Pouco lhe faltou para obra mestra. De acordo que na parte final acho que a caga bastante, porque arruína o tom e ambientação que até esse ponto lhe deram toda a personalidade ao álbum, e também não ajuda a carência de resolução climática desde o momento em que a história não termina aqui senão que continua em A erupção do Karamako. Contudo, até a chegada à ilha, este volume parece-me antológico: a premissa argumental e como se apresenta a jeito de prólogo o mistério que a rodeia, o azar que move os protagonistas, o enredo de comédia física, os personagens arquetípicos, os cenários e as máquinas… ritmo e espaço. Isto é uma pura maravilha. Nunca lhe fizera caso a esta série pensando que fora de Tintin não devia haver muito de mérito em Hergé, mas estava totalmente errado. Havia muito tempo que não gozava tanto, do sheer joy of reading, duma BD de aventuras assim. Um verdadeiro manual de como-se-faz, de apresentação exemplar do argumento, de narração clara, de humor, de tudo. Os inventos são geniais -esse robô com orelhas, o mando a distância, etc-, o científico cliché engraçadíssimo. Simples prazer de ler. Obrigado ao autor lá onde estiver.