Bastante bom. Nom som experto no personagem mas esperava algo menos canónico, parece um Blueberry com todas as da lei. O que sim, tira-me da história que se ponham decalques de Claudia Cardinale ou Woody Strode. Criativamente parece-me umha decisom absurda (até pouco profissional). Na comédia (Astérix) este tipo de aparições som simpáticas mas se a história se pretende tomar a sério para mim nom funcionam. O resto das apropriações/inspirações nom se me parecem nada (Paul Dano, Richard Harris, etc.) mas os que identifiquei para mim provocam o que chamaria a suspensom da suspensom da descrença.

Daisy Town

Daisy Town

Quando de miúdo soubem que Goscinny morrera levei um bom desgosto. O homem que nos dera o Pequeno Nicolás, Astérix, Lucky Luke... Anos depois, em 1983, nom entendim bem como se publicava com argumento seu Daisy Town, pensei que era um inédito que Morris recuperara. Só este dia pesquisei e soubem que a BD adatava um filme homónimo (nunca lhe prestei atençom nengumha às versões animadas). Lendo informaçom descobrim que tanto a Wikipédia em francês (sem citar fonte) como a Comiclopedia (a enciclopédia em linha da loja especializada Lambiek de Amsterdam) afirmavam que o autor do desenho nom era o próprio Morris senom um autor para mim ignoto chamado Pascal Dabère. Perguntei a Bas Schuddeboom, o editor da Comiclopedia e esta foi a conversaçom (o negrito é meu):

—Did Dabère draw the comic all by himself or finish some sort of previous layouts or roughs by Morris? The Wikipedia uses the expression d'après: Les dessins sont de Pascal Dabère (non crédité) d'après Morris et le scénario d'après René Goscinny. but I'm not sure what that implies here.

—Dabère drew the comic for publisher Dargaud's studio responsible for commercial and promo art with Lucky Luke (and probably also Asterix). As I understand it, Dabère did full art on the story, possibly with some guidance or supervision by Morris. D'àpres Morris means it was made by another artist in honor of, or with the characters of, another artist. It doesn't imply Morris was personally involved.

—Yes, I'd noticed that's the expression used for comics done after the original creator's demise but in this case since Morris was still alive at the time I wasn't sure what it implied.

Note-se que este álbum nom está acreditado a Dabère senom a Morris. Sítios de referência como Bedetheque.com nem o recolhem.

«
Je suis arrivé à la conclusion que, dans un geste, l'image qui passe le
mieux, en statique, c'est celle où le mouvement est le plus lent ».
(Morris)




Quase horrorizado por um par de álbuns lidos poucos anos atrás do Lucky Luke após Morris, tive o personagem abandonado desde então. Embora me ter criado com ele e outros clássicos da BD franco-belga, em alguma altura da segunda metade dos 80 parecia-me que a qualidade, sem Goscinny, já não era a mesma e deixei de ler, ao tempo que saltava para o cómic comercial estadounidense.

Por mor desses Lucky Luke posteriores ao falecimento de Morris também não me aproximei à última etapa do próprio Morris, porém acabei agora de descobrir que estava errado e que há bom material até no tempo no que o desenhador seguia em ativo de velhinho.

A semana passada li dois dos últimos álbuns feitos pelo criador do personagem, quem trabalhou durante meio século com o seu cowboy protagonista, realizando nesse tempo mais de setenta livros dele. E fiquei gratamente surpreendido.

“Le pont sur le Mississipi” data de 1994 e conta com uma valoração positiva em Bedetheque.com com a que concordo, graças ao argumento de Xavier Fauche e Jean Léturgie. Responde ao esquema clássico de história de Lucky Luke, ao igual que “Le prophète”, de 2000 e com argumento nesta ocasião de Patrick Nordmann. Gostei também de “Oklahoma Jim”, de 1997, escrito pelo mesmo Léturgie mas com desenhos de Pearce (mimético de Morris), apesar de que a ideia dum Lucky Luke menino me parecia -me parece- de partida um recurso comercial lamentável. Os três álbuns -incidentalmente, editados em espanhol por Salvat com uma legendagem penosa- respeitam o tom e ritmo clássico das histórias do personagem, o seu uso do humor e os recursos do western e aliás contam com secundários bem postos. Vistos os vistos tenho curiosidade pela dezena de títulos da última época de Morris que me faltam por ler, à espera de ver o que outros autores novos fazem o ano que vem com o pistoleiro que dispara mais rápido do que a sua sombra.

Gosto desses rasgos orientais e do poncho à la Eastwood/Leone ^__^

Veremos se melhora os antecedentes, que foram péssimos comparados com as obras mestras da melhor era de Morris -quer com Goscinny, quer com outros argumentistas, ou mesmo em solitário-.

Depois da filmografia de Sergio Leone e do Blueberry de Charlier e Gir fazer um western visual com personalidade própria e qualidade das que marcam época está bem mais difícil. Em BD gostei do Gus de Christophe Blain, que é realmente original, e do filme The missing com Tommy Lee Jones, embora não ser especialmente popular, mas não me diz nada o que faz por exemplo Tarantino, a anos luz, para o meu gosto, do logrado por Eastwood nessa obra mestra que é Unforgiven. Considerado tudo isso e mais que Jodorowsky frequentemente me deixa frio, não esperava muito do primeiro Bouncer, mas a verdade é que é um trabalho sólido, com a vantagem de ter um mestre consagrado como Boucq na arte, embora esses lábios carnosos e enormes narizes que desenha sejam de pesadelo :-P

Lerei a meia dúzia de volumes da série mal tiver oportunidade.

A imagem procede de itunes, onde vendem a seis euros a edição eletrónica em francês, ainda que eu li a versão espanhola, em papel, de Norma Editorial, cortesia da biblioteca pública.