Espetáculo circense digno dos trasnos de terceira de Inferno às ordens de Arcade. É verdade que já o reconhecem da parte autoral (ou editorial?) classificando-o explicitamente como eXploitation (décadas atrás teriam etiquetado como X-ploitation, com certeza) mas que cousa mais banal. Penso em como estas protagonistas na era Claremont tinham alma e agora parecem simplesmente estúpidas. Nom digo que haja que escrever os personagens como el, nem como o faria Morrisom na sua fase nem como Hickman na atual (cujo conceito de mutantes em mutantelândia me interessa zero) mas eu particularmente algo mais pediria.


Com Tillie Walden passa-me o que com quase nengumha assinatura na BD, a metade da sua obra aborreço-a e a outra adoro-a. Se nom esqueço nada lim -sempre traducidas para castelhano por La Cúpula- "El final del verano", "¿Me estás escuchando?", "En un rayo de sol" (vol. I) e "Piruetas". As duas primeiras resultárom-me pesadíssimas e de nulo interesse, enquanto que as duas últimas as achei fresquíssimas, persoais e memoráveis.
Estou vendo agora a cronologia por primeira vez e resulta que "Spinning" e "On a sunbeam" som de 2017-18, "The end of summer" de 2015 (debut, o qual justifica certas cousas) e -infelizmente- "Are you listening?" de 2020.
Para este ano a editora barcelonesa prepara um compilatório de histórias curtas de quando esta talentosa autora era (ainda mais!) nova.


Sempre me tem parecido difícil desenhar BD com um estilo "realista" (muito mais se "fotográfico") sem que o resultado se limite a aparentar um decalque e morra no estatismo do intento. O autor desta adaptaçom logra um estranho equilíbrio entre um jeito próximo disso e a fluidez que a narrativa sequencial requer: o encadeado polo qual os personagens som únicos frente aos demais, reconhecíveis entre vinhetas segundo as suas facções e constituiçom (para mais num relato como este, em que os corpos som tam presentes), a expressividade facial, junto à capacidade de síntese gráfica e o logro dum estilo global. O feito de que a técnica neste caso seja apenas lapis com cores planas (digitais?) por riba, chama-me muito a atençom. O desenho de personagens é sólido, tem muito de cânones cinematográficos e em certa maneira remite-nos a autores da velha escola como Bernet e outros. Ademais a estética à la Riviera francesa dos 50-60 está mui lograda. Em sumário, muitas cousas no desenho de Frédéric Rébéna para mim contam-se por atinos e nom comete os erros que temeria por mor do grafismo de partida.
O álbum, que argumentalmente explora o hedonismo dum tándem pai-filha a partir da novela homónima, conta a história que quer contar com um ritmo ajeitado. Como nom lim a obra primeira nom sei se no final aquela termina igual que esta BD, com umha frase-epílogo, um chocante punch line digno doutro género. Suponho que vem, como contraponto às lágrimas (de crocodilo?) precedentes, enfatizar a amoralidade de personagens aos que nom lhes falta de nada (salvo um pau polo lombo).
Editorialmente esta tendência atual pola qual se levam à nona arte tantos livros -mais ou menos conhecidos- nom sei se aporta algo substancial (além de fundo de catálogo para os grandes selos importadores como Norma ou Planeta), mas haverá que assumi-lo como parte da perene trasferência entre meios e do jogo artístico-comercial.


A NBA tem o seu jogo das estrelas e a BD galega tem de cote citas coletivas como esta em que se apresentam múltiples nomes que merecem seguimento. Infelizmente vários autores que tenho em ótima consideraçom nom me cumprirom expetativas nesta escolma. Por nomear alguns nom gostei do resultado gráfico da montagem de Debelius nem do uso de fotos filtradas de Dani Xove. Tamém esperava mais do próprio Manel Cráneo, que tem umha das histórias que menos convidam a ler-se de todo o volume, algo realmente infrequente num autor da sua solvência. Ainda que em geral nom gosto do desenho sem linha sim do que realizou Javi Montes -podia fazer duas décadas que nom via umha BD sua-, com um estilo bem riquinho ao que beneficiaria um tamanho de legendagem menor (nom digamos já se fosse a cor). Contudo talvez a antologia se ressinta no uso à vontade de tons de cinza, que várias vezes ficárom demasiado escuros ou empastados. Igualmente pode que tivesse ajudado a dar corpo ao conjunto certa harmonia tipográfica, por exemplo.
Nesta ocasiom Luís Sendón destaca sobre todos os demais, foi o que mais me convenceu, a sua história a que mais graça me fijo e a eleiçom do branco e negro puro um acerto total pola sua parte, além do bem desenhada que está. Um universo, o do francosatanismo, que esperamos revisite, num eventual segundo Arrepio ou em qualquer outro lado como no seu Altar Mutante.


Nom é por desprezar injustificadamente um título trabalhado tanto em termos gráficos como de guiom mas o duplo salto mortal que o argumento tenta na sua recta final nom lhe fai nengum favor, mesmo que tenha sido planeado desde o princípio... e estampa-se contra o chão. Persoalmente preferia qualquer alternativa das que o próprio argumento sugeria que fosse menos rebuscada porque no delírio final quase se passa involuntariamente do tétrico ao cómico.
Talvez nom ajuda que os personagens me resultem todos aborrecíveis por igual mas aí nom digo nada porque narrativamente me parece totalmente legítimo.


Em excesso deudora de Ghibli, a história nom me interessou demasiado e resultou tremendamente previsível mas este senhor (cujo nome agora escrevo sem diérese e sem traço, seguindo o seu próprio web) desenha com um estilaço e com umha classe inusuais. Um talento dos que hai poucos.

A única outra cousa sua que lim foi, em espanhol, Vencidos pero vivos, que logicamente se parece a isto como umha castanha a um ovo. Boa BD aquela, incidentalmente.