muito: pense-se num país de 47 milhões de habitantes incapaz de manter tanto revistas coletivas como títulos continuados como o som os superherois americanos ou séries de manga abertas. Praticamente tudo é importaçom. Nom hai Continuará em espanhol...

Comentávamos este dia e nom nos vinham mais títulos à ideia. Quase todas as seriadas cascam antes do 10°, por dizer algo. E a escala industrial o panorama é um ermo.


Albert Monteys nom sabia, e eu tampouco, que tinha um gêmeo os EUA fazendo o mesmo tipo de material e coa mesma graça que El show de.

Marvel, stop re-coloring old comic books, you disgusting twat

Marvel, stop re-coloring old comic books, you disgusting twat

Estava perfeito (esquerda) mas tivérom que re-colori-lo digitalmente para estragá-lo. O clássico horror vacui ocidental cagando-a. Encher por encher. E degradados, muitos degradados. Horteras.

Para matá-los a pés de milho.

O interior tamém é horrível. O alucinante é que a cor da publicaçom atual (direita) acreditou-se à mesma persoa responsável pola ediçom original. Foi realmente assim? Imposiçom editorial de estilo modelno? Porque era infinitamente melhor a cor analógica.

Neste tipo de intervenções o habitual é piorar o material de partida. No melhor dos casos nom magoam a vista. Mas é errado re-colorir porque se deve entender a obra como um produto conjunto de determinada época. Igual que nom se re-dialogam BDs velhas devia-se respeitar a cor original, que ademais casa "organicamente" co desenho, é tudo fruto do seu tempo. Eu criticaria alterarem diálogos de ninguém, chame-se Stan Lee, Jim Starlin ou quem for. Pois isto é o mesmo. A cor era tecnicamente limitada mas eu quase prefiro em geral que o que se fai agora, polo menos no mercado comercial. Os coloristas antigamente tinham muito ofício para encher de vida usando umha gama reduzida e sabendo que depois em imprensa ainda se compunha, antes de entrar em máquinas.

Ou, como di Emilio, As solucións e técnicas empregadas son fillas do seu tempo, e habería que respetalas. En xente con talento as limitacións adoitan ser catalizadoras para atopar solucións brillantes. É como nos videoxogos na era 8 bits (Spectrum, Amstrad, etc.): con pouquísimos recursos conseguíanse cousas abraiantes tanto esteticamente como en canto a optimización software.

Pois isso.

Descobrindo Chloé Wary

Descobrindo Chloé Wary

O que acontece quando o futebol parece quase a única saída numha vizinhança marginalizada? Provavelmente que exceda o hobby para se converter num modo/motivo de vida.
Nom é muito assim da minha preferência nem o guiom nem o estilo gráfico mas achei um trabalhaço. Mais de duaszentas páginas em que se percebe umha dedicaçom à história e ao estilo visual persoal que só me causa o maior dos respeitos, em termos de autoria. Merecidíssimos prémios, estou certo.
Se gostas de histórias humanas de bairro e desportes, olho aí. Esta ademais está protagonizada por mulheres.
(...) Te cuento una anécdota suya: a Vázquez lo metieron en la cárcel, no me acuerdo por qué pero sería seguramente por no pagar a alguien, así que seguro que lo encerraron con razón. Entonces en la editorial le llevaban el trabajo a la celda, para que lo hiciera allí, para que terminara allí las viñetas [risas]. Ibáñez también estaba. Él es muy bueno, y su fama es merecida, pero Vázquez era mejor. Vázquez era el mejor de todos. Ibáñez era muy formal, una persona estupenda a quien le tengo mucho cariño. Era muy trabajador, siempre estaba trabajando.

Muchos le han criticado que trabajara tanto, porque ponía en evidencia a los demás.

Sí, sí. Era increíble. Además era muy rápido, iba a cien por hora. No sé si ahora será millonario, puede que sí. Su mujer creo que le lleva la comida a la mesa de dibujo. Pues mira, me parece muy bien, porque yo creo que para él eso no es trabajar. A mí también me gusta mucho estar aquí sentada dibujando, pero bueno, de vez en cuando hay que hacer otras cosas, ver la tele, salir, ir al cine…

Purita Vázquez. Jotdown

26 anos sem Vázquez

O maior autor da historieta espanhola: Manuel Vázquez Gallego, com essa sinatura "By Vázquez", das primeiras que aprendémos a identificar. Aparentemente ácrata, talvez preguiçoso, com certeza genial, sempre lendário, eterno.

26 anos sem Vázquez

Astérix em apenas IV arcos

Astérix em apenas IV arcos

Sai o novo Astérix e resulta-me curioso coincidir ao 100% coa valoraçom da série dada polos leitores da BDGest.com: poucos 'arcos' mui definidos.

I.- Começo com um prólogo de dous álbumes, valorados em 4 sobre 5, e início de II.- a mítica/gloriosa era canónica Goscinny/Uderzo ...

Astérix em apenas IV arcos

... composta polos libros 3º a 24º (este o último Goscinny, Astérix e os belgas), valorados em 4.5 só com umha excepçom à baixa, o Presente de César

Astérix em apenas IV arcos

Astérix em apenas IV arcos

Após passamento de Goscinny vem III.- breve era de transiçom (tomos 25º a 28º) que aguenta no 3.5, depois IV.- a época final de Uderzo cos 29º-32º, fixada em pontuaçom de 3.5 e com um triste epílogo do título pior valorado de toda a série (33º): 1 sobre 5 :(

Astérix em apenas IV arcos

IV.- Finalmente, o tempo do novo tándem, estável num discreto 3 sobre 5, apenas com um pontual 3.5 do Papiro de César (36º)

Astérix em apenas IV arcos

Observe-se que os votos de ~200 leitorxs dim que globalmente o curso atual nem igualou o melhor de Uderzo em solitário...!

(e que conste que eu nom som dos indignados/ofendidos porque as séries como Corto Maltese ou Astérix continuem com estilo mimético do original)

PS.- E como nunca faltam as notícias quando hai interesse avondo, Astérix e o circo: Un album d'Astérix inédit, non-achevé par Goscinny, pourra-t-il bientôt voir le jour?

Os outros autores de Mortadelo

Tanta léria cos negros de Ibáñez mas mais bem se fazia se os webs de banda desenhada começassem polo menos a acreditar devidamente o trabalho de cada quem. Os principais dam Francisco Ibáñez como autor deste Olé, por exemplo...

Os outros autores de Mortadelo

... mas -que alguém me corrija se erro- juraria que nom hai nem umha única prancha del (além da capa) em todo o volume.

Os creativos som em realidade De Cos, Mengual, Ratera, Casanyes... e estes nom eram autores fantasma de Ibáñez senóm da editora, de Bruguera, que só os acreditava no guiom, desta maneira mentindo, por omissom, naqueles casos em que faziam o labor completo.

E webs presuntamente especializados (chequei nos dous maiores espanhois e noutro francês de referência) nem sequer os mencionam, direta e falsamente dim que esse Olé é de F. Ibáñez e só da sua autoria.

Outro de muitos Olé em situaçom análoga ao anterior, e que resulta chamativo, é umha das aventuras do Botones Sacarino que mais lembram os leitores, El escarabajo de oro:

Os outros autores de Mortadelo

Para surpresa minha foi obra em guiom e desenho de Lurdes Martín Gimeno para o mercado alemám. Depois ela mesma lho vendeu a Bruguera. O entintado realizou-no Juan Manuel Muñoz. Na ediçom espanhola, que tamém leva histórias breves de Luis Rivera, Jesús de Cos, J. Vilar e Francisco Serrano, nom consta crédito, nem na capa nem no interior da aventura principal.

Alberto V. Táboas pensa que a gente ainda crê que toda a produçom de Bruguera a fijo Ibáñez. Eu digo que ao público tamém o hai que educar, que igual que se logrou algo impensável quando éramos adolescentes...

Os outros autores de Mortadelo

... pois da mesma maneira hai que lograr que se listem e se acreditem os nomes dos creadores dos Mortadelos (pseudo)apócrifos.

Os pecados profissionais de Ibáñez som conhecidos de velho (que eu lembre começárom-se a popularizar via Internet polo câmbio de século): comportamento para assistentes e para companheiros de ofício, decalques de autores do mercado francobelga, etc. Contudo, valorações desse teor à parte, el nom deixa de ser um autor fora de série, um autoraço como poucos, que leva mais de meio século convocando a atençom de inúmeros leitores, mesmo de crianças do s. XXI.

Da sua obra eu adoro esta época. Nom obstante a minha favorita é aquela em que copiava com todo o papo o estilo de Vázquez (este já nom era um fora de série senom um génio). Esta homenagem vem reconhecê-lo implicitamente:

Os outros autores de Mortadelo

Além disto tudo viu-se nos últimos tempos como hai quem fai show coa demonizaçom de Ibáñez. Qualquer cousa com tal de estar sempre na lameira, na polémica e na dicotomia. Eu poria a lupa mais no modelo empresarial de quem amassou dinheiro a eito às custas de forçar autores... e mais personagens:

Os outros autores de Mortadelo

Dos autores mortadelianos semiocultos Samuel Guerrero tem especial estima por Casanyes: A mí me gusta el Casanyes de los cómics de Quicky, me parecía todo un home run. Él y Miguel Francisco, me parecían todo otro rollo, muy fresco.

Eu gostava de Casanyes mas quando fazia o seu próprio material.

Os outros autores de Mortadelo

De miúdo eu nom gostava de nengum Mortadelo que nom fosse de Ibáñez (e dávamo-nos conta de quando nom eram del). O que mais lembro de Casanyes é a saga das criaturas de cera:

Os outros autores de Mortadelo

Mui reconhecível o seu estilo pola diagramaçom, Ibáñez nunca faria umha transiçom como a da 3ª à 4ª vinheta no extrato anterior.

Sempre me deu a sensaçom de que Casanyes era o autor com maior potencial daqueles mortadelianos, que em melhores circunstâncias podia ter arrasado.

Casanyes tivo distintos estilos à parte do ibañesco, por momentos podia ser mui Franquin, com ótimos resultados tamém.

Os outros autores de Mortadelo

No Olé que encabeça esta entrada Casanyes tamém desenhou umha história de Rompetechos.
Falávamos o ano passado do armazenamento e da conservaçom de BDs. Hoje, prévia desculpa a quem for profissional da enquadernaçom, comento como recuperei tomos voluminosos que passárom polas minhas mãos quando estavam destroçados, quer por virem dum trabalho de imprensa péssimo, quer porque fórom mui mal tratados em uso, quer polas duas cousas.

Ediciones B foi responsável de edições penosas quando tinha os direitos de Mortadelo. Cousas como esta infra (imprimiu EGEDSA) na altura de 2006 som imperdoáveis, mais quando se trata da 6ª ediçom e o título já levava dado dinheiro a eito:



O uso normal dum livro nom pode dar numha desfeita tal. Contudo, depois alguns apanhos som bastante piores que o dano que pretendiam arranjar:



Eu uso um papel grosso castanho reciclado e reutilizado para devolver a consistência do espinhaço do livro. Deu-me até agora mui bom resultado quando nom importa tanto a estética dos interiores de capa e contracapa como a fortaleça do resultado.



A cola que utilizo contém 1,2-benzisotiazol-3(2H)-ona, 2-metil-2H-isotiazole-3-ona, Mistura de: 5-cloro-2-metil-2H- isotiazole-3-ona (N. CE 247-500-7) e 2-metil-2H-isotiazole-3-ona (N. CE 220-239-6) (3:1). Se trabalhares em restauraçom ou sabes de química e estou fazendo umha barbaridade agradeço comentário. Os resultados a muitos meses vista, nom obstante, som de momento ótimos, mesmo quando o exterior do volume cai literalmente a cachos:









Nengumha soluçom externa (fita americana, fita adesiva transparente convencional, etc.) me convenceu até agora como para a recomendar, daí que nom tenha usado nengumha no título destas últimas imagens.

Daisy Town

Daisy Town

Quando de miúdo soubem que Goscinny morrera levei um bom desgosto. O homem que nos dera o Pequeno Nicolás, Astérix, Lucky Luke... Anos depois, em 1983, nom entendim bem como se publicava com argumento seu Daisy Town, pensei que era um inédito que Morris recuperara. Só este dia pesquisei e soubem que a BD adatava um filme homónimo (nunca lhe prestei atençom nengumha às versões animadas). Lendo informaçom descobrim que tanto a Wikipédia em francês (sem citar fonte) como a Comiclopedia (a enciclopédia em linha da loja especializada Lambiek de Amsterdam) afirmavam que o autor do desenho nom era o próprio Morris senom um autor para mim ignoto chamado Pascal Dabère. Perguntei a Bas Schuddeboom, o editor da Comiclopedia e esta foi a conversaçom (o negrito é meu):

—Did Dabère draw the comic all by himself or finish some sort of previous layouts or roughs by Morris? The Wikipedia uses the expression d'après: Les dessins sont de Pascal Dabère (non crédité) d'après Morris et le scénario d'après René Goscinny. but I'm not sure what that implies here.

—Dabère drew the comic for publisher Dargaud's studio responsible for commercial and promo art with Lucky Luke (and probably also Asterix). As I understand it, Dabère did full art on the story, possibly with some guidance or supervision by Morris. D'àpres Morris means it was made by another artist in honor of, or with the characters of, another artist. It doesn't imply Morris was personally involved.

—Yes, I'd noticed that's the expression used for comics done after the original creator's demise but in this case since Morris was still alive at the time I wasn't sure what it implied.

Note-se que este álbum nom está acreditado a Dabère senom a Morris. Sítios de referência como Bedetheque.com nem o recolhem.