Adorei.

Quando saiu a sua BD sobre os atentados ao Charlie Hebdo nom tivem humor para ler (talvez algum dia); nom relacionei ao apanhar este e assim comecei a ler sem saber quem era a autora. Foi o meu primeito contato coa sua assinatura e considero é realmente umha criadora sobresaliente, crítica e subtil, abençoada para o humor, capaz do poético e do cómico, de abranger a magnificência (a cultura, a natureza) mas tamém o anedótico (as pequenas memórias familiares ou da infância).

Aliás, eu estudei engenharia, nada mais longe de história da arte, por isso nem todas as referências pictóricas -e nom só- as colho, mas no final da ediçom (original, na da imagem traduzida para espanhol) vai umha página a jeito de índice de referências para quem quiger pescudar mais ou conhecer os trabalhos artísticos em que ela inspirou momentos desta sua brilhante crónica autobiográfica.

Umha das minhas melhores leituras desta temporada.


Bastante bom. Nom som experto no personagem mas esperava algo menos canónico, parece um Blueberry com todas as da lei. O que sim, tira-me da história que se ponham decalques de Claudia Cardinale ou Woody Strode. Criativamente parece-me umha decisom absurda (até pouco profissional). Na comédia (Astérix) este tipo de aparições som simpáticas mas se a história se pretende tomar a sério para mim nom funcionam. O resto das apropriações/inspirações nom se me parecem nada (Paul Dano, Richard Harris, etc.) mas os que identifiquei para mim provocam o que chamaria a suspensom da suspensom da descrença.


Jason é um autor súper agradecido de ler coas suas histórias de animais antropomórficos "mais humanos que os humanos", personagens hieráticos que tentam sobreviver fisica e animicamente em relatos entre o dramático e o ridículo (ainda que o humor é sempre contido). Até quando lhe bota muito papo nos desenlaces argumentais (p. ex. botando mão do surrealismo) o autor norueguês normalmente cai de pé, como os gatos, e deixamo-nos convencer.

Estes dous volumes de histórias breves som entretidos, nom se contam entre o melhor da sua produçom mas polo menos nom som tam péssimos como a sua BD do Caminho de Santiago (que passa cos comics de El Camino? som todos igual de horríveis?)


Joann Sfar é literalmente um fora de série, nom o vamos descobrir agora. Depois de muitas leituras da sua obra este Aspirina surpreendeu-me enormemente porque me pareceu ao mesmo tempo umha mostra do seu enorme talento e versatilidade e umha novela gráfica horrível. A primeira metade é diretamente insofrível, nom sei o que pretendia mas os personagens som todos aborrecíveis e diretamente nom hai história. Na segunda dá um volantaço para a aventura colorista-terrorífica-pop sem complexos mas nem acaba de calhar. Ediçom ótima de Fulgencio Pimentel para um trabalho perfeitamente esquecível dum autoraço como hai poucos no continente.

P. D.


Claro que sí, guapi.

Descobrindo Chloé Wary

Descobrindo Chloé Wary

O que acontece quando o futebol parece quase a única saída numha vizinhança marginalizada? Provavelmente que exceda o hobby para se converter num modo/motivo de vida.
Nom é muito assim da minha preferência nem o guiom nem o estilo gráfico mas achei um trabalhaço. Mais de duaszentas páginas em que se percebe umha dedicaçom à história e ao estilo visual persoal que só me causa o maior dos respeitos, em termos de autoria. Merecidíssimos prémios, estou certo.
Se gostas de histórias humanas de bairro e desportes, olho aí. Esta ademais está protagonizada por mulheres.

Astérix em apenas IV arcos

Astérix em apenas IV arcos

Sai o novo Astérix e resulta-me curioso coincidir ao 100% coa valoraçom da série dada polos leitores da BDGest.com: poucos 'arcos' mui definidos.

I.- Começo com um prólogo de dous álbumes, valorados em 4 sobre 5, e início de II.- a mítica/gloriosa era canónica Goscinny/Uderzo ...

Astérix em apenas IV arcos

... composta polos libros 3º a 24º (este o último Goscinny, Astérix e os belgas), valorados em 4.5 só com umha excepçom à baixa, o Presente de César

Astérix em apenas IV arcos

Astérix em apenas IV arcos

Após passamento de Goscinny vem III.- breve era de transiçom (tomos 25º a 28º) que aguenta no 3.5, depois IV.- a época final de Uderzo cos 29º-32º, fixada em pontuaçom de 3.5 e com um triste epílogo do título pior valorado de toda a série (33º): 1 sobre 5 :(

Astérix em apenas IV arcos

IV.- Finalmente, o tempo do novo tándem, estável num discreto 3 sobre 5, apenas com um pontual 3.5 do Papiro de César (36º)

Astérix em apenas IV arcos

Observe-se que os votos de ~200 leitorxs dim que globalmente o curso atual nem igualou o melhor de Uderzo em solitário...!

(e que conste que eu nom som dos indignados/ofendidos porque as séries como Corto Maltese ou Astérix continuem com estilo mimético do original)

PS.- E como nunca faltam as notícias quando hai interesse avondo, Astérix e o circo: Un album d'Astérix inédit, non-achevé par Goscinny, pourra-t-il bientôt voir le jour?

Daisy Town

Daisy Town

Quando de miúdo soubem que Goscinny morrera levei um bom desgosto. O homem que nos dera o Pequeno Nicolás, Astérix, Lucky Luke... Anos depois, em 1983, nom entendim bem como se publicava com argumento seu Daisy Town, pensei que era um inédito que Morris recuperara. Só este dia pesquisei e soubem que a BD adatava um filme homónimo (nunca lhe prestei atençom nengumha às versões animadas). Lendo informaçom descobrim que tanto a Wikipédia em francês (sem citar fonte) como a Comiclopedia (a enciclopédia em linha da loja especializada Lambiek de Amsterdam) afirmavam que o autor do desenho nom era o próprio Morris senom um autor para mim ignoto chamado Pascal Dabère. Perguntei a Bas Schuddeboom, o editor da Comiclopedia e esta foi a conversaçom (o negrito é meu):

—Did Dabère draw the comic all by himself or finish some sort of previous layouts or roughs by Morris? The Wikipedia uses the expression d'après: Les dessins sont de Pascal Dabère (non crédité) d'après Morris et le scénario d'après René Goscinny. but I'm not sure what that implies here.

—Dabère drew the comic for publisher Dargaud's studio responsible for commercial and promo art with Lucky Luke (and probably also Asterix). As I understand it, Dabère did full art on the story, possibly with some guidance or supervision by Morris. D'àpres Morris means it was made by another artist in honor of, or with the characters of, another artist. It doesn't imply Morris was personally involved.

—Yes, I'd noticed that's the expression used for comics done after the original creator's demise but in this case since Morris was still alive at the time I wasn't sure what it implied.

Note-se que este álbum nom está acreditado a Dabère senom a Morris. Sítios de referência como Bedetheque.com nem o recolhem.