Resulta surpreendente que da ediçom antológica em volume unitário de La familia Trapisonda (esquerda) prefiro as cores, porque nom gosto do recolorido efetuado na ediçom em dous álbuns menores distribuída com jornais (direita) mas esta última, que em teoria é umha versom mais económica, tem a linha de arte a tinta negra muito mais nítida que a outra.
Para observar, se se calcar, amplia-se a imagem.

1971 vs. 2019

1971 vs. 2019

Parto do princípio de que a ediçom contemporánea -vid direita- se realizou, como parece à vista, a partir da digitalizaçom de pranchas impressas, editadas, e nom das páginas originais (nem, suspeito, fotólitos). Nela, contudo a linha estar bastante bem lograda em clareza, assim como as legendas dos balões de diálogo, hai problema coas cores, especialmente no negro. A tinta das massas de negro, essenciais neste tipo de BD, saía perfeitamente saturada nas revistas originais dos primeiros 70 (e nom só) -vid esquerda-, porém o livro antológico publicado no s. XXI (2ª ed., 2019) cambiou-nas por blocos escuros carentes da saturaçom precisa. O mesmo acontece coas cores, sem intensidade e degradadas na versom da era digital -v. direita-. Isto nom tem justificaçom vindo do gigante editorial -Penguim Random House- atrás dum título como este, célebre no seu mercado.

As cousas hai-nas que fazer melhor. Até meio século depois.

Sempre The Spirit

Nom importa o tempo que passar, voltas e ainda é o melhor (e continua para mim o mistério de por que prefiro com muito esta ediçom à antológica cartoné):

Sempre The Spirit

Ediçom espanhola de 1988. Contém «The Valentine» [20-2-1949]; «The deadly comic-book» [27-2-1949]; «Glob» [6-3-1949]; «Death, taxes... and the Spirit» [13-3-1949].

Xosé Manuel comenta:
- Eu case prefería a de Garbo (?) dos setenta.
- Essa n'a conheço! A Archives, a colorida editada pola DC, supom-se que é a definitiva e ainda nom entendo o motivo de que nom me valesse, continuo coa de Kitchen Sink/Norma. Norma tamém publica Archives em castelhano. Quero pensar que nom é nostalgia, suponho que é a cor ou o papel ou nem ideia... Adoro os comic-books, isso influirá. Adoito preferir branco e negro, isso sim. Um caso paradigmático é Bone: esse título, colorido, mata-me. Incidentalmente descobrim comprando o The Spirit da Kitchen Sink que nom coincide a numeraçom com Norma. Terás ou podes pôr imagens do formato físico da de Garbo? Que medidas eram?
- Só mercara algúns números soltos dos primeiros e despois este retapado que é o que sobreviviu...

Sempre The Spirit

... De longo un par de milímetros máis, porén de largo 19 cm e meio. Da unha imaxe algo máis grande e enche toda a páxina:

Sempre The Spirit

- Que bom! O uso da cor aqui tapa-me a boca do dito antes. Comparastes a cor da Garbo coa da ediçom de Archives? Que data original tem esta história da foto?
- 19 decembro 1948 (Núm. 27 da edición de Norma). Eran catro historias a b/n e unha a cor. Tiraron uns vinte números e nos últimos só era de Spirit a historia a cor. A nostalxia inflúe moito. Eu o último de Spirit que merquei foi a de Norma. Vin outras edicións e as cores son máis vivas e fortes que as de Garbo, pena ser poucas.
- Tens um tesouro aí, n'o vim nem em bíblios nem em livrarias de velho.
- En biblios nos anos setenta só poderías atopar de Bruguera para a Sala Infantil. Toda banda deseñada desa época e de Garbo era moi sospeitosa moralmente. Editaban Vampus (Creepy), outros familiares deste e penso que tamén Vampirella. Todo vetado.

E polo menos na exígua mostra a mão, na comparativa entre Garbo nos 70 e DC (Norma em Espanha) do 2000 para diante, para mim narrativamente ganha, com diferença, a cor da primeira:

Sempre The Spirit


Nom sei se terá valia para quem nom for seguidor do gekiga ou se interessar polo passado do manga em geral. Eu nom me arrependo de o ter comprado porque, ainda que graficamente nom é nada do outro mundo -sim funcional-, a intrahistória criativo-editorial dos autores de banda desenhada geralmente chama-me (por motivos óbvios).
O retrato que pinta é bastante desalentador se um se pom a pensar que a indústria se ergueu -nom só em Oriente-, além de contados casos de sucesso particular, em base a sacrifícios persoais tremendos, nom só dos protagonistas senom tamém das suas famílias. Nesta obra vê-se umha precariedade laboral absoluta para os autores, deprimente. É a crônica de sonhos truncados, temor ao porvir, a incerteza perante o favor do público, hai miséria, dívidas impagadas, alcoolismo, depressom, enfim, qualquer cousa menos um relato feliz. Que nesse contexto eles ainda pudessem conservar algumha ilusom para avançar e re-começar, voltar-se a erguer depois do enéssimo contratempo, e que fossem capazes de continuar avante coa criaçom, entretendo os leitores -às vezes contados por muitos miles- parece-me um ato quase heróico. Como aquilo que cantava Yosi de Cuántas ilusiones / traje a este mundo al revés / que perdiendo una al día / creo que aún me quedan dos o tres. Pois isso mesmo.
E o reconhecimento póstumo nom vale um adarme. Ainda bem para os poucos que, como Tatsumi, desfrutárom umha relativa valorizaçom no seu dia (cronologicamente posterior ao narrado neste livro).


Conhecim Magius (nom quero dizer persoalmente, porque quando coincidim no Autoban BD nom falei com el) hai quase dez anos, quando Luis Sendón me emprestou o seu memorável Black Metal Comix, que já anticipava umha notável capacidade para usar a ficçom dando a sensaçom de se aproximar à realidade além do aparente. Atravês do humor negro desenhava umha caricatura que parecia parida por alguém com um conhecimento significativo do gênero musical nórdico e do que o rodeava. Depois da sua pontual contribuiçom ao Altar Mutante o meu seguinte contato foi lendo-o nom como criador auto-editado senom já como autor de novela gráfica por conta alheia, em El método Gémini, um trabalho de 2018 que argumentalmente podiam (quereriam?) ter assinado Scorsese ou qualquer um dos seus discípilos avançados, dado que o eixo ambiental era a violência extrema da máfia nos EUA. O ano passado Magius publicou Primavera para Madrid e é só a terceira vez na trajetória do Premio Nacional de Cómic, depois de El arte de volar e Lamia, que pensei ao ler "Duvido muito que no ano houvesse um título melhor que este". Magius continua, como nas cousas contadas que lhe lim antes, demostrando que sabe apropriar-se completamente de contextos de raiz real do mais diverso, para acabar realizando obras mui persoais nas que, penso eu, transmite unha fascinaçom pola miséria humana atravês do poder, isto é: a pura maldade. Todas as persoas e feitos da podredume espanhola que alimentam o relato de Primavera de que sei -e som bastantes- som verídicas mas, lendo, frequentemente nom fum capaz de discernir até onde Magius se documentara e onde estava simplesmente ficcionando. Para mim isto é umha virtude, porque em última instância tudo parece autêntico e homogêneo por muito que su(per)realista. O mesquinhos, atravessados, corruptos e indignos que podem chegar a ser os que mandam no plano económico, político, mediático e institucional na capital do reino está para sempre imortalizado neste livro de folhas douradas. Apesar do estilo, que oscila do mais fiado narrativamente a outros trechos em que o relato se quadra cursa mais anedoticamente, a obra conjunta constitui um logro maior, um co que Magius excede o meio tam frequentemente auto-referencial e egocéntrico da banda desenhada, superando assim todos os seus autores compatriotas contemporâneos e legando um fito cultural do nosso tempo: o retrato descarado do miserento poder em Espanha no início do século XXI.

Seriadas em Espanha?

Que revistas de (ou com muita) banda desenhada, que levem bastantes ou muitos números, continuam? Hai-nas de escalas mui distintas, por suposto. El Jueves, semanal, vai polo n.º 2.322. Cavall Fort, quinzenal, 1.424 (El Tatano, el Cavall Fort dels petits, 191). TMEO, bimestral, polo 162. Amaníaco está no 56 da sua 3ª época. Cthulhu, semestral, vai no 24. Altar Mutante, que é anual, no 10. A única novidade recente, Planeta Manga, trimestral, tirou o 9º o mês passado. Se nom erro quase parece a única revista profissional fora do Jueves e Cavall Fort. Nas demais tenho entendido que nom se cobram as colaborações em nengumha. E isto é muito: pense-se num país de 47 milhões de habitantes incapaz de manter tanto revistas coletivas como títulos continuados como o som os superherois americanos ou séries de manga abertas. Praticamente tudo é importaçom. Nom hai Continuará em espanhol...

Comentávamos este dia e nom nos vinham mais títulos à ideia. Quase todas as seriadas cascam antes do 10°, por dizer algo. E a escala industrial o panorama é um ermo.

Marvel, stop re-coloring old comic books, you disgusting twat

Marvel, stop re-coloring old comic books, you disgusting twat

Estava perfeito (esquerda) mas tivérom que re-colori-lo digitalmente para estragá-lo. O clássico horror vacui ocidental cagando-a. Encher por encher. E degradados, muitos degradados. Horteras.

Para matá-los a pés de milho.

O interior tamém é horrível. O alucinante é que a cor da publicaçom atual (direita) acreditou-se à mesma persoa responsável pola ediçom original. Foi realmente assim? Imposiçom editorial de estilo modelno? Porque era infinitamente melhor a cor analógica.

Neste tipo de intervenções o habitual é piorar o material de partida. No melhor dos casos nom magoam a vista. Mas é errado re-colorir porque se deve entender a obra como um produto conjunto de determinada época. Igual que nom se re-dialogam BDs velhas devia-se respeitar a cor original, que ademais casa "organicamente" co desenho, é tudo fruto do seu tempo. Eu criticaria alterarem diálogos de ninguém, chame-se Stan Lee, Jim Starlin ou quem for. Pois isto é o mesmo. A cor era tecnicamente limitada mas eu quase prefiro em geral que o que se fai agora, polo menos no mercado comercial. Os coloristas antigamente tinham muito ofício para encher de vida usando umha gama reduzida e sabendo que depois em imprensa ainda se compunha, antes de entrar em máquinas.

Ou, como di Emilio, As solucións e técnicas empregadas son fillas do seu tempo, e habería que respetalas. En xente con talento as limitacións adoitan ser catalizadoras para atopar solucións brillantes. É como nos videoxogos na era 8 bits (Spectrum, Amstrad, etc.): con pouquísimos recursos conseguíanse cousas abraiantes tanto esteticamente como en canto a optimización software.

Pois isso.

26 anos sem Vázquez

O maior autor da historieta espanhola: Manuel Vázquez Gallego, com essa sinatura "By Vázquez", das primeiras que aprendémos a identificar. Aparentemente ácrata, talvez preguiçoso, com certeza genial, sempre lendário, eterno.

26 anos sem Vázquez

2021 AD...

... fãs antiWoke ofendidos com que o discurso comprometido siga fedelhando cos seus superherois:

2021 AD...

... meanwhile, in the Golden Era (Superman n.º 1):

2021 AD...
2021 AD...
2021 AD...
2021 AD...

✓ Linchamentos
✓ O direito a um julgamento justo
✓ A pena de morte
✓ Prestação de contas dos funcionários eleitos
✓ Violência baseada no género

Astérix em apenas IV arcos

Astérix em apenas IV arcos

Sai o novo Astérix e resulta-me curioso coincidir ao 100% coa valoraçom da série dada polos leitores da BDGest.com: poucos 'arcos' mui definidos.

I.- Começo com um prólogo de dous álbumes, valorados em 4 sobre 5, e início de II.- a mítica/gloriosa era canónica Goscinny/Uderzo ...

Astérix em apenas IV arcos

... composta polos libros 3º a 24º (este o último Goscinny, Astérix e os belgas), valorados em 4.5 só com umha excepçom à baixa, o Presente de César

Astérix em apenas IV arcos

Astérix em apenas IV arcos

Após passamento de Goscinny vem III.- breve era de transiçom (tomos 25º a 28º) que aguenta no 3.5, depois IV.- a época final de Uderzo cos 29º-32º, fixada em pontuaçom de 3.5 e com um triste epílogo do título pior valorado de toda a série (33º): 1 sobre 5 :(

Astérix em apenas IV arcos

IV.- Finalmente, o tempo do novo tándem, estável num discreto 3 sobre 5, apenas com um pontual 3.5 do Papiro de César (36º)

Astérix em apenas IV arcos

Observe-se que os votos de ~200 leitorxs dim que globalmente o curso atual nem igualou o melhor de Uderzo em solitário...!

(e que conste que eu nom som dos indignados/ofendidos porque as séries como Corto Maltese ou Astérix continuem com estilo mimético do original)

PS.- E como nunca faltam as notícias quando hai interesse avondo, Astérix e o circo: Un album d'Astérix inédit, non-achevé par Goscinny, pourra-t-il bientôt voir le jour?

Os outros autores de Mortadelo

Tanta léria cos negros de Ibáñez mas mais bem se fazia se os webs de banda desenhada começassem polo menos a acreditar devidamente o trabalho de cada quem. Os principais dam Francisco Ibáñez como autor deste Olé, por exemplo...

Os outros autores de Mortadelo

... mas -que alguém me corrija se erro- juraria que nom hai nem umha única prancha del (além da capa) em todo o volume.

Os creativos som em realidade De Cos, Mengual, Ratera, Casanyes... e estes nom eram autores fantasma de Ibáñez senóm da editora, de Bruguera, que só os acreditava no guiom, desta maneira mentindo, por omissom, naqueles casos em que faziam o labor completo.

E webs presuntamente especializados (chequei nos dous maiores espanhois e noutro francês de referência) nem sequer os mencionam, direta e falsamente dim que esse Olé é de F. Ibáñez e só da sua autoria.

Outro de muitos Olé em situaçom análoga ao anterior, e que resulta chamativo, é umha das aventuras do Botones Sacarino que mais lembram os leitores, El escarabajo de oro:

Os outros autores de Mortadelo

Para surpresa minha foi obra em guiom e desenho de Lurdes Martín Gimeno para o mercado alemám. Depois ela mesma lho vendeu a Bruguera. O entintado realizou-no Juan Manuel Muñoz. Na ediçom espanhola, que tamém leva histórias breves de Luis Rivera, Jesús de Cos, J. Vilar e Francisco Serrano, nom consta crédito, nem na capa nem no interior da aventura principal.

Alberto V. Táboas pensa que a gente ainda crê que toda a produçom de Bruguera a fijo Ibáñez. Eu digo que ao público tamém o hai que educar, que igual que se logrou algo impensável quando éramos adolescentes...

Os outros autores de Mortadelo

... pois da mesma maneira hai que lograr que se listem e se acreditem os nomes dos creadores dos Mortadelos (pseudo)apócrifos.

Os pecados profissionais de Ibáñez som conhecidos de velho (que eu lembre começárom-se a popularizar via Internet polo câmbio de século): comportamento para assistentes e para companheiros de ofício, decalques de autores do mercado francobelga, etc. Contudo, valorações desse teor à parte, el nom deixa de ser um autor fora de série, um autoraço como poucos, que leva mais de meio século convocando a atençom de inúmeros leitores, mesmo de crianças do s. XXI.

Da sua obra eu adoro esta época. Nom obstante a minha favorita é aquela em que copiava com todo o papo o estilo de Vázquez (este já nom era um fora de série senom um génio). Esta homenagem vem reconhecê-lo implicitamente:

Os outros autores de Mortadelo

Além disto tudo viu-se nos últimos tempos como hai quem fai show coa demonizaçom de Ibáñez. Qualquer cousa com tal de estar sempre na lameira, na polémica e na dicotomia. Eu poria a lupa mais no modelo empresarial de quem amassou dinheiro a eito às custas de forçar autores... e mais personagens:

Os outros autores de Mortadelo

Dos autores mortadelianos semiocultos Samuel Guerrero tem especial estima por Casanyes: A mí me gusta el Casanyes de los cómics de Quicky, me parecía todo un home run. Él y Miguel Francisco, me parecían todo otro rollo, muy fresco.

Eu gostava de Casanyes mas quando fazia o seu próprio material.

Os outros autores de Mortadelo

De miúdo eu nom gostava de nengum Mortadelo que nom fosse de Ibáñez (e dávamo-nos conta de quando nom eram del). O que mais lembro de Casanyes é a saga das criaturas de cera:

Os outros autores de Mortadelo

Mui reconhecível o seu estilo pola diagramaçom, Ibáñez nunca faria umha transiçom como a da 3ª à 4ª vinheta no extrato anterior.

Sempre me deu a sensaçom de que Casanyes era o autor com maior potencial daqueles mortadelianos, que em melhores circunstâncias podia ter arrasado.

Casanyes tivo distintos estilos à parte do ibañesco, por momentos podia ser mui Franquin, com ótimos resultados tamém.

Os outros autores de Mortadelo

No Olé que encabeça esta entrada Casanyes tamém desenhou umha história de Rompetechos.
Falávamos o ano passado do armazenamento e da conservaçom de BDs. Hoje, prévia desculpa a quem for profissional da enquadernaçom, comento como recuperei tomos voluminosos que passárom polas minhas mãos quando estavam destroçados, quer por virem dum trabalho de imprensa péssimo, quer porque fórom mui mal tratados em uso, quer polas duas cousas.

Ediciones B foi responsável de edições penosas quando tinha os direitos de Mortadelo. Cousas como esta infra (imprimiu EGEDSA) na altura de 2006 som imperdoáveis, mais quando se trata da 6ª ediçom e o título já levava dado dinheiro a eito:



O uso normal dum livro nom pode dar numha desfeita tal. Contudo, depois alguns apanhos som bastante piores que o dano que pretendiam arranjar:



Eu uso um papel grosso castanho reciclado e reutilizado para devolver a consistência do espinhaço do livro. Deu-me até agora mui bom resultado quando nom importa tanto a estética dos interiores de capa e contracapa como a fortaleça do resultado.



A cola que utilizo contém 1,2-benzisotiazol-3(2H)-ona, 2-metil-2H-isotiazole-3-ona, Mistura de: 5-cloro-2-metil-2H- isotiazole-3-ona (N. CE 247-500-7) e 2-metil-2H-isotiazole-3-ona (N. CE 220-239-6) (3:1). Se trabalhares em restauraçom ou sabes de química e estou fazendo umha barbaridade agradeço comentário. Os resultados a muitos meses vista, nom obstante, som de momento ótimos, mesmo quando o exterior do volume cai literalmente a cachos:









Nengumha soluçom externa (fita americana, fita adesiva transparente convencional, etc.) me convencera inicialmente como para a recomendar, daí que nom tivesse usado nengumha no livro azul destas últimas imagens. Porém, em outono de 2022, após comprovar que a tela de enquadernaçom nom me dava bom resultado, provei a colá-la ao inverso -coa cara de papel para o exterior- e desta vez por fim ficou consolidada a proteçom externa do lombo deste volume.



Levo um tempo lendo o carca de Bob Haney e isto pareceu-me umha síntese genial —no mal sentido- do assunto da imigraçom.



Autocomplacência, paternalismo, ignorância voluntária e impossível nom mentar a hipocrisia.

Tem muitos outros momentos fantásticos, politicamente, custaria-me escolher só um par.

Paroxismo. Que classe de distorsionada bússola moral pode ter alguém para apresentar isto como os bons. Atentas. Isto nom se pode superar:


É tremendo parar e pensar que do Spider-man nº1 (1990) de Todd McFarlane circulárom dous milhões e meio de exemplares e que o mês passado Image celebrasse que Spawn #309 pummeled with five figure reorder number, rushed back to print.

Dá-me por pensar em 10.000 cópias antes que em 99.999 mas ainda assim, que jeito de minguar o formato revista no mercado dos EUA!

O mercado editorial espanhol já tem cifras limitadíssimas de tiragens, com muitos títulos polos 1000-1500 exemplares mas, vistos os vistos, a distância acurtou-se avondo de caralho...
Deu-me pena nom "ver-me" na linha de apoio a projetos culturais lançado polo concelho da Corunha. Partes do modelo nom os acabava de entender e ainda que, o principal: celebro se acabarem amparando quem mais trabalha autonomamente e pior o está levando neste duro contexto... perguntei por isto e dá-me (-nos) um pouco a sensaçom de que é abrir comportas e deitar para que as partidas se consomam e nom retornem à tesoureria. Penso que, polo contrário, o ideal era fazer, polo menos no relativo à BD, umha forma mais flexível e harmónica com umha arte que nom tem na produçom (como pode ser teatro, audiovisual, instalações artísticas...) o seu gasto senom em tempo e esforço.
Conclusom: melhor re-pensar o modelo e nom deixar fora, por constriçom legislativa (o ordenamento autonómico que rege o contexto está frequentemente longe da realidade a pé de rua), projetos válidos e persoas que levam (levamos) muitos tempo trabalhando na cidade, e justo nos âmbitos que se pretende promover.

Conservar e armazenar BDs

Conservar e armazenar BDs

As BDs som para ler e se houvesse que escolher entre as ter novinhas sem tocar ou mui gastadas polo uso e re-leituras, sempre melhor o último.

Porém eu partir de determinada idade comecei a ser cuidadoso con elas. Co material de Bruguera e Lumen nom tanto, mais bem co editado por Junior e Grijalbo, e depois os superherois de Forum e Zinco já os fum guardando com maior atençom. Os clássicos franco-belgas como Tintin e Astérix já fora mais fácil sempre porque os álbuns eram de tapa dura, mais resistentes. Quanto ao comprado aos EUA um adquiria quase sem querer a cultura de conservaçom coas sacas plásticas específicas e os cartonzinhos que alá chamam backing boards.

Hai uns dias perguntei a um amigo por BDs velhas e el aproveitou para consultar-me por conselhos de conservaçom de BD.

Nom me considero experto mas diria que o principal é abri-los de vez em quando, passar as páginas, que respirem e para isso nada como os re-ler, obviamente. Talvez deixá-los um dia ou dous em riba dumha mesa, fora de caixas e estantes, que nom estejam dez anos sem os tirar ao ar.

É tamém fundamental nom lhes aderirmos nada, nem autocolantes nem fita adesiva, essa é umha norma de arquivística que aprendim num curso com um profissional. Sei que som um pouco estrito e que na gestom de bibliotecas sim se lhes adere a etiqueta física identificativa, o que em espanhol chamam tejuelo, mas eu nom o fago nunca nem na minha biblioteca nem na bedeteca. Sinceramente, para mim tendo bases de dados nom é necessário.

Conservar e armazenar BDs

Quando era miúdo na minha ingenuidade pugera fita adesiva transparente da que chamamos celo ou fixo a bastantes Mortadelos, por exemplo nos lombos, para que nom se estragassem, mas logicamente figem-no pior. Coitado de mim, nom sabia mais.

Outro conselho que daria, este mui fácil de entender, é mantermos as BDs longe da água e da humidade. Se pode ser -nom sempre é possível- tê-los em locais onde nom tenham excessiva humidade ambiental.

Nem o sol diretamente, isso acaba cegando os lombos, deixando-os brancos como o papel.

Conservar e armazenar BDs

Se se usarem sacas plásticas como fago eu, para que os exemplares mais velhos ou frágeis nom se estraguem ao meter e tirar de estantes, nom podem ser ácidas (acid-free dim os estado-unidenses) porque se nom o plástico acaba interagindo quimicamente co livro e dana-o. Contudo, dentro do habitual melhor tê-los algo protegidos se houvesse bichos que os podam atacar, como os nojentos peixes de prata, que podem comer cola de enquadernar edições e até têm preferência por determinados papeis, e nom digamos já se hai polilha, nesses caso as sacas americanas som as melhores porque ademais protegem algo da humidade se estám bem fechadas.

Conservar e armazenar BDs

A saca de Lucky Luke da imagem é tamanho revista, ainda que as mais habituais som as de tamanho comic-book, como a foto superior dos X-Men.

O uso ou nom de sacas realmente depende do perigo que tiver cada espaço, se as BDs nom vam ser acedidas em muito tempo e nom lhes dá o ar será melhor até os álbuns cartoné terem essa proteçom adicional, penso eu.

Hai tipos de sacas que têm a sua própria franja autocolante,

Conservar e armazenar BDs

que vai perdendo efetividade co passo do tempo, de todos os jeitos eu prefiro as que nom a levam, parecem-me mais cómodas de usar (cuidado com que se cole à BD que se está guardando nela ou tirando dela) ainda que talvez nom sejam tam herméticas:

Conservar e armazenar BDs

Alguns grandes colecionistas que conheço, bem maiores do que eu que nom passo de modesto, nom concordam e nunca guardam as suas BDs em nada que nom seja umha livraria. Eu só vos podo contar pola minha experiência.

Em geral som contrário a todo tipo de enquadernaçom conjunta de revistas, sobretudo quando nom é um trabalho feito por alguém experto nesse labor manual:

Conservar e armazenar BDs

Conservar e armazenar BDs

Contudo, até editoras como Lumen ou Ediciones B têm feito verdadeiras trapalhadas em edições voluminosas, algo inacreditável tratando-se de companhias supostamente profissionais:

Conservar e armazenar BDs

Conservar e armazenar BDs

... nengumha BD deveria auto-destruir-se dessa maneira só por um uso normal. Vejamos dous exemplos mais: Norma publicando formatos sem umha resistência aceitável...

Conservar e armazenar BDs

... (de baixo para cima, a sequência cronológica de desgaste por antigüidade dos volumes 1-2-3-4) e, por outro lado, Planeta-DeAgostini nem sequer fornece um mínimo de qualidade de encadernaçom:

Conservar e armazenar BDs

Na prática muita gente precisa recorrer, por falta de espaço, a guardar edições fora de moradas, em caixas em faiados, sótãos, etc. Por isso insisto no de revisar o material de vez em quando, ainda que tiverem passado anos, porque podes encontrar surpressas como esta:

Conservar e armazenar BDs

Conservar e armazenar BDs

Nesse caso a caixa deve ser desbotada imediatamente, os livros limpados ou aspirados e cambiados de contetor, até melhor em saca de papel se a caixa tiver risco.

Conservar e armazenar BDs

A guerra nos cómics

Nom tenho nada de experiência na revisom por pares mas meio contribuim a umha peer review hai pouco, que tratava sobre a banda desenhada como ferramenta para a análise de conflitos bélicos em retrospetiva histórico-pedagógica. Nom considero que aportasse muito, ao desconhecer os títulos analisados, nom publicados em nengum idioma que eu saiba ler, mas chamou-me a atençom que nas conclussões do escrito se considerasse a BD como suscetível à manipulaçom e distorçom ideológica no seu reflexo das guerras do século passado. Como se qualquer arte, nomeadamente o cine e a literatura, ou qualquer tipo de suporte comunicacional, como os ensaios, nom fossem presa dos sesgos políticos mais burdos ao refletirem os atores e eventos da guerra. Lembrei-me de várias obras que demostram que a BD pode nom só desmitificar senom abordá-las com claridade, sentido comum e nulo chauvinismo. Umha delas é 総員玉砕せよ! do mestre Mizuki, editada em inglês (Onward towards our noble deaths), espanhol (Operación muerte), francês (Operation mort) e italiano (Verso una nobile morte).

A guerra nos cómics
A guerra nos cómics

Astiberri, a editora em castelhano, fai este sumário do argumento: Shigeru Mizuki, con una acritud desconocida en él, pasa factura a la Segunda Guerra Mundial y, más concretamente, a la práctica del gyokusai (literalmente, “atacar hasta morir con dignidad”), un eufemismo para evitar decir crudamente lo que era: una ofensiva en la que todos los atacantes debían morir. Hábilmente, y sin caer en la caricatura, Mizuki describe el repugnante desprecio por la vida humana del mando militar nipón. Sin razón válida o sentido estratégico alguno, los jóvenes soldados eran enviados a la muerte con la expresa prohibición de volver vivos bajo pena de ejecución.

É umha obra valiosíssima, para mim por riba até da extensa e maravilhosa autobiografia do creador do clássico Ge ge ge no Kitaro, e só comparável no meu critério coa sua obra mestra Non Non Ba.

Outro trabalho que, inesperadamente este, trata a guerra dum ponto de vista totalmente apatriótico é Mi vida en barco (título espanhol de Gallo Nero). Na parte final deste extenso livro (624 páginas) que ainda acabei de ler ontem, Tadao Tsuge, sem advertência prévia, trata o papel do Japom na II Guerra Mundial, em dous capítulos mui avançados da obra (o volume tem 38 episódios). E fai-no com umha naturalidade pasmosa: um grupinho de velhos falando, simplesmente, isso é tudo. Com sinceridade os homens intercambiam lembranças e impressões que distam muito de narrativas imperialistas e etnocéntricas.

Som apenas dous exemplos do poder que tem a BD para enfrontar questões complexas sem cair na trampa do partidismo nacional e retam a afirmaçom que motivava este meu comentário em primeiro lugar.