Nom podo afirmar nem supor que foi a melhor BD feita em Espanha o ano passado mas gostei. Mais, de feito, que os outros dous brugueriano/vazquianos a quem dei a ler (cuja frialdade na recepçom me surpreendeu).
Onde ia que eu queria pilhar este título, desde que saiu, e casualmente só agora que lhe dérom o Prémio Nacional conseguim. Da obra em si convencérom-me menos os insertos tipo documentário em que falam expertos/as na matéria que o relato delirante em si, ainda que entendo a decisom narrativa de empregar esse recurso.
Oxalá mais cousas de Sordo deste estilo proximamente.


História, língua e aventuras (desventuras, mais bem) dam-se a mão nesta recriaçom da trajetória dumha mulher mui especial que viviu na era da conquista espanhola do atual México. Ainda que esta obra me tinha boa pinta proximei-me dela com certa reserva porque a maioria das que leio baseadas em feitos ou personagens reais nom me acabam convencendo. Porém realmente colmou todas as expetativas positivas que pudesse ter. Fora do que alguém de autoria local puder contar do seu ponto de vista (o que se quadra poderia assimilar-se ainda mais a umha "voz em primeira persoa") nom imagino melhor resultado por parte dumha assinatura europeia. Umha das cousas que mais acertadas me resultárom foi o ritmo da história, já que a autora mantém-lhe o pulso ao relato em todo momento. Ademais a estrutura do conto em base a episódios com distintas localizações e povos funciona perfeitamente. No apartado gráfico estamos perante umha criadora totalmente madura igualmente, capaz de levar a bom porto um livro de extensom considerável, por riba das duaszentas páginas, aliás a cor, sem que a qualidade mingue em nengum momento. Um reto, em conjunto, nom ao alcance de qualquer. Além de nom cair em excessivos maniqueísmos vê-se que se trata dum título do qual quem o criou se apaixonou, onde se lhe juntam interesses seus inteletuais e afetivos. Mui bom trabalho.


Nom é por desprezar injustificadamente um título trabalhado tanto em termos gráficos como de guiom mas o duplo salto mortal que o argumento tenta na sua recta final nom lhe fai nengum favor, mesmo que tenha sido planeado desde o princípio... e estampa-se contra o chão. Persoalmente preferia qualquer alternativa das que o próprio argumento sugeria que fosse menos rebuscada porque no delírio final quase se passa involuntariamente do tétrico ao cómico.
Talvez nom ajuda que os personagens me resultem todos aborrecíveis por igual mas aí nom digo nada porque narrativamente me parece totalmente legítimo.