O pior que lhe pode passar a um álbum de Corto Maltese é ficar correto mas sem chispa. Pode que isto seja o que encontrei neste título, um trabalho profissional, um bom produto comercial; pouco mais. Além de que o cenário é puro Berlin de Jason Lutes, só que este último o fijo muito melhor, claro está. Nem inventou esse teatro o americano, logicamente, está por caso o Berlín 1931 de Hernández Cava e Raúl para no-lo lembrar. Na cultura popular sempre se dá o risco de acabarmos em lugares comuns e o Berlim de entre-guerras é um deles. O Corto atual devia ficar fora deles se se quer render homenagem ao legado de Hugo Pratt. É um ícone da BD europeia e isso é o menos que se lhe exige. Está a passar-lhe algo similar a Astérix. Títulos de fatura impecável mas faltos do suficiente espírito, polo menos para mim como leitor de velho. Talvez para os rapazes que os estejam descobrindo agora sejam melhores que tal como eu os leio; oxalá.

PS. Imperdoável gralha ortográfica na capa do livro: o correto em espanhol é Nocturno berlinés, com bê minúsculo.