A maioria das biografias que leio em BD nom me dim nada, esta resultou-me simpática, ainda que se limita -e pode que por extensom nom colhesse muito mais- aos episódios mais icónicos e conhecidos da trajetória do célebre músico. Umha leitura agradável, ligeira e escrita e desenhada com graça. Para tratar-se dum personagem tam conhecido nom me parece pouco mérito lograr criar umha banda desenhada com personalidade.


Bastante bom. Nom som experto no personagem mas esperava algo menos canónico, parece um Blueberry com todas as da lei. O que sim, tira-me da história que se ponham decalques de Claudia Cardinale ou Woody Strode. Criativamente parece-me umha decisom absurda (até pouco profissional). Na comédia (Astérix) este tipo de aparições som simpáticas mas se a história se pretende tomar a sério para mim nom funcionam. O resto das apropriações/inspirações nom se me parecem nada (Paul Dano, Richard Harris, etc.) mas os que identifiquei para mim provocam o que chamaria a suspensom da suspensom da descrença.

Sempre The Spirit

Nom importa o tempo que passar, voltas e ainda é o melhor (e continua para mim o mistério de por que prefiro com muito esta ediçom à antológica cartoné):

Sempre The Spirit

Ediçom espanhola de 1988. Contém «The Valentine» [20-2-1949]; «The deadly comic-book» [27-2-1949]; «Glob» [6-3-1949]; «Death, taxes... and the Spirit» [13-3-1949].

Xosé Manuel comenta:
- Eu case prefería a de Garbo (?) dos setenta.
- Essa n'a conheço! A Archives, a colorida editada pola DC, supom-se que é a definitiva e ainda nom entendo o motivo de que nom me valesse, continuo coa de Kitchen Sink/Norma. Norma tamém publica Archives em castelhano. Quero pensar que nom é nostalgia, suponho que é a cor ou o papel ou nem ideia... Adoro os comic-books, isso influirá. Adoito preferir branco e negro, isso sim. Um caso paradigmático é Bone: esse título, colorido, mata-me. Incidentalmente descobrim comprando o The Spirit da Kitchen Sink que nom coincide a numeraçom com Norma. Terás ou podes pôr imagens do formato físico da de Garbo? Que medidas eram?
- Só mercara algúns números soltos dos primeiros e despois este retapado que é o que sobreviviu...

Sempre The Spirit

... De longo un par de milímetros máis, porén de largo 19 cm e meio. Da unha imaxe algo máis grande e enche toda a páxina:

Sempre The Spirit

- Que bom! O uso da cor aqui tapa-me a boca do dito antes. Comparastes a cor da Garbo coa da ediçom de Archives? Que data original tem esta história da foto?
- 19 decembro 1948 (Núm. 27 da edición de Norma). Eran catro historias a b/n e unha a cor. Tiraron uns vinte números e nos últimos só era de Spirit a historia a cor. A nostalxia inflúe moito. Eu o último de Spirit que merquei foi a de Norma. Vin outras edicións e as cores son máis vivas e fortes que as de Garbo, pena ser poucas.
- Tens um tesouro aí, n'o vim nem em bíblios nem em livrarias de velho.
- En biblios nos anos setenta só poderías atopar de Bruguera para a Sala Infantil. Toda banda deseñada desa época e de Garbo era moi sospeitosa moralmente. Editaban Vampus (Creepy), outros familiares deste e penso que tamén Vampirella. Todo vetado.

E polo menos na exígua mostra a mão, na comparativa entre Garbo nos 70 e DC (Norma em Espanha) do 2000 para diante, para mim narrativamente ganha, com diferença, a cor da primeira:

Sempre The Spirit

Jean Giraud, Moebius, podia desenhar o que fosse. Que maravilha. Neste caso participou na série de espionagem XIII, criada por William Vance e Jean Van Hamme. A versão irlandesa -incidentalmente com um muito infeliz desenho tipográfico na capa original de Dargaud, erro não propagado por Norma Editorial na edição espanhola- é um álbum que se inspira num militante imaginário do IRA que se vê implicado nos anos mais duros da repressão britânica de Irlanda do Norte. Depois a história deriva para os EUA, entroncando com o fio argumental da saga XIII. O labor de Giraud nesta história é simplesmente perfeito. Era um artista sem medida, talento ao serviço das suas próprias obras de
fição científica, western, … mas que podia além disso realizar
trabalhos, com a mesma dedicação, para séries e personagens alheios, como o Silver Surfer da Marvel, mão a mão com Stan Lee. O curioso é que nenhum destes trabalhos desentoa na bibliografia do reverenciado ilustrador. Todos fazem parte duma trajetória caraterizada pela qualidade e o amor pelo trabalho bem feito, sem reservas.

Depois da filmografia de Sergio Leone e do Blueberry de Charlier e Gir fazer um western visual com personalidade própria e qualidade das que marcam época está bem mais difícil. Em BD gostei do Gus de Christophe Blain, que é realmente original, e do filme The missing com Tommy Lee Jones, embora não ser especialmente popular, mas não me diz nada o que faz por exemplo Tarantino, a anos luz, para o meu gosto, do logrado por Eastwood nessa obra mestra que é Unforgiven. Considerado tudo isso e mais que Jodorowsky frequentemente me deixa frio, não esperava muito do primeiro Bouncer, mas a verdade é que é um trabalho sólido, com a vantagem de ter um mestre consagrado como Boucq na arte, embora esses lábios carnosos e enormes narizes que desenha sejam de pesadelo :-P

Lerei a meia dúzia de volumes da série mal tiver oportunidade.

A imagem procede de itunes, onde vendem a seis euros a edição eletrónica em francês, ainda que eu li a versão espanhola, em papel, de Norma Editorial, cortesia da biblioteca pública.

O argumento não me pareceu nada do outro mundo e o desenho excessivamente devedor, já não de Christophe Blain como tal, senão especificamente do Gus de Blain. Porém não está mal o albumzinho e deixa-se ler; não me arrependo de o ter comprado. Isso sim, o pequeno dossier final que explica o contexto do achádego científico em que se baseia e no que se inspirou a BD nem o li. Não me interessa “a realidade atrás da história” se a própria história per se não me parece muito interessante…

Que bem o faz Mignola. Singelo mas funciona; como dizemos os futeboleiros, “passe curto e ao pé”. Contudo, não pensemos que o que fazem aqui ele e Corben é inalcançável. Este último Hellboy podia-o ter guionizado… certo autor da Corunha e desenhado… certo artista de Viveiro. Fariam-no ambos sem maior esforço, estou convencido. Não pude, lendo este comic, evitar lembrar-me da obra que lhes sigo aos dois galegos desde anos atrás. E pensei mais outra vez no fantástico que seria que no nosso país o talento não só servisse para propostas raivosamente pessoais e particulares (benditas elas! que nunca desapareçam) senão que também tivesse eco dentro dum esquema de produção em série. Os estado-unidenses têm títeres com os que brincar e de alguma maneira… partilhar. Sim, partilhar é a palavra. Assim houve um Daredevil de Miller. Assim houve uns X-Men de Claremont. E ambos marcaram um antes e um depois nessas cabeceiras, embora não as terem criado -nem muito menos- nem um nem o outro. Aqui, pelo contrário, queremos (ou vemo-nos forçados a) inventar a roda de cada vez. E se já é difícil, sem editores de verdade (em plural) a cousa é ainda mais complicada…