Sempre me tem parecido difícil desenhar BD com um estilo "realista" (muito mais se "fotográfico") sem que o resultado se limite a aparentar um decalque e morra no estatismo do intento. O autor desta adaptaçom logra um estranho equilíbrio entre um jeito próximo disso e a fluidez que a narrativa sequencial requer: o encadeado polo qual os personagens som únicos frente aos demais, reconhecíveis entre vinhetas segundo as suas facções e constituiçom (para mais num relato como este, em que os corpos som tam presentes), a expressividade facial, junto à capacidade de síntese gráfica e o logro dum estilo global. O feito de que a técnica neste caso seja apenas lapis com cores planas (digitais?) por riba, chama-me muito a atençom. O desenho de personagens é sólido, tem muito de cânones cinematográficos e em certa maneira remite-nos a autores da velha escola como Bernet e outros. Ademais a estética à la Riviera francesa dos 50-60 está mui lograda. Em sumário, muitas cousas no desenho de Frédéric Rébéna para mim contam-se por atinos e nom comete os erros que temeria por mor do grafismo de partida.
O álbum, que argumentalmente explora o hedonismo dum tándem pai-filha a partir da novela homónima, conta a história que quer contar com um ritmo ajeitado. Como nom lim a obra primeira nom sei se no final aquela termina igual que esta BD, com umha frase-epílogo, um chocante punch line digno doutro género. Suponho que vem, como contraponto às lágrimas (de crocodilo?) precedentes, enfatizar a amoralidade de personagens aos que nom lhes falta de nada (salvo um pau polo lombo).
Editorialmente esta tendência atual pola qual se levam à nona arte tantos livros -mais ou menos conhecidos- nom sei se aporta algo substancial (além de fundo de catálogo para os grandes selos importadores como Norma ou Planeta), mas haverá que assumi-lo como parte da perene trasferência entre meios e do jogo artístico-comercial.


Já é raro que nada em manga comercial me diga algo, contudo gostei do desenho de Etsuko (do interior, a capa parece-me horripilante: os efeitos das cores e o desenho gráfico em geral). Nom som target precisamente para o BL e nom sei como de normal é isto mas o do menor, estudante de liceu, co adulto universitário à la amor platónico mesturado com ingenuidade e inocência o único que me deu foi bastante grima. Cringe, disque lhe dim agora.


Umha cousa é o que se vê que quer vender um produto (mulher entrando na primeira maturidade à que se lhe passa o arroz tem umha bizarra oportunidade de experimentar algo novo) e outro o pouso ideológico que deixa: o primeiro volume pareceu-me de um regrógrado brutal, imagino que porque até no s. XXI Japom é umha sociedade tremendamente machista, mas mesmo assim... que nom contem comigo para o n.º 2.

Estou para acabar a leitura do primeiro volume desta obra mestra, e estes dias deu-me por pensar que sempre me parecera bastante parvo esse cliché de “Que livro levarias para uma ilha deserta?”. Porém, depois de ter descoberto isto casualmente, sem antes saber nada -além da existência daqueles velhos desenhos televisivos-, dá-me que essa pergunta ainda vos vai ter uma resposta, e talvez só uma, acertada…