Kazuo Umezz (tamém latinizado Umezu) está considerado, disque, o maior autor de terror do manga. Eu só lim del os quatro primeiros volumes, de aparentemente seis que publicou Ponent Mon, de Aula a la deriva (漂流教室), que estava tam bem que era agotador de ler. Nem lembro por que nom completei a série, se quadra por isso. Hai mais títulos seus em espanhol. Esta é umha coleçom de histórias curtas em que destaca a fascinaçom do autor co horror dentro do matrimónio. Para quem nom conhecer Umezz este livro é um fantástico ponto de entrada e justifica sobradamente a fama que tem o criador octogenário.


Esperava umha mediocridade comercial (a BD europeia tem tanta como o cómic USA ou o manga japonês), porém batim num álbum comercial feito com muito ofício. Nom me parece demasiado fácil aportar algo no gênero post-apocalíptico nesta altura, pois está queimadíssimo, mas este título logra contar a sua própria história com avondo savoir faire. Nulas expetativas a priori, aplauso a posteriori para um trabalho mui bem feito.


Por que nom tolero O gourmet solitário, de Taniguchi, mas esta pequena BD sim, nom sei explicar. O que fai esta autora tem-me bastante encanto, até quando o relato, como é o caso aqui, é totalmente anedótico e superficial (refiro-me na exploraçom dos personagens, nom quero dizer frívolo).


Bastante bom. Nom som experto no personagem mas esperava algo menos canónico, parece um Blueberry com todas as da lei. O que sim, tira-me da história que se ponham decalques de Claudia Cardinale ou Woody Strode. Criativamente parece-me umha decisom absurda (até pouco profissional). Na comédia (Astérix) este tipo de aparições som simpáticas mas se a história se pretende tomar a sério para mim nom funcionam. O resto das apropriações/inspirações nom se me parecem nada (Paul Dano, Richard Harris, etc.) mas os que identifiquei para mim provocam o que chamaria a suspensom da suspensom da descrença.


Joann Sfar é literalmente um fora de série, nom o vamos descobrir agora. Depois de muitas leituras da sua obra este Aspirina surpreendeu-me enormemente porque me pareceu ao mesmo tempo umha mostra do seu enorme talento e versatilidade e umha novela gráfica horrível. A primeira metade é diretamente insofrível, nom sei o que pretendia mas os personagens som todos aborrecíveis e diretamente nom hai história. Na segunda dá um volantaço para a aventura colorista-terrorífica-pop sem complexos mas nem acaba de calhar. Ediçom ótima de Fulgencio Pimentel para um trabalho perfeitamente esquecível dum autoraço como hai poucos no continente.

P. D.


Claro que sí, guapi.


Conhecim Magius (nom quero dizer persoalmente, porque quando coincidim no Autoban BD nom falei com el) hai quase dez anos, quando Luis Sendón me emprestou o seu memorável Black Metal Comix, que já anticipava umha notável capacidade para usar a ficçom dando a sensaçom de se aproximar à realidade além do aparente. Atravês do humor negro desenhava umha caricatura que parecia parida por alguém com um conhecimento significativo do gênero musical nórdico e do que o rodeava. Depois da sua pontual contribuiçom ao Altar Mutante o meu seguinte contato foi lendo-o nom como criador auto-editado senom já como autor de novela gráfica por conta alheia, em El método Gémini, um trabalho de 2018 que argumentalmente podiam (quereriam?) ter assinado Scorsese ou qualquer um dos seus discípilos avançados, dado que o eixo ambiental era a violência extrema da máfia nos EUA. O ano passado Magius publicou Primavera para Madrid e é só a terceira vez na trajetória do Premio Nacional de Cómic, depois de El arte de volar e Lamia, que pensei ao ler "Duvido muito que no ano houvesse um título melhor que este". Magius continua, como nas cousas contadas que lhe lim antes, demostrando que sabe apropriar-se completamente de contextos de raiz real do mais diverso, para acabar realizando obras mui persoais nas que, penso eu, transmite unha fascinaçom pola miséria humana atravês do poder, isto é: a pura maldade. Todas as persoas e feitos da podredume espanhola que alimentam o relato de Primavera de que sei -e som bastantes- som verídicas mas, lendo, frequentemente nom fum capaz de discernir até onde Magius se documentara e onde estava simplesmente ficcionando. Para mim isto é umha virtude, porque em última instância tudo parece autêntico e homogêneo por muito que su(per)realista. O mesquinhos, atravessados, corruptos e indignos que podem chegar a ser os que mandam no plano económico, político, mediático e institucional na capital do reino está para sempre imortalizado neste livro de folhas douradas. Apesar do estilo, que oscila do mais fiado narrativamente a outros trechos em que o relato se quadra cursa mais anedoticamente, a obra conjunta constitui um logro maior, um co que Magius excede o meio tam frequentemente auto-referencial e egocéntrico da banda desenhada, superando assim todos os seus autores compatriotas contemporâneos e legando um fito cultural do nosso tempo: o retrato descarado do miserento poder em Espanha no início do século XXI.