Ambientaçom, personagens, argumento, diálogos, reviravoltas na trama... tem-no tudo. Nom vou estender-me na descriçom de Fóra de mapa, abrevio dizendo que é a minha BD galega favorita junto com A carreta do diaño de Fernando Llorente. Nom me lembro neste momento de nengumha obra, feita em qualquer tempo e de assinatura pátria -nem sequer das mais promocionadas polos meios-, que prefira a ambas.

Fóra de mapa é umha obra prima digna de estar publicada em numerosos idiomas, ganhadora dum concurso galego, é verdade, mas que devia ter muitíssimo mais reconhecimento. De ter sido lançada dum mercado poderoso como o francês com certeza teria um eco mais ajustado ao seu merecimento. Nom tem nada a invejar a multipremiados éxitos recentes como Pele de homem (eu de facto anteponho de longe o título de Emilio Fonseca).

Vid recensões de Eduardo Maroño, Fátima Ameijeiras, etc.


História, língua e aventuras (desventuras, mais bem) dam-se a mão nesta recriaçom da trajetória dumha mulher mui especial que viviu na era da conquista espanhola do atual México. Ainda que esta obra me tinha boa pinta proximei-me dela com certa reserva porque a maioria das que leio baseadas em feitos ou personagens reais nom me acabam convencendo. Porém realmente colmou todas as expetativas positivas que pudesse ter. Fora do que alguém de autoria local puder contar do seu ponto de vista (o que se quadra poderia assimilar-se ainda mais a umha "voz em primeira persoa") nom imagino melhor resultado por parte dumha assinatura europeia. Umha das cousas que mais acertadas me resultárom foi o ritmo da história, já que a autora mantém-lhe o pulso ao relato em todo momento. Ademais a estrutura do conto em base a episódios com distintas localizações e povos funciona perfeitamente. No apartado gráfico estamos perante umha criadora totalmente madura igualmente, capaz de levar a bom porto um livro de extensom considerável, por riba das duaszentas páginas, aliás a cor, sem que a qualidade mingue em nengum momento. Um reto, em conjunto, nom ao alcance de qualquer. Além de nom cair em excessivos maniqueísmos vê-se que se trata dum título do qual quem o criou se apaixonou, onde se lhe juntam interesses seus inteletuais e afetivos. Mui bom trabalho.